sexta-feira, 20 de março de 2026

3. LITURGIA DO QUINTO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A

 

 

3.    LITURGIA DO QUINTO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A

- Caríssimos irmãos e irmãs, continuemos nossas meditações diante das pregações dominicais desse nosso grande retiro quaresmal. As liturgias dos domingos da Quaresma deste ano "A" apresentam um grande acento batismal. E as leituras de hoje completam esse ciclo de modo solene e profundo. A grande imagem da liturgia de hoje é a morte. Para muitos de nós, a morte causa medo, angústia, tristeza e até desespero. Mas o que se quer ressaltar não é a morte em si mesma, mas a vida nova que nasce a partir das diversas experiências de morte que possamos vivenciar.

- O profeta Ezequiel, na primeira leitura, anima o povo que sofre no exílio na Babilônia. Para Israel, o exílio é uma verdadeira experiência de morte: longe de sua terra, do templo, sem rei ou sacerdote, no meio de povos pagãos. A fé corre grave risco! O exílio, comparado a uma "sepultura", não tem a última palavra: Deus libertará o seu povo e o levará de volta. A esperança do retorno à terra é, de fato, "ressurreição": reanima a fé do Povo de Deus que sofre com a exploração e humilhação dos babilônios.

- É esse o canto de esperança que brota das profundezas, que o salmista entoa na liturgia de hoje. Israel não desanima, pois o Senhor é graça e salvação e não abandona seu povo. A tristeza e angústia de quem tem fé se transformam em espera vigilante pela ação do Deus libertador. Assim acontece no nosso Batismo: o Espírito de Deus é quem conduz a nossa vida.

 - Na segunda leitura, São Paulo nos recorda esse mistério. Nossa vida, em Cristo, encontra um sentido maior e mais profundo. Nossas ações devem promover um novo mundo de solidariedade e fraternidade. A fé que habita em nossos corações, nos leva a superar os medos e vícios. Ela nos abre para relações mais sinceras, para a edificação da comunidade segundo o mandamento de Jesus: o amor. E no amor de Deus, o homem supera todos os tipos de escravidão e prisão.

- O Evangelho de hoje relata um fato que se coloca próximo à Páscoa do Senhor: a ressurreição de Lázaro. Ela é, ao mesmo tempo, dramática e reveladora de uma profunda esperança. Mostra Jesus que chora e se compadece da dor humana. Por isso, vem em nosso auxílio e nos consola com a sua presença misericordiosa. Os discípulos aparecem meio contrariados e amedrontados com a morte de Lázaro, amigo de Jesus, mas também se mostram assustados com a possibilidade da morte do próprio Mestre, que se aproxima. A profissão de fé de Marta revela o projeto de Deus para todos os homens e mulheres deste mundo: Jesus é a ressurreição e a vida.

 - É preciso, porém, deixar que muita coisa morra em nós para alcançarmos a plenitude de Deus. Nossos medos, inseguranças, apegos, mágoas, egoísmo, indiferença, fome e tantos outros males são sinais de morte que teimam em impedir nossa vida nova com Cristo. - A comunidade dos discípulos de Jesus é missionária. Deve estar sempre preocupada com a urgência do Reino de Deus e ir ao encontro dos que sofrem e morrem sem esperança. A Igreja deve ser sinal de esperança e vida para o mundo atribulado, marcado pela cultura do descartável e da morte.

- Que nesta Quaresma, nosso coração se torne mais dócil à Palavra de Deus; que se abra ao cuidado da vida, em todas as suas dimensões, a exemplo de Jesus, nosso Senhor, e que estejamos atentos a toda fome de teto, terra e trabalho que brota da vida do povo sofrido. Que, inspirados pela Palavra de Deus ao longo desta Quaresma e motivados pela Campanha da Fraternidade deste ano, tenhamos condições de ressuscitar, no dia a dia, pessoas e realidades que já experimentam a morte da esperança, da fé e da caridade.

https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2026/02/22_03_26.pdf

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