4. REFLEXÕES
PARA ESTE 4.º DOMINGO DA QUARESMA
4.1- A ALEGRIA NOS
VEM DO SENHOR!
A liturgia deste 4º Domingo da Quares‑ ma
propõe uma reflexão sobre o projeto salvador de Deus, que oferece a todos,
independentemente de méritos, o dom da vida eterna. Essa iniciativa requer uma
resposta pessoal, convidando ao fortalecimento da esperança e à vivência da
alegria, tema central deste que é também chamado Domingo da Alegria. Símbolos
dessa liturgia, como a possibilidade do uso da cor rósea, os cânticos e o
enfoque na misericórdia divina, nos fazem vivenciar a leveza e a esperança
acessíveis mesmo nos momentos de dificuldade. A alegria cristã não se limita a
uma emoção passageira, mas pode ser uma escolha diária, mesmo diante das
dificuldades. Crer em Deus e em Sua promessa nos dá razões para sorrir e
enfrentar as adversidades com coragem. Assim, cada experiência pode se
transformar em oportunidade de crescimento espiritual, seja um problema no trabalho
que ensina paciência, seja um desentendimento familiar que nos desafia a
perdoar. O exercício diário da gratidão, por meio da oração e reflexão, nos
ajuda a perceber as pequenas e grandes bênçãos que Deus nos concede
constantemente. Na primeira leitura, ao escolher o menos provável, o profeta
Samuel nos fala dos critérios do nosso Deus, que não julga pela aparência, mas
enxerga o coração. É Ele quem capacita a pessoa para a missão. Valorizar a
dignidade do outro é também uma atitude concreta que podemos viver no
cotidiano: cumprimentar os subalternos, ouvir com atenção alguém que se sente
ignorado, ou respeitar colegas independentemente de cargos. São gestos
pequenos, mas que transformam ambientes e mostram a presença da luz de Deus em
nós. Na Carta aos Efésios, Paulo nos apresenta o projeto salvador desde sempre
proclamado pelos profetas, concretizado em Jesus e anunciado ao mundo pela
Igreja. Como cristãos, somos convidados a viver na “luz”, marcando nossas vidas
pela bondade, justiça e verdade. Isso pode se traduzir em atitudes simples,
como ser honesto em nossos negócios, ajudar alguém que precisa de um favor, ou
promover justiça social em ações cotidianas, como por exemplo, respeitar as
filas e vagas para vulneráveis, não furar compromissos, apoiar campanhas de
solidariedade, como, por exemplo, marmitas para pessoas em situação de rua.
Mais do que viver na luz, somos chamados a dissipar as trevas. E isso pode
acontecer nas situações mais comuns do dia a dia: recusar-se a compartilhar
fake news, ou posicionar-se contra fofocas e comentários maldosos no ambiente
de trabalho, na escola ou na família; denunciar injustiças, mesmo que isso gere
desconforto, e não compactuar com atitudes discriminatórias são for‑ mas
práticas de seguir o Evangelho. A cada escolha, podemos perguntar: Estou
promovendo luz ou permito que as trevas se espalhem? No Evangelho deste
domingo, presencia‑ mos o encontro de Jesus com um cego, representante dos
excluídos e marginalizados de todas as épocas. Muitos ainda hoje acreditam que
deficiências físicas e infortúnios são punição pelo pecado, mas Jesus
desconstrói essa visão, mostrando que sofrimento não é consequência direta do
erro. Ele aproveita a ocasião para revelar sua missão: ser “a luz do mundo” e
iluminar a vida dos que vivem nas trevas. O gesto de misturar saliva à terra
lembra a criação do ser humano em Gênesis, simbolizando que Jesus traz nova
vida, o sopro de Deus. A cura, porém, não acontece sem a colaboração do cego.
Jesus lhe ordena: “Vai lavar-te na piscina de Siloé, que significa: Enviado!”.
Jesus é o Enviado do Pai, a água da vida no qual somos batizados. A disposição
de obedecer, porém, é essencial para que o milagre aconteça. É também um
convite para que, durante a Quaresma, façamos pequenos gestos de adesão à proposta
de Jesus. Pode ser pedir desculpas, fazer uma visita a alguém que está sozinho,
talvez doente, dedicar um tempo para escutar quem precisa de apoio, ou o gesto
concreto e generoso na coleta nacional da Campanha da Fraternidade, no próximo
dia 29 de março. O Evangelho nos mostra que há diferentes formas de recusar a
luz libertadora de Jesus: alguns resistem por estarem confortáveis na mentira;
outros têm medo das críticas ou se deixam levar pela opinião dominante; muitos
optam pelo comodismo e não querem mudar. É importante refletir: com qual desses
grupos eu me identifico? Quais atitudes pequenas posso tomar para romper com
padrões que me afastam da luz?
Pe. Jorge Bernardes Presbítero da Arquidiocese
de São Paulo - Região Ipiranga.
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Ano-50A-20-4o-DOMINGO-DE-QUARESMA.pdf
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