sexta-feira, 23 de outubro de 2026

4. REFLEXÕES PARA O 30.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A 1.1-4 4.1-AMAR O QUÊ? A QUEM? E DE QUE JEITO?

 

4.    REFLEXÕES PARA O 30.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A

 

1.1-       4.1-AMAR O QUÊ? A QUEM? E DE QUE JEITO?

 

Era uma pergunta provocativa! Os fariseus não queriam saber qual era o maior mandamento. Souberam que Jesus tinha feito calar os saduceus, também numa questão provocativa, e agora queriam tentar também a sorte. Perguntas com múltiplas possibilidades de resposta oferecem sempre algum pretexto para críticas. Pessoas fazem armadilhas para os outros quando fazem perguntas cuja resposta não lhes interessa. O que in- teressa é a margem que poderão ter para desmontar os argumentos do outro. Mas, Jesus aproveita para dar a resposta certa. Os fariseus, mes- mo sem pretender isso, lhe deram a ocasião de ensinar, o que se deve saber, sobre os mandamentos e que serve para todo mundo: “‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’ Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos” (Mt 22,37-40). O primeiro preceito é autoexplicativo. Amar de todo coração, de toda a alma e de todo o entendimento, é uma expressão que se coloca na primazia e na plenitude de qualquer outro amor. Já o segundo preceito, esse poderia oferecer alguma consequência diferente. Quem seria o “próximo”? O que significa amar o outro como a “si mesmo”? O povo de Israel tinha clareza de que o compatriota era o “próximo”. Mas, quanto ao estrangeiro? A Escritura já falava do estrangeiro: “Assim diz o Senhor: Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito” (Ex 22,20). Jesus também falou sobre isso: “E se saudais somente aos vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem os gentios o mesmo?” (Mt 5,47). Mas, isso ainda parece dizer pouco. Poderia se tratar apenas de um preceito de não prejudicar. Amar, já é outra coisa. Mas, Jesus falou claramente sobre isso em outra ocasião: “Tudo, pois, quanto quereis que os outros vos façam, fazei-o vós também a eles. Esta é a Lei e os Profetas” (Mt 7,12). Outra questão é o significado de “como a ti mesmo”. Acontece que o ser humano, ao amar a Deus sobre todas as coisas, no fundo, acaba por imitar as ações de Deus. Pelo menos, foi isso que Jesus disse: “Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem! Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus; pois ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e faz descer a chuva sobre jus- tos e injustos” (Mt 5,44-45). Então, de gente que ama a Deus se chega a ser imitador do amor de Deus, por isso, torna-se também modelo desse amor para o próximo, tal qual nos ensina São Paulo: “Irmãos: Sabeis de que maneira procedemos entre vós, para o vosso bem. E vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra com a alegria do Espírito Santo, apesar de tantas tribulações. Assim vos tornastes modelo para to- dos os fiéis da Macedônia e da Acaia” (1Ts 1,5-7). De fato, na conclusão de sua vida e missão, Jesus falará novamente do mandamento do amor. Mas, dessa vez, a expressão “como a ti mesmo” dará lugar a um enunciado exemplar, de quem se tornou aquilo que pede que os outros sejam: “Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34) e “Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15,12). Jesus falou, portanto, com poucas palavras, tudo o que precisava dizer a esse respeito. Mas, a questão continuou aberta para quem não quis e não quer dar ouvidos. Ainda em nossos dias, continuamos fazendo perguntas a Jesus cuja resposta não estamos interessados em ouvir e praticar. Preferimos mais saber que lacunas Ele deixará para que possamos preenche-las com as nossas ideias e opiniões. É desse modo que a religião se torna pretexto para defendermos o que nos interessa. O que Jesus diz, muitas vezes, não conta tanto. É preciso tomar muito cuidado para não sair ensinando e praticando mandamentos diferentes desse que Jesus ensinou. Cuidado para não dizer: “Amarás a ti mesmo de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento! E amarás o teu Deus como ao teu próximo”. Nem: “Amarás o teu próximo de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento! E amarás a ti mesmo como ao teu Deus”. Nem mesmo: “Amarás o teu próximo de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento! E amarás ao teu Deus como a ti mesmo”.

 

Dom Rogério Augusto das Neves Bispo Auxiliar de São Paulo Região Episcopal Sé

 

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