I-
REFLEXÕES NESTA QUINTA-FEIRA SANTA
4.1: EUCARISTIA E
CARIDADE
Na
Missa desta Quinta-Feira Santa, lemos o trecho do Evangelho de São João sobre a
última ceia e o lava-pés. São João, diversamente dos outros evangelistas,
apenas faz um aceno à instituição da Eucaristia e se prolonga muito mais no
gesto do lava-pés, que já aparece no final da última ceia. Isso tem vários
significados. São João não valoriza menos a instituição da Eucaristia, mas a
pressupõe e parte dela para narrar mais longamente o gesto do Lava-Pés. Apenas
diz que Jesus “se levantou da mesa, depôs as vestes, pegou uma toalha...” (cf
Jo 13,4). A instituição da “ceia da nova e eterna aliança” é o sinal
sacramental do seu amor e de sua entrega total pelos discípulos e pela
humanidade. “Tendo amado os seus, amou-os até o fim” (cf Jo 13,1). Esse amor o
levou a entregar a sua vida sobre a cruz, até à última gota do seu sangue, em
favor da humanidade. A Eucaristia, por ele instituída deverá ser lembrança
eterna daquilo que Ele fez em favor de todas as pessoas: “Fazei isto em memória
de mim” (Lc 22,19). O lava-pés é o gesto humilde do Mestre que se põe a serviço
dos discípulos e de todos. O lava-pés está unido à Eucaristia de modo
inseparável e significa que, quem participa da Eucaristia, deve estar pronto
para colocar-se a serviço do próximo. É interessante notar a semelhança da
ordem que Jesus dá aos discípulos ao instituir a Eucaristia e ao lavar os pés
dos discípulos: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19); “Eu vos dei o
exemplo, para que façais a mesma coisa” (Jo 13,14). É por isso que a Igreja
ensina e recomenda que a Eucaristia e a prática da caridade, nas suas mais
diversas expressões, sejam inseparáveis. Quem participa da mesa do Senhor,
também esteja pronto para servir à mesa dos pobres, enfermos e de todos os
necessitados. Por isso, faz todo sentido que, ao celebrar a Missa nas nossas
comunidades, haja sempre também os gestos que recordem os irmãos mais necessitados
das próprias comunidades, mas também da Igreja e do mundo inteiro. Hoje, nós
agradecemos mais uma vez a Jesus por ter deixado à Igreja um presente tão
grande e importante. Em cada celebração da Eucaristia, torna-se presente o
mistério da vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus e a efusão do Espírito
Santo em favor de todos nós. Celebramos a Eucaristia, não recordando
simplesmente algo que aconteceu há muito tempo, mas como algo que é sempre
atual; e podemos unir-nos a esse “Mistério da fé” mediante a fé e nossa
participação ativa, recebendo igualmente os seus frutos. Mais uma vez, desejo
recomendar a todos os batizados a participação frequente da Missa, sobretudo
aos domingos. Além de ser um dever, é sobretudo um grande privilégio e ocasião
de grandes bênçãos e crescimento na vida cristã.
Cardeal Odilo Pedro Scherer Arcebispo de São
Paulo
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Ano-50A-23-5a-FEIRA-DA-SEMANA-SANTA.pdf
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