sexta-feira, 28 de agosto de 2026

4-REFLEXÕES DO 22.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A 4.1- O SEGUIMENTO E A CRUZ

 

4-REFLEXÕES DO 22.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

4.1- O SEGUIMENTO E A CRUZ

A Palavra de Deus deste domingo, 22° do tempo comum, nos conduz a um momento decisivo no caminho de Jesus e, também, no caminho dos seus discípulos. Logo após a profissão de fé de Pedro, quando reconhece Jesus como o Messias, o Senhor começa a revelar algo desconcertante: o caminho da cruz. Pedro, que havia acertado ao reconhecer quem é Jesus, agora erra ao tentar afastá-lo do sofrimento. Ele não aceita um Messias que sofre. E Jesus responde com firmeza: “Afasta-te de mim, Satanás! Tu pensas como os homens, não como Deus”. Aqui está o coração da mensagem: seguir Jesus não é escolher um caminho fácil, mas um caminho verdadeiro. Pedro representa cada um de nós quando queremos um cristianismo sem cruz, sem renúncia, sem exigência. Muitas vezes buscamos um Deus que resolva nossos problemas, mas não queremos um Deus que transforme nossa vida. Dessa forma, Jesus nos convida a uma mudança profunda de mentalidade: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.” A cruz não é o sofrimento pelo sofrimento, mas é o amor levado até o fim, a fidelidade a Deus mesmo quando custa, a entrega da própria vida. E o Senhor continua: “Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la.” Este é o paradoxo cristão: só encontra a vida quem aprende a se doar. Num mundo marcado pelo egoísmo, pela busca de si mesmo, Jesus propõe o caminho do dom, do serviço, da entrega. À luz deste Evangelho, somos convidados hoje a recordar e valorizar uma vocação muito especial na Igreja: o ministério do catequista. O catequista é alguém que, como Cristo, aceita gastar a própria vida para que outros encontrem o Senhor. Não é apenas alguém que ensina conteúdos, mas alguém que testemunha a fé com a própria vida. Por isso, ser catequista é: assumir a cruz da perseverança, mesmo diante das dificuldades; doar tempo, energia e amor, muitas vezes sem reconhecimento; anunciar Cristo não apenas com palavras, mas com a vida; formar discípulos, ajudando outros a também dizerem “sim” ao chamado de Deus. O catequista vive exatamente o que o Evangelho pede hoje: perder a vida por causa de Cristo para que outros a encontrem. Um dado interessante é que a Igreja não existe sem a transmissão da fé. E essa missão passa, de modo especial, pelos catequistas. Eles são: pontes entre Deus e as novas gerações; semeadores da Palavra; formadores de discípulos missionários. Em um tempo em que muitos se afastam da fé ou não a conhecem profundamente, o catequista se torna ainda mais essencial. Ele ajuda a moldar corações, iluminar consciências e conduzir pessoas ao encontro pessoal com Jesus Cristo. Esta Palavra não é apenas para os catequistas, mas para todos nós. Cada cristão é chamado a viver essa dinâmica do Evangelho: renunciar a si mesmo, carregar a cruz e seguir Jesus. E, de modo especial, somos convidados hoje a: rezar pelos nossos catequistas; valorizar seu trabalho; e, quem sabe, também nos abrir a essa vocação tão bela. Irmãos e irmãs, seguir Jesus não é fácil, mas é o único caminho que conduz à verdadeira vida. Que, inspirados por este Evangelho aprendamos a pensar como Deus, abracemos a cruz com fé e vivamos nossa vocação com generosidade. Que nossos catequistas, sustentados pela graça de Deus, continuem sendo luz no caminho de tantos que buscam o Senhor.

 Dom Cícero Alves de França Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Belém

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