sábado, 8 de junho de 2024

LEITURAS DA SEMANA: 10 DE JUNHO A 16 DE JUNHO 10ª semana do Tempo Comum- ORAÇÃO PELO MÊS DE JUNHO

 

 

LEITURAS DA SEMANA: 10 DE JUNHO A 16 DE JUNHO

10ª semana do Tempo Comum

10 (2.ª f.)- 1Rs 17,1-6; Sl 120(121),1-2.3-4.5-6.7-8 (R. Cf. 2);Mt 5,1-12

11(3.ª f;)- São Barnabé, Apóstolo, Memória

At 11,21b-26.13,1-3;Sl 97(98),1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 2a);Mt 10,7-13

 

12(4.ª f.)- 1Rs 18,20-39;Sl 15(16),1-2a.4.5 e 8.11 (R. 1);Mt 5,17-19

13( 5.ª f.)- Santo Antônio de Pádua, presbítero e doutor da Igreja, Memória

1Rs 18,41-46;Sl 64(65),10abcd.10e-11.12-13 (R. 2a);Mt 5,20-26

 

14(6.ª f.)- 1Rs 19,9a.11-16;Sl 26(27),7-8a.8b-9.13-14 (R. 8b);Mt 5,27-32

15(Sáb.:)- 1Rs 19,19-21;Sl 15(16),1-2a e 5.7-8.9-10 (R. cf. 5a);Mt 5,33-37

16(Dom.:)11º Domingo do Tempo Comum, Ano B

 

Ez 17,22-24;Sl 91(92),2-3.13-14.15-16 (R. cf. 2a);2Cor 5,6-10;Mc 4,26-34.

 

Oração pelo mês de junho

Entregamos o mês de junho que se inicia e depositamos todas as preces e dores dentro do teu Sagrado Coração, Jesus, e do teu Imaculado Coração, Maria.. Sabemos que o teu Divino Coração, Cristo Jesus, e o teu Puro Amor, Virgem Maria, é o nosso amparo e fortaleza. Agradecemos por tão profundo amor e misericórdia que tens para conosco diariamente. Mais do que pedir, queremos agradecer pelas bênçãos que já recebemos neste primeiro semestre do ano: novo emprego, cura de doenças, casamentos restabelecidos, famílias restauradas, jovens que saíram das drogas e superação do luto e a esperança que insiste em habitar nosso coração.

Queremos ainda, consagrar tudo o que viveremos no segundo semestre deste ano. Que a tua bondade, Jesus Amado, esteja conosco e que a tua presença maternal, Mãe Maria, seja a nossa bússola que nos ajudará a escolher o caminho de Deus de agora em diante.

Por fim, entregamos neste mês dos namorados, todos os casais que passam por dificuldades, que eles encontrem a chama do amor genuíno e que juntos alcancem inúmeras graças neste mês.

Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, cuide de nós. Amém!”

 

https://www.asj.org.br/noticias/oracao-para-iniciar-o-mes-de-junho-2/

REFLEXÃO DOMINICAL I, II, III

 

 

REFLEXÃO DOMINICAL I

QUEM FAZ A VONTADE DE DEUS

A Eucaristia que celebramos é o sacramento da caridade onde Jesus se doa a si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus pela humanidade. Neste admirável sacramento, mistério de nossa fé e salvação, se manifesta o grande amor do Pai em Jesus Cristo, que nos amou até o fim, na morte de cruz, dando a sua vida para nos salvar, no pleno dom de seu corpo e sangue. Na celebração eucarística escutamos e meditamos a Palavra de Deus. É Ele mesmo quem fala ao seu povo, é o mesmo Cristo presente na sua palavra que anuncia o Evangelho. De fato, Jesus, verdadeiro homem, Filho de Deus realizou a plena vocação humana, destruiu definitivamente o mal e nos associou, como seus filhos, à sua vitória sobre o pecado e a morte. A Palavra de Deus deste domingo vai nos dizer que quem se torna discípulo e missionário de Cristo se associa profundamente à família de Deus. Fazer a vontade de Deus nos faz sua família em Cristo. A primeira leitura (Gn 3,9-15) nos mostra a humanidade que, culpada por desobedecer ao mandamento divino, é reencontrada por Deus, que toma a iniciativa e busca retomar o diálogo perdido. E pergunta “Onde estás?” E, de modo pedagógico, Deus a conduz a assumir a própria responsabilidade pelos próprios atos, pois na sua justiça, se compadece do ser humano e promete-lhe a vitória sobre o mal. É o símbolo do esmagamento da cabeça da serpente, uma luta deve ser travada contra o mal, mas o homem sairá vitorioso, pela graça e poder de Deus, em Cristo Jesus, sua paixão, morte e ressurreição. No Santo Evangelho (Mc 3,20-35) encontramos Jesus, que na sua fidelidade ao Pai até o sacrifício na cruz, realizou aquilo que contrasta com a desobediência humana simbolizada pelo pecado dos primeiros pais. Os exorcismos de Jesus são a prova de que o Reino de Deus chegou, o mal é vencido, Ele é mais forte, veio em socorro da fraqueza humana na luta cotidiana contra todas as manifestações do mal, sem compactuar com satanás. Neste contexto não esqueçamos que todos os que abraçam a vontade do Pai e a cumprem perfeitamente, seguem o exemplo do Filho, Jesus. Estamos unidos a Cristo com fortes vínculos, na fé, comparados aos mais estreitos laços afetivos familiares. É dessa união com Cristo, na única vontade do Pai, que encontramos a força para vencer o mal. No coração e na vida levamos isto: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. A segunda leitura (2 Cor 4,13-5,1) nos mostra que, a partir do momento em que o ser humano exterior desaparece, nasce uma nova humanidade interior. Assim, o homem velho dá lugar ao homem novo. Na provisoriedade da vida nos deparamos com tantas tribulações na vida. Como discípulos de Jesus vivemos o provisório com os olhos voltados para o eterno. De fato, a expectativa da felicidade após a morte é assegurada pela fé na misericórdia de Deus, que a todos perdoa, ao reconhecerem seu pecado. No caminho de cumprimento pleno da vontade do Pai, em Jesus Cristo, “sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá outra moradia no céu, que não é obra de mãos humanas e que é eterna”.

 Dom Ângelo Ademir Mezzari, RCJ Bispo Auxiliar de São Paulo

https://arquisp.org.br/sites/default/files/folheto_povo_deus/ano-48b-44-10o-domingo-do-tempo-comum-1.pdf

REFLEXÃO DOMINICAL II

DEUS PERGUNTA AO HOMEM: ONDE ESTÁS?

Gn 3,9-15
Sl 129
2Cor 4,13-18 – 5,1
Mc 3,20-35

Caríssimos, iniciemos a nossa meditação da Palavra que o Senhor nos dirige neste X Domingo Comum partindo da tremenda pergunta que o Senhor Deus fez aos nossos primeiros pais e nos faz a nós, filhos de Adão de todos os tempos:

“Onde estás?”

 

Onde te encontras, ó homem, com tua ânsia de ser como Deus, de ser dono da tua vida, de viver fechado em ti mesmo, no teu comodismo, na tua frieza, na tua autossuficiência, como se te bastasses? Onde estás, ó homem, bicho tirado do pó da terra, no qual soprei, com Meu Espírito, o desejo do Infinito?

E quão triste a situação do homem, a nossa situação: ei-lo envergonhado, ei-lo escondido! Envergonhado porque nu, escondido porque não se aceita na sua condição de pobre criatura e dela sente vergonha!

Somente quem é inocente como as crianças não sentiria vergonha da própria nudez!

Mas, o homem – eu você – esse bicho que deseja ser autônomo e se pensa Deus, como não se sentir envergonhado?

Então se esconde de Deus, atrás das tantas moitas que a vida lhe oferece: diversões, dispersão, poder, posses, dominação, prestígio, satisfação desmesurada dos instintos descontrolados! Quantas moitas para se esconder de Deus, para esconder, disfarçando a própria nudez!


E lá vai o homem, quebrado, jogando a culpa nos outros, no mundo, em Deus, no Diabo, contanto que se justifique e se desculpe a si próprio, sempre fugindo de si e da sua triste realidade, sempre se protegendo ilusoriamente com frágeis folhinhas de parreira!

Ao invés de fugir, desse esconder, Irmãos, seria mais útil, maduro e coerente abrir o coração ao Senhor, como o Salmista:

“Das profundezas eu clamo a Vós, Senhor! Escutai a minha voz! Se levardes em conta as nossas faltas, quem poderá subsistir? Mas, em Vós se encontra o perdão: eu Vos temo e em Vós espero!”

Eis aqui a atitude correta diante do Senhor, atitude que nós devemos cultivar, caros Irmãos, mas que, infelizmente, não é a nossa tendência! Naturalmente, diante do Senhor, nossa tendência ainda é aquela dos primeiros pais: a autonomia blasfema de nos fazer deuses de nós mesmos!


E isto aparece também no Evangelho de hoje: primeiro, nos adversários de Jesus, os escribas de Jerusalém que, afirmam logo, para desmoralizá-Lo, que Ele age pelos demônios! É um modo fácil, covarde de não escutar o Senhor, de não se dar ao trabalho de se deixar converter! Não temos nós a tendência de fazer o mesmo com aqueles que nos convidam à conversão, aqueles que com sua palavra ou seu modo de viver nos incomodam, sendo um sinal de Deus? Vemos tantas vezes isto, mesmo na Igreja: a tendência de fazer pouco caso e até criticar e combater verdadeiros sinais que o Senhor nos envia através da vida de pessoas santas, capazes de loucuras e radicalidades pelo Senhor! A sentença do Senhor é dura: isto é pecado contra aquilo que o Espírito de Deus suscita! Que coisa: sufocar o Espírito, contristá-Lo porque não cabe na nossa lógica tacanha, na nossa medida mesquinha! Cuidado, Irmãos! Cuidado para não pecarmos contra o Espírito! Não aconteça combatermos contra Deus!

Mas, há também aquele outro perigo: o dos parentes do Senhor: não reconhecê-Lo como presença de Deus, ficando num nível meramente humano! Quantas vezes nós, cristãos, somos incapazes de perceber a presença do Senhor nas pessoas, nos acontecimentos e até na Sua própria Palavra? Quantas vezes nossa fé é tão morna e somos tão cegos para enxergar! Ainda que não sejamos adversários como os escribas, somos realmente desconfiados como os parentes do Senhor, que chegam a levar a própria Virgem Santíssima com eles para trazerem Jesus para casa, querendo aprisiona-Lo numa simples relação humana, deste mundo! Irmãos no Senhor, tenhamos fé! Irmãos no Senhor, aprendamos a ver com o olhar de Deus, a medir com a medida do Coração de Deus! Não é possível que sejamos cristãos sendo tão terrenos e até mundanos no nosso modo de sentir e de ver!

Mas, estejamos certos, caríssimos: Jesus é o mais forte que derrota o forte, Jesus é o Vencedor da Morte que, vencendo o Príncipe deste mundo e o amarrando, nos dá a possibilidade de vencer o pecado em nós e no mundo. Por isso mesmo, por esta certeza, o ânimo contagioso de São Paulo, na segunda leitura de hoje:

“Sustentado pelo mesmo espírito de fé, nós também cremos e, por isso, falamos, certos de que Aquele Deus que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus!”

Ainda cremos realmente nisto, caríssimos: que nossa vida neste mundo caminha para a plenitude eterna, participando da Ressurreição de Jesus, nosso Senhor na glória do Céu?

Cremos que “mesmo que o nosso homem exterior – nossa humanidade nesta situação mortal – se vai arruinando, o nosso homem interior – com a Vida de Cristo, recebida no Batismo – vai se renovando, dia a dia”?

Levamos a sério que nos espera “uma Glória eterna e incomensurável?”

Temos realmente como certo que, em Cristo, o Vencedor do Pecado e da Morte, quando “a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dará uma outra morada no Céu, que não é obra de mãos humanas, mas que é eterna”, isto é, morada viva da Vida do Eterno?

Irmãos, não será que nossa frieza, o pouco vigor de muitos para ser generoso com o que é do Senhor não decorreria da falta de fé verdadeira na Vida eterna, na recompensa que o Senhor nos prepara? – Falamos tanto da terra e tão pouco do céu!

Não será que estamos numa situação de marasmo, com uma visão meramente humana das coisas de Deus, como os parentes de Jesus?
Será que, às vezes, pior ainda, não estamos sendo adversários do Espírito de Deus, que Se manifesta em tantos que são entusiasmado radicalmente pelas coisas do Senhor, são, para nós e para o mundo, sinais do céu, e nós os criticamos?

Caríssimos, reconheçamo-nos pequenos, reconheçamo-nos deficientes diante do Senhor! Abramo-nos ao Seu Espírito: acreditemos, confiemos, deixemo-nos ser instrumentos generosos do Senhor na obra da salvação do mundo, vivendo o Cristo, testemunhando o Cristo, pregando o Cristo, para, vencido o Pecado e a Morte, participarmos “da Glória eterna e incomensurável que o Senhor nos prepara”. Amém.

https://rumoasantidade.com.br/homilia-10-domingo-comum-ano-b-2018/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFLEXÃ0 DOMINICAL III

"Acreditar na Graça de Deus"

Quando a gente está super ocupado , costuma-se dizer que não se tem tempo nem para comer, esse evangelho começa constatando exatamente isso, pois Jesus e seus discípulos chegaram na casa de alguém onde pretendiam tomar uma refeição, mas um  grande número de pessoas foram ali á sua procura e Jesus teve que lhes dar atenção. Não ter mais tempo para si,  vai ter  para os seus parentes a conotação de loucura “Ele está fora de si”.

Amar as pessoas preocupar-se com elas, doar-se aos serviços da comunidade para servir a Deus e aos irmãos, nos tempos da pós-modernidade também soa como uma loucura, pois vivermos no mundo das relações mercantilizadas onde tempo é dinheiro e perder  tempo com coisas que não dão nenhum  retorno, é realmente coisa de louco.

Pior que esses parentes de Jesus que não entendiam á sua missão, eram  os escribas que atribuíam suas ações libertadoras e curas prodigiosas  á Belzebu, príncipe dos demônios, acusando Jesus de fazer o Bem , através da força do mal, o que era uma grande incoerência, pois Bem e Mal são duas coisas que jamais podem agir em conjunto, se as obras de Jesus eram boas em si mesmo, curava e libertava as pessoas, elas jamais poderiam provir do mal.

Em nossa sociedade também sofremos desse mal,  porém no sentido contrário,  querendo atribuir ao Bem algo que provém do mal, senão vejamos, para muitos, inclusive cristãos, a pena de morte, o aborto, o divórcio, a eutanásia, são coisas do Bem, e tem até traficante de Favela pousando de herói do povo, defensor dos pobres, dos velhos e das crianças. Quando isso acontece e essa mentalidade começa a dominar a todos, é porque se está cometendo o temível pecado contra o Espírito Santo, que Jesus afirma não ter perdão. E que pecado terrível será este?

Exatamente o mesmo que os Escribas e os parentes de Jesus cometiam: o de não acreditar e não aceitar a Graça que Jesus nos trouxe, em uma recusa contra a ação Divina, libertadora e Salvadora nele presente, e colocada a favor das pessoas. Quem comete esse pecado está apostando todas as suas fichas nas forças do Mal presente no mundo, por crer no fundo, que esta é mais poderosa que o Bem supremo que Jesus nos oferece.

O Mal já foi derrotado por Jesus, mas o homem ainda não se apercebeu disso, o Reino está presente na vida da humanidade, não de maneira ostensiva como a Força do  mal, mas como semente em desenvolvimento e que requer cuidado e atenção para crescer e ser a maior de todas as árvores, mas o homem imediatista deste tempo prefere acreditar no Mal e deixa de investir e acreditar no Bem.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  
jotacruz3051@gmail.com

http://www.npdbrasil.com.br/religiao/rel_hom_gotas0284.htm#msg02

ATUALIDADE Dom Azcona não será mais obrigado a sair da ilha de Marajó

 

 

ATUALIDADE

Dom Azcona não será mais obrigado a sair da ilha de Marajó

 

Decisão foi tomada após veementes protestos de fiéis em favor do bispo emérito

Dom José Luís Azcona Hermoso, bispo emérito de Marajó, no Pará, poderá continuar morando na ilha, confirmou o pe. Kazimierz Antoni Skorki, administrador diocesano da prelazia. Neste dia 26, o bispo nomeado de Marajó, dom José Ionilton, recebeu da nunciatura apostólica no Brasil o comunicado de que dom Azcona “não precisará mais ‘transferir-se da residência na qual vive atualmente’”.

No início de dezembro, a prelazia tinha informado o recebimento de uma ordem transmitida por dom Giambattista Diquattro, núncio apostólico no Brasil, determinando que o bispo emérito deixasse a ilha até janeiro.

A decisão surpreendeu os fiéis e o clero local, que se mobilizaram para pedir a permanência de dom Azcona no território. Em 13 de dezembro, via redes sociais, os sacerdotes da prelazia divulgaram nota não apenas defendendo que o bispo emérito pudesse ficar na ilha, mas também solicitando esclarecimentos da nunciatura apostólica no Brasil sobre a determinação de que o prelado saísse do território.

A reversão da decisão, divulgada nesta semana, veio acompanhada pela sugestão, de parte do Dicastério dos Bispos, de que a data da posse canônica do novo bispo, dom José Ionilton, “seja adiada e que a nova data seja marcada com o núncio apostólico”.

Quem é dom José Luís Azcona

Espanhol de Pamplona, onde nasceu em 28 de março de 1940, dom Azcona é religioso da ordem dos agostinianos recoletos e veio para o Brasil em 1985, tendo cumprido a missão como bispo de Marajó de 1987 até 2016, quando renunciou por idade. Ele continua vivendo na ilha desde então.

Em 2009, dom Azcona denunciou gravíssimos casos de pedofilia e exploração sexual de crianças e adolescentes na ilha, um crime que envolveria políticos e empresários locais. A gravidade da denúncia levou à criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Pará e no próprio Congresso Nacional. Dom Azcona passou a sofrer ameaças de morte em decorrência das suas denúncias.

Dom Azcona também se manifestou enfaticamente contrário a pautas do Sínodo da Amazônia de 2019, com críticas ao instrumentum laboris e ao documento final. Ele lamentou, por exemplo, a “ausência de Cristo Crucificado” no instrumentum laboris, denunciando o que considerou como a omissão da essência do anúncio evangelizador no documento de trabalho do sínodo.

https://pt.aleteia.org/2023/12/28/dom-azcona-nao-sera-mais-obrigado-a-sair-da-ilha-de-marajo/

ESPIRITUALIDADE I E II

 

ESPIRITUALIDADE I

A espiritualidade básica do fiel católico

Vanderlei de Lima 

Apresentamos oito pontos considerados integrantes da espiritualidade básica do fiel católico, ou seja, que cabem a todos em qualquer estado de vida escolhido

1. Sentire cum Eclesia (Pulsar com a Igreja). Trata-se de uma expressão latina que surgiu no início da restauração litúrgica do século XX. Significa que estar com Cristo é estar com a Igreja, seu Corpo místico prolongado na história humana (cf. Cl 1,24; 1Cor 12,12-21). Ela é uma Mãe santa que traz, em seu seio, filhos pecadores. Para estes, no entanto, Ela mesma oferece a cura no sacramento da Reconciliação.

2. A Leitura eclesial da Bíblia. Quer dizer que o católico não lê a Palavra de Deus escrita de modo subjetivo (“Eu acho que esta passagem diz isso…”), mas à luz da Tradição oral (cf. Jo 20,30-31; 21,25; 2Ts 2,15) que deu origem à Bíblia e a acompanha em sua correta interpretação. Correta interpretação que só o Magistério vivo da Igreja pode oferecer, pois é assistido pelo Espírito Santo (cf. Catecismo da Igreja Católica n. 85-87).

3. Boa Formação doutrinária. É certo que para alcançar a santidade não é preciso estudar. Basta o grande amor – afetivo e efetivo – a Deus. Todavia, quem ama de verdade deseja conhecer cada vez mais o objeto do seu amor. Ora, se isto ocorre no plano humano, muito mais deve se dar com Deus, o amor que nos amou primeiro (cf. 1Jo 4,19). Busquemos, pois, boas fontes de formação.

4. A Eucaristia e os demais sacramentos. Para cada momento da nossa peregrinação terrena, temos um sacramento: ao nascimento biológico, segue o nascimento espiritual pelo Batismo; ao crescimento físico, acompanha o crescimento espiritual pela Crisma ou a Confirmação do Batismo; a alimentação corporal, necessária para o sustento físico, tem paralelo no alimento espiritual, na Comunhão, a cada Santa Missa que devemos, em estado de graça, participar, ao menos aos domingos; à medicina do corpo, pela qual somos curados, corresponde a medicina da alma que é a Confissão ou a Penitência, sacramento por meio do qual, através do sacerdote, ficamos perdoados de nossos pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; à forma de se realizar na vida, há a correspondência em atender ao chamado de Deus nos sacramentos do Matrimônio ou da Ordem (ministério a serviço do Povo de Deus); na fragilidade humana – em um acidente grave, ante uma cirurgia ou na velhice –, tem-se a força divina da Unção dos Enfermos. Não é um sacramento de despedida, mas de fortalecimento, em Deus, para encararmos os embates da vida (cf. Dom Estêvão Tavares Bettencourt, OSB. Curso de Liturgia. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1989, p. 39-40; Catecismo da Igreja Católica n. 1210-1666).

5. Os Sacramentais. “São sinais sagrados instituídos pela Igreja, por meio dos quais são santificadas algumas circunstâncias da vida. Incluem sempre uma oração, muitas vezes acompanhada do sinal da cruz e de outros sinais. Entre os sacramentais, figuram, em primeiro lugar, as bênçãos, que são um louvor a Deus e uma oração para obter os seus dons, as consagrações de pessoas e as dedicações de coisas para o culto de Deus” (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica n. 351).

6. A Piedade popular. Pode ser, se bem fundamentada, uma resposta pessoal do fiel ao Espírito Santo que fala no seu interior. Não se oporá à Liturgia, mas, ao contrário, ajudar-nos-á a melhor vivê-la no nosso dia a dia (cf. Sacrossanctum Concilium n. 13).

7. O Sacerdócio comum dos fiéis. Não se confunde com o sacerdócio ministerial, mas é inerente ao próprio Batismo e leva cada fiel a fazer da sua vida uma oferta a Deus ou, em outras palavras, a perceber que nada deste mundo é neutro ou profano ao cristão, mas pode ser usado, no aqui e agora, em vista do Reino celeste (cf. Lumen Gentium n. 34).

8. A Arte litúrgica. Deve, na Igreja, ser um meio e não um fim. Isto é, há de servir de canal para levar o fiel do material ao transcendente ou do ser criado (velas, pinturas, imagens etc.) ao Criador.

(Fonte: Dom Estêvão Bettencourt, OSB. Curso de Espiritualidade. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2006, p. 113-117).

https://pt.aleteia.org/2023/12/28/a-espiritualidade-basica-do-fiel-catolico/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ESPIRITUALIDADE II

Por que devemos fazer a vontade de Deus?

Mário Scandiuzzi

Quando Ele nos chama não é para realizar os nossos desejos, mas Seus planos

O capítulo 9 dos Atos dos Apóstolos começa narrando a conversão de Saulo. O grande perseguidor dos cristãos é cercado “por uma luz resplandecente vinda do céu (v. 3). Caindo de sua montaria, Saulo ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (v. 4). 

Depois disso, Saulo ficou três dias sem ver, sem comer e sem beber. Em Damasco vivia o discípulo chamado Ananias. E o Senhor, numa visão disse-lhe para que procurasse por Saulo. 

O discípulo então respondeu ao Senhor: “Muitos já me falaram deste homem, quantos males já fez aos teus fiéis em Jerusalém. E aqui ele tem poder dos príncipes dos sacerdotes para prender a todos aqueles que invocam o teu nome” (v. 13-14). A este questionamento, o Senhor respondeu: “Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido que levará o meu nome diante dos reis e dos filhos de Israel” (v. 15). 

Nós somos humanos e diante dos mistérios de Deus temos um conhecimento limitado. Saulo era temido por sua perseguição e, aos olhos de qualquer cristão, uma ameaça. Mas Deus viu nele um importante instrumento para levar a mensagem do Evangelho. 

No primeiro momento, Ananias pensou o que qualquer pessoa pensaria e teve medo de se aproximar de Saulo. Afinal, quem quer ir de encontro ao maior perseguidor de cristãos da época? Foi preciso fé e coragem para acreditar naquilo que Deus estava pedindo. 

Se Ananias seguisse aquilo que pensava ser certo, não iria até Saulo. Mas ele aceitou o plano de Deus. Impôs suas mãos sobre o temido homem. No mesmo instante Saulo voltou a enxergar e ficou cheio do Espírito Santo. 

Como Deus age em nossa vida

É assim que Deus age em nossa vida, quando deixamos que Ele realize Seus planos. Ele transforma, Ele dá vida nova, Ele realiza grandes coisas. 

Saulo teve seu encontro pessoal com Jesus. Ananias acreditou no plano de Deus. Corações que foram transformados para receber as graças do Espírito Santo. 

Ananias foi o instrumento para que Deus realizasse grandes coisas através de Saulo, que passou a se chamar Paulo e de perseguidor, se tornou o grande apóstolo que hoje conhecemos.  

Não importa o tamanho da missão, mas sim o amor com que aceitamos o plano do Pai em nossa vida. 

https://pt.aleteia.org/2022/01/30/por-que-devemos-fazer-a-vontade-de-deus/

Quem dizem os homens que eu sou? Uma leitura de Marcos 8,27-38 (II) Por Pe. Shigeyuki Nakanose, svd

 

 

 Quem dizem os homens que eu sou? Uma leitura de Marcos 8,27-38 (II)

Por Pe. Shigeyuki Nakanose, svd

 

1.    “Tu és Cristo”

 

Jesus com os seus discípulos estão em viagem para Jerusalém, próximos a Cesareia de Filipe, cidade situada no extremo norte da Palestina, junto às fontes do rio Jordão. O nome anterior dessa cidade era Panion, pois nela havia um local sagrado dedicado ao deus Pã (FREYNE, 2008, p. 53-54). Aí também havia um templo em honra de Augusto, construído por Herodes Magno. Herodes Filipe atribuiu à cidade o nome de Cesareia de Filipe, distinguindo-a de outras Cesareias.

No caminho, o Evangelho de Marcos insere a pergunta sobre a identidade de Jesus: “Quem dizem os homens que eu sou?” (Mc 8,27b). O caminho é o local do discipulado. A questão proposta não tem uma única resposta – até hoje as pessoas continuam tentando responder quem é Jesus. As diferentes respostas representam as várias opiniões existentes na comunidade de Marcos acerca de Jesus.

Alguns acreditavam que Jesus era João Batista que tinha voltado. De acordo com a narrativa de Marcos, o próprio Herodes pensava dessa forma (Mc 6,16). Para outros, era Elias, uma figura do Antigo Testamento muito popular entre os judeus. Ele era considerado o iniciador do movimento profético. A tradição afirmava que esse profeta tinha sido arrebatado aos céus e, segundo a crença, voltaria (2Rs 2,11). Ainda havia uma parcela da comunidade que acreditava que Jesus era um dos profetas.

A questão sobre a identidade de Jesus se desdobra em outra pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro, representando um grupo que segue Jesus, responde: “Tu és o Cristo!” (Mc 8,29). Desde o início, o Evangelho de Marcos apresenta a verdadeira identidade de Jesus. Na voz do narrador ouvimos a proclamação de “Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1), em seguida pelo próprio Deus (Mc 1,11) e pelos demônios (Mc 1,25; 3,11; 5,7), somente agora pelos discípulos.

Embora a resposta de Pedro esteja certa, segue-se a ordem de silêncio. De fato, Jesus é o Messias, mas parece que a comunidade ainda não entendeu o seu messianismo, pois espera um Messias glorioso e poderoso. O Evangelho de Marcos apresenta que tipo de Messias é Jesus: “O Filho do homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos escribas, ser morto e, depois de três dias, ressuscitar” (Mc 8,31). Esse ensinamento será repetido em outras duas passagens: 9,31 e 10,32-34. O texto evidencia que o seguimento de Jesus implica sofrimento e rejeição.

O título “Filho do homem” ocorre muitas vezes no Antigo Testamento. Enquanto o título em Dn 7,13 é usado para designar “alguém como o rei Davi” que vem nas nuvens com poder e glória, o título no livro de Ezequiel é, de modo geral, aplicado ao ser humano com suas fraquezas e limitações humanas. Nos sinóticos (Mc, Mt e Lc), o título “Filho do homem” é usado somente por Jesus. Quando o título é usado nos textos que mencionam a paixão e morte de Jesus, ele é aplicado para expressar a condição humana de fragilidade, contrapondo-se à figura apocalíptico-escatológica do Messias davídico poderoso.

Anciãos, chefes dos sacerdotes e escribas foram os representantes das autoridades de Jerusalém que tramaram a morte de Jesus: “Enquanto ainda falava, chegou Judas, um dos doze, com uma multidão trazendo espadas e paus, da parte dos chefes dos sacerdotes, escribas e anciãos” (Mc 14,43; cf. Mc 10,33; 11,18.28; 14,1; 15,1.31). A visão de um Messias poderoso e triunfalista é substituída pela compreensão de um messianismo que passa pelo sofrimento e pela cruz. Um Messias solidário com os crucificados da história.

O messianismo de Jesus está relacionado com rejeição, sofrimento e morte, conteúdo essencial de sua identidade messiânica. Havia em Israel a imagem do Servo de Javé (Is 42,1-9; 49,1-6; 50,4-11; 52,13-53,12), porém ela ainda não estava relacionada com o Messias. O essencial desses cânticos é que o servo é chamado para o serviço da justiça, toma consciência do seu chamado e assume a missão. Por causa de sua fidelidade à justiça, é perseguido, resiste até o fim e por isso é morto, mas Deus aceita a sua oferta. As primeiras comunidades cristãs releram os cânticos de Isaías e viram em Jesus o Servo de Javé. Elas entenderam que o sofrimento do Filho do homem não vinha das mãos de Deus, mas “dos anciãos, chefes dos sacerdotes e escribas”.

Pedro representa o grupo que não aceita essa visão e censura Jesus. Para muitos, a morte de Jesus na cruz era inaceitável. Nesse momento, a reação é violenta: “Arreda-te de mim, satanás, porque não pensas as coisas de Deus, mas as dos homens” (8,33). Havia forte contestação a Jesus na comunidade de Marcos. Em 3,22, ele é acusado de estar possuído por Beelzebu. A provocação de Pedro a Jesus lembra também a tentação de Jesus no deserto (Mc 1,12-13). Pedro não age como discípulo de Jesus, ao contrário, torna-se porta-voz de satanás. A palavra satã vem do hebraico e significa “adversário”.

A narrativa de Marcos 8,27-33 tinha os discípulos como destinatários. No v. 34, há uma mudança: o discurso agora é dirigido para a multidão juntamente com os discípulos. O convite para seguir Jesus apresenta três exigências: “negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8,34). Negar-se a si mesmo supõe superar o egoísmo e arriscar a vida por causa de Jesus e do evangelho (Mc 8,35-37). A morte na cruz era extrema humilhação. A cruz era instrumento de crueldade e desumanização e representava a opressão romana. No tempo dos romanos, era castigo aplicado aos escravos e aos rebeldes. Um condenado à cruz tinha de carregar a própria até o lugar da crucifixão.

No caminho do discipulado, Pedro e os demais discípulos seguem Jesus e prometem fidelidade: “‘Mesmo que tenha de morrer contigo, não te negarei’. E todos diziam o mesmo” (Mc 14,31). Porém, diante do perigo, Pedro nega conhecer Jesus para salvar a própria vida (Mc 14,67-72). O mesmo aconteceu com o homem possuidor de muitos bens e incapaz de atender o chamado de Jesus (Mc 10,21-22).

Negar Jesus e seu evangelho pode ser um caminho de preservação da própria vida, mas a vida perde o seu sentido. De que adiantam riquezas e seguranças se a pessoa se fecha à solidariedade humana, distanciando-se da fonte da vida? “Envergonhar-se de mim e de minhas palavras” significa distanciar-se de Jesus e do seu evangelho e assumir a ideologia do império. O questionamento de Jesus a seus discípulos e à multidão continua a exigir uma resposta: até que ponto assumimos o seguimento de Jesus hoje?

 

2.    Catecismo sobre o seguimento de Jesus

 

            “Tome a sua cruz e siga-me.” O seguimento de Jesus é o caminho da cruz, na contramão da sociedade dominada pelo império romano e seus colaboradores. É sociedade organizada pelas relações humanas baseadas no levar vantagem, no poder e em privilégios. A comunidade cristã de Marcos, que professa Jesus de Nazaré como “Cristo”, não deve reproduzir as relações de poder na vida cotidiana, mas estabelecer relações de serviço e de comunhão.

Após o primeiro anúncio da paixão, a comunidade de Marcos descreve, em seu evangelho, as instruções sobre as relações internas da comunidade, introduzidas pelo segundo (Mc 9,30-32) e terceiro anúncios (Mc 10,32-34):

1)      “E chegaram a Cafarnaum. Em casa, ele lhes perguntou: ‘Sobre que discutíeis no caminho?’ Ficaram em silêncio, porque pelo caminho vinham discutindo sobre qual era o maior. Então ele sentou, chamou os Doze e disse: ‘Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos’” (Mc 9,33-35). Quem é o maior? Os discípulos ainda idealizam uma sociedade de poder, de riqueza e de privilégio que produz a segregação social. O caminho da cruz deve ser reproduzido nas relações humanas da comunidade, baseada na vida de serviço sem interesse.

2)      “Disse-lhe João: ‘Mestre, vimos alguém que não nos segue expulsando demônios em teu nome, e o impedimos porque não nos seguia’. Jesus, porém, disse: ‘Não o impeçais, pois não há ninguém que faça milagre em meu nome e logo depois possa falar mal de mim. Porque quem não é contra nós é por nós’” (Mc 9,38-40). Mais uma vez, deparamos com a concepção dos discípulos de uma sociedade segregacionista de poder. Eles não estão dispostos a partilhar o poder e o privilégio. Querem o monopólio e a exclusividade no mistério da salvação. Hoje se compreende que a prática missionária não é condenatória nem marcada por sectarismo. O cerne da missão é a promoção da justiça, da liberdade e da vida em todos os povos.

3)      “Traziam-lhe crianças para que as tocasse, mas os discípulos as repreendiam. Vendo isso, Jesus ficou indignado e disse: ‘Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, pois delas é o reino de Deus. Em verdade vos digo: aquele que não receber o reino de Deus como uma criança não entrará nele’. Então, abraçando-as, abençoou-as, impondo as mãos sobre elas” (Mc 10,13-16). No mundo greco-romano de produção e de ganho, a criança e o ancião são considerados inúteis (cf. Sb 2,5-11) e representam o grupo marginalizado. Mas o reino, do ponto de vista de Jesus de Nazaré, é gratuidade de Deus, e nele as pessoas marginalizadas, que não são consideradas, são acolhidas.

4)      “Então Jesus, olhando em torno, disse a seus discípulos: ‘Como é difícil a quem tem riquezas entrar no reino de Deus!’ Os discípulos ficaram admirados com essas palavras. Jesus, porém, continuou a dizer: ‘Filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo fundo da agulha do que um rico entrar no reino de Deus!’” (Mc 10,23-25). A riqueza no império romano é fruto da acumulação de bens por meio da injustiça: fraudação, espoliação e violência (Ap 13; 18). Ao entrar no reino de Deus, na comunhão com o Deus da vida, é preciso sair e combater esta sociedade de ambição e injustiça, que explora o próximo e a natureza. É necessário entrar no caminho da cruz, de serviço e de partilha da vida.

5)      “Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram até ele e disseram-lhe: ‘Mestre, queremos que nos faças o que te pedimos’. Ele perguntou: ‘Que quereis que vos faça?’ Disseram: ‘Concede-nos, na tua glória, sentarmo-nos, um à tua direita, outro à tua esquerda’. […] Ouvindo isso, os dez começaram a indignar-se contra Tiago e João. Chamando-os, Jesus lhes disse: ‘Sabeis que aqueles que vemos governar as nações as dominam, e os seus grandes as tiranizam. Entre vós não será assim: ao contrário, aquele que dentre vós quiser ser grande, seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos’” (Mc 10,35-44). O projeto de Jesus não é ser servido, mas servir o próximo. Assim, é rejeitada, definitivamente, a aspiração dos discípulos ao reino messiânico davídico no qual Jesus seria ungido como rei e assumiria o poder em Jerusalém. Essa rejeição é também da comunidade de Marcos por volta do ano 70 d.C. Ela rejeita juntar-se às revoltas armadas dos vários líderes messiânicos e suas lutas por poder e privilégios.

O Evangelho de Marcos registra três anúncios da paixão com o catecismo sobre o seguimento de Jesus na vida cotidiana da comunidade. Ao anunciar o catecismo do “caminho da cruz”, Jesus combate e corrige os discípulos que aspiram a poder e privilégios. É corrigida a aspiração messiânico-davídica ao poder de alguns membros da comunidade de Marcos. No caminho do seguimento de Jesus, ela deve empenhar-se em examinar sempre a natureza de sua missão no mundo.

A comunidade, como o cego Bartimeu (Mc 10,46-52), deve abrir os olhos, deixar o manto do “Filho de Davi” – Messias como rei poderoso – e seguir o caminho da cruz do Jesus servo sofredor. Deve despojar-se de tudo o que prega e busca o mundo de ambição pelo poder, riqueza e fama: “Pois o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45).

3.    Uma palavra final

 

Ontem e hoje persiste a pergunta: “Quem dizem os homens que eu sou?” As respostas são várias, e na comunidade de Marcos havia a imagem de uma figura messiânico-davídica gloriosa já esperada pelo povo judeu. Quem é Jesus? Onde ele está? Como podemos segui-lo? Uma das respostas para os nossos dias está na nossa realidade, em fatos como este do relato abaixo, feito por uma jornalista:

Minha filha caçula, orientadora pedagógica e psicóloga de crianças e adolescentes, chorou emocionada ao ouvir pelo rádio a entrevista que o estudante Vítor Soares Cunha deu ao sair do hospital, depois de ser agredido covardemente por jovens como ele. Vítor, 21, aluno de desenho industrial, passeava com um colega na Ilha do Governador, no Rio, quando viu cinco rapazes bem alimentados espancando um mendigo. Filho de um assistente social, não pensou duas vezes ao tentar impedi-los. A violência irracional voltou-se contra ele. Foram socos e pontapés violentos e ininterruptos, atingindo, sobretudo, a cabeça e rosto de Vítor, mesmo quando ele já estava caído no chão, totalmente indefeso. Depois de horas de cirurgias, placas de titânio na testa e no céu da boca, 63 pinos para recompor os ossos da face e ainda com o risco de perder os movimentos do olho esquerdo, Vítor saiu com sua mãe do hospital e disse, com uma simplicidade atordoante, que não se sentia heroico e que faria tudo novamente.[2]

 

Quem confessa Jesus de Nazaré como um dos caminhos para construir o reino de Deus é chamado a segui-lo nas atividades cotidianas, sendo solidário com os mais desprezados e rejeitados pelos poderes do mundo, seduzidos pela ambição das riquezas e honras que promovem a morte. Pois o reino de Deus se constrói nos movimentos de solidariedade entre as pessoas no dia a dia da vida: conscientizar e promover a dignidade humana; defender a vida e a natureza. A jornalista termina seu relato com esta reflexão: “A comparação entre Vítor e seus agressores nos faz refletir. O Brasil e o mundo serão muito melhores quando pais e escolas educarem as crianças não para se arvorarem fortes e machos ao trucidar um ser humano – ou um animal – jogado na rua, no abandono e na dor”.

* Pertence à Congregação do Verbo Divino, é doutor em Teologia Bíblica. Há vários anos atua no Centro Bíblico Verbo como diretor e assessor. É professor no Itesp – Instituto de Teologia São Paulo – e membro da equipe bíblica da CRB Nacional, colaborando também na assessoria de cursos populares em várias regiões do Brasil e da América Latina. E-mailcbiblicoverbo@uol.com.br

 

 



[1] As referências bibliográficas completas encontram-se ao final do último artigo, “Jesus de Nazaré, crucificado e ressuscitado”.

[2] CANTANHEDE, Eliane. Pequenas grandes coisas. Folha de S. Paulo, São Paulo, 12 fev. 2012. Opinião, A2.

 

Pe. Shigeyuki Nakanose, svd

 

https://www.vidapastoral.com.br/ano/2012/quem-dizem-os-homens-que-eu-sou-uma-leitura-de-marcos-827-38/