sexta-feira, 6 de março de 2026

04. REFLEXÕES PARA ESTE 3.º DOMINGO DA QUARESMA 1.1- QUANDO O AMOR NOS ENCONTRA

 

04.    REFLEXÕES PARA ESTE 3.º DOMINGO DA QUARESMA

 

1.1-       QUANDO O AMOR NOS ENCONTRA

O livro do Êxodo nos mostra um momento de cansaço e sofrimento do povo escolhido na longa peregrinação pelo deserto. Com a força da palavra de Deus, Moisés faz um portento: retirar água da pedra. No Evangelho, entra em cena um encontro de Jesus com aquela mulher que fora ao poço buscar água. É o símbolo da pessoa que anda em procura de sentido, que tem sede de Deus, mas não o sabe. Jesus - cansado pela viagem - estava aguardando os discípulos, que tinham ido ao povoado comprar mantimentos. Jesus está com fome e com muita sede. Tinha o direito de descansar. Mas Ele não mede esforços: esquece sua fome e sede e passa por cima do seu cansaço. “Veio uma mulher da Samaria tirar água. Pediu-lhe Jesus: ‘Dá-me de beber’; pois os discípulos tinham ido à cidade comprar mantimentos”. Aquela mulher ficou muito surpresa: um judeu nunca dirigia a palavra a uma mulher sozinha, muito menos uma samaritana. “Sendo tu judeu, como pedes de beber a mim, que sou samaritana!”... Mesmo quando ela responde de modo preconceituoso, Jesus não retruca na mesma moeda, mas passa a usar uma linguagem misteriosa e fala-lhe de uma água que salta até a vida eterna. “A mulher replicou: ‘Senhor, não tens com que tirá-la, e o poço é fundo... donde tens, pois, essa água viva? És, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu e também os seus filhos e os seus rebanhos?’” Jesus explica o que é essa água viva: “Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede, mas aquele que beber da água que eu lhe der jamais terá sede”. Aos poucos a mulher vai mudando: “Dá-me desta água viva, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá- -la”. Apesar deste entusiasmo externo, Jesus vê uns olhos tristonhos, um coração oprimido. Nesse momento, Jesus é delicado: “Vai e chama o teu marido...” “Eu não tenho marido...” “Disseste bem: porque já tiveste cinco e o que tens não é o teu marido...” Ela sente-se reconhecida por Deus: “Vejo que és profeta”. E a mulher reage bem e não fica ofendida: “Eis um homem que me disse tudo o que eu tenho feito”! Recebe a correção e se converte. Sente-se cativada e surpreendida com o encontro com o próprio Messias. E, feliz, passa a ser instrumento de conversão para as pessoas da sua cidade: sai propagando a todo mundo a alegria de ter encontrado o Messias. Antes andava só e triste, pesarosa em sua vida desregrada em busca de amor, onde só encontrou decepções, paixões fogosas e passageiras. Agora corre para avisar todo mundo que se encontrou com o Amor de Deus personificado. Encontrou o perdão, recuperou a graça. Tem a sensação de renascer! Esta cena do Evangelho deve descrever nossa reação a cada encontro com Cristo na Confissão. Nós também deveríamos ter um grande apreço pelo sacramento da Confissão. Não deve ser esporádica, mas frequente. Sabemos que, no Sacramento da Confissão, recebemos não somente o perdão e recuperamos a paz: mas também contamos com uma graça, um auxílio, como um remédio divino para curar as feridas causadas pelas nossas faltas e pecados. O tempo da Quaresma nos convida a preparar uma boa Confissão. Revisar a nossa consciência: repassar os mandamentos; os pecados capitais: soberba, avareza, luxúria, inveja, gula, ira e preguiça. E sair felizes e aliviados, com a certeza de haver recebido o perdão de Jesus. E comprovaremos o que São Paulo ensinava aos romanos, como lemos na segunda leitura: “Quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado”.

Dom Carlos Lema Garcia Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Educação e Universidades

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