sexta-feira, 24 de julho de 2026

4- REFLEXÕES PARA O 17.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A 4.1- O TESOURO DO REINO: NOSSA RIQUEZA

 

 

4- REFLEXÕES PARA O 17.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

4.1- O TESOURO DO REINO: NOSSA RIQUEZA

A liturgia deste domingo convida-nos a refletir sobre as nossas prioridades, os valores sobre os quais fundamentamos a nossa existência. Recorda-nos que o cristão deve construir a sua vida sobre os valores propostos por Jesus. A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de Salomão, rei de Israel. Ele é o modelo do homem “sábio”, que consegue perceber e escolher o que é importante e que não se deixa seduzir e alienar por valores efêmeros. O Senhor fala com Salomão através de um sonho. No Antigo Testamento, o “sonho” aparece, com alguma frequência, como uma forma privilegiada de Deus comunicar-se com os homens e de lhes indicar os seus caminhos. Salomão, consciente da grandeza da sua tarefa e das suas próprias limitações, não pede a Deus riqueza, e sim sabedoria, um coração “sábio”, o dom de distinguir entre o bem e o mal e a capacidade de governar com justiça. A prece do rei é atendida e Deus lhe concede uma “sabedoria” inigualável e lhe acrescenta ainda outros três dons: a riqueza, a glória e a longa vida. A figura de Salomão questiona todos aqueles que detêm responsabilidades na comunidade. Convida-os a uma verdadeira atitude de serviço, não buscando a realização dos próprios esquemas pessoais, mas sim o benefício de toda a comunidade, a concretização do bem comum. No Evangelho, recorrendo à linguagem das parábolas, Jesus recomenda aos seus discípulos que façam do Reino de Deus a sua prioridade fundamental. Concluímos, neste domingo, a leitura do capítulo dedicado às “parábolas do Reino” (cf. Mt 13). Nele, recorrendo a imagens e comparações simples, sugestivas e questionantes (“parábolas”), Jesus apresenta esse mundo novo de liberdade e de vida nova que Ele veio trazer, o qual Ele chama Reino dos Céus. As parábolas de hoje – a do negociante a procura de pérolas e a do agricultor que encontra um tesouro – falam, em primeiro lugar, da atitude do homem diante do Reino. O Reino dos Céus é, portanto, este tesouro único, incomparável porque é só nele que o homem encontra a salvação, realiza seu destino de vida e de bem-aventurança eterna. A parábola do tesouro escondido e a parábola da pérola preciosa, sugerem que o Reino proposto por Jesus (esse mundo de paz, de amor, de fraternidade, de serviço, de reconciliação que Jesus veio anunciar e oferecer) é um “tesouro” precioso, que os discípulos devem abraçar, antes de qualquer outro valor ou proposta. Os cristãos são, antes de mais, aqueles que encontraram algo de único, de fundamental, de decisivo: o Reino dos Céus. São convidados pelo Mestre Jesus a descobrir a realidade do Reino, a entender as suas exigências, a comprometer-se com os seus valores. Escolher o Reino é optar radicalmente por Deus e pelos valores do Evangelho. Essas parábolas também nos dizem algo mais: o tesouro escondido, pelo qual é preciso vender tudo, é sim, o Reino dos Céus, isto é, uma realidade, mas é também em primeiro lugar uma pessoa: é o próprio Jesus. Segui-lo, escolhê-lo pela vida e voltar a escolhê-lo sempre de novo, ser seu discípulo significa ter feito a escolha certa, a única que assegura o tesouro nos céus. É ele a pérola preciosa.

Dom Celso Alexandre Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Ipiranga

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