8- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA(*)
POR QUANTO TEMPO...
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar acumulando dogmas e certezas, sem sequer
se dar o direito de questionar crenças e verdades que desde o ventre materno
foram repassadas a você?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar acreditando que o ser humano nasce em
culpa e pecado, e que a forma mais eficaz de expiação, mereça você ou não, é
padecer e sofrer?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar esperando pelo retorno de um avatar
numinoso, cuja missão é resgatar um mundo decaído e conduzir a humanidade de
volta a um paraíso perdido?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar cruzando braços e pernas, acendendo
velas a mediadores do sagrado enquanto espera pela sua cota de milagres?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar indignado com a injustiça dos homens,
clamando por justiça divina enquanto pouco ou nada faz a respeito? Por quanto
tempo?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar se fazendo de vítima, recusando-se a
reconhecer que de culpados e inocentes todos temos um pouco?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar com o dedo em riste apontando as falhas
dos outros, sem coragem suficiente para encarar seus próprios defeitos?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar racionalizando e se justificando, sem
assumir a parcela de responsabilidade que ninguém pode assumir por você?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar ruminando mágoa e ressentimento, sem
conseguir perceber que, sem perdão, quem permanece empacado é você?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar aceitando conviver com a violência e a
agressividade, incapaz de perceber que, quando a brutalidade ocupa a cena,
respeito e dignidade não têm como permanecer? Por quanto tempo?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar vivendo como se tivesse todo o tempo do
mundo, ignorando que o prazo de validade da sua vida pode vencer em um segundo?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar aceitando ser um estranho para si mesmo,
sem conseguir compreender que esse desencontro o mantém cada vez mais distante
daqueles que anseiam por se aproximar de você?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar julgando pelas aparências, sem perceber
que a essência é o que revela nosso ser?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar esperando que a oportunidade bata à sua
porta - "ô, de casa!" - sem se dar conta de que quem sabe faz a hora,
não espera acontecer?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar acumulando... acumulando...
acumulando... - puff! - recusando-se a reconhecer que o acumulado não pertence
a você? Por quanto tempo?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar e contentando em ser quem você é,
aceitando ser muito menos do que você tem potencial para ser?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar mendigando validação e reconhecimento,
sem se dar conta de que a aprovação que mais importa é a que vem da pessoa do
espelho?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar atribuindo migalhas de valor à pessoa
que você é, enquanto supervaloriza aquele balaio de gato de fofocas e
disse-me-disse que as redes publicam sobre você?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar seguindo cibernéticos "influencers"
- chique, né? - comportando-se como marionete nas mãos de inescrupulosos
manipuladores que não estão nem aí pra você?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar sabotando seus sonhos, alegando não ter
potencial para realizá-los nem razões para merecê-los? Por quanto tempo?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar encarando o mundo como uma arena, como
se a única saída que nos restasse fosse matar ou morrer?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar acorrentado ao seu passado, permitindo
que ele paralise o seu presente e povoe de fantasmas o seu futuro?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar mascarando suas feridas emocionais,
recorrendo a vícios e drogas que não passam de placebo?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar bajulando Deus e o mundo, como se
tivesse nascido predestinado a viver de coluna curvada e cabeça baixa?
Por
quanto tempo ainda, você vai continuar vegetando, sentado num banco de praça
dando milho aos pombos?
Por
quanto tempo?
"Tudo
isso acontecendo e eu ali na praça, dando milho aos pombos...eh, eh...Tudo isso
acontecendo e eu ali na praça, dando milho aos pombos"
[Milho aos pombos, por Zé Geraldo]
L.S.M.
(*) Reflexão enviada pelo autor via Whatsapp,
de Vitória (ES).
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