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LITURGIA DA SOLENIDADE DA
SANTÍSSIMA TRINDADE
- A revelação da Santíssima Trindade brota do
ápice da História da Salvação: o Mistério Pascal de Jesus Cristo. O
conhecimento do mistério da Trindade não é fruto do esforço da inteligência
humana, mas é dom do amor do Senhor por nós, de sua proximidade. Ao
encarnar-se, o Filho nos manifesta que o Deus do Antigo Testamento
- Aquele que caminhou com Israel, libertou-o
da escravidão e que no Salmo louvamos como o "Deus de nossos pais" -
é o Pai Eterno, criador de todas as coisas e gerador do Verbo.
- Após a Ascensão do Senhor, com o envio do
Espírito Santo, o Pai e o Filho nos comunicam o seu poder santificador: o Amor
personificado que passa a habitar em nós e, em nós, realiza a sua obra da
santificação. Assim, esta solenidade celebra a profunda proximidade entre Deus
e sua criatura. A síntese mais bela deste mistério está na liturgia de hoje:
"O Senhor desceu" (Ex 34,5). Deus não permanece distante; Ele vem ao
encontro da nossa fragilidade, movido pelo desejo de não deixar perder-se a
obra mais preciosa de suas mãos.
-
Sabemos que Deus é Pai, e Filho e Espírito Santo porque Ele veio a nós,
mostrou-se, revelou-se. O ser humano, sozinho, não pode alcançar o mistério
divino; é Deus quem se abaixa, quem toma a iniciativa, quem se comunica. Toda
revelação da Trindade é, antes de tudo, um grande ato de amor.
- No Antigo Testamento, essa proximidade já
se manifestava. Em Moisés, Deus se faz próximo ao escolher, libertar, dar a Lei
e revelar o seu Nome, isto é, sua identidade. A proclamação de Ex 34 tornou-se
como que o "Credo" de Israel: "Senhor, Senhor, Deus
misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel". "Deus
misericordioso e clemente", termos ligados às entranhas maternais, que
demonstram que o amor de Deus por nós é visceral, isto é, muito profundo;
"paciente" (em outras traduções, diz-se "lento para a
ira"): a paciência de Deus sustenta todas as coisas e, muito
especialmente, o seu povo, muitas vezes de cabeça dura e lento para entender a
sua vontade; "rico em bondade e fiel": Deus é confiável, jamais volta
atrás com sua Palavra e permanece fiel àqueles que escolheu e chamou.
- Diante dessa revelação, Moisés se prostra.
A resposta adequada ao mistério de Deus é a adoração. O ser humano reconhece
que não é maior que o seu Senhor (cf. Jo 13,16). E, confiando na fidelidade
divina, intercede: "Caminha conosco, perdoa nossas culpas e acolhe-nos
como propriedade tua" (Ex 34,9). A verdadeira adoração não é fuga do
mundo, mas súplica pela humanidade. Adoramos também em nome daqueles que não
adoram; cremos também por aqueles que não creem. - O Evangelho desta solenidade
é o grande anúncio do amor: "Deus amou tanto o mundo que entregou o seu
Filho" (cf. Jo 3,16). Deus não vem para condenar, mas para salvar. O Pai
envia; o Filho assume a missão; o Espírito Santo comunica a vida nova. As três
Pessoas agem inseparavelmente na obra da redenção. O juízo, então, não é um
decreto arbitrário, mas a própria resposta humana: quem crê acolhe a vida
eterna, recebe-a do Senhor, que partilha aquilo que é seu; quem rejeita a luz
permanece fora desta comunhão com este grande dom que Deus oferece. O Senhor respeita
a liberdade humana.
- A liturgia de hoje nos convida a examinar
nossa resposta a esse amor que se faz próximo. Ao acolhê-lo pela fé e pela
adoração, recebemos uma vida nova e essa vida deve tornar-se visível. São Paulo
descreve essa existência transformada com exortações muito concretas:
"Alegrai-vos"; a alegria é sinal de quem encontrou o Senhor.
"Trabalhai no vosso aperfeiçoamento"; não por moralismo, mas por
desejo sincero de maturidade na fé. "Cultivai a concórdia, vivei em
paz"; porque a comunhão é o reflexo da própria vida trinitária.
- Quando a comunidade vive assim, ela se
torna ícone da Trindade. Torna visível, na história, o Deus que é comunhão de
amor. Por isso, Paulo conclui com a bênção trinitária - a mesma com que
iniciamos nossas celebrações - recordando-nos que, antes de qualquer resposta
nossa, é Deus quem toma a iniciativa, quem nos reúne, quem nos sustenta:
"A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito
Santo estejam com todos vós".
- Celebrar a Santíssima Trindade, portanto,
não é tentar explicar um enigma, mas acolher um mistério que nos envolve. É
deixar-se alcançar pelo Pai que envia, pelo Filho que salva e pelo Espírito que
vivifica. E, transformados por esse amor, tornar-nos, no mundo, sinal vivo da
comunhão divina, para que todos reconheçam que Deus continua descendo ao
encontro da humanidade.
https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2026/04/31_05_26.pdf
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