8- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA (* )
MÁXIMAS E PENSAMENTOS [IM]PERTINENTES QUE DÃO O QUE FALAR E
PENSAR...
Parte 2
[✓] Comprar um
perfume diferente para compensar “aquela” decepção que vem fazendo você ficar
deprimido, e depois cometer o deslize de fazer uso desse mesmo perfume antes de
botar os pés dentro de casa, pode não ser uma boa decisão. Perfume novo e
mancha de batom têm desfeito muitos vínculos e relacionamentos, sobretudo
quando o controle e o ciúme permeiam a relação. Se o perfume for ruim, então,
diminui ainda mais a chance do perdão. Da próxima vez, tome mais cuidado com o
tipo de perfume que você vai comprar na lojinha da esquina! De um e noventa e
nove pra baixo, pelo amor de Deus! Esquece! E o mais importante: faça uso dele
apenas depois de ter entrado dentro de casa, e de preferência levando qualquer
coisinha. Quem sabe, um diamante. Vai que a madame ainda não superou o
gravíssimo desleixo de você ter esquecido o dia em que ela comprou a
cachorrinha – quem se lembra disso, meu Deus! – e pronto! É sermão em cima de
sermão. Isso quando não acontece o pior. Não acha melhor passar na igreja
antes, não!? Só não sei se a porta vai estar aberta. Aquele tal de padre Sorre
Tranca não abre aquela porta nunca! Nem por ordem expressa do arcebispo!
[✓] Quem reclama de
tudo, e de tudo que deveria assumir, não assume nada, pode acabar se tornando
vítima da própria autovitimização. Uma hora o lobo acaba vindo de verdade,
ninguém acredita no seu grito de... “SOCORRO!” – dele, não do lobo – e, de
repente... “Caramba! Olha lá! A vaca está indo direto para o brejo e vai acabar
morrendo atolada!”. E, como reza o ditado, onde passa um boi passa uma boiada.
Muuu!!!
[✓] Se seu filho ou sua filha lhe desse
um tapa à queima-roupa, o que você faria? De qual reação, mais tarde,
provavelmente você se arrependeria? De nenhuma? Shiii!!! Tá feia a coisa!
Melhor rever seu papel de pai ou de mãe – avô e avó, por tabela, claro. Ou
então corre logo para a terapia. Dá até para visualizar a cara de reprovação da
terapeuta: “Mas desde quando o senhor ou a senhora tem reagido assim? Isso é
frequente ou foi um acidente de percurso? O garoto já deixou a UTI? Nããão!? Meu
Jesus Cristo!”.
[✓] Se você não é
capaz de soltar um “puta... palavrão” quando arregaça o dedão com o martelo e
estrupia de vez sua mão, você ainda não sabe rezar direito. Seu perfeccionismo
e seu puritanismo não permitem. “Educar uma emoção é aprender a usar a emoção
certa, no lugar certo, na intensidade certa, com a pessoa certa, sem se culpar
por isso". Quem afirma é Francis Seeburger, em “Como educar suas emoções”.
Deixando claro: a liberdade de pronunciar um puta palavrão na mencionada
situação ou situação parecida não basta, se depois você fica carregadaço de
culpa e vai se confessar na primeira ocasião. E o que seria ainda pior:
declarando ter cometido um baita pecadão, daqueles que, segundo a Santa Madre,
nem Deus lhe concederia perdão. Se for
esse o seu caso, melhor rezar e esquecer o palavrão na hora em que a desgraça
do martelaço acontecer. Mas pelo menos cuide bem do seu dedão. Tadinho! Nem
poder desabafar um pouquinho mais altinho o bichinho pode! Magoei!
────────── PAUSA PARA O
MERECIDÍSSIMO COFFEE BREAK
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[✓] Quem ama demais
uma pessoa – quem quer que seja essa pessoa, ou seja lá qual for a natureza
desse amor – não pode ser terapeuta dessa mesma pessoa. Nem pensando! Fará tudo
para ajudar outras pessoas, na esperança de que um outro terapeuta possa fazer,
por quem ele ou ela ama, aquilo que está fora do seu alcance. Nem todo tipo de
amor – quem diria! – permite que façamos o melhor por quem a gente mais ama.
Paciência! Afinal, todos os demais terapeutas também acabam tendo que fazer o
mesmo. O jeito é rezar para que a classe inteira de terapeutas não seja acusada
de nepotismo disfarçado. Aí já seria o fim. Fim da picada, eu quero dizer. Por
princípio, terapeutas não podem fazer isso. Só políticos e Ministros do
"Suprima-se" – nem todos, Claro. Vivo, Oi e Tim ficam fora dessa
lista – se sentem nesse direito.
[✓] Princípio da
ciência psicológica: não se deve contaminar um valor positivo com uma enxurrada
de elementos negativos; fazer isso seria o fim. Ao fim da picada, eu me refiro.
Aplicação prática desse princípio: não se deve ensinar sobre Deus e virtude,
falando o tempo todo de demônio e vício. Se você costuma fazer isso, imagine
como deve estar a cabeça do seu neto ou do seu filho. Procure hoje mesmo por
uma Clínica-Retiro de desintoxicação espiritual e se submeta a um processo de
d-e-s-s-e-n-s-i-b-i-l-i-z-a-ç-ã-o p-r-o-g-r-e-s-s-i-v-a. Depois, vá passar pelo
menos uns cinco anos hibernando nas montanhas do Tibete para se purificar
espiritualmente. Ah! Já ia me esquecendo: não esqueça de levar repelente contra
urso pardo. Nesse tipo de montanha prolifera aos montões – algo em torno de
milhões – esse tipo de urso. Adora carne humana. Depois volte pra casa. Se
ainda estiver vivo, naturalmente. "Quê!? O velório dele foi quando? Mas
ninguém me disse nada! E eu aqui por ele rezando!".
[✓] Há pessoas que
são verdadeiras bombas-relógio caminhando livres e soltas – liberei o leve –
por onde a gente menos espera. Umas são tagarelas como maritacas, outras não
abrem a boca nem para escovar a dentadura, outras a gente nunca sabe se são
surdo-mudas, só surdas, só mudas, ou se simplesmente preferem olhar a gente com
aquele olhar vesgo e esquizo. Deus que me livre! O problema é que só
descobrimos quem esse tipo de criatura é, quando ela dá aquela fechada no nosso
carro, e convictos de que estamos com a mais absoluta razão perguntamos calma e
amigavelmente: “Amigão, não dá pra ficar um pouco mais atento, não?”. Só então
ficamos sabendo se o estrupício é o próprio Jesus Cristo em pessoa, ou se é uma
das tais bombas-relógio esperando apenas que o estopim da bomba seja acionado
para descarregar, sem dó nem piedade, seu estresse e o seu ódio sobre a gente.
Se, ainda por cima, alguém que amamos ou um carona penetra, estiver conosco no
trajeto, pode acabar sobrando pra Deus e todo mundo. Viver emocionalmente
desarmado e disposto a abrir mão da razão quando um desses bichos-bomba acaba
cruzando nosso caminho – sabe Deus lá quando, e em que situação – é sem dúvida
uma atitude muito mais sábia e prudente do que morrer cheio de razão e com
todas as contas rigorosamente em dia. Pode até ser que o motorista que venha
logo atrás ironize: “Vai ser medroso e babaca assim lá no inferno”. Nada de
deixar que o sangue suba à cabeça numa situação como essa. Dê bola não. Pois,
assim como se acredita que Deus criou um anjo protetor para cada um de seus
filhos e filhas, o encardido – saudades do Padre Léo – com certeza também tem
uma curriola de anjinhos decaídos de plantão, que não fazem outra coisa senão
promover confusão e gargalhar vendo o circo pegando fogo. “Sai pra lá, seu
estrupício! Aqui, não! Credo em cruz! Valei-me, Nosso Senhor Jesus Cristo!”.
[✓] Você, que tanto
critica a psicologia e cai de pau quando o assunto é negação como mecanismo de
defesa – “Meu Deus, quanta burrice! Será que alguém precisa disso?” – talvez
ainda não tenha se dado conta de quantas negações você acaba fazendo uso todo
dia santo e todo santo dia. Inclusive aos sábados, domingos, feriados e ano
bissexto. Vou mencionar apenas uma dezeninha pra você se dar conta. Para ter
coragem de sair à rua e se dirigir ao trabalho ou ao lazer, entre tantas outras
negações, você precisa: presumir que um avião não vai cair direto sobre sua
cabeça, que uma bala perdida não vai atingir você em cheio, que um bêbado não
vai arregaçar seu carro e só o seu joelho vai sair ileso, que o freio do ônibus
não vai falhar e matar todo mundo, incluindo você, que o elevador não vai
despencar do último andar e mandar você para a p... o espaço, que uma árvore de
meia tonelada não vai cair e rachar sua cabeça em duas ou três partes, que um
poste de concreto não vai tombar justo sobre seu corpo e dividi-lo ao meio, que
um assaltante não vai picotar você em pedacinhos com uma faca de churrasco, que
um cachorro não vai escapar do portão e arrancar a dentadas sua perna e sua
cabeça, e finalmente, que uma obra em construção não vai deixar cair uma
marquise justo sobre quem passa pela calçada nesse exato momento – e lá está
você, que por essa com certeza não esperava. Já deu! Uma dezeninha já basta. E
então, vai mesmo abrir mão dessas e de tantas outras centenas ou milhares de
negações que, como mecanismo de defesa, você e eu usamos todos os dias sem
perceber? Agora pare de criticar o que você pouco ou nada conhece e trate de
marcar um horário com um bom terapeuta. Caso contrário, você já viu o que pode
acontecer. Ah! E não confunda negação com negacionismo. Esse sim, quase levou a
óbito uma nação inteira que eu conheço. Mas também esperar o quê!? Se o sujeito
pouco ou nada entendia de política, de epidemiologia, imunologia e saúde
pública – santo Deus! – ia entender o quê!?
[✓] Um surdo tenta
convencer outro surdo a ir pescar: “E aí, meu irmão, que tal a gente ir pescar?”.
O outro, um tiquito mais surdo, replica: “Não, não! Hoje eu não posso. Vou sair
pra pescar”. O menos surdo treplica: “Tudo bem. Fica para outro dia. Imaginei
que você gostaria de ir pescar”. “Valeu", quadrúpedeplicou o um tiquito
mais surdo. "Fica para a próxima”. Essa brincadeira foi introduzida
visando compartilhar um lembrete dos mais importantes: pessoas portadoras de
necessidades especiais não são “pessoas deficientes”, como tanta vezes se diz.
Tomar uma deficiência de fato existente – que, quando denominada necessidade
especial, confere respeito e dignidade à pessoa – e generalizá-la, passando a
se dirigir a essa mesma pessoa com o rótulo de “deficiente” – físico, mental ou
de que natureza for – como se ela toda fosse “deficiente”, é desumano e cruel.
A melhor forma de entender isso é sendo ou se colocando no lugar de uma pessoa
portadora de necessidades especiais. As palavras possuem um poder mágico, como
nos lembra Lacan. Mas, quando mal empregadas, essa magia pode acabar se
transformando em uma maneira delicada – porém igualmente cruel e desumana – de
ferir e estigmatizar sem perceber. Agora, aqui entre nós: com isso não dá para
fazer piada. Não dá mesmo. Fala sério!
[✓] Um ceguinho e
um coxinho precisavam ir para o mesmo lugar. O ceguinho diz: "posso
caminhar, mas não sei a direção. Ai de mim!". O coxinho, no mesmo diapasão
do ceguinho, responde: "sei a direção, mas não posso caminhar. Aí de mim,
digo eu, não você". O ceguinho então tem uma ideia genial: "Que tal se
eu empurrar sua cadeira e você me indicar a direção. Fechô!?". O coxinho
concorda na hora: "Fechadaço! Mas começa a empurrar logo essa cadeira, que
temos muito chão pra queimar!".
Moral da estorinha: nem só de competição vive o homem –
a mulher também, claro – mas de toda cooperação bem boladinha.
Se você gostou dessa
[IM]pertinência – "Eu, hein! Tenha paciência!" – clique aí do lado do
seu celular e vê se desliga esse “papa-tempo” ao menos pelo número de horas em
que ele já esteve ligado. Ah! Aproveite o tempo economizado e vá fazer um bolo
ou uma caminhada. É melhor que ficar rolando dedo de cima pra baixo e de braço
pra cima o dia inteiro. Fechô!? Ou será que já abriu de novo? São Binidito! Não
acredito! Eita geração tecnologicamente plugada, mentalmente ansiosa e
psicofisicamente estressada! Quem te vê e quem te viu!
"Talvez a vida não
passe de um jogo de cartas marcadas com o qual o Criador passa a infinita
eternidade se divertindo e rindo da gente. Se assim for, que seja. Como não
temos um mínimo grau de certeza para afirmar que assim é, continuaremos livres
para acreditar que assim não seja. Essa é a liberdade de ser livre para se crer
ou não crer naquilo que bem nos aprouver"[L.S.M.]
(*) Texto enviado
pelo autor, via Whatsapp de Vitória (ES).
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