sexta-feira, 28 de agosto de 2026

8- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA (* )

 8- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA (* )


     MÁXIMAS E PENSAMENTOS [IM]PERTINENTES QUE DÃO O QUE FALAR E PENSAR...

Parte 2

[] Comprar um perfume diferente para compensar “aquela” decepção que vem fazendo você ficar deprimido, e depois cometer o deslize de fazer uso desse mesmo perfume antes de botar os pés dentro de casa, pode não ser uma boa decisão. Perfume novo e mancha de batom têm desfeito muitos vínculos e relacionamentos, sobretudo quando o controle e o ciúme permeiam a relação. Se o perfume for ruim, então, diminui ainda mais a chance do perdão. Da próxima vez, tome mais cuidado com o tipo de perfume que você vai comprar na lojinha da esquina! De um e noventa e nove pra baixo, pelo amor de Deus! Esquece! E o mais importante: faça uso dele apenas depois de ter entrado dentro de casa, e de preferência levando qualquer coisinha. Quem sabe, um diamante. Vai que a madame ainda não superou o gravíssimo desleixo de você ter esquecido o dia em que ela comprou a cachorrinha – quem se lembra disso, meu Deus! – e pronto! É sermão em cima de sermão. Isso quando não acontece o pior. Não acha melhor passar na igreja antes, não!? Só não sei se a porta vai estar aberta. Aquele tal de padre Sorre Tranca não abre aquela porta nunca! Nem por ordem expressa do arcebispo!

 

[] Quem reclama de tudo, e de tudo que deveria assumir, não assume nada, pode acabar se tornando vítima da própria autovitimização. Uma hora o lobo acaba vindo de verdade, ninguém acredita no seu grito de... “SOCORRO!” – dele, não do lobo – e, de repente... “Caramba! Olha lá! A vaca está indo direto para o brejo e vai acabar morrendo atolada!”. E, como reza o ditado, onde passa um boi passa uma boiada. Muuu!!!

 

 [] Se seu filho ou sua filha lhe desse um tapa à queima-roupa, o que você faria? De qual reação, mais tarde, provavelmente você se arrependeria? De nenhuma? Shiii!!! Tá feia a coisa! Melhor rever seu papel de pai ou de mãe – avô e avó, por tabela, claro. Ou então corre logo para a terapia. Dá até para visualizar a cara de reprovação da terapeuta: “Mas desde quando o senhor ou a senhora tem reagido assim? Isso é frequente ou foi um acidente de percurso? O garoto já deixou a UTI? Nããão!? Meu Jesus Cristo!”.

 

[] Se você não é capaz de soltar um “puta... palavrão” quando arregaça o dedão com o martelo e estrupia de vez sua mão, você ainda não sabe rezar direito. Seu perfeccionismo e seu puritanismo não permitem. “Educar uma emoção é aprender a usar a emoção certa, no lugar certo, na intensidade certa, com a pessoa certa, sem se culpar por isso". Quem afirma é Francis Seeburger, em “Como educar suas emoções”. Deixando claro: a liberdade de pronunciar um puta palavrão na mencionada situação ou situação parecida não basta, se depois você fica carregadaço de culpa e vai se confessar na primeira ocasião. E o que seria ainda pior: declarando ter cometido um baita pecadão, daqueles que, segundo a Santa Madre, nem Deus  lhe concederia perdão. Se for esse o seu caso, melhor rezar e esquecer o palavrão na hora em que a desgraça do martelaço acontecer. Mas pelo menos cuide bem do seu dedão. Tadinho! Nem poder desabafar um pouquinho mais altinho o bichinho pode! Magoei!

 

────────── PAUSA PARA O MERECIDÍSSIMO COFFEE BREAK _---------------

 

[] Quem ama demais uma pessoa – quem quer que seja essa pessoa, ou seja lá qual for a natureza desse amor – não pode ser terapeuta dessa mesma pessoa. Nem pensando! Fará tudo para ajudar outras pessoas, na esperança de que um outro terapeuta possa fazer, por quem ele ou ela ama, aquilo que está fora do seu alcance. Nem todo tipo de amor – quem diria! – permite que façamos o melhor por quem a gente mais ama. Paciência! Afinal, todos os demais terapeutas também acabam tendo que fazer o mesmo. O jeito é rezar para que a classe inteira de terapeutas não seja acusada de nepotismo disfarçado. Aí já seria o fim. Fim da picada, eu quero dizer. Por princípio, terapeutas não podem fazer isso. Só políticos e Ministros do "Suprima-se" – nem todos, Claro. Vivo, Oi e Tim ficam fora dessa lista – se sentem nesse direito.

 

[] Princípio da ciência psicológica: não se deve contaminar um valor positivo com uma enxurrada de elementos negativos; fazer isso seria o fim. Ao fim da picada, eu me refiro. Aplicação prática desse princípio: não se deve ensinar sobre Deus e virtude, falando o tempo todo de demônio e vício. Se você costuma fazer isso, imagine como deve estar a cabeça do seu neto ou do seu filho. Procure hoje mesmo por uma Clínica-Retiro de desintoxicação espiritual e se submeta a um processo de d-e-s-s-e-n-s-i-b-i-l-i-z-a-ç-ã-o p-r-o-g-r-e-s-s-i-v-a. Depois, vá passar pelo menos uns cinco anos hibernando nas montanhas do Tibete para se purificar espiritualmente. Ah! Já ia me esquecendo: não esqueça de levar repelente contra urso pardo. Nesse tipo de montanha prolifera aos montões – algo em torno de milhões – esse tipo de urso. Adora carne humana. Depois volte pra casa. Se ainda estiver vivo, naturalmente. "Quê!? O velório dele foi quando? Mas ninguém me disse nada! E eu aqui por ele rezando!".

 

[] Há pessoas que são verdadeiras bombas-relógio caminhando livres e soltas – liberei o leve – por onde a gente menos espera. Umas são tagarelas como maritacas, outras não abrem a boca nem para escovar a dentadura, outras a gente nunca sabe se são surdo-mudas, só surdas, só mudas, ou se simplesmente preferem olhar a gente com aquele olhar vesgo e esquizo. Deus que me livre! O problema é que só descobrimos quem esse tipo de criatura é, quando ela dá aquela fechada no nosso carro, e convictos de que estamos com a mais absoluta razão perguntamos calma e amigavelmente: “Amigão, não dá pra ficar um pouco mais atento, não?”. Só então ficamos sabendo se o estrupício é o próprio Jesus Cristo em pessoa, ou se é uma das tais bombas-relógio esperando apenas que o estopim da bomba seja acionado para descarregar, sem dó nem piedade, seu estresse e o seu ódio sobre a gente. Se, ainda por cima, alguém que amamos ou um carona penetra, estiver conosco no trajeto, pode acabar sobrando pra Deus e todo mundo. Viver emocionalmente desarmado e disposto a abrir mão da razão quando um desses bichos-bomba acaba cruzando nosso caminho – sabe Deus lá quando, e em que situação – é sem dúvida uma atitude muito mais sábia e prudente do que morrer cheio de razão e com todas as contas rigorosamente em dia. Pode até ser que o motorista que venha logo atrás ironize: “Vai ser medroso e babaca assim lá no inferno”. Nada de deixar que o sangue suba à cabeça numa situação como essa. Dê bola não. Pois, assim como se acredita que Deus criou um anjo protetor para cada um de seus filhos e filhas, o encardido – saudades do Padre Léo – com certeza também tem uma curriola de anjinhos decaídos de plantão, que não fazem outra coisa senão promover confusão e gargalhar vendo o circo pegando fogo. “Sai pra lá, seu estrupício! Aqui, não! Credo em cruz! Valei-me, Nosso Senhor Jesus Cristo!”.

 

[] Você, que tanto critica a psicologia e cai de pau quando o assunto é negação como mecanismo de defesa – “Meu Deus, quanta burrice! Será que alguém precisa disso?” – talvez ainda não tenha se dado conta de quantas negações você acaba fazendo uso todo dia santo e todo santo dia. Inclusive aos sábados, domingos, feriados e ano bissexto. Vou mencionar apenas uma dezeninha pra você se dar conta. Para ter coragem de sair à rua e se dirigir ao trabalho ou ao lazer, entre tantas outras negações, você precisa: presumir que um avião não vai cair direto sobre sua cabeça, que uma bala perdida não vai atingir você em cheio, que um bêbado não vai arregaçar seu carro e só o seu joelho vai sair ileso, que o freio do ônibus não vai falhar e matar todo mundo, incluindo você, que o elevador não vai despencar do último andar e mandar você para a p... o espaço, que uma árvore de meia tonelada não vai cair e rachar sua cabeça em duas ou três partes, que um poste de concreto não vai tombar justo sobre seu corpo e dividi-lo ao meio, que um assaltante não vai picotar você em pedacinhos com uma faca de churrasco, que um cachorro não vai escapar do portão e arrancar a dentadas sua perna e sua cabeça, e finalmente, que uma obra em construção não vai deixar cair uma marquise justo sobre quem passa pela calçada nesse exato momento – e lá está você, que por essa com certeza não esperava. Já deu! Uma dezeninha já basta. E então, vai mesmo abrir mão dessas e de tantas outras centenas ou milhares de negações que, como mecanismo de defesa, você e eu usamos todos os dias sem perceber? Agora pare de criticar o que você pouco ou nada conhece e trate de marcar um horário com um bom terapeuta. Caso contrário, você já viu o que pode acontecer. Ah! E não confunda negação com negacionismo. Esse sim, quase levou a óbito uma nação inteira que eu conheço. Mas também esperar o quê!? Se o sujeito pouco ou nada entendia de política, de epidemiologia, imunologia e saúde pública – santo Deus! – ia entender o quê!?

 

[] Um surdo tenta convencer outro surdo a ir pescar: “E aí, meu irmão, que tal a gente ir pescar?”. O outro, um tiquito mais surdo, replica: “Não, não! Hoje eu não posso. Vou sair pra pescar”. O menos surdo treplica: “Tudo bem. Fica para outro dia. Imaginei que você gostaria de ir pescar”. “Valeu", quadrúpedeplicou o um tiquito mais surdo. "Fica para a próxima”. Essa brincadeira foi introduzida visando compartilhar um lembrete dos mais importantes: pessoas portadoras de necessidades especiais não são “pessoas deficientes”, como tanta vezes se diz. Tomar uma deficiência de fato existente – que, quando denominada necessidade especial, confere respeito e dignidade à pessoa – e generalizá-la, passando a se dirigir a essa mesma pessoa com o rótulo de “deficiente” – físico, mental ou de que natureza for – como se ela toda fosse “deficiente”, é desumano e cruel. A melhor forma de entender isso é sendo ou se colocando no lugar de uma pessoa portadora de necessidades especiais. As palavras possuem um poder mágico, como nos lembra Lacan. Mas, quando mal empregadas, essa magia pode acabar se transformando em uma maneira delicada – porém igualmente cruel e desumana – de ferir e estigmatizar sem perceber. Agora, aqui entre nós: com isso não dá para fazer piada. Não dá mesmo. Fala sério!

 

[] Um ceguinho e um coxinho precisavam ir para o mesmo lugar. O ceguinho diz: "posso caminhar, mas não sei a direção. Ai de mim!". O coxinho, no mesmo diapasão do ceguinho, responde: "sei a direção, mas não posso caminhar. Aí de mim, digo eu, não você". O ceguinho então tem uma ideia genial: "Que tal se eu empurrar sua cadeira e você me indicar a direção. Fechô!?". O coxinho concorda na hora: "Fechadaço! Mas começa a empurrar logo essa cadeira, que temos muito chão pra queimar!".

 

Moral da estorinha: nem só de competição vive o homem – a mulher também, claro – mas de toda cooperação bem boladinha.

 

Se você gostou dessa [IM]pertinência – "Eu, hein! Tenha paciência!" – clique aí do lado do seu celular e vê se desliga esse “papa-tempo” ao menos pelo número de horas em que ele já esteve ligado. Ah! Aproveite o tempo economizado e vá fazer um bolo ou uma caminhada. É melhor que ficar rolando dedo de cima pra baixo e de braço pra cima o dia inteiro. Fechô!? Ou será que já abriu de novo? São Binidito! Não acredito! Eita geração tecnologicamente plugada, mentalmente ansiosa e psicofisicamente estressada! Quem te vê e quem te viu!

 

"Talvez a vida não passe de um jogo de cartas marcadas com o qual o Criador passa a infinita eternidade se divertindo e rindo da gente. Se assim for, que seja. Como não temos um mínimo grau de certeza para afirmar que assim é, continuaremos livres para acreditar que assim não seja. Essa é a liberdade de ser livre para se crer ou não crer naquilo que bem nos aprouver"[L.S.M.]

 

(*) Texto enviado pelo autor, via Whatsapp de Vitória (ES).

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