sexta-feira, 29 de maio de 2026

3- LITURGIA DA SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE

 

 

3-   LITURGIA DA SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE

 

- A revelação da Santíssima Trindade brota do ápice da História da Salvação: o Mistério Pascal de Jesus Cristo. O conhecimento do mistério da Trindade não é fruto do esforço da inteligência humana, mas é dom do amor do Senhor por nós, de sua proximidade. Ao encarnar-se, o Filho nos manifesta que o Deus do Antigo Testamento

- Aquele que caminhou com Israel, libertou-o da escravidão e que no Salmo louvamos como o "Deus de nossos pais" - é o Pai Eterno, criador de todas as coisas e gerador do Verbo.

- Após a Ascensão do Senhor, com o envio do Espírito Santo, o Pai e o Filho nos comunicam o seu poder santificador: o Amor personificado que passa a habitar em nós e, em nós, realiza a sua obra da santificação. Assim, esta solenidade celebra a profunda proximidade entre Deus e sua criatura. A síntese mais bela deste mistério está na liturgia de hoje: "O Senhor desceu" (Ex 34,5). Deus não permanece distante; Ele vem ao encontro da nossa fragilidade, movido pelo desejo de não deixar perder-se a obra mais preciosa de suas mãos.

 - Sabemos que Deus é Pai, e Filho e Espírito Santo porque Ele veio a nós, mostrou-se, revelou-se. O ser humano, sozinho, não pode alcançar o mistério divino; é Deus quem se abaixa, quem toma a iniciativa, quem se comunica. Toda revelação da Trindade é, antes de tudo, um grande ato de amor.

- No Antigo Testamento, essa proximidade já se manifestava. Em Moisés, Deus se faz próximo ao escolher, libertar, dar a Lei e revelar o seu Nome, isto é, sua identidade. A proclamação de Ex 34 tornou-se como que o "Credo" de Israel: "Senhor, Senhor, Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel". "Deus misericordioso e clemente", termos ligados às entranhas maternais, que demonstram que o amor de Deus por nós é visceral, isto é, muito profundo; "paciente" (em outras traduções, diz-se "lento para a ira"): a paciência de Deus sustenta todas as coisas e, muito especialmente, o seu povo, muitas vezes de cabeça dura e lento para entender a sua vontade; "rico em bondade e fiel": Deus é confiável, jamais volta atrás com sua Palavra e permanece fiel àqueles que escolheu e chamou.

- Diante dessa revelação, Moisés se prostra. A resposta adequada ao mistério de Deus é a adoração. O ser humano reconhece que não é maior que o seu Senhor (cf. Jo 13,16). E, confiando na fidelidade divina, intercede: "Caminha conosco, perdoa nossas culpas e acolhe-nos como propriedade tua" (Ex 34,9). A verdadeira adoração não é fuga do mundo, mas súplica pela humanidade. Adoramos também em nome daqueles que não adoram; cremos também por aqueles que não creem. - O Evangelho desta solenidade é o grande anúncio do amor: "Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho" (cf. Jo 3,16). Deus não vem para condenar, mas para salvar. O Pai envia; o Filho assume a missão; o Espírito Santo comunica a vida nova. As três Pessoas agem inseparavelmente na obra da redenção. O juízo, então, não é um decreto arbitrário, mas a própria resposta humana: quem crê acolhe a vida eterna, recebe-a do Senhor, que partilha aquilo que é seu; quem rejeita a luz permanece fora desta comunhão com este grande dom que Deus oferece. O Senhor respeita a liberdade humana.

- A liturgia de hoje nos convida a examinar nossa resposta a esse amor que se faz próximo. Ao acolhê-lo pela fé e pela adoração, recebemos uma vida nova e essa vida deve tornar-se visível. São Paulo descreve essa existência transformada com exortações muito concretas: "Alegrai-vos"; a alegria é sinal de quem encontrou o Senhor. "Trabalhai no vosso aperfeiçoamento"; não por moralismo, mas por desejo sincero de maturidade na fé. "Cultivai a concórdia, vivei em paz"; porque a comunhão é o reflexo da própria vida trinitária.

- Quando a comunidade vive assim, ela se torna ícone da Trindade. Torna visível, na história, o Deus que é comunhão de amor. Por isso, Paulo conclui com a bênção trinitária - a mesma com que iniciamos nossas celebrações - recordando-nos que, antes de qualquer resposta nossa, é Deus quem toma a iniciativa, quem nos reúne, quem nos sustenta: "A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós".

- Celebrar a Santíssima Trindade, portanto, não é tentar explicar um enigma, mas acolher um mistério que nos envolve. É deixar-se alcançar pelo Pai que envia, pelo Filho que salva e pelo Espírito que vivifica. E, transformados por esse amor, tornar-nos, no mundo, sinal vivo da comunhão divina, para que todos reconheçam que Deus continua descendo ao encontro da humanidade.

 

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