04. REFLEXÕES
PARA ESTE 3.º DOMINGO DA QUARESMA
1.1-
QUANDO O AMOR NOS
ENCONTRA
O
livro do Êxodo nos mostra um momento de cansaço e sofrimento do povo escolhido
na longa peregrinação pelo deserto. Com a força da palavra de Deus, Moisés faz
um portento: retirar água da pedra. No Evangelho, entra em cena um encontro de
Jesus com aquela mulher que fora ao poço buscar água. É o símbolo da pessoa que
anda em procura de sentido, que tem sede de Deus, mas não o sabe. Jesus -
cansado pela viagem - estava aguardando os discípulos, que tinham ido ao
povoado comprar mantimentos. Jesus está com fome e com muita sede. Tinha o
direito de descansar. Mas Ele não mede esforços: esquece sua fome e sede e
passa por cima do seu cansaço. “Veio uma mulher da Samaria tirar água.
Pediu-lhe Jesus: ‘Dá-me de beber’; pois os discípulos tinham ido à cidade comprar
mantimentos”. Aquela mulher ficou muito surpresa: um judeu nunca dirigia a
palavra a uma mulher sozinha, muito menos uma samaritana. “Sendo tu judeu, como
pedes de beber a mim, que sou samaritana!”... Mesmo quando ela responde de modo
preconceituoso, Jesus não retruca na mesma moeda, mas passa a usar uma
linguagem misteriosa e fala-lhe de uma água que salta até a vida eterna. “A
mulher replicou: ‘Senhor, não tens com que tirá-la, e o poço é fundo... donde
tens, pois, essa água viva? És, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que
nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu e também os seus filhos e os seus
rebanhos?’” Jesus explica o que é essa água viva: “Todo aquele que beber desta
água tornará a ter sede, mas aquele que beber da água que eu lhe der jamais
terá sede”. Aos poucos a mulher vai mudando: “Dá-me desta água viva, para eu já
não ter sede nem vir aqui tirá- -la”. Apesar deste entusiasmo externo, Jesus vê
uns olhos tristonhos, um coração oprimido. Nesse momento, Jesus é delicado:
“Vai e chama o teu marido...” “Eu não tenho marido...” “Disseste bem: porque já
tiveste cinco e o que tens não é o teu marido...” Ela sente-se reconhecida por
Deus: “Vejo que és profeta”. E a mulher reage bem e não fica ofendida: “Eis um
homem que me disse tudo o que eu tenho feito”! Recebe a correção e se converte.
Sente-se cativada e surpreendida com o encontro com o próprio Messias. E,
feliz, passa a ser instrumento de conversão para as pessoas da sua cidade: sai
propagando a todo mundo a alegria de ter encontrado o Messias. Antes andava só
e triste, pesarosa em sua vida desregrada em busca de amor, onde só encontrou
decepções, paixões fogosas e passageiras. Agora corre para avisar todo mundo
que se encontrou com o Amor de Deus personificado. Encontrou o perdão, recuperou
a graça. Tem a sensação de renascer! Esta cena do Evangelho deve descrever
nossa reação a cada encontro com Cristo na Confissão. Nós também deveríamos ter
um grande apreço pelo sacramento da Confissão. Não deve ser esporádica, mas
frequente. Sabemos que, no Sacramento da Confissão, recebemos não somente o
perdão e recuperamos a paz: mas também contamos com uma graça, um auxílio, como
um remédio divino para curar as feridas causadas pelas nossas faltas e pecados.
O tempo da Quaresma nos convida a preparar uma boa Confissão. Revisar a nossa
consciência: repassar os mandamentos; os pecados capitais: soberba, avareza,
luxúria, inveja, gula, ira e preguiça. E sair felizes e aliviados, com a
certeza de haver recebido o perdão de Jesus. E comprovaremos o que São Paulo
ensinava aos romanos, como lemos na segunda leitura: “Quando éramos ainda
fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado”.
Dom Carlos Lema
Garcia Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Educação e
Universidades
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Ano-50A-19-3o-DOMINGO-DE-QUARESMA.pdf
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