sábado, 8 de junho de 2024

Quem dizem os homens que eu sou? Uma leitura de Marcos 8,27-38 (II) Por Pe. Shigeyuki Nakanose, svd

 

 

 Quem dizem os homens que eu sou? Uma leitura de Marcos 8,27-38 (II)

Por Pe. Shigeyuki Nakanose, svd

 

1.    “Tu és Cristo”

 

Jesus com os seus discípulos estão em viagem para Jerusalém, próximos a Cesareia de Filipe, cidade situada no extremo norte da Palestina, junto às fontes do rio Jordão. O nome anterior dessa cidade era Panion, pois nela havia um local sagrado dedicado ao deus Pã (FREYNE, 2008, p. 53-54). Aí também havia um templo em honra de Augusto, construído por Herodes Magno. Herodes Filipe atribuiu à cidade o nome de Cesareia de Filipe, distinguindo-a de outras Cesareias.

No caminho, o Evangelho de Marcos insere a pergunta sobre a identidade de Jesus: “Quem dizem os homens que eu sou?” (Mc 8,27b). O caminho é o local do discipulado. A questão proposta não tem uma única resposta – até hoje as pessoas continuam tentando responder quem é Jesus. As diferentes respostas representam as várias opiniões existentes na comunidade de Marcos acerca de Jesus.

Alguns acreditavam que Jesus era João Batista que tinha voltado. De acordo com a narrativa de Marcos, o próprio Herodes pensava dessa forma (Mc 6,16). Para outros, era Elias, uma figura do Antigo Testamento muito popular entre os judeus. Ele era considerado o iniciador do movimento profético. A tradição afirmava que esse profeta tinha sido arrebatado aos céus e, segundo a crença, voltaria (2Rs 2,11). Ainda havia uma parcela da comunidade que acreditava que Jesus era um dos profetas.

A questão sobre a identidade de Jesus se desdobra em outra pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro, representando um grupo que segue Jesus, responde: “Tu és o Cristo!” (Mc 8,29). Desde o início, o Evangelho de Marcos apresenta a verdadeira identidade de Jesus. Na voz do narrador ouvimos a proclamação de “Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1), em seguida pelo próprio Deus (Mc 1,11) e pelos demônios (Mc 1,25; 3,11; 5,7), somente agora pelos discípulos.

Embora a resposta de Pedro esteja certa, segue-se a ordem de silêncio. De fato, Jesus é o Messias, mas parece que a comunidade ainda não entendeu o seu messianismo, pois espera um Messias glorioso e poderoso. O Evangelho de Marcos apresenta que tipo de Messias é Jesus: “O Filho do homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos escribas, ser morto e, depois de três dias, ressuscitar” (Mc 8,31). Esse ensinamento será repetido em outras duas passagens: 9,31 e 10,32-34. O texto evidencia que o seguimento de Jesus implica sofrimento e rejeição.

O título “Filho do homem” ocorre muitas vezes no Antigo Testamento. Enquanto o título em Dn 7,13 é usado para designar “alguém como o rei Davi” que vem nas nuvens com poder e glória, o título no livro de Ezequiel é, de modo geral, aplicado ao ser humano com suas fraquezas e limitações humanas. Nos sinóticos (Mc, Mt e Lc), o título “Filho do homem” é usado somente por Jesus. Quando o título é usado nos textos que mencionam a paixão e morte de Jesus, ele é aplicado para expressar a condição humana de fragilidade, contrapondo-se à figura apocalíptico-escatológica do Messias davídico poderoso.

Anciãos, chefes dos sacerdotes e escribas foram os representantes das autoridades de Jerusalém que tramaram a morte de Jesus: “Enquanto ainda falava, chegou Judas, um dos doze, com uma multidão trazendo espadas e paus, da parte dos chefes dos sacerdotes, escribas e anciãos” (Mc 14,43; cf. Mc 10,33; 11,18.28; 14,1; 15,1.31). A visão de um Messias poderoso e triunfalista é substituída pela compreensão de um messianismo que passa pelo sofrimento e pela cruz. Um Messias solidário com os crucificados da história.

O messianismo de Jesus está relacionado com rejeição, sofrimento e morte, conteúdo essencial de sua identidade messiânica. Havia em Israel a imagem do Servo de Javé (Is 42,1-9; 49,1-6; 50,4-11; 52,13-53,12), porém ela ainda não estava relacionada com o Messias. O essencial desses cânticos é que o servo é chamado para o serviço da justiça, toma consciência do seu chamado e assume a missão. Por causa de sua fidelidade à justiça, é perseguido, resiste até o fim e por isso é morto, mas Deus aceita a sua oferta. As primeiras comunidades cristãs releram os cânticos de Isaías e viram em Jesus o Servo de Javé. Elas entenderam que o sofrimento do Filho do homem não vinha das mãos de Deus, mas “dos anciãos, chefes dos sacerdotes e escribas”.

Pedro representa o grupo que não aceita essa visão e censura Jesus. Para muitos, a morte de Jesus na cruz era inaceitável. Nesse momento, a reação é violenta: “Arreda-te de mim, satanás, porque não pensas as coisas de Deus, mas as dos homens” (8,33). Havia forte contestação a Jesus na comunidade de Marcos. Em 3,22, ele é acusado de estar possuído por Beelzebu. A provocação de Pedro a Jesus lembra também a tentação de Jesus no deserto (Mc 1,12-13). Pedro não age como discípulo de Jesus, ao contrário, torna-se porta-voz de satanás. A palavra satã vem do hebraico e significa “adversário”.

A narrativa de Marcos 8,27-33 tinha os discípulos como destinatários. No v. 34, há uma mudança: o discurso agora é dirigido para a multidão juntamente com os discípulos. O convite para seguir Jesus apresenta três exigências: “negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8,34). Negar-se a si mesmo supõe superar o egoísmo e arriscar a vida por causa de Jesus e do evangelho (Mc 8,35-37). A morte na cruz era extrema humilhação. A cruz era instrumento de crueldade e desumanização e representava a opressão romana. No tempo dos romanos, era castigo aplicado aos escravos e aos rebeldes. Um condenado à cruz tinha de carregar a própria até o lugar da crucifixão.

No caminho do discipulado, Pedro e os demais discípulos seguem Jesus e prometem fidelidade: “‘Mesmo que tenha de morrer contigo, não te negarei’. E todos diziam o mesmo” (Mc 14,31). Porém, diante do perigo, Pedro nega conhecer Jesus para salvar a própria vida (Mc 14,67-72). O mesmo aconteceu com o homem possuidor de muitos bens e incapaz de atender o chamado de Jesus (Mc 10,21-22).

Negar Jesus e seu evangelho pode ser um caminho de preservação da própria vida, mas a vida perde o seu sentido. De que adiantam riquezas e seguranças se a pessoa se fecha à solidariedade humana, distanciando-se da fonte da vida? “Envergonhar-se de mim e de minhas palavras” significa distanciar-se de Jesus e do seu evangelho e assumir a ideologia do império. O questionamento de Jesus a seus discípulos e à multidão continua a exigir uma resposta: até que ponto assumimos o seguimento de Jesus hoje?

 

2.    Catecismo sobre o seguimento de Jesus

 

            “Tome a sua cruz e siga-me.” O seguimento de Jesus é o caminho da cruz, na contramão da sociedade dominada pelo império romano e seus colaboradores. É sociedade organizada pelas relações humanas baseadas no levar vantagem, no poder e em privilégios. A comunidade cristã de Marcos, que professa Jesus de Nazaré como “Cristo”, não deve reproduzir as relações de poder na vida cotidiana, mas estabelecer relações de serviço e de comunhão.

Após o primeiro anúncio da paixão, a comunidade de Marcos descreve, em seu evangelho, as instruções sobre as relações internas da comunidade, introduzidas pelo segundo (Mc 9,30-32) e terceiro anúncios (Mc 10,32-34):

1)      “E chegaram a Cafarnaum. Em casa, ele lhes perguntou: ‘Sobre que discutíeis no caminho?’ Ficaram em silêncio, porque pelo caminho vinham discutindo sobre qual era o maior. Então ele sentou, chamou os Doze e disse: ‘Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos’” (Mc 9,33-35). Quem é o maior? Os discípulos ainda idealizam uma sociedade de poder, de riqueza e de privilégio que produz a segregação social. O caminho da cruz deve ser reproduzido nas relações humanas da comunidade, baseada na vida de serviço sem interesse.

2)      “Disse-lhe João: ‘Mestre, vimos alguém que não nos segue expulsando demônios em teu nome, e o impedimos porque não nos seguia’. Jesus, porém, disse: ‘Não o impeçais, pois não há ninguém que faça milagre em meu nome e logo depois possa falar mal de mim. Porque quem não é contra nós é por nós’” (Mc 9,38-40). Mais uma vez, deparamos com a concepção dos discípulos de uma sociedade segregacionista de poder. Eles não estão dispostos a partilhar o poder e o privilégio. Querem o monopólio e a exclusividade no mistério da salvação. Hoje se compreende que a prática missionária não é condenatória nem marcada por sectarismo. O cerne da missão é a promoção da justiça, da liberdade e da vida em todos os povos.

3)      “Traziam-lhe crianças para que as tocasse, mas os discípulos as repreendiam. Vendo isso, Jesus ficou indignado e disse: ‘Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, pois delas é o reino de Deus. Em verdade vos digo: aquele que não receber o reino de Deus como uma criança não entrará nele’. Então, abraçando-as, abençoou-as, impondo as mãos sobre elas” (Mc 10,13-16). No mundo greco-romano de produção e de ganho, a criança e o ancião são considerados inúteis (cf. Sb 2,5-11) e representam o grupo marginalizado. Mas o reino, do ponto de vista de Jesus de Nazaré, é gratuidade de Deus, e nele as pessoas marginalizadas, que não são consideradas, são acolhidas.

4)      “Então Jesus, olhando em torno, disse a seus discípulos: ‘Como é difícil a quem tem riquezas entrar no reino de Deus!’ Os discípulos ficaram admirados com essas palavras. Jesus, porém, continuou a dizer: ‘Filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo fundo da agulha do que um rico entrar no reino de Deus!’” (Mc 10,23-25). A riqueza no império romano é fruto da acumulação de bens por meio da injustiça: fraudação, espoliação e violência (Ap 13; 18). Ao entrar no reino de Deus, na comunhão com o Deus da vida, é preciso sair e combater esta sociedade de ambição e injustiça, que explora o próximo e a natureza. É necessário entrar no caminho da cruz, de serviço e de partilha da vida.

5)      “Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram até ele e disseram-lhe: ‘Mestre, queremos que nos faças o que te pedimos’. Ele perguntou: ‘Que quereis que vos faça?’ Disseram: ‘Concede-nos, na tua glória, sentarmo-nos, um à tua direita, outro à tua esquerda’. […] Ouvindo isso, os dez começaram a indignar-se contra Tiago e João. Chamando-os, Jesus lhes disse: ‘Sabeis que aqueles que vemos governar as nações as dominam, e os seus grandes as tiranizam. Entre vós não será assim: ao contrário, aquele que dentre vós quiser ser grande, seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos’” (Mc 10,35-44). O projeto de Jesus não é ser servido, mas servir o próximo. Assim, é rejeitada, definitivamente, a aspiração dos discípulos ao reino messiânico davídico no qual Jesus seria ungido como rei e assumiria o poder em Jerusalém. Essa rejeição é também da comunidade de Marcos por volta do ano 70 d.C. Ela rejeita juntar-se às revoltas armadas dos vários líderes messiânicos e suas lutas por poder e privilégios.

O Evangelho de Marcos registra três anúncios da paixão com o catecismo sobre o seguimento de Jesus na vida cotidiana da comunidade. Ao anunciar o catecismo do “caminho da cruz”, Jesus combate e corrige os discípulos que aspiram a poder e privilégios. É corrigida a aspiração messiânico-davídica ao poder de alguns membros da comunidade de Marcos. No caminho do seguimento de Jesus, ela deve empenhar-se em examinar sempre a natureza de sua missão no mundo.

A comunidade, como o cego Bartimeu (Mc 10,46-52), deve abrir os olhos, deixar o manto do “Filho de Davi” – Messias como rei poderoso – e seguir o caminho da cruz do Jesus servo sofredor. Deve despojar-se de tudo o que prega e busca o mundo de ambição pelo poder, riqueza e fama: “Pois o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45).

3.    Uma palavra final

 

Ontem e hoje persiste a pergunta: “Quem dizem os homens que eu sou?” As respostas são várias, e na comunidade de Marcos havia a imagem de uma figura messiânico-davídica gloriosa já esperada pelo povo judeu. Quem é Jesus? Onde ele está? Como podemos segui-lo? Uma das respostas para os nossos dias está na nossa realidade, em fatos como este do relato abaixo, feito por uma jornalista:

Minha filha caçula, orientadora pedagógica e psicóloga de crianças e adolescentes, chorou emocionada ao ouvir pelo rádio a entrevista que o estudante Vítor Soares Cunha deu ao sair do hospital, depois de ser agredido covardemente por jovens como ele. Vítor, 21, aluno de desenho industrial, passeava com um colega na Ilha do Governador, no Rio, quando viu cinco rapazes bem alimentados espancando um mendigo. Filho de um assistente social, não pensou duas vezes ao tentar impedi-los. A violência irracional voltou-se contra ele. Foram socos e pontapés violentos e ininterruptos, atingindo, sobretudo, a cabeça e rosto de Vítor, mesmo quando ele já estava caído no chão, totalmente indefeso. Depois de horas de cirurgias, placas de titânio na testa e no céu da boca, 63 pinos para recompor os ossos da face e ainda com o risco de perder os movimentos do olho esquerdo, Vítor saiu com sua mãe do hospital e disse, com uma simplicidade atordoante, que não se sentia heroico e que faria tudo novamente.[2]

 

Quem confessa Jesus de Nazaré como um dos caminhos para construir o reino de Deus é chamado a segui-lo nas atividades cotidianas, sendo solidário com os mais desprezados e rejeitados pelos poderes do mundo, seduzidos pela ambição das riquezas e honras que promovem a morte. Pois o reino de Deus se constrói nos movimentos de solidariedade entre as pessoas no dia a dia da vida: conscientizar e promover a dignidade humana; defender a vida e a natureza. A jornalista termina seu relato com esta reflexão: “A comparação entre Vítor e seus agressores nos faz refletir. O Brasil e o mundo serão muito melhores quando pais e escolas educarem as crianças não para se arvorarem fortes e machos ao trucidar um ser humano – ou um animal – jogado na rua, no abandono e na dor”.

* Pertence à Congregação do Verbo Divino, é doutor em Teologia Bíblica. Há vários anos atua no Centro Bíblico Verbo como diretor e assessor. É professor no Itesp – Instituto de Teologia São Paulo – e membro da equipe bíblica da CRB Nacional, colaborando também na assessoria de cursos populares em várias regiões do Brasil e da América Latina. E-mailcbiblicoverbo@uol.com.br

 

 



[1] As referências bibliográficas completas encontram-se ao final do último artigo, “Jesus de Nazaré, crucificado e ressuscitado”.

[2] CANTANHEDE, Eliane. Pequenas grandes coisas. Folha de S. Paulo, São Paulo, 12 fev. 2012. Opinião, A2.

 

Pe. Shigeyuki Nakanose, svd

 

https://www.vidapastoral.com.br/ano/2012/quem-dizem-os-homens-que-eu-sou-uma-leitura-de-marcos-827-38/

SANTOS DE 09 A 15 DE JUNHO

 

 

SANTOS DE 09 A 15 DE JUNHO

01- São José de Anchieta, apóstolo do Brasil e modelo de evangelização(09/06)

 

Origens 

 

Nascido nas Ilhas Canárias, na Espanha, José de Anchieta mudou-se ainda bem jovenzinho, com quatorze anos, para Portugal em prol dos estudos. Ingressou-se na Universidade de Coimbra para estudar Letras e Filosofia. Foi, então, em Portugal, o local onde ele teve o primeiro contato com a Companhia de Jesus e com o testemunho de São Francisco Xavier.

Chamado e “canarinho”

 

Aos 17 anos, diante de uma imagem de Nossa Senhora, ele fazia o seu compromisso de abandonar tudo e servir a Deus. Anchieta torna-se jesuíta, em 1551, onde fez um noviciado exigente e, mesmo com a saúde frágil, fez os seus votos de castidade, pobreza e obediência em 1553.

Apostolado no Brasil

 

Inspirado pelas cartas dos missionários jesuítas, neste mesmo ano, aos 19 anos, José partiu para a Terra de Santa Cruz, onde viveu um grande trabalho de evangelização, devotando-se totalmente ao serviço dos nativos. O santo disseminou os preceitos cristãos utilizando particularidades locais, dedicou-se a aprender o idioma e, assim como os demais jesuítas, fez grande oposição aos abusos cometidos pelos colonizadores portugueses.

Em 1566, Anchieta foi ordenado sacerdote. E, em 1577, foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, função que exerceu até 1585.

Literatura

José de Anchieta, desde mais jovem, era um amante da arte. Chamado pelos seus companheiros de “canarinho”, devido ao gosto em declamar poesias, escreveu diversos autos e poemas sobre a vida de Cristo. Em um tempo de grande dificuldade em manter-se santo, após dar-se como refém à uma prisão em defesa da paz, fez uma promessa a Nossa Senhora e lhe escreveu o célebre “Poema à Virgem”.

Muitos dos seus escritos são de grande relevância para toda a história do Brasil.

Peregrino e milagres 

 

Assim como o fundador da Companhia de Jesus – Santo Inácio de Loyola – José foi um peregrino nesta terra, viajou por diversos lugares nos quais fundou escolas, cidades; ensinou e aprendeu diversas faculdades com o povo nativo.

Muitos são os milagres, as curas e os dons atribuídos a esse santo que viveu sua missão em intensa oração e comunhão com o Espírito Santo e na companhia da Virgem Maria.

Beatificação e Canonização

 

Considerado o “Apóstolo do Brasil”, José de Anchieta foi beatificado, em 22 de junho de 1980, pelo Papa João Paulo II; e, no dia 3 de abril de 2014, foi declarado santo por intermédio de um decreto assinado pelo Papa Francisco.

A minha oração 

 

São José de Anchieta, tantos foram os milagres e as curas que Deus concedeu-te realizar ao povo brasileiro! Por toda sua dedicação e entrega a nos trazer o Cristo, eu Te peço que continue a olhar do céu por toda a nossa nação. Que nos traga com a leveza da arte e da poesia o desejo de também nos entregarmos a Deus e aos seus desígnios. Amém!

 

São José de Anchieta, rogai por nós!

https://santo.cancaonova.com/santo/sao-jose-de-anchieta-apostolo-do-brasil-e-modelo-de-evangelizacao/

02- Santo do dia 10 de Junho

Santo Itamar de Rochester, Bispo (†cerca de 666). Primeiro presbítero de Kent, Inglaterra, a ser elevado à ordem episcopal.

03- Santo do dia 11 de Junho

São Barnabé, Apóstolo. Segundo a tradição, morreu apedrejado em Salamina, na Ilha de Chipre. Santa Aleide, virgem (†1250). Religiosa cisterciense do mosteiro de La Chambre, próximo a Bruxelas. Aos 22 anos foi tomada pela lepra, ficando paralítica e cega. Oferecia seus sofrimentos pelas almas do Purgatório.

04- Santo do dia 12 de Junho

Beata Maria Cândida da Eucaristia Barba, virgem (†1949). Sentiu o chamado à vida religiosa aos 15 anos, sendo proibida por seus familiares. Somente aos 35 anos conseguiu ingressar no Carmelo de Ragusa (Itália), do qual foi eleita priora.

https://www.xl1.com.br/santo-do-dia/conheca-os-santos-do-dia-do-mes-de-junho/

05- São João de Sahagún  - Agostiniano

 

Nasceu por volta de 1430 em Sahagún (León) de uma família distinta. Ainda jovem, seu pai conseguiu para ele um benefício eclesiástico, unicamente com finalidade econômica. João o recusou, com muito pesar da família. Isto não estava em seus planos e era contrário a suas convicções. Levando em conta seu ideal, foi colocado a serviço do bondoso Bispo de Burgos, Afonso de Cartagena, que o ordenou sacerdote. 
A vida de sacerdote não trouxe satisfação a seu ideal. Nem a promessa de ser cônego o reteve. Desejando uma entrega mais completa a Deus, dirigiu-se a Salamanca, onde, ao mesmo tempo que continuava seus estudos, dedicou-se à pregação. Procurando realizar o ideal de perfeição, entrou na Ordem Agostiniana em 18/06/1463, emitindo seus votos a 28/08/1464. 


Cheio de humildade e sinceridade, foi um infatigável pregador, promotor da paz e da convivência social e defensor dos direitos dos humildes e trabalhadores. Foi profundamente devoto da Eucaristia. Morreu em Salamanca em 11/06/1479. Suas relíquias conservam-se na catedral da mesma cidade.

 

 https://psarj.com.br/santosagostinianos

 

 

06-  SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA(13/06)

O ano de 1195 viu nascer um dos mais populares santos da Igreja de Cristo, tendo sido Lisboa sua cidade natal. Martinho de Bulhões e Teresa Taveira eram de famílias ilustres, mas a maior glória deles foi uma profunda fé que souberam transmitir ao filho. Este, na pia batismal, recebeu o nome de Fernando, tornando-se a glória desta piedosa família. Após uma santa infância, aos 15 anos, se dirigiu ao Convento dos cônegos de Santo Agostinho nas proximidades de Lisboa. Aí ficou dois anos e alguns meses. Eram muitas as visitas que recebia de seus parentes e resolveu então pedir a transferência para o mosteiro de Santa Cruz, de Coimbra. Com isso entrou em contato com frades franciscanos, hóspedes neste convento. Estes frades acabaram sendo martirizados em Marrocos e seus restos mortais vieram para Coimbra, onde então morava o Rei de Portugal.

Fernando pôde então contemplar os corpos daqueles heróis de Cristo. Isto o tocou tanto que ele resolveu se fazer franciscano. Foi para o Convento de Olivais, onde adotou o nome de Antônio. Seu desejo era pregar o Evangelho em terra de missões. Após o curto noviciado, foi para Marrocos. Aí adoeceu e, resignado, teve que voltar para Portugal. Em 1221 se daria o Capítulo da Ordem Franciscana, isto é, a assembléia na qual compareceram cerca de três mil frades e foi lá que Antônio esteve pela vez primeira com São Francisco, em Assis. Ainda mal conhecido dos franciscanos foi trabalhar num pequeno eremitério em Portugal. Nele permaneceu numa vida de oração por nove meses. Houve, então, na cidade de Forli ordenações sacerdotais e pediram a Antônio para fazer o sermão de improviso. Todos ficaram deslumbrados. Era o início de sua missão de pregador no sul da França e na Itália.

Até hoje seus sermões são lidos e estudados. Foi em Montpellier que se deu o fato que fez de Santo Antônio ser invocado como o protetor das causas perdidas. Um noviço que resolvera sair da Ordem Franciscana levou consigo o livro de salmos com comentários escritos por Antônio. Este passou a rezar para que o larápio lhe devolvesse a preciosa obra. Arrependido este voltou e devolveu o livro. Deixou Antônio a França com a fama de taumaturgo, martelo dos hereges, terror dos demônios, trombeta do Evangelho. Veio trabalhar na Itália, pregando por toda a parte. Em 1227 se deteve pela primeira vez em Pádua, cidade à qual ficaria indelevelmente ligado e onde, após mais quatro anos de incansáveis pregações em terras italianas, viria a ser enterrado, tendo morrido a 13 de junho. Tão grande era a fama de seus prodígios que onze meses depois de sua morte foi canonizado pelo papa Gregório IX.

Em 1263, quando seu corpo foi exumado, sua língua estava intacta e, até hoje, numa redoma é venerada por paduenses e milhares de peregrinos. O fato de, em certa ocasião, à sua intercessão uma jovem ter conseguido fazer um ótimo casamento deu a Santo Antônio a fama de casamenteiro. De fato, quantos jovens têm encontrado um lar feliz à invocação deste santo poderoso. Em 1946 o papa Pio XII proclamou Santo Antônio, Confessor e Doutor da Igreja. Os devotos deste santo devem imitar sua fé, sua piedade, sua humildade, sua dileção aos pobres, seu imenso amor à evangelização.

Grande a devoção de Santo Antônio a Jesus Infante e cumpre repetir sempre: “Menino Jesus por nós encarnado, livrai-nos da mancha de todo pecado”. Como Santo Antônio foi sepultado numa terça-feira este dia da semana lhe é consagrado. Uma senhora de Toulon na França, por ter alcançado uma grande graça por intercessão de Santo Antônio, resolveu distribuir pães aos pobres em sua homenagem, daí a benção do pão de Santo Antônio, lembrando a caridade que se deve ter para com os mais necessitados. Este pão tem restituído a saúde a muitos doentes. Santo, realmente, extraordinário que merece todos os louvores. Que ele leve sempre seus devotos a um grande amor a Jesus, nosso único Salvador.

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana (MG)

https://formacao.cancaonova.com/diversos/historico-de-santo-antonio-de-padua/

07- Santo do dia 14 de Junho

Santo Eliseu, profeta. Discípulo e sucessor de Santo Elias e profeta de Israel desde o tempo do rei Jorão até os dias de Joás.

08- Santo do dia 15 de Junho

Santa Germana, virgem (†1601). Pastorinha de Pibrac, França, foi desprezada pelo pai e maltratada pela madrasta, mas, suportando tudo com paciência e alegria, faleceu num estábulo, aos 22 anos.

https://www.xl1.com.br/santo-do-dia/conheca-os-santos-do-dia-do-mes-de-junho/

PEELING DE FENOL

 

 

PEELING DE FENOL

 

Peeling de fenol: entenda o que é procedimento e quais os cuidados ao fazê-lo; polícia investiga morte de homem em clínica em SP

 

Polícia suspeita que ele tenha sofrido um choque anafilático. O caso, que antes havia sido registrado como morte suspeita no 27º Distrito Policial (DP), passou a ser investigado como homicídio.

Por g1 SP — São Paulo

Peeling de fenol: 'queimadura química' renova a pele e elimina as rugas

Recuperação

 

O pós-procedimento não é fácil e é bem agressivo. O paciente sente dor no local horas após a aplicação. No dia seguinte, o rosto fica muito inchado, como se fosse uma queimadura. Dependendo da profundidade (da concentração usada), ele começa a ter uma descamação e a pele começa a soltar após uma semana, 15 dias. Nesse período, é preciso ficar em casa, não pode sair ao sol e deve aplicar um hidratante emoliente na pele.

"O procedimento não é brincadeira. Não deve ser feito em qualquer esquina. Aplicar por conta própria é um risco enorme, a pessoa pode ter uma parada cardíaca", explicou Bagatin

Peeling de fenol: procedimento não é indicado para todas as pessoas

 

Por que caso é investigado como homicídio

 

O procedimento foi realizado na clínica da esteticista Natalia Fabiana de Freitas Antonio, que se identifica nas redes sociais como Natalia Becker.

Em seu site, Natalia se apresenta como "premiada especialista" com consultórios em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia. O delegado solicitou perícia no local e a dona do estabelecimento, de 29 anos, será investigada pela morte. O óbito foi registrado como morte suspeita.

Segundo o marido da influencer, que é coproprietário da clínica e também compareceu ao local, o peeling de fenol é um procedimento superficial e, por isso, não é exigido nenhum exame anterior.

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS), por meio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), disse que o estabelecimento foi interditado e autuado pela Vigilância Sanitária municipal por exercer procedimentos em desacordo com a legislação vigente.

O estabelecimento possui Licença de Funcionamento Sanitária para o CNAE 9602-5/02 - atividades de estética e outros serviços de cuidados com a beleza.

Homem morre após procedimento de peeling de fenol em clínica de São Paulo

 

Polícia de SP procura dona de clínica que fez peeling de fenol em empresário; paciente morreu e caso é investigado como homicídio

 

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2024/06/04/entenda-o-que-e-peeling-de-fenol-e-quais-os-cuidados-ao-faze-lo-policia-investiga-morte-de-homem-em-clinica-de-influencer.ghtml

SANTO AGOSTINHO: A VONTADE DE DEUS E A GRAÇA Principais textos de Agostinho sobre a Graça(¨*)

 

SANTO AGOSTINHO: A VONTADE DE DEUS E A GRAÇA

Principais textos de Agostinho sobre a Graça(¨*)

“Os Dois Livros a Simplício”, é um documento que retrata o período em que Agostinho revisa e aprimora a reflexão da necessidade da graça como, inclusive para o desejo da conversão, e para fazer o ato de fé em Deus (SESBOÜÉ, 2013, p. 145). As intuições de Agostinho brotam da meditação de textos Paulinos (como 1 Cor 4,7), que mostra Deus como autor e doador de todos os dons. Ele reflete que a condição do homem é marcada pela força do pecado, e que só no mistério de Cristo, o homem pode encontrar resposta (Rm 7).

Na obra “Sobre o Espírito e a Letra” Agostinho enfatiza que Deus inspira e difunde no homem a sua graça por Jesus Cristo, no Espírito Santo. Ele cita abundantemente a carta ao Romanos, especialmente onde fala da ação fecunda do Espírito nos corações (Rm 5,5). Esta obra, portanto, se baseia na graça de Cristo que nos salva. Não se trata simplesmente da liberdade para a observância da lei, mas, há uma precedência da ação gratuita de Deus, comunicando ao homem interior a força de sua graça (SESBOÜÉ, 2013, p. 246).

Agostinho mostra nesta obra que a vontade humana é ajudada, despertada, fortalecida e movida pela força do Espírito. Trata-se, portanto de dom que Deus livremente concede ao homem. Percebe-se claramente esta idéia na obra:

Nós, ao contrário, dizemos que a vontade humana é ajudada por Deus a cumprir a justiça da seguinte maneira: não somente o homem foi criado como o livre-arbítrio da vontade, não só dispõe ele da doutrina que lhe ordena como deve viver, mas recebe o Santo Espírito que suscita em sua alma o prazer e o amor desse soberano bem que é Deus (SANTO AGOSTINHO, SOBRE O ESPÍRITO E A LETRA, 9,15; 11,18; 18,31; 32,56 apud SESBOUÉ, 2013, p. 246).

Pode-se dizer que o núcleo temático desta obra consiste no texto paulino sobre a relação entre a letra e o Espírito: “A letra mata, mas O Espírito produz vida” (2Cor 3,6). Baseando-se em Paulo, em sua defesa convicta e apaixonada da graça, Agostinho comenta os primeiros capítulos da Carta aos Romanos. Ele apresenta Paulo como sendo um defensor constante e perseverante da graça, que defendeu sua primazia.

Esta obra terá importância decisiva para Lutero elaborar sua doutrina da graça. Esta obra, desenvolvida por Agostinho ao comentar a carta aos Romanos, será referência, fundamento e intuição para Lutero (SESBOUÉ, 2013, p.246). Ele desenvolve sua visão levando em conta a comparação entre a lei da fé que salva e a lei das obras (Rm 3,27-28). Enfatiza a justiça de Deus como aspecto fundante para gestar suas afirmações. Ele se inspirará nesta visão de Agostinho, que concebe o polo principal da relação entre o homem e Deus na misericórdia divina que vai ao encontro do homem e o perdoa.

Na obra “A Natureza e a Graça”, há uma evolução e amadurecimento de Agostinho na reflexão e compreensão sobre a graça. Ele passa a utilizar o termo graça para nomear suas obras. Nesta palavra ele engloba, clareia, aprofunda e precisa o conteúdo que ela quer significar. Sintetiza na expressão “graça” a variedade de significados que eram utilizados para se referirem a ela, como salvação, misericórdia, caridade.

Nesta obra ele cita passagens de Pelágio, que havia escrito sobre a natureza. Acrescenta “graça” ao título da obra do seu adversário, já mostrando sua discordância e sinalizando a resposta à doutrina de seu oponente.

Em sua obra, Pelágio entende o conceito de “natureza humana” a partir da criação de Adão. Ele recebeu de Deus o livre arbítrio, sendo dom de Deus, e, portanto, graça. Dependia da decisão do homem, realizar esta possibilidade dada a ele pelo criador.

Para Pelágio, mesmo após o pecado das origens, a natureza humana não mudou de condição. O pecado cometido por Adão, em seu entendimento constituiu apenas em um mau exemplo. Não corrompeu a natureza. Não deixou uma herança que se propagaria a toda humanidade, através da mácula do pecado original. A compreensão de Agostinho sobre a natureza humana é essencialmente diferente. Ele a entende como herdeira de Adão, corrompida e decaída com o pecado dele. Sua compreensão de liberdade é aberta para receber a graça de Deus como Salvador.

Pelágio colocava em destaque os dons concedidos por Deus ao homem, e Agostinho enfatiza a necessidade dos dons concedidos por Deus Salvador ao homem. Assim ele explica à Pelágio:

Ó meu irmão, é bom te lembrares que és cristão. Em vez de pensar que a natureza humana não pode ser corrompida pelo pecado, cremos que ela o foi, reportando-nos ás divinas Escrituras; procuremos então como isso pode acontecer (SANTO AGOSTINHO, SOBRE A NATUREZA E A GRAÇA, 22, 22 p. 281 apud SESBOÜÉ, 2013, p. 246).

Agostinho afirma que apenas a vontade, mesmo com todos os seus esforços, não consegue evitar os pecados. Ele fundamenta o seu pensamento na teologia paulina. Refere-se aos textos paulinos: “Não invalido a graça de Deus, porque, se é pela lei que vem a justiça, então Cristo morreu em vão” (Gl 2,21); “a fim de que não se torne inútil a cruz de Cristo”

(1Cor 1,17) para dizer que Cristo morreu em vão, se não precisamos contar com sua graça para a nossa justificação. Desta forma esvazia-se o sacrifício de Jesus, e se anula sua força redentora.

Agostinho discorda inteiramente de Pelágio, pois este afirma que a graça é a possibilidade de não pecar. Para Agostinho, a graça não ajuda apenas na revelação da lei, nem tampouco opera apenas a remissão dos pecados, mas também oferece a ajuda necessária para não os cometer. Agostinho entende que a natureza humana foi ferida com o pecado original, e que só pela graça de Cristo ela pode ser sanada.

O Concílio de Trento, no decreto sobre a justificação, no número 1536, retoma esta doutrina de Agostinho, ao dizer que: “Deus, certamente não ordena o impossível, mas por seus mandamentos nos convida a fazer o possível, e a lhe pedir pelo que vai além de nossas possibilidades” (DECRETO SOBRE A JUSTIFICAÇÃO, 1547, apud DENZINGER – HÜNERMANN, 2007, n. 1537).

Em sua obra, “A Graça de Cristo e o pecado Original”, Agostinho cria um binômio na doutrina da graça (um paralelo antinômico entre Adão e Cristo). De um lado, ele considera o pecado original com suas consequências que vão afetar a natureza humana, e por outro, ele considera a graça de Cristo que redime, liberta e salva.

Esta linguagem usada por Agostinho se tornará comum na teologia posterior. Ele entende a graça como uma dimensão no interior do homem, que o renova. Não aceita a idéia de graça como mero auxílio para agir ético do homem. Assim ele argumenta:

Possam então os pelagianos ler e compreender, refletir e confessar que não é pela proclamação exterior da lei e da doutrina, mas por uma poderosa ação interior e secreta, admirável e inefável que Deus é o autor não somente de verdadeiras revelações, mas de decisões voluntárias de acorde com o bem (SANTO AGOSTINHO, SOBRE A GRAÇA DE CRISTO E O PECADO ORIGINAL, I, 24,25 p. 105 apud SESBOÜÉ, 2013, p. 249).

Ele escreveu a obra “Sobre a Graça e o Livre-arbítrio”, para responder àqueles que o atacavam, acusando-o de negar o livre-arbítrio, e valorizar unicamente a graça. Ele fundamenta suas afirmações na Sagrada Escritura, mostrando a necessidade da graça de Deus e do livre-arbítrio. Assim ele se expressa: “Penso ter discutido bastante com aqueles que atacam com violência a graça de Deus, graça que não suprime a vontade humana, mas que a muda de mal em bem, e que a ajuda quando ela se tornou boa” (SANTO AGOSTINHO, SOBRE A GRAÇA E O LIVRE ARBÍTRIO, 20,41 apud SESBOÜÉ, 2013, p. 250)

Ele expõe suas explicações refutando a doutrina pelagiana. Afirma que a graça não é a lei, nem a natureza, nem apenas a remissão dos pecados. Ele expõe também a doutrina da graça operante e cooperante. Para fundamentar biblicamente a graça operante, ele utiliza os textos de Pr 8,35 (A vontade é preparada pelo Senhor), Fl 2,13 (O Deus quem opera no homem o querer e o fazer), e Ez 36,27 (Eu vos farei guardar meus costumes). Ele propõe a seguinte explicação:

“É certo que guardamos os mandamentos, se quisermos, mas, visto que a vontade é preparada pelo Senhor, temos de lhe pedir, que Ele nos dê toda a vontade de que necessitamos, para que, querendo, façamos. É certo que somos nós que queremos, quando queremos, mas é Deus que nos faz querer o bem. Certamente somos nós que agimos, quando agimos, mas é Deus que faz que possamos agir, quando concede à nossa vontade uma força plenamente eficaz (SANTO AGOSTINHO, SOBRE A GRAÇA E O LIVRE ARBÍTRIO, 16,32 p. 163-165 apud SESBOÜÉ, 2013, p. 250).

Sobre a graça cooperante, Agostinho escreve:

Deus cooperando, conclui o que Ele começou, ao operar. Pois Ele Opera, no começo, para que queiramos, e Ele mesmo, no acabamento, coopera conosco, quando queremos. Portanto, para que queiramos, Ele opera sem nós, mas quando queremos, e quando queremos até agir, Ele coopera conosco (SANTO AGOSTINHO, SOBRE A GRAÇA E O LIVRE ARBÍTRIO, 17,33 apud SESBOÜÉ, 2013, p. 251).

Agostinho apresenta uma síntese sobre a relação entre a graça de Deus e o livre- arbítrio da vontade humana na obra “Sobre a Correção e a Graça”. A cooperação da graça com o livre-arbítrio não significa que ela o anula.

O homem realiza as possibilidades de sua liberdade pela graça: “Não é pela liberdade que a vontade humana obtém a graça, mas é, antes pela graça, que ele obtém a liberdade, além disso, da graça obtém o dom de uma estabilidade agradável e de uma força invencível” (SANTO AGOSTINHO, SOBRE A COORREÇÃO E A GRAÇA, 8,17 BA 24 apud SESBOÜÉ, 2013, p. 251).

Adão foi criado inteiramente na graça de Deus. Ele tinha a imortalidade, não estava dominado pela concupiscência, tinha a possibilidade de não pecar. Adão, contudo, ao ceder ao pecado, permitindo que seu livre-arbítrio consentisse num ato contra Deus, perdeu sua condição primitiva. Além disso, ele arrastou consigo toda a humanidade a ser manchada por sua culpa (SESBOÜÉ, 2013, p. 252).

O homem, desde o seu nascimento, traz consigo a consequência do pecado de Adão. Esta herança pecaminosa que atingiu toda a humanidade pode ser regenerada unicamente pela graça de Cristo.

A graça que Deus havia concedido à Adão é inteiramente diversa daquela que Ele concede em Cristo. Ela dá ao homem o dom da própria perseverança. Pode novamente o homem ser livre do condicionamento da concupiscência. Ele diz textualmente:

De tal modo se veio em socorro da fraqueza da vontade humana, que ela é posta em movimento pela graça divina de um modo indeclinável e invencível, e é por isso que malgrado sua fraqueza, a vontade não desfalece e não é vencida por nenhuma adversidade (SANTO AGOSTINHO, SOBRE A CORREÇÃO E A GRAÇA, 12,38 apud SESBOÜÉ, 2013, p. 252).

Ele entende este movimento de libertar a liberdade é operado por Cristo. Ele, ao assumir a fraqueza humana, assumiu o lugar do homem, pode sanar a liberdade ferida, pela força redentora de sua entrega.

Esta visão de Agostinho, sobre a relação entre a graça e o livre arbítrio, foi mal interpretada por Jansênio e pelos reformadores, como se a graça fosse “irresistível” em relação à vontade humana. Agostinho tinha a preocupação em apresentar a cooperação entre a graça e a liberdade. Ele via a ação da graça como auxílio do livre-arbítrio. Não concebia que entre ambas houvesse uma relação de concorrência (SESBOÜÉ, 2013, p. 253).

“Sobre a Predestinação dos Santos”, trata-se de uma única obra em dois volumes. Agostinho a escreve diante de uma situação específica de reações que havia causado numa outra obra sua (SANTO AGOSTINHO 225-226 PL 33, 1002-1012 apud SESBOÜÉ, 2013, p. 253). Suscitou-se a questão da relação entre o dom da graça de Deus e a salvação universal, “a vontade salvífica universal de Deus” (1Tm 2,4).

Agostinho, afirma que ao realizar o bem, a vontade do homem é predisposta pela graça de Deus. O homem, sozinho, sem o auxílio da graça, não pode ter nem o início da fé, nem começar, perseverar e acabar qualquer boa obra (SESBOÜÉ, 2013, p. 254). Somente a ação da graça interior nele é o que torna possível despertar, realizar e consumar qualquer obra boa. A graça suscita e move sua vontade, sua fé, sua disposição interior, sem, contudo, anular ou diminuir seu livre-arbítrio.

Sobre a obra “O dom da Perseverança”, Agostinho explica, que se trata do dom da perseverança final, ou seja, a obtenção da vida eterna. Assim ele se expressa: “Creio ter defendido com força especial a idéia de que a perseverança final é também um dom de Deusque nos predestinou para seu Reino e sua Glória” (SANTO AGOSTINHO, SOBRE A PREDESTINAÇÃO DOS SANTOS, 21,55 apud SESBOÜÉ, 2013, p. 255).

Havia a acusação dos monges de Marselha, que interpretavam a predestinação defendida por Agostinho, como algo que dispensava qualquer participação do homem quanto a sua Salvação. No entanto, Agostinho a defende com as seguintes explicações: “Essa obra Deus previu que realizaria, eis a predestinação dos santos” (SANTO AGOSTINHO, SOBRE O DOM DA PERSEVERANÇA, 7, 15 BA 24 apud SESBOÜE, 2013, p. 254). E afirma: “Nada mais que presciência e a preparação dos benefícios de Deus pelos quais são infalivelmente resgatados todos os que são resgatados” (SANTO AGOSTINHO, SOBRE O DOM DA PERSEVERANÇA, 14,35 apud SESBOÜE, 2013, p. 254).

https://1library.org/article/principais-textos-de-agostinho-sobre-a-gra%C3%A7a.q7orokky

(*) Os grifos são meus.

DICAS DE LEITURAS

 

 

DICAS DE LEITURAS

 

01- Por que fazemos o que fazemos (Mário Sergio Cortella);

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Por que Fazemos o que Fazemos? - Aflições vitais sobre trabalho, carreira e realização é um livro escrito pelo filósofo e professor Mario Sergio Cortella lançado em julho de 2016.

 

Aflições vitais sobre trabalho, carreira e realização é um livro escrito pelo filósofo e professor Mario Sergio Cortella lançado em julho de 2016. A obra aborda a rotina da vida moderna, a busca pelo reconhecimento do que o homem faz e suas motivações, e tem como proposta esclarecer os propósitos da vida para o ser humano. [ 1][ 2]

Autor(es): Mario Sergio Cortella

Editora: Editora Planeta

https://www.bing.com/search?q=por+que+fazemos+o+que+fazemos%3f%3a+afli%c3%a7%c3%b5es+vitais+sobre+trabalho%2c+carreira+e+realiza%c3%a7%c3%a3o+mario+sergio+cortella&filters=dtbk:%22MCFvdmVydmlldyFvdmVydmlldyEwNGNjZmM0YS00YTRkLTNmMzQtNTU1Yi00OGEzN2YzMTA5ZTY%3d%22+sid:%2204ccfc4a-4a4d-3f34-555b-48a37f3109e6%22+tphint:%22f%22&FORM=DEPNAV

 

02-  “Ser e Tempo” (Martin Heidegger).

 

Esta é uma obra nova que contém a junção dos dois volumes anteriores. Este é um clássico do filósofo alemão Martin Heidegger, que continua sendo fundamental para aquele indivíduo que pretende conhecer e entender o ser humano de forma integral. A longa trajetória mental deste autor rendeu uma valiosa contribuição intelectual para a humanidade. "Ser e tempo" ultrapassa em muito uma simples obra de filosofia. Esta é uma edição elaborada pela Editora Vozes e a Editora Universitária São Francisco, que contém ainda um glossário em alemão-português, português-alemão.

https://www.livrariavozes.com.br/seretempo8532632840/p

03- PATRÍSTICA - A GRAÇA VOLUME I (SANTO AGOSTINHO)

 

Editora: Paulus

 

O presente volume traz em seu bojo três obras fundamentais de Santo Agostinho: O espírito e a letra, A natureza e a graça e A graça de Cristo e o pecado original. Fazem parte de um conjunto de obras que foram classificadas pela tradição teológica como escritos sobre a Graça. Daí o título deste volume. De fato, nestes livros e no anterior (A Graça I), Agostinho expõe sua tese fundamental: a natureza humana está radicalmente corrompida, incapaz por si só de um ato bom, cega e infeliz. Só a Graça de Deus pode torná-la capaz de bons desejos, de boas ações, de sair de sua enfermidade, de alcançar a cura e a salvação. Pelágio funda seu ensinamento numa concepção da natureza humana sadia, vigorosa, íntegra, capaz de cumprir toda a lei. O pecado não afetou nem afeta a natureza humana, mas o mérito. Pecando, o homem torna-se culpável de sua má ação. Arrependido e perdoado, volta à sua perfeição. Não é o prisioneiro de uma inclinação para o mal que esteja incrustada em  sua própria natureza. Foi contra essa doutrina de Pelágio que Agostinho se rebelou e se pôs a combater. Desta polêmica foram surgindo suas obras, todas dando primazia absoluta à Graça de Deus. Só ela corrige, aperfeiçoa, enobrece, cura, eleva, santifica e salva o homem. Foram estas obras que lhe valeram o título de "Doutor da Graça". O leitor brasileiro tem, agora, pela primeira vez, uma ocasião privilegiada de conhecer na íntegra toda essa polêmica e poder discuti-la, analisá-la, avaliá-la.

https://www.lojamaedoamor.com.br/livros/patristica-a-graca-volume-i-santo-agostinho

SB SABENDO BEM DE 09 DE JUNHO DE 2024

 SB SABENDO BEM DE 09 DE JUNHO DE 2024

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