4-
REFLEXÕES PARA A
SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE – ANO A
4.1- DEUS É AMOR,
COMUNHÃO DE PESSOAS
A Liturgia da Igreja, ao longo do ano
litúrgico, nos proporciona uma experiência de encontro com Cristo, revelação
definitiva de Deus para nós que, em seu Mistério Pascal, mostrou a face amorosa
e misericordiosa do Pai para com a humanidade. Por Cristo, no Espírito, temos
acesso ao Pai, O qual se revela e, ao se revelar, nos comunica Sua vida! A
primeira revelação se dá na Criação: “De fato, as perfeições invisíveis de Deus
(...) são claramente conhecidas, através de suas obras, desde a criação do
mundo.” (cf. Rm 1,20). Ao longo da história, Deus escolhe um Povo, ao qual se
revela como Deus único, vivo e verdadeiro: “terá vindo algum Deus escolher para
si uma nação entre todas (...) como tudo quanto fez por vós o Senhor, vosso
Deus, no Egito – diante de teus olhos?” (Dt 4,34). Ao se revelar ao Seu povo,
Ele também promete enviar o Messias: “O Senhor teu Deus suscitará para ti, do
meio de ti, dentre os teus irmãos, um profeta como eu: é a ele que deverás
ouvir” (Dt 18,15). E cumpre a promessa gerando, pelo Espírito, no ventre de
Maria, o Filho eterno e amado, a quem devemos escutar (cf. Mt 17,5). Em Cristo,
Deus se revela plenamente: “Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora
aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por
meio do Filho” (Hb 1,1-2). Com sua vinda conhecemos que em Deus há Um que ama,
Um que é amado, e Um que é o amor mesmo: O Pai que ama o Filho, o Filho que ama
o Pai e o Espírito Santo, amor do Pai e do Filho! Jesus nos revelou o amor e a
unidade que existe entre o Pai e o Filho, e nos prometeu o Espírito: “Eu
rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente
convosco” (Jo 14,16). Mostrou-nos que Deus é comunhão de Pessoas e ordenou aos
discípulos que fizessem discípulos e batizassem em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo para nos torná-los participantes da vida e do amor que existe no
seio da Trindade e que, para nós, é salvação! Nossa vida cristã tem sua fonte
na Trindade e para ela se orienta. Deus é amor, comunhão de Pessoas, e jamais
foi solitário. Criados à Sua imagem e semelhança, fomos, portanto, criados para
a comunhão. Templos da Trindade pelo Batismo e pela Crisma, devemos ser
reflexos de Seu amor no mundo. Jamais seremos verdadeiramente felizes e
realizados sozinhos, mas somente na comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs;
quanto mais amamos, mais transparecemos a imagem de Deus em nós! Em Deus há
unidade na diversidade: três Pessoas distintas, mas uma única natureza divina
em perfeita comunhão de amor. As diferenças não devem nos impedir de viver a
comunhão e a unidade. No Espírito Santo, a unidade na diversidade é possível!
Assim deve ser a Igreja, vivendo a sinodalidade, e sendo sinal de unidade para
os povos. Diante do individualismo e isolamento que geram dor e sofrimento, e
do consumismo que faz os corações se esquecerem as coisas do alto, aprendamos
com Trindade. Um cântico das comunidades dizia: “Ninguém mais pode ser hoje
isolado, na vida é preciso se unir, seguindo pela estrada lado a lado, pra
juntos nossa história construir”. Isso é possível quando a graça que vem do
Pai, pelo Filho, no Espírito, nos acompanha, e quando a história a construir é
a acolhida do dom do Reino de Deus. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito
Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém!
Dom Edilson de Souza Silva Bispo
auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal – Região Lapa
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Ano-50A-34-SOLENIDADE-DA-SANTISSIMA-TRINDADE.pdf
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