4- REFLEXÕES PARA O 17.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A
4.1- O TESOURO DO REINO: NOSSA RIQUEZA
A
liturgia deste domingo convida-nos a refletir sobre as nossas prioridades, os
valores sobre os quais fundamentamos a nossa existência. Recorda-nos que o
cristão deve construir a sua vida sobre os valores propostos por Jesus. A
primeira leitura apresenta-nos o exemplo de Salomão, rei de Israel. Ele é o
modelo do homem “sábio”, que consegue perceber e escolher o que é importante e
que não se deixa seduzir e alienar por valores efêmeros. O Senhor fala com
Salomão através de um sonho. No Antigo Testamento, o “sonho” aparece, com
alguma frequência, como uma forma privilegiada de Deus comunicar-se com os
homens e de lhes indicar os seus caminhos. Salomão, consciente da grandeza da
sua tarefa e das suas próprias limitações, não pede a Deus riqueza, e sim
sabedoria, um coração “sábio”, o dom de distinguir entre o bem e o mal e a
capacidade de governar com justiça. A prece do rei é atendida e Deus lhe
concede uma “sabedoria” inigualável e lhe acrescenta ainda outros três dons: a
riqueza, a glória e a longa vida. A figura de Salomão questiona todos aqueles
que detêm responsabilidades na comunidade. Convida-os a uma verdadeira atitude
de serviço, não buscando a realização dos próprios esquemas pessoais, mas sim o
benefício de toda a comunidade, a concretização do bem comum. No Evangelho,
recorrendo à linguagem das parábolas, Jesus recomenda aos seus discípulos que
façam do Reino de Deus a sua prioridade fundamental. Concluímos, neste domingo,
a leitura do capítulo dedicado às “parábolas do Reino” (cf. Mt 13). Nele, recorrendo
a imagens e comparações simples, sugestivas e questionantes (“parábolas”),
Jesus apresenta esse mundo novo de liberdade e de vida nova que Ele veio
trazer, o qual Ele chama Reino dos Céus. As parábolas de hoje – a do negociante
a procura de pérolas e a do agricultor que encontra um tesouro – falam, em
primeiro lugar, da atitude do homem diante do Reino. O Reino dos Céus é,
portanto, este tesouro único, incomparável porque é só nele que o homem
encontra a salvação, realiza seu destino de vida e de bem-aventurança eterna. A
parábola do tesouro escondido e a parábola da pérola preciosa, sugerem que o
Reino proposto por Jesus (esse mundo de paz, de amor, de fraternidade, de
serviço, de reconciliação que Jesus veio anunciar e oferecer) é um “tesouro”
precioso, que os discípulos devem abraçar, antes de qualquer outro valor ou
proposta. Os cristãos são, antes de mais, aqueles que encontraram algo de
único, de fundamental, de decisivo: o Reino dos Céus. São convidados pelo
Mestre Jesus a descobrir a realidade do Reino, a entender as suas exigências, a
comprometer-se com os seus valores. Escolher o Reino é optar radicalmente por
Deus e pelos valores do Evangelho. Essas parábolas também nos dizem algo mais:
o tesouro escondido, pelo qual é preciso vender tudo, é sim, o Reino dos Céus,
isto é, uma realidade, mas é também em primeiro lugar uma pessoa: é o próprio
Jesus. Segui-lo, escolhê-lo pela vida e voltar a escolhê-lo sempre de novo, ser
seu discípulo significa ter feito a escolha certa, a única que assegura o tesouro
nos céus. É ele a pérola preciosa.
Dom
Celso Alexandre Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região
Ipiranga
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Ano-50A-43-17o-DOMINGO-DO-TEMPO-COMUM.pdf
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