sábado, 4 de novembro de 2023

REFLEXÃO DOMINICAL I: TODOS SOMOS CHAMADOS À SANTIDADE

 

REFLEXÃO DOMINICAL I:

TODOS SOMOS CHAMADOS À SANTIDADE

 

Por Izabel Patuzzo*

 

I.              INTRODUÇÃO GERAL

 

A solenidade de Todos os Santos e Santas remonta aos primeiros séculos da era cristã. Essa festa litúrgica foi instituída para homenagear todos os santos conhecidos e desconhecidos, particularmente os homens e mulheres que deram a vida pela fé em Jesus Cristo. Durante o longo período de perseguição, houve muitos que sofreram o martírio no mesmo dia e, naturalmente, a Igreja passou a fazer memória de seu testemunho numa única data. Desse modo, em sua origem, a solenidade de Todos os Santos e Santas recorda todos aqueles que se santificaram dando a vida pela fé, às vezes no silêncio e no anonimato.

Cada um a seu modo, os santos nos inspiram a sermos discípulos de Jesus, assumindo nosso batismo com fidelidade radical. Nesta solenidade, refletimos sobre o chamado à santidade que cada um de nós recebe e agradecemos a Deus a missão que ele nos confia. Professamos a comunhão dos santos e a vida eterna enquanto caminhamos neste mundo. Todos nós somos chamados a viver a comunhão com os irmãos e irmãs como preparação à comunhão eterna.

II.            COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

 

1.    I leitura (Ap 7,2-4.9-14)

 

O autor do Apocalipse faz uso de uma literatura simbólica muito comum em sua época, chamada de literatura apocalíptica ou enóquica. O texto relata uma das visões proféticas que descrevem os anjos como os mediadores entre Deus e a comunidade dos fiéis. Os anjos, pela sua proximidade com Deus, são revestidos de autoridade para carregarem os selos de Deus, os quais, segundo a simbologia apocalíptica, remetem à identidade dos que foram marcados pelo batismo e também pelo martírio. O selo, na verdade, é o sinal externo de que somos servos de Deus e lhe pertencemos. O cristão é assinalado na testa com o sinal de sua pertença a Deus, o qual, no livro do Apocalipse, contrasta com o sinal da besta, portado por aqueles que praticam a idolatria. A marca que o cristão carrega é sinal de fidelidade, de perseverança na fé.

A primeira leitura também fala da grande multidão no céu que adora o Cordeiro imolado e ressuscitado. Os santos selados na terra são vistos, em seguida, no céu, vestidos com roupas brancas de triunfo e segurando ramos de palmeiras nas mãos. Eles celebram a vitória do Cristo ressuscitado e estão em plena comunhão com ele. São aqueles que saíram vitoriosos da grande tribulação, isto é, das perseguições que sofreram. Agora compartilham da vitória de Jesus Cristo porque resistiram e perseveraram na fé até a morte. Sua recompensa consiste em servir a Deus e celebrar a alegria eterna, visto que nunca mais sofrerão privações.

1.    II leitura (1Jo 3,1-3)

 

Na segunda leitura, João faz referência à nossa filiação divina. Ser filhos e filhas de Deus tem, como consequência, dar testemunho de nossa filiação divina. Em primeiro lugar, o cristão não pertence ao mundo mergulhado no pecado, que recusou receber Jesus Cristo. Todo cristão é chamado a levar uma vida de santidade como Cristo. Os batizados confiam que partilharão a vida plena em Cristo no futuro. Na tradição joanina, a pessoa que conhece a Deus é chamada a ser semelhante a ele, pois o discípulo compartilha do mesmo destino do Mestre e participará também de sua glória.

Pelo batismo, o discípulo passa a pertencer à comunidade de fé que Jesus instituiu. Portanto, pertencer a Deus significa renunciar a toda forma de pecado. A comunidade de fé não deve confundir-se com o mundo, pois não pratica a iniquidade. O texto sugere que toda pessoa que mergulha no mundo do pecado não é, de fato, cristã. Essa leitura indica que a eleição e a habitação divina estão em contraposição às pessoas que praticam o mal. João espera que os membros da comunidade vivam de modo coerente com a dignidade de filhos e filhas de Deus.

2.    Evangelho (Mt 5,1-12)

 

 O texto de Mt 5-7 foi considerado por Santo Agostinho a “carta magna” da vida cristã. Expressa a verdade ética capaz de iluminar o agir (o comportamento) cristão. Entende-se por verdade ética: 1) o saber a respeito da felicidade; 2) o saber obrar o bem. Diante das multidões, Jesus age por compaixão.

Como novo Moisés, Jesus ensina a multidão do alto da montanha. Até o momento, Mateus ainda não havia mencionado esse lugar. Depois dirá que, uma vez concluído seu ensinamento, Jesus desceu da montanha. Esta tem forte valor simbólico, porque liga o ensinamento do Mestre com a revelação de Deus a Moisés no Sinai. Como Moisés, Jesus sobe a montanha, mas, diferentemente daquele, não escuta os mandamentos de Deus: antes, ele os pronuncia, atualizando-os em forma de bem-aventuranças. Isso porque, para Mateus, Jesus é o Filho de Deus enviado ao mundo e, portanto, superior a Moisés.

A expressão “sentou-se” indica a posição de ensino por excelência, de magistério. Há outro movimento por parte daqueles que ouvem o discurso de Jesus: os discípulos “se aproximaram”. Essa ação, realizada pelos ouvintes, tem um sentido cultual que remete ao Antigo Testamento, quando Deus era cultuado na montanha. Ao aplicá-la no contexto de Jesus, Mateus ressalta essas conotações cultuais: os discípulos se aproximam do Messias, que os ensina. Esta é a primeira vez que os discípulos são mencionados no Evangelho segundo Mateus; trata-se daqueles que tinham sido chamados anteriormente.

A repetição do adjetivo “felizes” ou “bem-aventurados” indica a plenitude da alegria, com referência também ao presente, não apenas ao futuro. As três primeiras bem-aventuranças apresentam um estilo de vida em consonância com o Decálogo: pureza de coração, mansidão como proposta de não violência e aflição como consequência da fidelidade às Leis divinas. As demais bem-aventuranças seguem a mesma estrutura, falam das promessas àqueles que herdarão o Reino dos céus, pois quem experimenta a misericórdia divina é capaz de ter o mesmo sentimento em relação aos outros.

A pureza do coração equivale a uma integridade interior, que se manifesta em comportamentos. Portanto, Jesus orienta seus discípulos para uma piedade e pureza interior que emanam de uma fé sincera em Deus. Aqueles que promovem a paz são os que experimentaram a paz de Deus e por isso se engajam em ações que buscam eliminar as hostilidades neste mundo, em vista da construção do bem comum. Neste mundo tão marcado por conflitos e guerras, os que promovem a paz serão reconhecidos como verdadeiros filhos de Deus, autênticos membros da grande família humana que tem Deus por Pai. Em Mateus, a linguagem da justiça também diz respeito ao comportamento correto diante de Deus. Jesus, ao dizer que “deles é o Reino dos céus”, fecha o ciclo das bem-aventuranças, no sentido de que essas bênçãos são as principais marcas dos que têm Deus como o único soberano deste mundo.

III.           PISTAS PARA REFLEXÃO

 

Em seu conjunto, as bem-aventuranças proclamadas por Jesus constituem uma mensagem de esperança para aqueles que, aos olhos do mundo, vivem em condições de sofrimento e pobreza. Os destinatários das bênçãos divinas não são os mesmos que o mundo proclama felizes pelo fato de terem poder, dinheiro, prestígio, aplausos etc. A lógica do Reino opera uma inversão: os que sofrem todo tipo de privações e perseguições em virtude de terem escolhido o Reino de Deus são felizes porque não são esquecidos por Deus; antes, são os destinatários das bênçãos divinas.

A solenidade deste domingo nos ajuda a celebrar a esperança na ressurreição, pois os santos e santas de Deus foram aqueles que viveram o batismo de forma radical, no espírito das bem-aventuranças. Apesar de terem limites e defeitos, esforçaram-se para se aproximar da luz divina e se deixaram transformar pelos valores evangélicos. Encontramos em cada um deles um perfil diferente, mas todos buscaram a fidelidade ao chamado e às inspirações que receberam de Deus.

Izabel Patuzzo*

*pertence à Congregação Missionárias da Imaculada – PIME. Mestre em Aconselhamento Social pela South Australian University e em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É licenciada em Filosofia e Teologia pela Faculdade Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo. Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Católica. E-mail: isabellapatuzzo@hotmail.com

https://www.vidapastoral.com.br/roteiros/06-de-novembro-todos-os-santos-e-santas/

REFLEXÃO DOMINICAL II\: DESAFIADOS A UMA VIDA SANTA

 

 

 

REFLEXÃO DOMINICAL II\:

DESAFIADOS A UMA VIDA SANTA

Nascemos de Deus. Ele é bom. Ele é santo. Podemos ser bons/santos. Desde as primeiras comunidades cristãs temos o exemplo da multidão incontável de homens e mulheres que foram perseguidos, martirizados pela fidelidade ao Evangelho. O tempo transitório é a oportunidade de honrar a estes. Para isso, nos aproximamos de Jesus e recebemos a missão de apóstolos, fomos designados a fazer discípulos. Hoje é dia de reafirmar: Enviai-me Senhor! Quero ser testemunha do Teu Evangelho, Teu reino de paz, santidade e amor! Eis-me aqui, Senhor! A proclamação das Bem-Aventuranças abre o Sermão da Montanha. A posição de Jesus (sentado) revela a autoridade do mestre; era o costume dos rabinos judaicos. A multidão que O segue é formada pelos pobres em espírito; os que estão vergados sob o peso da vida; os indefesos que vivem na esperança de dias melhores. A esses Jesus traz uma luz, e conta com eles, pois se mostram abertos à vida nova. São os mansos, que rejeitam a violência como caminho; e confiam na grandeza de Deus; os aflitos devido à penúria, à instabilidade, às dívidas, às enfermidades, às acusações injustas; são os que têm fome e sede de justiça; os que, apesar de oprimidos, são misericordiosos. Eles amam incondicionalmente e esperam a salvação que vem de Deus. São os puros de coração, enfermos, estrangeiros; são os que promovem a paz em meio aos conflitos; são lutadores por um mundo de concórdia. Suas atitudes são marcadas pela não- -violência ativa, que é um amor próprio dos filhos de Deus. Que o Senhor venha em nosso so- corro, nos dê sabedoria para fazer- mos tudo dirigido a Ele e por Ele. Façamos de nossa vida uma pre- gação do Evangelho, uma declara- ção de amor ao Reino de Deus. Ele está vivo no meio de nós; nos reu- nidos por Seu amor. Tempos atrás, numa Igreja incendiada no Chile, um traste pichou assim: Muerte al nazareno! Nós sabemos que só pode morrer quem está vivo. En- tão satanás e seu emissário que escreveu, reconhecem que Jesus de Nazaré, o Verbo Eterno do Pai está vivo no meio de nós, onde vive e reina sobre nossa história. Em nome d’Ele você é capaz de gastar as suas forças? As Bem-Aventuranças sintetizam um caminho de santidade a ser seguido por todas as pessoas de boa-vontade nos pequenos ges- tos de cada dia. Encontremos nos santos a inspiração para continu- armos nossa estrada; nosso proje- to de vida contrário ao espírito do mundo. Veneremos o incontável número de santos que passaram fazendo o bem e estão no céu. Seus nomes não constam na lista dos que foram canonizados, mas servem de exemplo aos que cami- nhamos para Deus. O médico ale- mão Albert Schweitzer escreveu: “Na vida de toda pessoa, de vez em quando, o fogo interno se apa- ga. Então ele é aceso repentina- mente por outra pessoa. Sejamos gratos àqueles que reacendem nosso espírito interior, as pessoas que nos levam a Deus”. As Bem- -Aventuranças mostram o modo de vida dos santos, a maneira de sermos santos como nosso Pai é santo.

Dom Jorge Pierozan Bispo Auxiliar de São Paulo

https://arquisp.org.br/sites/default/files/folheto_povo_deus/ano-47a-61-31o-dtc-solenidade-de-todos-os-santos.pdf

REFLEXÃO DOMINICAL III VIVER HOJE O “AMANHÔ

 

 

REFLEXÃO DOMINICAL III

VIVER HOJE O “AMANHÔ

Ser santo não é uma decisão do homem mas uma resposta ao convite que Deus nos faz em Jesus Cristo: Sede perfeitos como o vosso Pai é perfeito! Perfeição nesse sentido, nunca foi e nem será o forte do homem, feito de barro, vulnerável ao pecado, sujeito a tantas fraquezas, marcado por tantas limitações. Se santidade fosse isso, Deus seria o maior dos injustos, pois é o mesmo que um homem perfeito sair em disparada e pedir para que um deficiente físico o acompanhe nessa corrida.

Nunca teríamos a menor chance de ser santos. Há ainda outra corrente que acha que a santidade é apenas para alguns, que têm uma conduta exemplar, são pacientes, tolerantes, dóceis, calmos, prestativos, solidários, educados, nunca perdem a cabeça e o equilíbrio, nunca reclamam de nada e aceitam tudo, sendo bondosos o tempo todo. De pessoas assim, é melhor manter distância e ser cauteloso, porque me dizia um padre muito amigo, o santinho de hoje pode ser o diabinho de amanhã!

Ser calmo ou ter os nervos a flor da pele, ter equilíbrio emocional, demonstrar serenidade, ser amável e dócil, ser prestativo e educado, sem dúvida que são belas virtudes, mas não necessariamente um indicativo de santidade, pois conheço histórias de grandes santos que eram bem temperamentais. Há ainda outro conceito perigoso de santidade, que é ter o poder de realizar coisas prodigiosas, os chamados milagres. Conheço pessoas descrentes de Deus e da igreja, e que, contudo praticam essas virtudes. E já tive conhecimento de curas operadas por pessoas de outras correntes religiosas, até opostas ao cristianismo.

A ideia de que santidade é coisa restrita de alguns homens e mulheres especiais, parece-me um tanto quanto equivocada, pois o visionário do apocalipse afirma categoricamente na primeira leitura, que se trata de uma multidão, de onde se conclui facilmente, que santidade é uma proposta de vida que Deus faz a toda humanidade, onde Jesus Cristo é o modelo e a referência máxima, nele a gente se encontra como Filho de Deus, não mais desfigurado pela corrupção do pecado, mas liberto, vitorioso e perfeito como fomos criados e concebidos pelo Pai. Somente Nele, com ele e por ele seremos santos! Mas encontrei nas leituras dessa "Festa de Todos os Santos", uma definição ainda mais bonita e completa do que é a Santidade - "Viver hoje o amanhã".

É preciso ter os pés no chão, pois uma coisa é enfrentar com coragem os desafios do presente e buscar soluções concretas, o outro é camuflar a situação, fazendo uma belíssima coreografia, sem mudar o cenário! É maquiar para parecer belo! A copa do mundo que vai acontecer no Brasil em 2014, será um desses momentos, de grande ilusão e utopia. Já se está vendendo a imagem de um País que é um paraíso...

As bem-aventuranças proclamadas solenemente por Jesus, no alto de um monte, são profundamente realistas: a Primeira e a Oitava, trazem o verbo no presente, "...porque deles é o Reino dos Céus", ao passo que as demais, usam o verbo no futuro, "porque serão, verão, alcançarão...". Ser pobre em espírito é fazer de Deus a sua única riqueza, é possuir já nesta vida a plenitude da vida futura. É ser discípulo e estar em constante aprendizado a partir do evangelho, vivendo hoje tudo o que cremos e esperamos no amanhã. Esta postura diferente trará incompreensão e perseguição mas em compensação, a alegria será verdadeira, porque não se fundamenta naquilo que se vê, mas sim no que se espera.

Jesus Cristo trouxe o futuro até nós, sendo precisamente esta crença e esperança que nos faz ter uma identidade própria, fomos marcados para fazer a diferença neste mundo tão descrente, que não consegue vislumbrar a Vida Nova, para a qual fomos destinados por Deus, desde o início da Criação.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  
jotacruz3051@gmail.com

http://www.npdbrasil.com.br/religiao/rel_hom_gotas0349.htm#msg02

SANTOS DA SEMANA

 

 

SANTOS DA SEMANA

10- São Leão Magno, papa e doutor da Igreja, Memória

 

O papa Leão, nascido na Toscana no fim do século IV, é lembrado nos textos de história pelo prestígio moral e político dos quais deu prova diante das ameaças dos hunos de Átila (que conseguiu prender no Míncio) e dos vândalos de Genserico (de quem amansou a ferocidade no saque de Roma de 455). Elevado ao trono pontifício em 440, Leão, nos vinte e um anos de pontificado (morreu a 10 de novembro de 461), realizou em torno de sua sede a unidade de toda Igreja, impedindo a usurpação de jurisdição, eliminando abusos do poder, temperando as ambições do patriarcado constantinopolitano e do vicariato de Arles.

Não temos muitas notícias biográficas dele. O papa Leão não gostava de falar de si em seus escritos. Tinha uma ideia altíssima de suas funções: sabia assumir a dignidade, o poder e a solidão de Pedro, chefe dos apóstolos. Mas as suas atitudes, constante e rigidamente sacerdotais, hieráticas, não fazem um pano de fundo ao calor humano e também ao entusiasmo, que transparecem dos 96 Sermões e das 173 Cartas chegados até nós. De modo especial as homilias nos mostram o papa, um dos maiores da história da Igreja, paternalmente dedicado ao bem espiritual dos seus filhos, aos quais fala com linguagem acessível, traduzindo seu pensamento em fórmulas sóbrias e eficazes para a prática da vida cristã.

As suas cartas, dado o estilo culto, atento a certas cadências eficazes, dão a medida de sua rica personalidade. Espírito muito compreensivo e de larga visão, não se apega a detalhes de uma questão doutrinal. Todavia participa ativamente na elaboração dogmática do grave problema teológico tratado no concílio de Calcedônia, convocado pelo imperador do Oriente para a condenação do monofisismo.

A sua célebre Epístola dogmática a Flaviano, lida pelos delegados romanos que presidiam a assembleia, forneceu o sentido e, às vezes, as fórmulas da definição conciliar, criando assim unidade efetiva e solidariedade com a sede de Roma, caso único na história da Igreja, desde aquele período até hoje. Leão foi o primeiro papa que recebeu dos pósteros o apelido de Magno (grande),’ não só pelas qualidades literárias e pela firmeza com que sustentou o decadente império do Ocidente, mas pela estabilidade dogmática que transparece das suas cartas, dos seus sermões e das orações litúrgicas da época em que são evidentes a sobriedade e a precisão tipicamente leoninas.

Extraído do livro:


Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

 

https://www.paulus.com.br/portal/santo/sao-leao-magno-papa-e-doutor-da-igreja/

 

 

11- São Martinho de Tours, bispo, Memória

 

HISTÓRIA DE SÃO MARTINHO DE TOURS

 

Origens

Nascido por volta de 316 numa família pagã, Martinho era filho de um oficial do exército romano que atuava na Panônia, hoje Hungria. Quando entrou na adolescência, começou a frequentar uma igreja cristã por mera curiosidade. Porém, começou a gostar muito do convívio com os cristãos e da doutrina de Cristo. Isso preocupou seu pai.

Cavaleiro do exército imperial

Seu pai quis afastá-lo do cristianismo. Por isso, sendo Martinho ainda adolescente, seu pai o fez ingressar na cavalaria do exército imperial. O plano, porém, não deu certo, pois, mesmo sendo da cavalaria, Martinho continuava frequentando a Igreja e praticando a caridade.

Encontro com Cristo na França

Perto de completar vinte anos, Martinho foi designado para a cavalaria da Gália, hoje França. Lá, foi abordado por um mendigo que tremia de frio. O homem pediu esmola a Martinho. Não tendo dinheiro no momento, Martinho cortou seu manto ao meio e deu metade ao pobre. À noite, Jesus lhe apareceu num sonho. O Mestre estava usando a metade do manto que Martinho tinha dado ao pedinte e agradeceu por ter sido aquecido. Depois disso, Martinho deixou o exército para se dedicar à fé.

Vida de monge

Com apenas vinte e dois anos, Martinho estava batizado. Dedicou-se à oração e à vida solitária, sendo orientado pelo bispo Hilário de Poitiers, que se tornou santo. Mais tarde, este mesmo bispo ordenou-o diácono. Tempos depois, quando o mesmo bispo retornou de um exílio, no ano 360, fez uma doação a Martinho: um terreno que ficava a doze quilômetros de Poitiers, em Ligugé.

Primeiro Mosteiro da França

No terreno ganhado, o Diácono Martinho fundou uma comunidade monástica. Pouco tempo depois, um grande número de jovens queria seguir o mesmo tipo de vida. Por isso, São Martinho construiu ali o primeiro mosteiro em terras francesas e de toda a Europa ocidental.

Monges padres e missionários

Diferentemente do Oriente, os monges do Ocidente podiam ser ordenados sacerdotes e serem missionários no meio do povo. Por isso, São Martinho liderou um movimento de evangelização juntamente com seus monges. Visitavam aldeias, pregavam a Boa Nova, levavam o povo a abandonar seus ídolos e construíam igrejas. Se encontrava resistência, construía um mosteiro no local. Ali, os monges evangelizavam através da caridade e do exemplo. Logo, o povo se abria para a uma conversão sincera.

Dons extraordinários

São Martinho recebeu dons místicos, que o auxiliaram na missão evangelizadora. Através de sua oração, vários milagres e curas foram operados para o bem dos doentes e pobres, que não poderiam jamais recorrer aos médicos.

Bispo

Quando o bispo de Tours faleceu, em 371, o povo, por unanimidade, aclamou São Martinho como o novo bispo. Ele resistiu, mas aceitou. Porém, não deixou sua peregrinação missionária. Fazia questão de visitar todas as paróquias, zelava cuidadosamente pela liturgia e não desistia de evangelizar os pagãos. Primava pelo exercício exemplar da caridade. Fundou um outro mosteiro, o qual chamou de Marmoutier. E de lá, saiu São Patrício, o grande evangelizador da Irlanda. Assim sua missão exemplos não se limitou a Tours, mas se expandiu para muito mais longe.

Morte

São Martinho exerceu seu ministério episcopal durante vinte e cinco anos. Faleceu com oitenta e um anos, em Candes. Era o dia 8 de novembro do ano 397. Sua festa passou a ser celebrada no dia 11, porque este foi o dia de seu sepultamento na cidade de Tours. Passou a ser venerado como são Martinho de Tours. Foi o primeiro santo não-mártir a ser cultuado oficialmente pela Igreja. Além disso, passou a ser um dos mais populares santos de toda a Europa.

Oração a São Martinho de Tours

 

“Glorioso São Martinho, nosso amigo e protetor, que ao dividir vosso manto com o mendigo que padecia de frio na neve encontrastes o próprio Senhor Jesus, ajudai-nos, a saber, partilhar o que temos com os mais empobrecidos que encontramos em nosso caminho, principalmente as crianças mais abandonadas, reconhecendo nelas a imagem de nosso divino mestre.

Ó bom Jesus, por intercessão de São Martinho dai-nos os dons da caridade e do amor fraterno que nos fazem servir com desprendimento aos vossos filhos mais excluídos dessa terra. Amém. São Martinho, rogai por nós.”

 

https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-martinho-de-tours/191/102/

RELIGIÃO Afinal, quem são “Todos os Santos”?

 

RELIGIÃO

Afinal, quem são “Todos os Santos”?

 

Canção Nova - 

Padre explica por que a Igreja celebra todos os santos

No dia 1º de novembro, a Igreja celebra a solenidade de Todos os Santos (no Brasil, liturgicamente a solenidade é celebrada no domingo). Para explicar por que esta festa foi instituída e o que ela representa, o Canção Nova em Foco foi conversar com o Pe. Fernando Santamaria, especialista em Escatologia.

O padre explica que a vocação à santidade é universal, ou seja, não é reservada para poucos. Todos os homens e mulheres são chamados a serem santos. As pessoas que correspondem a este chamado, e que, portanto, viveram e morreram em Cristo se encontram com Ele no Reino Celeste. No Livro do Apocalipse, capítulo 20, São João afirma que é uma multidão. Porém, nem todos chegarão a ser canonizados pela Igreja; então, esta solenidade existe para recordar todos os fiéis que estão no céu.

“São esses nossos irmãos e irmãs, de diferentes estados de vida, diferentes idades, que nós acreditamos que já contemplam a face do Senhor e já estão nesta dimensão triunfante da Igreja, esses que celebramos na Solenidade de Todos os Santos. Mas essa festa existe também, para recordarmos que todos nós somos chamados ao Reino Celestial”.

Para exemplificar, padre Fernando compara a festa a um monumento histórico, erguido para recordar soldados mortos em uma guerra. Não se sabe o nome dos soldados mortos em batalha, mas o monumento é erguido para fazer memória a todos eles.

“A solenidade de todos os santos é comparável a esse ato civil. Há uma data e um marco para lembrar de todos num só [dia]. Lembramos de todos os santos e santas que não foram canonizados mas que se encontram na glória”.

Assim como muitos fiéis costumam celebrar seu santo de devoção e pedir sua intercessão, especialmente no dia dedicado a eles, neste primeiro de novembro, é possível pedir a intercessão de todos os santos.

Santos canonizados ao longo da história da Igreja, e também no século XXI, como São João Paulo II, são prova de que a vocação à santidade é possível. Entretanto, o padre destaca que assumir essa vocação não é obra pessoal, mas um projeto de Deus, somente possível com a graça d’Ele, ou seja, não se pode ter a pretensão de querer ser santo pelas próprias forças.

“Os santos com muito esforço, muita graça de Deus, pelo mérito de Cristo, se santificaram, ao ponto de também agora terem méritos […] Nenhum santo cura, liberta ou faz milagre. O único que faz milagre é Deus, mas Ele quis, por intercessão da Virgem Maria, dos santos e dos anjos, distribuir as Suas graças”.

https://pt.aleteia.org/2015/10/30/afinal-quem-sao-todos-os-santos/

SANTO AGOSTINHO- DA ESBÓRNIA À SANTIDADE

 

 

SANTO AGOSTINHO- DA ESBÓRNIA À SANTIDADE

 

Por Paulo Ricardo

Hoje vamos falar de um Santo muito especial, meus amigos: o primeiro dos quatro doutores do ocidente, a luz filosófica da antiguidade cristã. Ninguém mais, ninguém menos do que Santo Agostinho!

Juntamente com Santo Ambrósio, São Jerônimo e São Gregório Magno, Santo Agostinho nos direciona para o cristianismo como o conhecemos. Sua influência é enorme no mundo ocidental. Se você não o conhece, não leu pelo menos "As Confissões", você não tem a menor ideia de onde está. O papel de Santo Agostinho nos primeiros séculos depois de Cristo é comparável com o de São Paulo na Igreja primitiva.

Sua grandeza está principalmente no fato de que ele soube, como nenhum outro, relacionar a filosofia helenista (grega) e romana com os preceitos da fé cristã, caminho que mais tarde seria retomado com brilho pelo grande São Tomás de Aquino. O pensamento agostiniano faz a ponte filosófica necessária do conhecimento platônico-aristotélico para Santo Anselmo, e daí para São Tomás de Aquino.

A quantidade de títulos de Santo Agostinho, por si só, já dariam um post, "Doutor da Caridade", "Doutor da Graça", Doutor da Humildade", "Doutor da Oração" e muitos outros. Viveu na fronteira de dois tempos: sua vida transcorreu no ocaso do Império Romano do Ocidente e também na ascensão do cristianismo e declínio do paganismo.

Foi um dos três homens mais inteligentes que a humanidade já conheceu. Falar de Santo Agostinho é falar de um parelho de Aristóteles e Platão. Metafísico, filósofo, psicólogo, os interesses de Santo Agostinho confundem-se com a meditação sobre o destino do homem.

FAMÍLIA

Nasceu Aurelius Augustinus em 15 de novembro de 354, na cidade de Tagaste, Numídia, uma província romana no Norte da África (atualmente o nome da cidade é Souk-Ahras, e fica na Argélia). Seu pai, chamado Patrício, era um pagão de personalidade violenta.

Sua mãe era Santa Mônica, uma mulher de bom coração, que aos poucos foi domando o caráter agressivo do marido; ao mesmo tempo, educou Agostinho e dirigiu o menino pelo caminho da cristianismo, fazendo dele catecúmeno.  Foi Santa Mônica a principal responsável por Agostinho vir a se tornar um santo.

CURTINDO A VIDA ADOIDADO

Santo Agostinho foi na juventude uma espécie de James Dean (essa referência é somente para os fortes) da sociedade decadente do Império Romano do Ocidente moribundo. Bom aluno, foi mandado para Cartago, o principal centro de estudos e a maior cidade da África, uma espécie de Los Angeles para malucos superdotados e um centro de esbórnia.

Como todo jovem sem supervisão (tinha dezessete anos) vivia na boemia. Das suas relações, digamos, "acadêmicas", nasceu seu único filho, Adeodato. Apesar das suas maluquices juvenis, Santo Agostinho foi um grande pai e nunca abandonou o filho.

Os jovens de hoje, que se acham tão espertos, não sabem, de fato, nada. Santo Agostinho, em 371, já vivia e sentia exatamente as mesma coisas que eles, só que sem smartphone e Ipad. E como eles, Santo Agostinho sentia o vazio de uma existência sem sentido. Graças a Deus, não existia as parafernalhas de hoje, e Agostinho pôde ler sem Kindle o diálogo "Hortêncio" de Cícero, que versa sobre a possibilidade da eterna bem-aventurança. Vejamos um trecho:

"Se tudo acaba com a vida presente, não é já pequena sorte o ter ocupado a existência no estudo de assunto tão importante; se, como tudo parece indicar, nossa vida continua depois da morte, a investigação constante da verdade é o meio mais seguro para preparar-nos para esta outra existência."

Esse tipo de conhecimento estava além da capacidade de seus mestres pagãos. Agostinho sentia falta do Salvador, do Mestre dos mestres que havia conhecido através de sua mãe. Mas para saciar sua necessidade de Jesus, ele precisava fazer um duplo sacrifício: a submissão da inteligência e a pureza da vida. Definitivamente, o jovem Agostinho ainda não estava preparado para tanto.

APÓSTOLO DO ERRO MANIQUEÍSTA

O paganismo não era um caminho aceitável para Agostinho. Voltou-se para o estudo das Sagradas Escrituras, mas quem lhe daria o entendimento dessa leitura? Como sabemos, somente a Igreja Católica é capaz da fazê-lo, por sua autoridade. Mas esse caminho é deveras difícil, por conta das crenças errôneas que confundiam a razão de Agostinho.

Contrapunha-se à Sã Doutrina a heresia maniqueísta, uma seita em que os mestres desprezavam os dogmas da fé católica e adoravam às artes e letras profanas. Era um tipo de relativismo antigo, onde o juízo pessoal era a medida fé. Sem contar que a dualidade (Deus bom em oposição a Deus mau) era suficiente para jogar a culpa do pecado na influência alheia. Seríamos eternos coitadinhos por essa ótica, sempre podendo imputar a culpa dos nossos mal feitos no Deus mau. Que lindo!

Analisando o mundo a nossa volta, podemos ver claramente que o maniqueísmo não morreu. "Sou um menino malvado, a culpa não é minha, é do Deus mau! Eu acredito no Deus bom! Ai de mim!". Para os moleques da época isso era muito atraente, pois era a justificativa para qualquer bobagem que viessem a cometer.

Santo Agostinho abraçou o maniqueísmo com toda a vontade e tornou-se um dos seus principais apóstolos, levando para essa heresia muitos dos seus companheiros de cátedra. Chegou até a tentar converter sua mãe, mas com Santa Mônica isso demonstrou ser uma tremenda perda de tempo.

O SONHO DE SANTA MÔNICA

Por aquela época, Santa Mônica teve um sonho profético sobre seu filho rebelde. Um anjo lhe disse:

"Onde tu estás, ele também está." 

O confessor a quem Santa Mônica confiava suas angústias aconselhou-a a continuar rezando por Agostinho. Graças às preces da mãe, chegaria o dia em que o filho retornaria ao caminho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Agostinho voltou para sua cidade natal e tornou-se professor de retórica. Mas o lugar era pequeno demais para suas ambições e brilhantismo. Retornou a Cartago, onde suas carreira deslanchou a ponto de buscar novos horizontes na capital do Império, Roma.

Ao partir da África, já tinha se desligado dos maniqueístas - perseverar em furada não era mesmo a dele. A princípio, não adotou uma nova fé, decidiu esperar para que a verdade se apresenta-se a ele com plena certeza.

DEUS E PLATÃO

Em Roma, abriu a Cátedra de Retórica nos mesmos moldes que havia feito em Tagaste e em Cartago. Seus primeiros alunos eram os mesmos que o acompanhavam desde Cartago, e a esses juntaram-se novos e tanto uns quantos outros que não pagavam um centavo.

Para se sustentar, Santo Agostinho arrumou um emprego na Cátedra de Milão, onde entrou em contado com a obra de Platão que tinha acabado de ser traduzida por Vitoriano do grego para o latim (observem que JÁ EXISTIA TRADUÇÕES DE PLATÃO EM LATIM NO SÉCULO IV. Quem é que precisava de árabes, bwana!!!????). Foi o velho filósofo que mostrou a Agostinho que a visão maniqueísta de um Deus basicamente materialista nada tinha a ver com a realidade de um Deus criador.

AS ORAÇÕES DE SANTA MÔNICA

Platão foi o primeiro passo da conversão de Santo Agostinho, mas ainda não era suficiente, pois este mostrava o verdadeiro Deus, mas não mostrava o caminho para o convívio dos eleitos. Essa segunda etapa só seria possível ao entregar-se nos braços de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foram as orações de sua mãe Santa Mônica que possibilitaram esta graça. Foi a santa juntar-se ao filho amado em Milão.

A primeira coisa com que ela teve que lidar foi com a união ilegítima de Santo Agostinho com a mãe de seu filho Adeodato. A mãe do menino era um mulher de bom coração, e consentiu em separar-se de Adeodato e retornar a Tagaste, onde viveu seus dias em retiro, servindo a Deus. Agostinho ainda não sentia-se pronto para entregar-se a Cristo e ainda era prisioneiro de suas paixões.

Foi por meio da mediação de Santa Mônica que Agostinho conheceu Santo Ambrósio, bispo de Milão, de quem se tornou discípulo. Santo Ambrósio que colocou Santo Agostinho na linha de uma vez por todas. Baixando a bola, ele venceu seu orgulho e voltou a ler e estudar as Escrituras, em especial as Epístolas de São Paulo, onde encontrou a cura para suas tentações do mundo (eu mesmo preciso fazer isso sempre e sempre devemos fazê-lo, para salvação de nossas almas).

Outro fato interessante e que teve forte impacto em Santo Agostinho foi a conversão de Vitorino, o filósofo que havia traduzido Platão para o latim.

ENFIM, A CONVERSÃO

Agosto de 386. Agostinho vivia em Milão com sua mãe, seu filho e alguns amigos. Entre esses amigos, havia um certo Alípio, que servia-lhe como confessor de suas angústias espirituais. Receberam um dia a visita de Ponticiano que, vendo espalhadas sobre a mesa as cartas de São Paulo, congratulou Agostinho por se ocupar daquele tipo de leitura.

Mas Ponticiano não era exatamente uma sumidade intelectual; o fato daquele humilde amigo estar mais próximo de Deus do que ele naquele momento, mesmo com toda sua inteligência, deixou Agostinho perturbado. Agostinho parecia dividido entre o chamado de Deus e o chamado do mundo, exatamente como quase todos nós.  Foi ao ler a seguinte passagem das cartas de São Paulo que se fez luz em sua alma:

"Nada de comilança, nem bebedeiras, nada de luxúria, nem de desfreamento, nada de brigas nem invejas; ao contrário, revesti-vos de Jesus Cristo, o Senhor, e não busqueis satisfazer os baixos instintos" (Romanos).

O batismo de Santo Agostinho foi realizado por Santo Ambrósio, em Milão. Eles compuseram juntos na ocasião o cântico "Te Deum laudanus", que se tornou o hino litúrgico de ação de graças de toda Igreja Católica. Um momento de enorme dor seguiu-se: pouco tempos depois, Adeodato, o filho de Santo Agostinho, morreu.

Convertido, Agostinho retornou à África, tendo junto consigo Santa Mônica. Durante a longa viagem, fizeram uma parada em Óstia, e aí sua mãe veio a adoecer e faleceu, cinco dias depois.

O APOSTOLADO DE SANTO AGOSTINHO

Depois de prantear sua mãe, Santo Agostinho iniciou seu projeto de vida religiosa. O então bispo de Hipona, Valério, conferiu-lhe o sacerdócio em 391. A partir daí, Santo Agostinho instituiu uma ordem religiosa (que subsiste até hoje e segue a mesma regra) que unia o apostolado com os exercícios de claustro. Fundou também um convento, do qual sua irmã mais velha tornou-se a primeira superiora.

Foi após a morte de Valério que Santo Agostinho se tornou Bispo de Hipona. Suas principais atividades como bispo foram: direção de monastérios, instrução dos fiéis e defesa da Igreja a contra as heresias. Foi o mais severo demolidor dos hereges arianos, maniqueístas, pelagianos e donatistas. Por jogar por terra as ideias de todos esses manés, ficou conhecido como "Martelo dos hereges". Acabou com o cisma dos donatistas, que destruíram o Norte da África. Defenestrou com o pelagianismo, heresia que dizia que a graça de Deus não era necessária para a salvação, o que lhe valeu um outro famoso título "Doutor da Graça".

Talvez o seu pior embate tenha sido com os arianos (para entender o que é arianismo, clique aqui). Os vândalos, o nome de etnia que virou sinônimo de desordeiro, estavam destruindo tudo em seu caminho de conquista - e eles eram adeptos do arianismo. O velho "Doutor da Graça" já não tinha mais forças e, antes que os vândalos finalizassem o cerco de Hipona, Santo Agostinho adormeceu e faleceu placidamente. Tinha 76 anos de idade. Seu corpo foi levado para a Itália. Em Pávia, na Lombardia, seus restos repousam até hoje.

Fiquem na Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

https://ocatequista.com.br/blog/item/13403-santo-agostinho-da-esbornia-a-santidade

DICAS DE LEITURAS

 

DICAS DE LEITURAS

01- Para estar com Deus

Santa Teresa de Ávila, com a força de uma experiência vivida afirmava: Quem a Deus tem, nada lhe falta

 

Neste livro, Francisco Faus, sacerdote católico e diretor espiritual há mais de 5 anos, ensina, através de breves meditações, como alcançar essa união com Deus no dia-a-dia.

Nas páginas desse livro, encontrará conselhos práticos de como viver a fé crista e descobrirá que a vida interior é um caminho acessível a

https://loja.cancaomova.com/livro-para-estar-com-deus

 

02- Falar Com Deus - Meditações para Cada Dia do Ano

Francisco Fernández Carvajal

 

Editora: Quadrante

Ano: 2004

Estante: Religião

Idioma: Português

Descrição: Falar com Deus, em sete volumes, acompanha com reflexões para cada dia do ano as épocas litúrgicas, as festas do Senhor, da Virgem Maria e dos santos. Resume as verdades da fé cristã e aponta um roteiro prático das virtudes que o homem deve adquirir no seu caminhar para Deus. Nas suas páginas, a vida diária revela-se o lugar por excelência onde o cristão deve combater o bom combate e chegar a ser outro Cristo, o próprio Cristo que passa entre os homens. Este primeiro volume da coleção refere-se aos tempos litúrgicos do Advento, Natal e Epifania, num total de 51 meditações.

https://www.estantevirtual.com.br/sebo-riacho/francisco-fernandez-carvajal-falar-com-deus-meditacoes-para-cada-dia-do-ano-3456328209?show_suggestion=0

 

 

 

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