sexta-feira, 30 de junho de 2023

LEITURAS DA SEMANA: DE 03 DE JULHO A 09 DE JULHO DE 2023- ORAÇÃO PARA O PAPA

 

LEITURAS DA SEMANA: DE 03 DE JULHO A 09 DE JULHO DE 2023

03-Seg.: Santa Isabel de Portugal, M.Fac. – Os 2,16.17b -18.21-22; Sl 144(145), 3-4.5-6.7ab -8.9- 10 (R./ 9 a ); Mt 9,18-26;

04-Ter.: S. Antônio Maria Zacaria, Presb., M.Fac. – Os 8,4-7.11-13; Sl 113B (115), 3-4.5-6.7ab - 8.9-10 (R./ 9 a ); Mt 9,32-38;

05-Qua.: S. Maria Goretti, Virgem e Mártir, M.Fac. – Os 10,1-3.7-8.12; Sl 104(105), 2-3.4-5.6-7 (R./ 4 b ); Mt 10,1-7;

06- Qui.: Os 11,1-4.8c -9; Sl 79(80), 2 ac e 3b .15-16 (R./ 4 b ); Mt 10,7-15;

07- Sex.: Sto. Antônio Zhao Rong, Presbítero e seus Companheiros, Mártires, M.Fac. – Os 14,2-10; Sl 50(51), 3-4.8-9.12-13.14 e 17 (R./ 17b ); Mt 10,16-23;

08- Sáb.: Sta. Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Virgem, Memória – Is 6,1-8; Sl 92(93), 1 ab.1c -2.5 (R./ 1 a ); Mt 10,24-33.

09- Domingo: 14.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

Zc 9,9-10; Sl 144(145),1-2.8-9.10-11.13cd-14 (R. 1b); Rm 8,9.11-13;Mt 11,25-30.

 

ORAÇÃO PARA O PAPA

Ó Jesus, Mestre e Pastor, olha com carinho para o Papa Francisco. Dá-lhe sabedoria para conduzir a Igreja segundo o Evangelho, e coragem para lidar com os desafios do mundo atual. 

Que este teu servidor seja para todos nós um pai amigo, aberto e generoso para acolher as angústias e as tristezas do povo, mas também suas esperanças de tempos melhores e vida mais digna. 

Concede sempre ao nosso Papa: fortaleza nas dificuldades, suficiente luz nas incertezas, conforto nas horas de solidão, e otimismo em todas as circunstâncias. Abençoa, Senhor, o Papa Francisco. 

Que sua simplicidade e testemunho de vida despertem, em cada pessoa, sincero desejo de maior comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs. Não o deixes nunca sozinho, Senhor, e que nós, sensíveis às suas

necessidades espirituais e materiais, o acompanhemos sempre com nossa oração solidária e nosso amor filial. Amém.

REFLEXÃO DOMINICAL I Homilia de Dom Henrique Soares da Costa – Solenidade de São Pedro e São Paulo

 

 

REFLEXÃO DOMINICAL I

 

Homilia de Dom Henrique Soares da Costa – Solenidade de São Pedro e São Paulo

At 12,1-11
Sl 33
2Tm 4,6-8.17-18
Mt 16,13-19

“Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. – Estas palavras que o missal propõe como antífona de entrada desta solenidade, resumem admiravelmente o significado de São Pedro e são Paulo. A Igreja chama a ambos de “corifeus”, isto é líderes, chefes, colunas. E eles o são.
Primeiramente, porque são apóstolos. Isto é, são testemunhas do Cristo morto e ressuscitado. Sua pregação plantou a Igreja, que vive do testemunho que eles deram. Pedro, discípulo da primeira hora, seguiu Jesus nos dias de sua pregação, recebeu do Senhor o nome de Pedra e foi colocado à frente do colégio dos Doze e de todos os discípulos de Cristo. Generoso e ao mesmo tempo frágil, chegou a negar o Mestre e, após a ressurreição, teve confirmada a missão de apascentar o rebanho de Cristo. Pregou o Evangelho e deu seu último testemunho em Roma, onde foi crucificado sob o Imperador Nero. Paulo não conhecera Jesus segundo a carne. Foi perseguidor ferrenho dos cristãos, até ser alcançado pelo Senhor ressuscitado na estrada de Damasco. Jesus o fez se apóstolo. Pregou o Evangelho incansavelmente pelas principais cidades do Império Romano e fundou inúmeras igrejas. Combateu ardentemente pela fidelidade à novidade cristã, separando a Igreja da Sinagoga. Por fim, foi preso e decapitado em Roma, sob o Imperador Nero.

O que nos encanta nestes gigantes da fé não é somente o fruto de sua obra, tão fecunda. Encanta-nos igualmente a fidelidade à missão. As palavras de Paulo servem também para Pedro: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. Ambos foram perseverantes e generosos na missão que o Senhor lhes confiara: entre provações e lágrimas, eles fielmente plantaram a Igreja de Cristo, como pastores solícitos pelo rebanho, buscando não o próprio interesse, mas o de Jesus Cristo. Não largaram o arado, não olharam para trás, não desanimaram no caminho… Ambos experimentaram também, dia após dia, a presença e o socorro do Senhor. Paulo, como Pedro, pôde dizer: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar…”

Ambos viveram profundamente o que pregaram: pregaram o Cristo com a palavra e a vida, tudo dando por Cristo. Pedro disse com acerto: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”; Paulo exclamou com verdade: “Para mim, viver é Cristo. Minha vida presente na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. Dois homens, um amor apaixonado: Jesus Cristo! Duas vidas, um só ideal: anunciar Jesus Cristo! Em Jesus eles apostaram tudo; por Jesus, gastaram a própria vida; da loucura da cruz e da esperança da ressurreição de Jesus, eles fizeram seu tesouro e seu critério de vida.

Finalmente, ambos derramaram o Sangue pelo Senhor: “Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. Eis a maior de todas a honras e de todas as glórias de Pedro e de Paulo: beberam o cálice do Senhor, participando dos seus sofrimentos, unido a ele suas vidas até o martírio em Roma, para serem herdeiros de sua glória. Eis por que eles são modelo para todos os cristãos; eis por que celebramos hoje, com alegria e solenidade o seu glorioso martírio junto ao altar de Deus! Que eles intercedam por nós na glória de Cristo, para que sejamos fiéis como eles foram.

Hoje também, nossos olhos e corações voltam-se para a Igreja de Roma, aquela que foi regada com o sangue dos bem-aventurados Pedro e Paulo, aquela, que guarda seus túmulos, aquela, que é e será sempre a Igreja de Pedro. Alguns loucos, dizem, deturpando totalmente a Escritura, que ela é a Grande Prostituta, a Babilônia. Nós sabemos que ela é a Esposa do Cordeiro, imagem da Jerusalém celeste. Conhecemos e veneramos o ministério que o Senhor Jesus confiou a Pedro e seus sucessores em benefício de toda a Igreja: ser o pastor de todo o rebanho de Cristo e a primeira testemunha da verdadeira fé naquele que é o “Cristo, Filho do Deus vivo”. Sabemos com certeza de fé que a missão de Pedro perdura nos seus sucessores em Roma. Hoje, a missão de Pedro é exercida por Bento XVI. Ao Santo Padre, nossa adesão filial, por fidelidade a Jesus, que o constituiu pastor do rebanho. Não esqueçamos: o Papa será sempre, para nós, o referencial seguro da comunhão na verdadeira fé apostólica e na unidade da Igreja de Cristo. Quando surgem, como ervas daninhas, tantas e tantas seitas cristãs e pseudo-cristãs, nossa comunhão com Pedro é garantia de permanência seguríssima na verdadeira fé. Quando o mundo já não mais se constrói nem se regula pelos critérios do Evangelho, a palavra segura de Pedro é, para nós, uma referência segura daquilo que é ou não é conforme o Evangelho.

Rezemos, hoje, pelo nosso Santo Padre, Bento. Que Deus lhe conceda saúde de alma e de corpo, firmeza na fé, constância na caridade e uma esperança invencível. E a nós, o Senhor, por misericórdia, conceda permanecer fiéis até a morte na profissão da fé católica, a fé de Pedro e de Paulo, pala qual, em nome de Jesus, “Cristo Filho do Deus vivo”, os Santos Apóstolos derramaram o próprio sangue.

Ao Senhor, que é admirável nos seus santos e nos dá a força para o martírio, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

Dom Henrique Soares da Costa

https://presbiteros.org.br/homilia-de-dom-henrique-soares-da-costa-solenidade-de-sao-pedro-e-sao-paulo/

REFLEXÃO DOMINICAL II "As Colunas da Igreja"

 

 

REFLEXÃO DOMINICAL II

"As Colunas da Igreja"

Festa de São Pedro e São Paulo, que celebramos nesse domingo, nos faz pensar na origem de nossas comunidades. Como tudo começou? Quando foi a primeira celebração, quem fez? Como é que a comunidade cresceu e se desenvolveu para chegar aos dias de hoje? Uma coisa é muito certa, o fundador ou fundadores, deve ter feito uma experiência muito profunda com Jesus Cristo, pois sem isso, a comunidade não teria um alicerce, alguém em quem apoiar-se para poder crescer e cumprir a sua missão.

Comecemos a falar primeiro de Paulo, cuja teologia, isso é, o modo como ele começou a pensar as coisas de Deus, depois do encontro com Jesus no caminho para Damasco, foi tão marcante na vida das comunidades, que esse apóstolo é mencionado como o segundo fundador da nossa Igreja. De fato, seria difícil pensarmos em uma igreja universal, presente no mundo inteiro, em outras culturas e nações, sem nos lembrar de Paulo, aquele que pregou aos gentios que eram pessoas de outra cultura. Paulo não ficou só na mística, se assim o fizesse, teria fundado uma outra religião e arrastaria milhares de adeptos, porém, sistematizou alguns pontos doutrinários importantes, organizou as comunidades que havia iniciado, e o mais bonito, mesmo pensando um pouco diferente do Chefe dos Apóstolos, manteve-se firme em comunhão com ele e os irmãos da Igreja de Jerusalém, com quem aliás, sempre foi solidário , ao organizar coletas que levava para a Igreja mãe.

São Paulo é o modelo fiel do cristão autêntico, que faz a experiência com Jesus, se encanta com o seu ensinamento, desfaz o seu projeto de vida por causa dele e torna-se um fiel seguidor do evangelho, dando por ele a própria vida como aconteceu em seu martírio.São Paulo sempre acreditou nas comunidades, mesmo quando havia indícios de desunião, problemas internos, contendas e divisões, acreditava nas pessoas e mantinha com elas uma boa relação, mesmo que se tratasse de Pedro, que tinha uma linha mais tradicionalista, causa de algumas divergências bastante sérias entre ambos mas Paulo nunca deixou de amá-lo por causa disso. Ele mesmo manifestava essa sua flexibilidade, quando afirmava que se fazia um com todos e não tinha dificuldade de conviver com as pessoas. Outra coisa importante na pessoa de Paulo, é que ele promoveu uma ação evangelizadora em ambiente hostil á Cristo e ao seu evangelho, era corajoso e nunca teve medo de anunciar a Verdade. Isso nos leva a pensar que muitas vezes somos negligentes, quando ficamos esperando que as pessoas venham procurar nossa pastoral ou movimento, parece que a gente não se sente seguro para falar do evangelho no meio do mundo, lá onde as pessoas precisam escutar esse anúncio, porque achamos que não vão gostar e que algumas vão ser contra. Se São Paulo pensasse assim, milhares de pessoas, ontem e hoje, não teriam conhecido a Jesus.

São Pedro é chamado o príncipe dos apóstolos, isso é, aquele que iniciou o apostolado, e vemos no evangelho de hoje, porque o próprio Cristo o constituiu chefe da sua igreja. Ele conseguiu enxergar em Jesus algo muito mais do que se falava, o povo via nele um Messias Profeta, comparável a João Batista ou a Elias, outro grande profeta na História de Israel, mas esse pensamento era fruto de uma ideologia, e a era messiânica que todos aguardavam com ansiedade, representava uma nova política, uma inversão do quadro, o Messias era um libertador Político, enviado por Deus sim, porém, com uma missão terrena.

O apóstolo Pedro, que fala em nome do grupo, consegue fazer essa transição, do Messias Histórico e Ideológico, para o Messias Espiritual, ele não era enviado por Deus mas sim o próprio Deus. O que Jesus falava e fazia, todos viam, e a partir disso embalavam o sonho e a esperança de dias melhores para o povo de Israel, mas sempre em uma perspectiva terrena.

A confissão de Pedro manifesta pela primeira vez no meio do grupo, a Fé em uma Salvação que supera toda e qualquer realização humana, onde o homem atinge a plenitude do seu ser, divinizando aquilo que é humano. Cesaréia de Filipe é terra de pagãos, cercado por rochas sobre as quais há edificações habitadas pela elite do império romano. A igreja de Cristo está no meio do mundo, porém edificada sobre a fé professada por toda comunidade, que tem como base a fé professada por Pedro, naquele dia.

Como Pedro e Paulo, que sejamos nessa igreja um apoio seguro para os que ainda não crêem, porque não conhecem a Cristo e acima de tudo, nunca nos esqueçamos que Jesus Cristo edificou o reino sobre pessoas como Pedro e Paulo, instrumentos aparentemente fracos, mas que pela ação da graça operante e santificante do Batismo que receberam, tornaram-se perenes, transpondo fronteiras e todas as barreiras que separa os homens, para anunciar Jesus Cristo, o Filho de Deus, aquele que plenificou o nosso existir. (São Pedro e São Paulo MATEUS 16, 13-19)

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  
jotacruz3051@gmail.com

http://www.npdbrasil.com.br/religiao/rel_hom_gotas0340.htm#msg02

REFLEXÃO DOMINICAL III “Viva o Papa!”

 

 

REFLEXÃO DOMINICAL III

Viva o Papa!

Tu és o Cristo”, eis a profissão de fé de Pedro. “Tu és Pedro”, eis a demonstração de que Deus confia nos homens. Na clausura do Ano Sacerdotal, o Papa Bento XVI falava da audácia de Deus, que consiste em confiar nos homens a tal ponto de fazer deles instrumentos e canais de graça. Realmente, Deus confia em nós! Não nos necessita, mas quis necessitar de nós.

São Pedro nasceu em Betsaida, cidade da Galiléia. Conheceu Jesus através de seu irmão André. Jesus “fixando nele o olhar” (Jo 1,42) o chamou para segui-lo. O olhar carinhoso de Cristo devia ser arrebatador, convincente e encerrava um radicalismo de entrega a Deus atraente. Aquele olhar transformou Pedro, agora chamado Cefas, pedra, Pedro. De simples pescador converte-se num pescador de homens. Foi o vigário de Cristo na terra quando ele, o Senhor, já não estava entre os seus em corpo mortal.

Jesus quis instituir a sua Igreja tendo Pedro e seus sucessores à frente dela, e isso para sempre. Pedro, Lino, Cleto, Clemente, Evaristo, Alexandre, Sisto, Telésforo, Higino, Pio, Aniceto, Sotero, Eleutério, Vítor,… Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI: 266 papas, 265 sucessores de São Pedro. Que maravilha! Cheios de entusiasmo professemos a nossa fé nesta Igreja, que é “Una, Santa, Católica e Apostólica, edificada por Jesus Cristo, sociedade visível instituída com órgãos hierárquicos e comunidade espiritual simultaneamente (…); fundada sobre os Apóstolos e transmitindo de geração em geração a sua palavra sempre viva e os seus poderes de Pastores no Sucessor de Pedro e nos Bispos em comunhão com ele; perpetuamente assistida pelo Espírito Santo” (Paulo VI, Credo do Povo de Deus).

S. Jerônimo expressou firmemente a sua adesão ao Papa com as seguintes palavras: “não sigo nenhum primado a não ser o de Cristo; por isso ponho-me em comunhão com a Sua Santidade, ou seja, com a cátedra de Pedro. Sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja”.

A história da Igreja – são já dois mil anos! – é uma demonstração de força e de debilidade, também no que se refere à história do papado. Graças a Deus, o século XX está cheio de grandes Papas, a começar por S. Pio X no começo do século culminando com João Paulo II. Todos nós somos testemunhas também da bondade e da inteireza do atual Romano Pontífice, Bento XVI: quanta fortaleza, quanto amor a Deus, quantas lutas para defender a Santa Igreja. A maioria dos Papas foram homens magníficos, cheios de Deus e entregues ao serviço do rebanho a eles confiado.

A Igreja é santa, é guiada e sustentada por Deus, nada a pode derrotar. É Santa, os pecadores somos nós; Deus a fundamentou de tal maneira que nem o inferno e seus demônios, nem os homens, poderão derrotá-la. A Igreja, esposa de Cristo, chegará à Parusia. Outro fato maravilhoso é que os Papas, mais santos ou menos santos, sempre guardaram intacto o depósito da fé. Deus garante o pastoreio da Igreja através desses homens que ele mesmo escolheu. É fato e é dogma de fé: o Papa quando fala sobre coisas de fé e de moral com a sua autoridade de Supremo Pastor do rebanho não pode errar, não pode equivocar-se.

O Papa é sempre o bispo de Roma. Deus quis – em sua providência – que Roma tivesse esse significado especial na história da Igreja peregrina. O Romano Pontífice como vigário de Cristo é o administrador de Cristo aqui na terra, como sucessor de Pedro leva consigo toda a autoridade que Cristo confiou ao mesmo Pedro para apascentar o rebanho do Senhor. S. Josemaria Escrivá dizia que “o amor ao Romano Pontífice há de ser em nós uma bela paixão, porque nele vemos Cristo”.

O católico deve estar sempre perto do Papa: escutá-lo, apoiá-lo, rezar por ele e suas intenções. Não podemos romper a unidade católica: todos com o Papa! De fato, para estar em plena comunhão com a Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, é preciso professar a mesma fé, celebrar os mesmos sacramentos e estar unidos à hierarquia cujo ponto principal é o Papa. “Sou católico, vivo a minha fé” (Edições CNBB), um Compêndio da Doutrina elaborado pela Conferência Episcopal, quando se pergunta “Quem é o Papa para nós, católicos?” responde da seguinte maneira: “o Papa é o sucessor do apóstolo Pedro, o bispo de Roma que Jesus constituiu como “perpétuo e visível fundamento da unidade” (…) é o pastor de toda a Igreja. (…) tem a missão de confirmar toda a Igreja na fé, continuando a mesma tarefa que Cristo confiou a Pedro (…) Todo católico, além de conhecer e viver a Palavra de Deus, de dar testemunho da sua fé em Cristo, de participar da comunidade eclesial, espaço de testemunho, de serviço, de diálogo e de anúncio, ama e respeita o Papa e os bispos como seus legítimos pastores. Ora por eles e obedece às orientações da Igreja Católica” (V,15)

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa

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CURIOSIDADES Por que São Pedro e São Paulo são celebrados juntos?

 

CURIOSIDADES

Por que São Pedro e São Paulo são celebrados juntos?

 

ACI Digital 

Confira 7 chaves para responder a esta pergunta

No dia 29 de junho, a Igreja celebra a Solenidade de São Pedro e São Paulo; entretanto, há algumas dúvidas sobre as verdadeiras razões do motivo de a festa de ambos os apóstolos ser celebrada no mesmo dia.

A seguir, 7 chaves que permitem entender isso:

1. Santo Agostinho de Hipona expressou que eram “um só”

Em um sermão do ano 395, o Doutor da Igreja, Santo Agostinho de Hipona, expressou que São Pedro e São Paulo, “na realidade, eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo o seguiu. Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos apóstolos. Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações destes dois apóstolos”.

2. Ambos padeceram em Roma

Foram detidos na prisão Mamertina, também chamada Tullianum, localizada no foro romano na Roma Antiga. Além disso, foram martirizados nessa mesma cidade, possivelmente por ordem do imperador Nero.

São Pedro passou seus últimos anos em Roma liderando a Igreja durante a perseguição e até o seu martírio no ano 64. Foi crucificado de cabeça para baixo, a pedido próprio, por não se considerar digno de morrer como seu Senhor. Foi enterrado na colina do Vaticano e a Basílica de São Pedro está construída sobre seu túmulo.

São Paulo foi preso e levado a Roma, onde foi decapitado no ano 67. Está enterrado em Roma, na Basílica de São Paulo Extramuros.

3. São fundadores da Igreja de Roma

Na homilia de 2012 na Solenidade de São Pedro e São Paulo, o Papa Bento XVI assegurou que “a sua ligação como irmãos na fé adquiriu um significado particular em Roma. De fato, a comunidade cristã desta Cidade viu neles uma espécie de antítese dos mitológicos Rómulo e Remo, o par de irmãos a quem se atribui a fundação de Roma”.

4. São padroeiros de Roma e representantes do Evangelho

Na mesma homilia, o Santo Padre chamou esses dois apóstolos de “padroeiros principais da Igreja de Roma”.

“Desde sempre a tradição cristã tem considerado São Pedro e São Paulo inseparáveis: na verdade, juntos, representam todo o Evangelho de Cristo”, detalhou.

5. São a versão contrária de Caim e Abel

O Santo Padre também apresentou um paralelismo oposto com a irmandade apresentada no Antigo Testamento entre Caim e Abel.

“Enquanto nestes vemos o efeito do pecado pelo qual Caim mata Abel, Pedro e Paulo, apesar de ser humanamente bastante diferentes e não obstante os conflitos que não faltaram no seu mútuo relacionamento, realizaram um modo novo e autenticamente evangélico de ser irmãos, tornado possível precisamente pela graça do Evangelho de Cristo que neles operava”, relatou o Santo Padre Bento XVI.

6. Porque Pedro é a “rocha”

Esta celebração recorda que São Pedro foi escolhido por Cristo – “tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” – e humildemente aceitou a missão de ser “a rocha” da Igreja e apascentar o rebanho de Deus, apesar de suas fragilidades humanas.

Os Atos dos Apóstolos ilustram seu papel como líder da Igreja depois da Ressurreição e Ascenção de Cristo. Pedro dirigiu os apóstolos como o primeiro Papa e assegurou que os discípulos mantivessem a verdadeira fé.

Como explicou em sua homilia o Sumo Pontífice Bento XVI, “na passagem do Evangelho de São Mateus (…), Pedro faz a sua confissão de fé em Jesus, reconhecendo-O como Messias e Filho de Deus; fá-lo também em nome dos outros apóstolos. Em resposta, o Senhor revela-lhe a missão que pretende confiar-lhe, ou seja, a de ser a ‘pedra’, a ‘rocha’, o fundamento visível sobre o qual está construído todo o edifício espiritual da Igreja”.

7. São Paulo também é coluna do edifício espiritual da Igreja

São Paulo foi o apóstolo dos gentios. Antes de sua conversão, era chamado Saulo, mas depois de seu encontro com Cristo e conversão, continuou seguindo para Damasco, onde foi batizado e recuperou a visão. Adotou o nome de Paulo e passou o resto de sua vida pregando o Evangelho sem descanso às nações do mundo mediterrâneo.

“A iconografia tradicional apresenta São Paulo com a espada, e sabemos que esta representa o instrumento do seu martírio. Mas, repassando os escritos do Apóstolo dos Gentios, descobrimos que a imagem da espada se refere a toda a sua missão de evangelizador. Por exemplo, quando já sentia aproximar-se a morte, escreve a Timóteo: ‘Combati o bom combate’ (2Tm 4,7); aqui não se trata seguramente do combate de um comandante, mas daquele de um arauto da Palavra de Deus, fiel a Cristo e à sua Igreja, por quem se consumou totalmente. Por isso mesmo, o Senhor lhe deu a coroa de glória e colocou-o, juntamente com Pedro, como coluna no edifício espiritual da Igreja”, expressou Bento XVI em sua homilia.

(via ACIdigital)

https://pt.aleteia.org/2018/06/29/por-que-sao-pedro-e-sao-paulo-sao-celebrados-juntos/

A Igreja e os carismas segundo São Paulo

 

 

A Igreja e os carismas segundo São Paulo

Por Pe. José Comblin

 

Introdução

As cartas de Paulo revelam o que era a Igreja nas comunidades fundadas por ele mais ou menos vinte anos depois da morte de Jesus. A comunidade cristã estava começando e tinha todos os privilégios da infância.

Devemos considerar as epístolas que são realmente de Paulo: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, 1 Tessalonicenses, Filipenses, Filemon. As outras foram escritas depois de sua morte, em alguns casos entre trinta e quarenta anos depois, por discípulos dele. Mas esses discípulos mudaram a eclesiologia, com certeza porque as próprias comunidades tinham mudado. A principal mudança foi a presença de ministros permanentes encarregados de dirigir a comunidade, presbíteros e diáconos que não foram estabelecidos por Paulo. Da mesma maneira, os Atos dos Apóstolos apresentam um Paulo bem diferente daquele das cartas. É o Paulo ao qual se atribuem todas as mudanças ocorridas entre sua morte e a redação dos Atos. O autor dos Atos não conheceu Paulo nem as cartas dele. Aceita tradições populares e acrescenta discursos e episódios que representam sua teologia particular, e não a teologia paulina.

1. O povo de Deus

Devemos ter presente que o conceito básico da eclesiologia de Paulo é o conceito de povo de Deus. O conceito de povo não é sociológico. Consultei tratados de sociologia e pude ver que, na sociologia, não se trata do povo, porque povo não é categoria sociológica, não é algo que se possa observar. Povo é uma categoria teológica, porque é um ideal projetado como promessa feita a Abraão.

Para Paulo, os discípulos de Jesus são a continuação do povo de Israel. Os chefes do povo traíram as promessas feitas a Abraão e abandonaram o verdadeiro Israel. O verdadeiro e definitivo Israel está nas comunidades de discípulos de Jesus, judeus e gentios. Pois as promessas de Abraão não se dirigiam a pequena porção da humanidade, separada do resto. A descendência de Abraão devia envolver o mundo todo e ser inumerável. Os judeus levantaram barreiras e impediram a entrada de todas as comunidades étnicas deles separadas. Tudo isso está nos capítulos 9 a 11 de Romanos, exposição fundamental da eclesiologia paulina.

Paulo não pretende converter indivíduos; quer, sim, estender o povo de Deus até a extremidade do mundo, porque esse é o plano de Deus revelado a Abraão. Jesus veio para realizar esse plano. Por isso foi morto. Mas depois dele os discípulos romperam as barreiras e foram ao mundo inteiro, formando o povo de Deus com judeus e não judeus. Jesus não veio para salvar almas, mas para refundar a descendência de Abraão, rompendo as barreiras e assumindo ele próprio a direção desse povo.

Um povo envolve a totalidade da vida humana. Jesus não veio para ensinar uma religião ou uma sabedoria, mas para mudar a vida toda. Tudo faz parte do povo: economia, política, cultura, vida corporal, desde a comida até o uso dos recursos naturais. Tudo isso forma o povo. Os discípulos têm por missão inaugurar esse povo que será o povo de Deus, integrando todos os outros povos na unidade do projeto de Abraão. Há lugar para todos, porque já não há barreiras. Jesus suprimiu todas as barreiras que procediam de uma cultura, de uma porção da humanidade, de um modo de viver, de alguns chefes dos judeus fechados em si mesmos e separados dos outros povos. Os chefes de Israel tornavam quase impossível a entrada dos pagãos, porque levantavam obstáculos quase intransponíveis. Agora o povo está aberto e Paulo pensa que, em pouco tempo, vai envolver a humanidade inteira.

As comunidades paulinas e as fundadas por outros apóstolos constituem o início desse povo agora livre e aberto. Numericamente são insignificantes, mas a fé professada por Paulo consiste nisto: ver nelas o começo de nova humanidade reunida numa única convivência em que toda a diversidade se une no amor e na solidariedade.

2. A ekklesía (igreja)

No início, os discípulos de Jesus não acharam necessário dar um nome à sua reunião. Eram judeus, membros do povo eleito de Israel. Dentro de Israel, eles eram os seguidores do caminho de Jesus. Esperavam o reino de Deus por ele anunciado. O reino não veio. Pareceu mais distante do que o previsto. O conceito de reino de Deus foi transferido para o dia em que se realizaria realmente o fim deste mundo e o advento do novo, esperado como grande milagre de Deus. Aparecia um tempo intermediário. Os discípulos não podiam simplesmente esperar esse dia bastante distante. Viviam na terra, a vida terrestre continuava. Foi preciso dar-se um nome, sobretudo quando entraram pagãos convertidos e os discípulos se distanciaram da ortodoxia judaica.

Paulo deu às suas comunidades um nome que era comum a todas e expressava a unidade entre elas. Adotou o nome de ekklesía. Foi escolha genial, porque essa palavra era muito significativa.

A palavra ekklesía tinha um só significado. Era a assembleia do povo reunido, do demos, para governar a cidade. Tomando essa palavra, Paulo sabia muito bem o que fazia. Não escolheu nenhum nome religioso. Naquele tempo, havia associações religiosas de diversos tipos nas cidades gregas. Mas Paulo sabia que não vinha estabelecer na cidade uma religião, um culto. A religião, o culto, não interessavam. Para ele, o culto dos discípulos de Jesus era a própria vida. Paulo vinha para chamar todos para formar um povo. As comunidades de uma cidade representavam um povo, o povo de Deus nessa cidade. Eram o verdadeiro povo, formando o verdadeiro demos, embora fossem ainda uma minoria insignificante. Mas Paulo olhava para longe com uma fé invencível. Ali estava o povo, nessa assembleia dos discípulos que era a assembleia do povo.

As comunidades eram um povo que formava a ekklesía; isto é, governavam-se a si mesmas sem chefes, sem pessoas mandantes. Eram a verdadeira realização do ideal grego de cidade. Os discípulos formavam entre si autêntica “democracia”, realizando o ideal nunca alcançado pelo gregos, que admitiam a escravidão e a divisão de classes.

A verdadeira tradução de ekklesía devia ser “democracia”. Em cada cidade, os discípulos de Jesus formavam uma “democracia”. No entanto, o vocábulo latino ecclesia simplesmente incorporou a palavra grega e, em português, transformou-se em “igreja”. A palavra “igreja” não tem o mesmo significado que sua raiz grega. Tornou-se nome de uma instituição.

Quem está na Igreja católica pode perceber até que ponto nos afastamos das origens cristãs. Hoje quem considera que a Igreja é e deve ser uma democracia será condenado como herege. Estamos exatamente no extremo oposto das comunidades cristãs primitivas.

Na “democracia” cristã todos eram iguais, todos podiam falar, todos podiam intervir nas decisões tomadas pela assembleia. Era realmente o advento da liberdade, o núcleo de novo povo, de nova humanidade. As comunidades não se reuniam para fazer um culto, para praticar uma religião, mas para a convivência mútua na fraternidade de um povo de iguais. Viver juntos era a razão dessas reuniões. Havia naturalmente uma refeição em comum, porque viver juntos é comer juntos.

O que mais se aproximou da ekklesía das origens são as chamadas comunidades eclesiais de base, uma realização da qual já não se tinha notícia desde a Idade Média, embora fosse realizada em certas igrejas reformadas, sobretudo nos Estados Unidos.

 

3. Os dons do Espírito nas comunidades

A Igreja, essa “democracia”, forma uma unidade, um só corpo, porque é o corpo de Cristo. Cada um é órgão de Cristo. O próprio Cristo reúne todos os seus membros. Ele os une por meio dos diversos dons do Espírito. Cada um recebe um dom. O dom é uma capacidade para servir. Todos servem todos, todos estão a serviço de todos. Assim é a unidade. A unidade é feita pelo Espírito.

Paulo deixou três listas de dons ou serviços, que chamou de carismas. As listas não eram as mesmas. Não havia catálogo oficial. As comunidades não deviam ser a cópia de um modelo uniforme.

— 1Cor 12,8-10: “A um, o Espírito dá a mensagem de sabedoria; a outro, a palavra de ciência segundo o mesmo Espírito; a outro, o mesmo Espírito dá a fé; a outro, ainda, o único e mesmo Espírito concede o dom das curas; a outro, o poder de fazer milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, o dom de falar em línguas; a outro, o dom de as interpretar”.

— 1Cor 12,28-30: “Aqueles que Deus estabeleceu na Igreja são, em primeiro lugar, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, doutores. Vêm, a seguir, os dons dos milagres, das curas, da assistência, do governo e de falar diversas línguas”.

— Rm 12,6-8: “Quem tem o dom de profecia, que o exerça segundo a proporção da nossa fé; quem tem o dom de serviço, o exerça servindo; quem o de ensino, ensinando, quem o da exortação, exortando. Aquele que distribui os seus bens, que o faça com simplicidade; aquele que preside, com diligência; aquele que exerce misericórdia, com alegria”. 

Não precisamos aqui investigar qual era o conteúdo concreto de cada um desses dons. O que nos importa é que todos os membros têm um papel na comunidade. Se alguém preside, não é para mandar, mas para reunir. Nas comunidades paulinas ninguém manda, ninguém impõe. Realiza-se o que disse dom Helder quando chegou ao Recife: aqui duas palavras são proibidas, mandar e exigir.

Naturalmente, essas comunidades eram pequenas e não precisavam de muita organização. Apareciam problemas, conflitos, rivalidades, mas eram questões que não se resolviam pela imposição de um chefe.

Paulo sempre reivindicou a sua qualidade de “apóstolo” por ter sido chamado pelo próprio Cristo, assim como os Doze (embora em circunstâncias diversas), e tem autoridade para anunciar o evangelho. Na sua missão itinerante, foi o fundador de muitas comunidades. Ele reivindica a condição de pai da comunidade, o que lhe confere uma autoridade única.

No entanto, é importante ver como Paulo exerce essa autoridade. Não manda, não impõe. Temos um testemunho muito significativo na segunda carta aos Coríntios. Como é bem sabido, 2Coríntios não é uma só carta, mas uma coleção de cartas integradas num conjunto. É fácil reconhecer as várias cartas. 2Coríntios contém cinco cartas, e todas se referem a um incidente ocorrido em Corinto.

Quando Paulo estava em Éfeso, estourou uma crise em Corinto. Alguém contestou a autoridade do apóstolo e liderou um grupo de opositores (2Cor 2,5-6). Paulo correu a Corinto. A visita dele foi breve e não teve nenhum resultado. Pelo contrário, o chefe da oposição insultou-o e desafiou-o abertamente. Paulo preferiu retirar-se e esperar melhores condições para iniciar uma estratégia diferente, tendo em vista uma reconciliação.

Desde Éfeso, Paulo escreveu uma carta, exortando os discípulos de Corinto a reconciliar-se com ele. Ela está em 2Cor 2,14-7,4. Era uma carta de apologia. Não era a primeira, porque em 2Cor 2,3.4.9 Paulo menciona uma carta escrita em lágrimas. Alguns pensaram que podia ser 2Cor 10-13, mas esta não parece ter sido escrita com emoções tão fortes. Se não é essa, a carta em lágrimas está perdida. Com certeza, essa carta foi o momento culminante da crise.

Então, Paulo enviou Tito a Corinto para ver se este conseguia resolver o problema, isto é, levar os coríntios a reconhecer a autoridade apostólica do fundador da comunidade. A missão foi um êxito total, e Tito viajou para anunciar a notícia a Paulo. Este já estava tão impaciente, que saiu de Éfeso para ir ao encontro de Tito. Eles se encontraram na Macedônia, provavelmente em Filipos. Paulo ficou tão alegre, que escreveu e mandou aos coríntios a carta de reconciliação, 2Cor 1,1-2,13; 7,5-16.

Uma vez feita a reconciliação, Paulo quis retomar o assunto da coleta para os pobres de Jerusalém, iniciativa dos coríntios que tinha sido abandonada quando estourou o conflito. Paulo mandou duas cartas para falar dessa coleta e insistir em sua realização. Quis exortar os Coríntios para estimulá-los. São os capítulos 8 e 9 da 2Coríntios.

Esse episódio é muito interessante. Paulo podia ter invocado a sua condição de apóstolo para se impor. Podia ter proferido uma sentença de condenação dos rebeldes ou até de expulsão da comunidade. Preferiu o caminho do diálogo com o fim de conseguir uma reconciliação.

Chama muito a atenção o fato de não haver nenhuma ordenação naquele contexto. Cada um recebia o seu carisma diretamente do Espírito. O carisma era aceito porque o discípulo mostrava a sua capacidade. Ninguém era designado para um ofício particular. A espontaneidade bastava para resolver os problemas da vida comunitária. Não faltavam os dons do Espírito. As comunidades eram pequenas. Não havia nenhuma organização formal.

Também chama a atenção o fato de não haver nenhum ministério ou carisma de tipo litúrgico ou cultual. Hoje em dia, as ordenações e os ministérios litúrgicos ou cultuais ocupam o primeiro lugar na Igreja católica, até a ponto de apagar os dons da comunidade. Em Corinto, ninguém era ordenado para batizar. Ninguém era ordenado ou designado para presidir a celebração da eucaristia, ligada às refeições comunitárias. Presidia a eucaristia, ou seja, distribuía o pão a pessoa que presidia a refeição. Era a pessoa que, nas refeições, fazia a oração de ação de graças.

Essa situação correspondia ao fato de não haver culto litúrgico nas comunidades cristãs. Todo o culto do Antigo Testamento desapareceu e foi substituído por um culto feito de realidade, e não de símbolos. Doravante o templo seria o próprio corpo dos discípulos. Neles habitava Deus (2Cor 3,9-17).

Já não havia sacrifícios cultuais. Os sacrifícios passavam a ser a vida corporal dos discípulos, as suas atividades inspiradas pelo Espírito (Rm 12,1; Fl 3,3). Sacerdotes eram todos os discípulos que ofereciam a sua vida de cada dia vivida no seu corpo.

Não havia nada litúrgico. A liturgia era a vida real. Mais tarde, a influência do Antigo Testamento e das religiões pagãs fez com que os cristãos se dessem também um culto litúrgico feito de símbolos. Então vieram a aparecer ministros ordenados para esse culto. Depois de Constantino, houve um desenvolvimento radical do culto litúrgico e dos seus ministros. A Igreja clericalizou-se e os carismas desapareceram, pelo menos da consciência dos cristãos e das estruturas oficiais da Igreja. No tempo de Paulo, ninguém imaginava sacerdotes ordenados para um culto. Os ministérios eram serviços reais para a comunidade ou para os pobres.

4. A Igreja pobre

O tema da pobreza é fundamental na eclesiologia de Paulo. Digamos logo que o tema da Igreja pobre de Paulo não tem nada que ver com o tema contemporâneo da opção preferencial pelos pobres. Quem faz opção pelos pobres só pode ser rico. A Igreja que faz essa opção é uma Igreja rica. Essa é, de fato, a condição da Igreja católica hoje em dia. Quando os bispos de Medellín fizeram opção pelos pobres, sabiam que eram ricos e representavam uma Igreja rica. Queriam responder ao desafio representado pela condição de bispo rico que se diz sucessor de apóstolos que eram pobres.

Paulo faz longa exposição do tema da pobreza em 1Cor 1,17-2,16 e 3,18-23. Esse tema está ligado ao tema da cruz. Paulo anuncia Jesus crucificado, e a sua eclesiologia deriva desse tema básico. A pobreza suprema é a cruz. A cruz é a situação da pior degradação humana, é a total impotência. Por isso ela é objeto de vergonha. Ser crucificado constitui a maior vergonha. É o desprezo, a rejeição, objeto de escárnio: a cruz reduz o ser humano a lixo.

Deus escolheu a cruz, o lixo, o escândalo, a vergonha para criar a nova humanidade. Essa cruz está presente nos pobres. Deus escolheu o que é o mais desprezado na humanidade. Por isso escolheu os pobres. Eles são os eleitos para iniciar a caminhada da libertação da humanidade. São escolhidos porque são rejeitados, maltratados, reduzidos à impotência. Deus escolhe o que é mais fraco para mostrar que a sua força age por meio do mais fraco. A comunidade de Corinto é um exemplo dessa manifestação do seu poder criador. Em Corinto, há poucos ricos e a comunidade é feita essencialmente de pobres (1Cor 1,26).

A Igreja segundo Paulo é essa Igreja dos pobres que era o sonho de João XXIII.

Há uma insistência especial na pobreza cultural. Deus rejeitou a sabedoria dos sábios e escolheu a loucura da cruz. Loucura quer dizer fraqueza intelectual, pobreza de cultura. Não precisamos da ajuda da filosofia grega. A verdadeira sabedoria é a sabedoria da cruz. É a sabedoria dos pobres.

Mas a pobreza é naturalmente também material. Temos uma exposição dessa pobreza na descrição que Paulo faz da sua vida. Pois ele mesmo, na sua missão, foi uma amostra da sabedoria da cruz:

Estive no meio de vocês cheio de fraqueza, receio e tremor; minha palavra e minha pregação não tinham brilho nem artifícios para seduzir os ouvintes, mas a demonstração residia no poder do Espírito para que vocês acreditassem, não por causa da sabedoria dos homens, mas por causa do poder de Deus (1Cor 2,3-5).

Nós somos loucos por causa de Cristo; e vocês, como são prudentes em Cristo! Nós somos fracos, vocês são fortes! Vocês são bem considerados, nós somos desprezados! Até agora passamos fome, sede, frio e maus-tratos, não temos lugar certo para morar; e nos esgotamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos amaldiçoados, e abençoamos; perseguidos, e suportamos; caluniados, e consolamos. Até hoje somos considerados como o lixo do mundo, o esterco do universo (1Cor 4,10-13; 2Cor 11,16-12,10).

 

Quando consideramos os dois mil anos da história da Igreja, ficamos assustados em razão da enorme distância que nos separa das origens. Apesar de tudo, sempre houve um resto, pequena minoria fiel às origens e comunidades pobres que ouviram a mensagem de loucura da cruz. Ao lado deles, tanta riqueza e tanto poder ocultando o evangelho!

Na conquista da América, houve alguns missionários que reproduziram o modelo de Paulo: os dominicanos da ilha Hispaniola, os franciscanos do México central, os jesuítas das missões guaranis. Ao lado disso, todo o poder e a riqueza de uma Igreja ligada aos conquistadores. Até hoje, quantas tentações de poder!

Fala-se de grande missão na América Latina. Mas esta Igreja que somos agora o que pode anunciar às massas pobres da América Latina? Que autoridade tem essa Igreja que busca tanto o poder? A grande missão só poderia ser grande conversão da Igreja. Tal conversão seria obra dos pobres da América Latina. A Igreja não tem nada para ensinar e tudo para aprender. A verdadeira Igreja está no meio dos pobres como Igreja crucificada, sem sabedoria humana, sem prestígio, sem edifícios, sem teologia, sem diplomas universitários, realmente o esterco do mundo, ignorada e desprezada. Ali está a cruz de Cristo que nós não sabemos ensinar.

Essa é a grande lição que nos vem de Paulo. É uma loucura, mas podemos tratar de ser loucos!

Pe. José Comblin

 

https://www.vidapastoral.com.br/autor/j/a-igreja-e-os-carismas-segundo-sao-paulo/

SANTO AGOSTINHO E AS RAÍZES DA SINODALIDADE

 

SANTO AGOSTINHO  E  AS RAÍZES DA SINODALIDADE

Um dos intérpretes mais audazes e perspicazes de AgostinhoPeter Brown, no epílogo da sua monumental biografia do Hiponense, perguntava-se: “O que significou para os colegas africanos o fato de descobrir que entre eles tinham um gênio?”. Mas Agostinho era realmente esse gênio isolado no seu scriptorium?

A reportagem é de Stefania Falasca, publicada no jornal Avvenire, 11-09-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Brown desejava um estudo ad hoc sobre as relações de Agostinho com os seus colegas africanos, que lhe pareciam quase esmagados pela sua figura imponente. Justamente a partir dessas reflexões, surge agora uma nova contribuição original, fruto de uma pesquisa de doutorado em teologia do estudioso de Belluno Davide Fiocco.

Através de uma detalhada análise histórico-filológica que considera como fonte principal as Epistulae na sua íntegra e na peculiaridade do seu contexto original, Agostinho emerge em comparação com os colegas na obra de escuta e na resolução de contendas entre clérigos, mas também na comparação com admiradores e adversários, com os maiorais e outros personagens da época.

É o testemunho de uma vivência de relações e debates, sínodos e controvérsias. Agostinho não era um gênio isolado, mas plenamente partícipe da vida da sua comunidade e inserido no colégio das Igrejas africanas.

De fato, as Epístolas narram ao vivo a obra do bispo de Hipona e, ao mesmo tempo, a vitalidade e a sinodalidade das Igrejas da África nas três primeiras décadas do século V.

Emerge uma vivência colegial, que revela como os bispos africanos, porção de todo o episcopado mundial, percebiam-se solidamente como guardiões e garantes da vida eclesial, plenamente legitimados a agir em seu nome, em uma expressão plena de colegialidade.

Além dos acontecimentos históricos, o léxico também permitiu traçar novamente a consciência colegial que unia os bispos africanos. Fiocco achou particularmente significativa a exortação que Alípio e Agostinho dirigiram a um candidato para encorajá-lo a aceitar o cuidado de uma diocese na qual justamente a colegialidade vivida é expressada como “spiritalis amoris vinculum”, de onde vem o título da obra publicada pela editora TiPi de Belluno (Spiritalis amoris vinculum. Testimonianze di collegialità episcopale nell’epistolario agostiniano, 800 páginas).

A análise do epistolário agostiniano confirma, portanto, que aquilo que o Concílio canonizou na perífrase “colegialidade episcopal” era efetivamente vivido na Igreja antiga, particularmente nas relações do episcopado africano.

Na conclusão da volumosa pesquisa doutoral sobre a vida eclesial da África antiga, obtida a partir das cartas do seu representante mais ilustre, perguntamo-nos se ela também não pode iluminar a vida eclesial contemporânea. Se, nos anos anteriores ao Concílio, o ressourcement, o retorno às fontes patrísticas, deu uma contribuição decisiva ao debate que acompanhou a elaboração da Lumen gentium, o testemunho de colegialidade oferecido pelas antigas Igrejas africanas ainda pode falar à atualidade eclesial, e a vitalidade daquela antiga Igreja pode ser um estímulo para a Igreja do século XXI, precisamente em relação à colegialidade, “palavra-chave” da eclesiologia do Vaticano II.

Hoje, a sua expressão mais solene encontra-se no Sínodo dos bispos, que, como se sabe, foi anunciado por Paulo VI enquanto se abria a última sessão do Concílio. A literatura registrou diversas perplexidades em relação à efetiva representatividade do Sínodo em relação ao colégio episcopal e em relação à natureza consultiva de iure et de facto dessa cúpula, mas, como ressaltou o Papa Francisco no dia 18 de outubro de 2015 – justamente na data dos 50 anos da instituição –, “em uma Igreja sinodal, o Sínodo dos bispos é apenas a manifestação mais evidente de um dinamismo de comunhão que inspira todas as decisões eclesiais”.

papa solicitava, naquela ocasião, que se “refletisse para realizar ainda mais, através desses órgãos, as instâncias intermediárias da colegialidade, talvez integrando e atualizando alguns aspectos do antigo ordenamento eclesiástico”. E, significativamente, afirmava: “O desejo do Concílio de que tais órgãos possam contribuir para aumentar o espírito de colegialidade episcopal não se realizou plenamente. Estamos na metade do caminho, em uma parte do caminho. Em uma Igreja sinodal, como já afirmei, ‘não convém que o papa substitua os episcopados locais no discernimento de todas as problemáticas que sobressaem nos seus territórios. Neste sentido, sinto a necessidade de proceder a uma salutar descentralização’”.

O discurso do papa encontra razão na Lumen gentium, onde é reconhecido às conferências episcopais o âmbito do qual se pode esperar “uma contribuição múltipla e fecunda, para que o espírito colegial passe a aplicações concretas” (LG 23).

Além disso, no início do seu pontificado, João Paulo II também descrevera as conferências episcopais nacionais “como uma das formas em que a colegialidade episcopal se expressa”. Mas, pouco depois, na vigília do Sínodo extraordinário de 1985, começou-se a se perceber, no debate eclesial, uma certa insatisfação: disse-se que essas estruturas intermediárias enquadram-se entre as instituições de direito eclesiástico e que, portanto, não são “parte da estrutura ineliminável da Igreja, como desejada por Cristo”. Temia-se o fantasma do nacionalismo e do galicismo para concluir que eles “têm apenas uma função prática concreta”, e as consequências dessa incerteza teológica pareceram se fixar na exortação apostólica Pastores gregis, na qual se afirma que as conferências episcopais “com as suas comissões e escritórios existem para ajudar os bispos e não para substituí-los, e ainda menos para constituir uma estrutura intermediária entre a Sé Apostólica e os bispos individuais”.

Por outro lado, a vivência da antiga Igreja africana permite reconhecer nas “instâncias intermediárias da colegialidade” uma expressão verdadeira e real da colegialidade dos bispos, teologicamente fundamentada.

Viu-se que, para os antigos bispos africanos, os problemas eclesiais deviam ser resolvidos principalmente dentro da Igreja local, depois no seio das reuniões episcopais provinciais e, em última instância, no Concílio plenário africano. A eles, bastava recordar Cipriano e a sua firme tomada de posição assumida diante do Papa Cornélio, ao qual ele lembrava que as polêmicas deviam ser resolvidas onde surgiram.

Em essência, portanto, para o estudioso patrólogo de Belluno, “o tecido das relações eclesiais vividas na antiga África cristã, reconstruídas pelo testemunho de Agostinho, parecem dar fundamento teológico à descentralização da colegialidade episcopal desejada pelo atual Bispo de Roma, permitindo reconhecer às modernas conferências episcopais – regionais, nacionais e supranacionais – uma capacidade de representar o coetus episcopal, como ele se concretiza em uma região ou em um continente, sem nada tirar da unidade e da catolicidade da Igreja cantadas no Salmo 44: una e santa, mas ‘revestida de uma veste variegada’”.

É claro, não se pode transplantar sic et simpliciter os modelos da antiguidade da África cristã do século IV para a vida da Igreja contemporânea. Porém, hoje, a patrologia, recusando-se a ser reduzida a “um inútil arqueologismo”, quer ser “um estudo criativo que ajuda a conhecer melhor os nossos tempos e a preparar o futuro”: assim indicara, em 1989, a Congregação para a Educação Católica na Instrução sobre o estudo dos Padres da Igreja na formação sacerdotal (n. 60).

Daí o propósito do autor do livro de lançar uma ponte entre as instâncias eclesiológicas contemporâneas e a vida da Igreja antiga, assim como ela é atestada pelo mais representativo e genial autor latino da era patrística, na convicção de que o estudo das fontes antigas é a contínua redescoberta de uma fonte viva, a Tradição da Igreja, que também é sempre “tam antiqua et tam nova”.

 

https://www.ihu.unisinos.br/186-noticias/noticias-2017/571584-agostinho-e-as-raizes-da-sinodalidade

SUGESTÃO DE LEITURAS

 



SUGESTÃO DE LEITURAS

01-         Quem sou eu para julgar? 

– 26 abril 2017

 

Edição Português  por Papa Francisco (Autor)

 

A palavra de amor do Papa Francisco, líder mundial e símbolo de diálogo e tolerância.

Querido e admirado por católicos e não católicos, o Papa Francisco se tornou uma grande liderança mundial, tanto espiritual quanto política. Extremamente carismático, graças a seu diálogo franco e sua linguagem acolhedora, ele se transformou num símbolo de paz, de harmonia, da compreensão do diferente, nos convocando para refletir sobre os direitos básicos do ser humano, sobre a misericórdia e, por que não, sobre a humanidade de que nosso mundo tanto precisa.



Nestes tempos de extrema turbulência e crise de valores, a LeYa publica Quem sou eu para julgar?, uma reunião de textos sobre os mais diversos assuntos. Com uma linguagem direta, simples, mas que toca o coração, o Papa nos coloca diante do real valor da vida: nossa relação com o outro, com Deus e com o mundo. O livro chega para a Páscoa, momento de reflexão e partilha, transformando-se num ótimo presente.

"Se há uma palavra que devemos repetir, até nos cansarmos, é esta: diálogo. Somos convidados a promover uma cultura do diálogo, procurando por todos os meios abrir instâncias para que isso seja possível e que nos permita reconstruir a estrutura social", escreve Francisco. Neste livro, o Papa nos chama à prática da compreensão, nos convida a amar o diferente, o outro, sem julgamentos. E que sigamos com ele na construção de tempos melhores!



Alguns fragmentos



"O que significa alargar o coração? Antes de mais nada, no reconhecer-se pecador, não se deve olhar para o que os outros fizeram. A pergunta principal é a seguinte: "Quem sou eu para julgar isso? Quem sou eu para tagarelar sobre isso? Quem sou eu, que fiz as mesmas coisas, ou até pior?"



"Contem, falem sobre as grandes coisas que vocês desejam, porque quanto maior for a capacidade de sonhar — e a vida se encarrega de deixá-los pela metade —, mais caminho você terá percorrido."

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02-         A Igreja (Catequeses do papa Francisco) 

 

Por Papa Francisco (Autor) .

 

A coleção Catequeses do Papa Francisco reúne os discursos do Santo Padre proferidos nas audiências gerais, toda quarta-feira, no Vaticano. Com linguagem simples e profunda, o Papa percorre temas importantes para a vida da Igreja no mundo de hoje. Neste volume, foram reunidas todas as catequeses sobre a Igreja, por meio das quais o Pontífice retoma e esclarece vários elementos tratados na Constituição Dogmática Lumen Gentium.

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