sexta-feira, 24 de julho de 2026

3-LITURGIA DO 17.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

 

3-LITURGIA DO 17.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

- Concluímos a leitura do cap. 13 de Mateus, que narra as parábolas do Reino. Através destas imagens, somos iluminados acerca desta realidade maravilhosa que o Senhor preparou para todos nós. "Compreendestes tudo isso?", nos pergunta o Senhor. Compreender, no Evangelho de Mateus, tem um sentido mais profundo: não apenas entender em nível intelectual, mas aderir, fazer opção pela realidade proposta. Portanto, nossa resposta, mais do que por palavras, deve ser dada a partir de atitudes concretas que demonstrem que escolhemos o Reino de Deus.

- As primeiras parábolas que escutamos hoje nos apresentam o Reino como um tesouro, uma pérola preciosa, que precisa ser procurada, mas, ao ser encontrada, desperta o interesse, provoca o movimento, o despojamento de tudo o que for preciso para alcançá-lo. Ao olharmos a vida dos santos, entendemos o significado disso: só quem encontrou o Reino, vislumbrou a sua beleza e a graça de habitar nele, é capaz de dar a própria vida para não perdê-lo, como fizeram os mártires; só quem encontrou o Reino, é capaz de deixar sua origem, sua pátria, e lançar-se rumo a terras distantes para anunciar a graça desta alegria como fizeram grandes missionários como São José de Anchieta e São Daniel Comboni; só quem fez a experiência do Reino, é capaz de abandonar todas as coisas deste mundo e viver uma consagração radical a Deus pela pobreza e pela caridade, como fizeram São Francisco de Assis e Santa Dulce dos Pobres. E assim podemos tecer uma grande lista de santos e santas que, tendo a oportunidade de escolher todas as coisas, escolheram amar a Deus e seu Reino. Contudo, se considerarmos ainda distantes o testemunho dos santos, basta olharmos ao nosso redor: quantas pessoas que se dedicam com alegria ao serviço do Reino em nossas comunidades, mesmo tendo trabalho, ocupações, família, ainda guardam um tempo considerável para o serviço à comunidade. Fazem-no porque encontraram o Reino. E aquele rapaz, ou aquela moça, que tendo a vida toda para dedicarem-se às coisas deste mundo, lançam-se rumo a uma consagração religiosa, ou à vida sacerdotal. Fazem-no porque encontraram o Reino!

- Na parábola seguinte, vemos que uma rede lançada ao mar, pesca uma enorme quantidade de peixes. Essa rede é a Igreja. Que maravilha ver a diversidade dos que são alcançados pelo Senhor, dos que são chamados a fazer parte de sua família e serem chamados seus filhos e filhas. Olhamos para o lado e vemos gente de todo o tipo. Esse é o projeto do Senhor que, conforme a Carta de Paulo aos Romanos na 2ª leitura, deseja que todos se salvem. O Senhor desde sempre nos predestinou e nos chamou a ter conhecimento da verdade do seu amor, um amor que nos transforma na imagem de seu Filho, por isso todos podemos ser chamados filhos e filhas de Deus. Àqueles que amam o Senhor, tudo concorre para o bem: o próprio Senhor que chamou, Ele mesmo torna justo e glorifica. Todavia, o Senhor que nos criou e quer nos salvar, não nos salva sem o nosso consentimento, sem a nossa resposta. A rede um dia será puxada à praia, e quando isso acontecer, os peixes serão separados entre peixes bons e os que não prestam. Os peixes bons são aqueles que optaram pelo Reino de forma sincera e radical. Os peixes que não prestam são os que disseram não, ou optaram sem firmeza. Assim como na parábola do joio e do trigo, bons e maus crescem juntos no seio da Igreja. Contudo, não é nossa missão fazer nenhum tipo de julgamento. Isto cabe somente a Deus. A nós cabe a missão: tendo encontrado a pérola preciosa, o tesouro escondido, sairmos ao encontro de nossos irmãos, dentro ou ainda fora da rede da Igreja, para que conheçam esta alegria que experimentamos e também façam a sua opção sincera e radical pelo Reino da vida.

- Salomão é apresentado na 1ª leitura como um modelo daquele que soube optar por Deus, colocando em segundo plano todas as coisas passageiras deste mundo. Podendo escolher sucesso, glórias mundanas, vitórias sobre os inimigos e riquezas, reconhece a sua pequenez e pede a Deus sabedoria para governar com justiça. Deus, vendo a sua humildade e agradando-se dela, atende-lhe o pedido, concedendo ainda mais do que ele havia pedido. "Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas", diz o Evangelho.

- Que o Senhor nos conceda a graça de um sincero discernimento, que nos ajuda a separar o que é valor eterno e que corresponda ao Reino, dos valores terrenos e passageiros, para que, optando pelas coisas que não passam, alcancemos a graça de viver no Reino eterno.

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