3.
LITURGIA DO QUINTO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A
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Caríssimos irmãos e irmãs, continuemos nossas meditações diante das pregações
dominicais desse nosso grande retiro quaresmal. As liturgias dos domingos da Quaresma deste ano "A"
apresentam um grande acento batismal.
E as leituras de hoje completam esse ciclo de modo solene e profundo. A grande imagem da liturgia de hoje é a
morte. Para muitos de nós, a morte causa medo, angústia, tristeza e até
desespero. Mas o que se quer ressaltar não é a morte em si mesma, mas a vida
nova que nasce a partir das diversas experiências de morte que possamos vivenciar.
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O profeta Ezequiel, na primeira leitura,
anima o povo que sofre no exílio na Babilônia. Para Israel, o exílio é uma
verdadeira experiência de morte: longe de sua terra, do templo, sem rei ou
sacerdote, no meio de povos pagãos. A fé corre grave risco! O exílio, comparado
a uma "sepultura", não tem a última palavra: Deus libertará o seu
povo e o levará de volta. A esperança do retorno à terra é, de fato,
"ressurreição": reanima a fé do Povo de Deus que sofre com a
exploração e humilhação dos babilônios.
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É esse o canto de esperança que brota das profundezas, que o salmista entoa na
liturgia de hoje. Israel não desanima,
pois o Senhor é graça e salvação e não abandona seu povo. A tristeza e
angústia de quem tem fé se transformam em espera vigilante pela ação do Deus
libertador. Assim acontece no nosso Batismo: o Espírito de Deus é quem conduz a
nossa vida.
- Na
segunda leitura, São Paulo nos recorda esse mistério. Nossa vida, em Cristo,
encontra um sentido maior e mais profundo. Nossas ações devem promover um
novo mundo de solidariedade e fraternidade. A fé que habita em nossos corações,
nos leva a superar os medos e vícios. Ela nos abre para relações mais sinceras,
para a edificação da comunidade segundo o mandamento de Jesus: o amor. E no
amor de Deus, o homem supera todos os tipos de escravidão e prisão.
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O Evangelho de hoje relata um fato que
se coloca próximo à Páscoa do Senhor: a ressurreição de Lázaro. Ela é, ao
mesmo tempo, dramática e reveladora de uma profunda esperança. Mostra Jesus que
chora e se compadece da dor humana. Por isso, vem em nosso auxílio e nos
consola com a sua presença misericordiosa. Os discípulos aparecem meio
contrariados e amedrontados com a morte de Lázaro, amigo de Jesus, mas também
se mostram assustados com a possibilidade da morte do próprio Mestre, que se
aproxima. A profissão de fé de Marta revela o projeto de Deus para todos os
homens e mulheres deste mundo: Jesus é a ressurreição e a vida.
- É
preciso, porém, deixar que muita coisa morra em nós para alcançarmos a
plenitude de Deus. Nossos medos, inseguranças, apegos, mágoas, egoísmo,
indiferença, fome e tantos outros males são sinais de morte que teimam em
impedir nossa vida nova com Cristo. - A comunidade dos discípulos de Jesus é
missionária. Deve estar sempre preocupada com a urgência do Reino de Deus e ir
ao encontro dos que sofrem e morrem sem esperança. A Igreja deve ser sinal de
esperança e vida para o mundo atribulado, marcado pela cultura do descartável e
da morte.
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Que nesta Quaresma, nosso coração se
torne mais dócil à Palavra de Deus; que se abra ao cuidado da vida, em todas as
suas dimensões, a exemplo de Jesus, nosso Senhor, e que estejamos atentos a
toda fome de teto, terra e trabalho que brota da vida do povo sofrido. Que,
inspirados pela Palavra de Deus ao longo desta Quaresma e motivados pela
Campanha da Fraternidade deste ano, tenhamos condições de ressuscitar, no dia a
dia, pessoas e realidades que já experimentam a morte da esperança, da fé e da
caridade.
https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2026/02/22_03_26.pdf
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