sexta-feira, 28 de agosto de 2026

7- SER CATEQUISTA - A VOCAÇÃO DE SER CATEQUISTA

 

 

7- SER CATEQUISTA - A VOCAÇÃO DE SER CATEQUISTA

 Ser catequista

 

Em primeiro lugar, a catequese não é um trabalho ou uma tarefa externa à pessoa do catequista, mas se “é” catequista e toda a vida gira em torno desta missão. De fato, “ser” catequista é uma vocação de serviço na Igreja, que se recebeu como dom do Senhor para ser transmitido aos demais. Por isso, o catequista deve constantemente regressar àquele primeiro anúncio ou “kerygma”, que é o dom que transformou a própria vida. Este anúncio deve acompanhar a fé que já está presente na religiosidade do povo. Com Cristo O catequista caminha a partir de Cristo e com Ele, não é uma pessoa que parte de suas próprias ideias e gostos, mas se deixa olhar por Ele, porque é este olhar que faz arder o coração. Quanto mais Jesus toma o centro da nossa vida, mais nos impulsiona a sair de nós mesmos, nos descentraliza e nos faz mais próximos dos outros.

 

Catequese “mistagógica”

 

Podemos comparar este dinamismo do amor com os movimentos cardíacos: sístole e diástole, se concentra para se encontrar com o Senhor e imediatamente se abre para pregar Jesus. O exemplo fez do próprio Jesus, que se retirava para rezar ao Pai e logo saía ao encontro das pessoas sedentas de Deus. Daqui nasce a importância da catequese “mistagógica”, que é o encontro constante com a Palavra e os sacramentos e não algo meramente ocasional. Ser catequista não é uma profissão nem um passatempo, mas uma vocação que precisa de toda dedicação.

Papa Francisco, Simpósio Internacional sobre Catequese em Buenos Aires.-julho de 2017

 

De onde vem o chamado para ser catequista?

 

 Os que seguem Jesus e são batizados formam a Igreja. É assim o povo de Deus que se reuni e esse povo tem uma missão: “Ide, pois, ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do pai, do filho e do espírito santo”. (Mt 28,19) Assim desde o inicio da Igreja existem os ministérios: Ordenados – Bispos Padres (presbíteros) Diáconos Bispo: Chefe da Igreja particular ou Diocese. É uma pessoa chave na Igreja, recebe o sacerdócio em plenitude e a ele são dados todos os ministérios. Padre: Colaborador direto do Bispo na evangelização e na distribuição dos ministérios. Pode ser: Diocesanos e Religiosos. Devem: Pregar o evangelho; presidir a eucaristia; exercer o ministério dos sacramentos a eles confiados; animar, coordenar e orientar a comunidade. Diácono: do grego (diakonia) – serviço Podem ser: Permanente – como ministério permanente ou Provisório em preparação para ser Padre. Não ordenados – (Leigos) – toda a comunidade Igreja, todos aqueles que, recebendo o Batismo, resolvem assumir o seu papel na comunidade. Entre esses, nós, catequistas. “A Igreja para cumprimento de sua missão, conta com a diversidade de ministérios. Ao lado dos ministérios hierárquicos, a Igreja reconhece o lugar dos ministérios desprovido de ordem sagrada. Portanto, também os leigos podem sentir-se chamados ou ser chamados a colaborar com os seus pastores a comunidade eclesial, para o crescimento e vida da mesma, exercendo ministérios diversos, conforme a graça e os carismas que o senhor aprouver conceder-lhes.” (Puebla 804). Cristo é o centro da Catequese No centro da Catequese encontramos essencialmente a pessoa de Jesus de Nazaré, filho do Pai. Que morreu por nós e agora ressuscitado vive conosco para sempre (catecismo IC 426). Quem é o catequista? O Catequista é antes de tudo alguém que escuta e atende o chamado de Deus (Mt, 9, 37-38). Ele é um profundo conhecedor da doutrina religiosa, que enviado por Deus, vai despertar e cultivar a fé dos catequizados (catecúmenos). O Catequista é alguém de muita vocação (Ef, 4,1. 2Ts, 1,11).

 

Virtudes do catequista:

 • Catequista é um mestre de oração

• O Catequista é um mediador, que facilita a comunicação entre Deus e o Homem.

• O Catequista é um intérprete da igreja junto aos catequizandos.

• O Catequista é alguém que catequiza em nome de Deus e da comunidade profética. Em comunhão com os pastores da igreja.

• O Catequista é testemunha ativa do evangelho em nome da igreja. Missão do catequista A missão primordial da igreja é anunciar a Deus e testemunhá-la diante do mundo. Anunciar o reino de Deus como o próprio Jesus o fez sendo enviado. Transmitir aos crismandos a viva experiência que ele tem dos evangelhos. Conservar fielmente o evangelho a todos aqueles que decidiram seguir Jesus. O Catequista dedica-se de modo específico ao serviço da palavra tornando-se portavoz da experiência cristã de toda a comunidade. A Catequese é um ministério, portanto um serviço. Catequese é uma prioridade em toda a Igreja, “A Catequese é uma urgência. Só posso admirar os pastores zelosos que em suas Igrejas procuram responder concretamente a essa urgência, fazendo da Catequese uma prioridade” (João Paulo II encontro com os Bispos em Fortaleza 10/07/1980).

A Igreja precisa de catequistas, porém, catequistas conscientes com a missão de: Catequizar, ensinar e evangelizar. Características de um bom catequista

 

Espiritualidade profunda – rezar e testemunhar o cristianismo, não perder nunca a intimidade com Deus.

Integração na comunidade – Participar ativamente de toda a vida da Igreja. O catequista deve exercer o ministério de forma contínua e permanente.

Senso crítico – ler, estudar, e analisar coerentemente os fatos da Igreja do mundo. A alienação é um mal que jamais deve tomar o catequista.

Animação – saber ouvir e dialogar, buscar não mostrar dúvidas e insegurança, animar de tal forma o encontro de Crisma, que leve o crismando a um conhecimento gostoso da doutrina da Igreja.

Qualidades humanas – didática, psicológicas, equilíbrio, carinho.

Formação doutrinária – buscar conhecer a doutrina católica, estudar sobre seus diversos aspectos, através de leituras, cursos etc. Ser catequista não é ser professor. Aulas são dadas na escola. Os encontros de Crisma têm a preocupação de anunciar Jesus e levar o crismando a uma aproximação maior com a Igreja. Por ser considerado pelos crismandos como modelo, o catequista deve dar testemunho daquilo que prega, de viver o que anuncia. O essencial a um bom catequista é o AMOR, daí emana: - Compreensão - Carinho - Dedicação - Atenção - Preparação - Serviço

 

- SER CATEQUISTA - ESPIRITUALIDADE CRISTÃ

 

A espiritualidade cristã é a fé recebida que passa a ser exercida na prática pessoal. Esse é o ponto central que faz a fé cristã ser uma fé viva. A vida espiritual, isto é, a vida conforme o Espírito de Deus é algo multifacetado. O grande desafio é deixar-nos imbuir de seus contornos vivificantes e descobrir-nos dentro de suas diversas formas. Os cinco seguintes aspectos são os principais pontos que definem a espiritualidade cristã:  A relação pessoal e dialógica com Deus (ou seja, Deus é pessoa com quem· devemos nutrir uma profunda amizade);  Seu caráter integral (essa relação de amizade deve ser patente em todos os· aspectos de nossas vidas: nas relações interpessoais, na família, no trabalho, etc.);  Seu caráter processual (nenhuma amizade surge e se consolida da noite para o dia.· Trata-se de um longo processo);  Sua referência ao mundo (devemos ser ativos tanto na manutenção e defesa da· criação como no anúncio e implantação do Reino);  Sua intrínseca ligação à Igreja (a amizade com Deus não deve ser algo fechado em· si mesmo, mas deve se efetivar com a comunidade, pela comunidade e na comunidade dos fiéis). Se esses pontos são fundamentais para a caracterização da espiritualidade cristã, isso não quer dizer, todavia, que eles são encontrados somente no cristianismo e que os cristãos devem reclamá-los exclusivamente para si. Eles possuem, entretanto, um significado típico e essencial para a caracterização da espiritualidade cristã, servindo, por conseguinte, de critério. Para saber, portanto, quão próximos ou distantes estão outros caminhos espirituais (como o sufismo, o zen-budismo ou a antroposofia) da espiritualidade cristã, devem-se analisar tais caminhos e medir o quanto eles se aproximam ou se distanciam desses cinco pontos supracitados. Em outras palavras, os elementos de outros caminhos espirituais (como a yoga ou a zen-meditação) se integram melhor no caminho caracteristicamente cristão na medida em que sejam mais compatíveis e próximos dos princípios da espiritualidade tipicamente cristã. Por outro lado, voltando-se para as diferentes formas de espiritualidade dentro do próprio cristianismo, pode-se sempre verificar se uma determinada prática se harmoniza com todos esses cinco critérios e assim com o essencial da espiritualidade cristã. Um determinado caminho que, em geral, negligencia um ou outro ponto tem, no mínimo, a necessidade de uma complementação. Isso não impede, entretanto, que em nosso caminho pessoal, durante certo tempo, um determinado ponto seja mais presente enquanto outros, ao mesmo tempo, sejam considerados menos importantes. De maneira mais geral, uma comunidade ou movimento espiritual pode, sem dúvida nenhuma, focar um determinado ponto, desde que a abertura para o todo sempre esteja presente. Baseado nisso, sempre é válido, de tempos em tempos, analisarmos nosso próprio caminho a partir dos critérios acima apresentados, para sabermos se nossas ações estão realmente de acordo com a fé e a espiritualidade cristã. A espiritualidade cristã Sempre temos dificuldade diante das palavras espírito, espiritualidade, vida espiritual. E as parcas noções que temos delas não nos proporcionam a clareza necessária à construção de uma vida cristã sólida. Por isso temos que retomar sempre esses temas para melhorar nossa compreensão, de tal maneira que possamos agarrá-la e, a partir daí, começar a moldar melhor nossa vida. Nossa dificuldade começa com a palavra espírito que na modernidade recebe diversos sentidos. Segundo o conhecimento filosófico, o ser humano tem duas maneiras de conhecer: os sentidos, pelos quais captamos o mundo sensível, e o intelecto, pelo qual captamos o mundo inteligível ou suprassensível. A partir disso, entendemos as palavras espírito e espiritual como sendo os entes não materiais, os valores e as coisas culturais e os valores ético-humanistas. Com o tempo, na nossa cultura ocidental, a compreensão filosófica da palavra espírito e a compreensão da fé se misturaram, pelo que espiritual passou a significar valores ético-humanistas. Isso faz pensar que por espiritual o cristianismo entenda a busca desses valores. Essa busca, porém, é própria de todas as religiões. Essa mistura da experiência filosófica e da experiência cristã leva a distorções que nos dificultam o viver espiritual. Por exemplo: distinguimos o "fazer coisas materiais" e o "fazer coisas espirituais". A partir dessa distinção, um mecânico que conserta carros, busca ampliar sua oficina, ele faz coisas materiais, é materialista, não entende de coisas espirituais. Já um professor de literatura, que leciona na faculdade, lê bastante, participa de congressos, este faz coisas espirituais, é espiritualista e entende de coisas espirituais. Partindo dessa concepção, pessoas como mães de família, operários, lavradores não teriam vida espiritual. O analfabeto também não poderia ter acesso a ela. Se quisermos entender o que é espírito, espiritualidade, vida espiritual, devemos deixar de lado esse modo de pensar. Surge a pergunta: mas então, quando falamos de espiritualidade cristã, o que entendemos por espírito? A tradição cultural do Ocidente entende por espírito o modo de existir próprio do ser humano, modo que o distingue dos outros níveis de ser, tais como o vegetal e o animal. Espírito não é, portanto, algo oposto ao corpo. Espírito é o modo de existir que tem como apanágio deixar-se atingir e abrir-se à dimensão originária que chamamos de Deus-mistério. Mas o Deus-mistério não é o que está além do nosso alcance, não é o estranho longínquo, o misterioso, o enigmático, o abstraio. Ele é, pelo contrário, o aquém, isto é, a intimidade mais íntima da interioridade de nós mesmos. As palavras deus, transcendência, ser, psique são definições pelas quais a teologia, a filosofia, a psicologia tentam dizer algo acerca do Deus-mistério. Assim ser espírito é a experiência maior do ser humano, experiência que constitui sua identidade. Esta experiência busca compreender-se, organizar-se, tematizar - se. Dessa elaboração surge o que chamamos de espiritualidade que não é outra coisa do que o cuidado, a cura, o amor disso que somos espírito. Espiritualidade não é disciplina de ensino, não é ciência do saber. Ela é, porém, verdadeiro saber, saber comprovado por evidências vitais; por isso a espiritualidade é uma verdadeira ciência, numa compreensão da palavra ciência diferente da usual e comum, própria do nosso sistema de ciências físicas, matemáticas, biológicas e humanas. Se o espírito é a experiência mais radical, então a espiritualidade exige radical conversão do nosso modo de ser. Essa conversão no Ocidente recebeu o nome de mística, entendida não como atividade privilegiada de alguns contemplativos, nem como vivência sentimental da alma piedosa, mas como busca radical do Deus mistério. Por ser radical, ela exige o total engajamento da nossa liberdade. A essência da mística cristã é, pois, esse engajamento de busca do Deus-mistério. A crise da sociedade atual provém do total esquecimento do espírito. Esquecimento que relegou a espiritualidade e a mística a um plano secundário. É preciso resgatar o sentido profundo da mística, não como uma atividade piedosa do homem, mas como um empenho vital que se concretiza na realidade do dia-adia. O pensamento, a arte, a ciência, até o esporte, quando atingidos pela seriedade radical da mística, abrem-se em diferentes vias à acolhida incondicional do Deus mistério, lá onde se acha o manancial do espírito, a espiritualidade. O Deus-mistério, porém, ultrapassa nossas duas possibilidades de conhecimento, os sentidos e o intelecto. Ele é inacessível a partir de nós mesmos. Mas Deus se revelou no Evangelho (a boa nova!) de Jesus Cristo, em suas belas e sábias palavras e em nas atitudes que comprometiam seu próprio viver. Assim, tudo de espiritual que é aprendido no âmbito da fé não vem de nossas experiências intelectuais, mas da dimensão de Deus. A esse mundo inacessível a tradição eclesial ocidental chamou de sobrenatural, diferenciando-o do natural (mundo sensível e inteligível). Portanto, na experiência cristã, as palavras espiritual, espiritualidade têm o sentido, pura e simplesmente, de empenho de dinamizar o espírito, a existência que somos a partir e iluminados pelo discipulado (aprendizagem) do seguimento de Jesus Cristo, feito a dinâmica maior de nossa vida. Por isso, para nós cristãos, a verdadeira espiritualidade é o seguimento radical de Jesus Cristo.

https://www.ispsn.org/sites/default/files/documentosvirtuais/pdf/apostila_de_formacao_de_catequistas.pdf

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