sexta-feira, 6 de março de 2026

3. LITURGIA DO TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A

 

3.    LITURGIA DO TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A

 

- As leituras deste 3º Domingo da Quaresma nos convidam a refletir sobre uma das realidades mais profundas da vida humana: a sede. Não apenas a sede física, mas a sede espiritual, ou seja, o desejo interior que cada um traz no coração e que só Deus pode verdadeiramente saciar. Em todas as leituras, vemos um mesmo movimento: Deus vem ao encontro do homem sedento para oferecer-lhe a água viva que dá vida e sentido.

- Na primeira leitura, tirada do livro do Êxodo (17,3-7), o povo de Israel, em plena travessia do deserto, sente sede e murmura contra Moisés, duvidando da presença de Deus entre eles. "Está o Senhor no meio de nós ou não?", perguntam com desconfiança. Diante dessa rebeldia, Deus manda que Moisés feira a rocha, e dela brota água em abundância. Essa rocha, ferida e de onde jorra vida, é figura de Cristo, que, mais tarde, na cruz, será ferido para que, de seu lado aberto, brotem o sangue e a água - sinais dos sacramentos e da nova vida em Deus. O povo tinha sede de água, mas o que realmente faltava era a confiança e a certeza da presença divina. Era uma sede mais profunda: sede de Deus.

- Na segunda leitura, da carta de São Paulo aos Romanos (5,1-2.5-8), o apóstolo recorda que, pela fé em Cristo, fomos reconciliados com Deus e que o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. Aqui está a continuação da história iniciada no deserto: se lá Deus saciou a sede do povo com água, agora Ele sacia a sede do coração humano com o seu próprio Espírito, que é a fonte da verdadeira vida. Paulo ainda lembra que esse amor é gratuito e incondicional: "Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores". Ou seja, Deus não espera que sejamos perfeitos para nos amar - Ele nos ama primeiro, e é esse amor que nos purifica e transforma.

 

- O Evangelho de João (4,5-42) traz o encontro de Jesus com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó. É um dos textos mais belos e profundos do Evangelho. Jesus, cansado da caminhada, senta-se junto ao poço e pede à mulher: "Dá-me de beber". O pedido de Jesus revela mais do que uma necessidade física; revela a sede que Deus tem de encontrar o ser humano, de salvar, de amar. A mulher, por sua vez, carrega também a sua sede: uma sede de amor, de sentido, de reconhecimento. Ela busca em muitos relacionamentos aquilo que só Deus poderia lhe oferecer. Jesus, então, lhe diz: "Quem beber desta água tornará a ter sede, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte que jorra para a vida eterna". Essa água viva é o próprio Espírito Santo, que transforma a vida do ser humano de dentro para fora. Ao descobrir quem é Jesus, a mulher deixa o cântaro - sinal de que não precisará mais voltar à velha fonte - e corre para anunciar aos outros: "Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz". Aquela mulher, antes marginalizada, torna-se missionária e testemunha da fé. - A Quaresma é o tempo oportuno para reconhecermos nossas "sedes falsas", ou seja, tudo aquilo em que tentamos saciar o coração e que não nos preenche. Muitas vezes buscamos em bens, prazeres, poder ou reconhecimento, o que só Cristo pode nos dar. Ele se aproxima de nós, como se aproximou da Samaritana, e nos diz: "Eu tenho uma água melhor". Quando acolhemos essa "Água Viva", deixamos que o Espírito Santo renove nossa alma, purifique nossos desejos e nos transforme em fontes de vida para os outros.

 

https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2026/02/08_03_26.pdf

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