sexta-feira, 24 de julho de 2026

8- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA(*)

 8- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA(*)


POR QUANTO TEMPO...

Por quanto tempo ainda, você vai continuar acumulando dogmas e certezas, sem sequer se dar o direito de questionar crenças e verdades que desde o ventre materno foram repassadas a você?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar acreditando que o ser humano nasce em culpa e pecado, e que a forma mais eficaz de expiação, mereça você ou não, é padecer e sofrer?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar esperando pelo retorno de um avatar numinoso, cuja missão é resgatar um mundo decaído e conduzir a humanidade de volta a um paraíso perdido?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar cruzando braços e pernas, acendendo velas a mediadores do sagrado enquanto espera pela sua cota de milagres?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar indignado com a injustiça dos homens, clamando por justiça divina enquanto pouco ou nada faz a respeito? Por quanto tempo?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar se fazendo de vítima, recusando-se a reconhecer que de culpados e inocentes todos temos um pouco?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar com o dedo em riste apontando as falhas dos outros, sem coragem suficiente para encarar seus próprios defeitos?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar racionalizando e se justificando, sem assumir a parcela de responsabilidade que ninguém pode assumir por você?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar ruminando mágoa e ressentimento, sem conseguir perceber que, sem perdão, quem permanece empacado é você?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar aceitando conviver com a violência e a agressividade, incapaz de perceber que, quando a brutalidade ocupa a cena, respeito e dignidade não têm como permanecer? Por quanto tempo?

 

Por quanto tempo ainda, você vai continuar vivendo como se tivesse todo o tempo do mundo, ignorando que o prazo de validade da sua vida pode vencer em um segundo?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar aceitando ser um estranho para si mesmo, sem conseguir compreender que esse desencontro o mantém cada vez mais distante daqueles que anseiam por se aproximar de você?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar julgando pelas aparências, sem perceber que a essência é o que revela nosso ser?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar esperando que a oportunidade bata à sua porta - "ô, de casa!" - sem se dar conta de que quem sabe faz a hora, não espera acontecer?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar acumulando... acumulando... acumulando... - puff! - recusando-se a reconhecer que o acumulado não pertence a você? Por quanto tempo?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar e contentando em ser quem você é, aceitando ser muito menos do que você tem potencial para ser?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar mendigando validação e reconhecimento, sem se dar conta de que a aprovação que mais importa é a que vem da pessoa do espelho?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar atribuindo migalhas de valor à pessoa que você é, enquanto supervaloriza aquele balaio de gato de fofocas e disse-me-disse que as redes publicam sobre você?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar seguindo cibernéticos "influencers" - chique, né? - comportando-se como marionete nas mãos de inescrupulosos manipuladores que não estão nem aí pra você?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar sabotando seus sonhos, alegando não ter potencial para realizá-los nem razões para merecê-los? Por quanto tempo?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar encarando o mundo como uma arena, como se a única saída que nos restasse fosse matar ou morrer?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar acorrentado ao seu passado, permitindo que ele paralise o seu presente e povoe de fantasmas o seu futuro?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar mascarando suas feridas emocionais, recorrendo a vícios e drogas que não passam de placebo?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar bajulando Deus e o mundo, como se tivesse nascido predestinado a viver de coluna curvada e cabeça baixa?

Por quanto tempo ainda, você vai continuar vegetando, sentado num banco de praça dando milho aos pombos?

Por quanto tempo?

"Tudo isso acontecendo e eu ali na praça, dando milho aos pombos...eh, eh...Tudo isso acontecendo e eu ali na praça, dando milho aos pombos"

         [Milho aos pombos, por Zé Geraldo]

                                   L.S.M.

 (*) Reflexão enviada pelo autor via Whatsapp, de Vitória (ES).

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