sexta-feira, 29 de maio de 2026

4- REFLEXÕES PARA A SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE – ANO A 4.1- DEUS É AMOR, COMUNHÃO DE PESSOAS

 

4-   REFLEXÕES PARA A SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE – ANO A

 

4.1- DEUS É AMOR, COMUNHÃO DE PESSOAS

 

A Liturgia da Igreja, ao longo do ano litúrgico, nos proporciona uma experiência de encontro com Cristo, revelação definitiva de Deus para nós que, em seu Mistério Pascal, mostrou a face amorosa e misericordiosa do Pai para com a humanidade. Por Cristo, no Espírito, temos acesso ao Pai, O qual se revela e, ao se revelar, nos comunica Sua vida! A primeira revelação se dá na Criação: “De fato, as perfeições invisíveis de Deus (...) são claramente conhecidas, através de suas obras, desde a criação do mundo.” (cf. Rm 1,20). Ao longo da história, Deus escolhe um Povo, ao qual se revela como Deus único, vivo e verdadeiro: “terá vindo algum Deus escolher para si uma nação entre todas (...) como tudo quanto fez por vós o Senhor, vosso Deus, no Egito – diante de teus olhos?” (Dt 4,34). Ao se revelar ao Seu povo, Ele também promete enviar o Messias: “O Senhor teu Deus suscitará para ti, do meio de ti, dentre os teus irmãos, um profeta como eu: é a ele que deverás ouvir” (Dt 18,15). E cumpre a promessa gerando, pelo Espírito, no ventre de Maria, o Filho eterno e amado, a quem devemos escutar (cf. Mt 17,5). Em Cristo, Deus se revela plenamente: “Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho” (Hb 1,1-2). Com sua vinda conhecemos que em Deus há Um que ama, Um que é amado, e Um que é o amor mesmo: O Pai que ama o Filho, o Filho que ama o Pai e o Espírito Santo, amor do Pai e do Filho! Jesus nos revelou o amor e a unidade que existe entre o Pai e o Filho, e nos prometeu o Espírito: “Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco” (Jo 14,16). Mostrou-nos que Deus é comunhão de Pessoas e ordenou aos discípulos que fizessem discípulos e batizassem em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo para nos torná-los participantes da vida e do amor que existe no seio da Trindade e que, para nós, é salvação! Nossa vida cristã tem sua fonte na Trindade e para ela se orienta. Deus é amor, comunhão de Pessoas, e jamais foi solitário. Criados à Sua imagem e semelhança, fomos, portanto, criados para a comunhão. Templos da Trindade pelo Batismo e pela Crisma, devemos ser reflexos de Seu amor no mundo. Jamais seremos verdadeiramente felizes e realizados sozinhos, mas somente na comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs; quanto mais amamos, mais transparecemos a imagem de Deus em nós! Em Deus há unidade na diversidade: três Pessoas distintas, mas uma única natureza divina em perfeita comunhão de amor. As diferenças não devem nos impedir de viver a comunhão e a unidade. No Espírito Santo, a unidade na diversidade é possível! Assim deve ser a Igreja, vivendo a sinodalidade, e sendo sinal de unidade para os povos. Diante do individualismo e isolamento que geram dor e sofrimento, e do consumismo que faz os corações se esquecerem as coisas do alto, aprendamos com Trindade. Um cântico das comunidades dizia: “Ninguém mais pode ser hoje isolado, na vida é preciso se unir, seguindo pela estrada lado a lado, pra juntos nossa história construir”. Isso é possível quando a graça que vem do Pai, pelo Filho, no Espírito, nos acompanha, e quando a história a construir é a acolhida do dom do Reino de Deus. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém!

 

Dom Edilson de Souza Silva Bispo auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal – Região Lapa

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