sexta-feira, 27 de março de 2026

12. HOMILIA/REFLEXÃO 1 – CHAMADOS PARA SERVIR 29 de março – DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR (LASR)* Por Luiz Alexandre Solano Rossi*; Pe. Francisco Cornélio Freire Rodrigues**

 

 

12. HOMILIA/REFLEXÃO 1 – CHAMADOS PARA SERVIR

29 de março – DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR (LASR)*

Por Luiz Alexandre Solano Rossi*; Pe. Francisco Cornélio Freire Rodrigues**

 

I. INTRODUÇÃO GERAL

Tornamo-nos discípulos numa caminhada de obediência e de esperança ativa. Não basta nos autoproclamarmos discípulos e permanecermos na mesma condição indefinidamente, pelo resto da vida. A imobilidade não deve fazer parte do perfil daquele que segue Jesus. O próprio Jesus renuncia ao direito de ser tratado como Deus para ser tratado como ser humano e, entre os humanos, ser tratado como um entre os menores. O serviço é sempre desinteressado. Serve-se por vocação. Vocação de discípulos e discípulas que vão ao encontro dos necessitados deste mundo.

II. COMENTÁRIOS AOS TEXTOS BÍBLICOS

1. I leitura (Is 50,4-7)

A primeira leitura se refere ao terceiro cântico do Servo. Nesse cântico, é retratada, de maneira cristalina, a missão do Servo, marcada pela escuta da Palavra de Deus, pela fidelidade ao anúncio, pela perseguição e pela resistência. O texto insiste na condição do Servo como discípulo. Por uma vez, ele é retratado como discípulo que possui uma língua “dada” por Deus e, por três vezes, é retratado como alguém que ouve. Notemos que Deus é sempre o autor da ação – ou seja, a ação é externa. Nada se inicia no Servo. Sempre é Deus que age tanto para o discípulo falar quanto para ouvir. Todavia, o ouvir se apresenta como de primordial importância. Ouvir tem a ver com obediência. O discípulo, portanto, faz-se numa caminhada de obediência e de esperança ativa. Não basta se autoproclamar discípulo e permanecer na mesma condição indefinidamente, pelo resto da vida. A imobilidade não deve fazer parte do perfil daquele que segue Jesus. A figura do Servo sofredor abre uma perspectiva nova. O personagem profético designado com o nome de Servo padece o sofrimento porque veem nele a consequência dos pecados do povo. Ele carrega as dores dos outros. Todavia, o martírio vivido pelo Servo se apresenta como cura para as outras pessoas. Visto que justificou a multidão, o Senhor o exaltará e aceitará seu sacrifício.

2. II leitura (Fl 2,6-11)

O texto de Paulo em Filipenses 2 é contracultural. Trata-se de texto que subverte a lógica da sociedade e produz um projeto de vida na perspectiva dos menores. Jesus renuncia ao direito de ser tratado como Deus para ser tratado como ser humano e, entre os humanos, ser tratado como um entre os menores. Ele se apresenta como obediente. Não se importa se essa obediência o levará à morte. O que mais lhe importa é sua presença entre as muitas cruzes que o Império Romano disseminava naquela época e as muitas cruzes que nosso povo hoje precisa carregar. Bem que ele poderia ter se encarnado como um membro do sinédrio judaico, um senador romano, quem sabe um proprietário de terras ou, ainda, como um César. Contudo, como poderia se assemelhar a todos aqueles que utilizavam de seus espaços de poder econômico, religioso e político para oprimir o povo? Necessariamente, o projeto de Jesus nasce desde baixo. Ele se encontra na base da pirâmide social do Império Romano. Não se encontra, porém, sozinho. Junto a ele estão milhares de escravos que sofrem à espera do surgimento da esperança. Jesus se esvazia porque somente vazio pode preencher-se, assim como preencher os outros. Que lógica invertida: somente vazios é que podemos ser bênçãos para os outros. Nesse belíssimo texto, temos dois movimentos brilhantes: um descendente e outro ascendente. Jesus, num movimento descendente, esvazia-se e humilha-se, e Deus, num movimento ascendente, eleva à condição de Senhor aquele que havia chegado à mais baixa humilhação. No entanto, cabe-nos observar que Jesus, elevado à condição de Senhor, não se apresenta como um César. Ele sempre se apresentará como o Senhor que é, ao mesmo tempo, servo.

3. Evangelho (Mt 27,11-54)

Lavar as mãos e ser indiferente a uma situação é o mesmo que assumir uma posição. Querendo ser neutro, Pilatos assume posição contrária à proteção da vida. Nesse período, a Palestina está sob forte dominação romana, e Jesus se encontra diante do governador para ser julgado. O sinédrio tinha seus limites, isto é, podia realmente condenar alguém à morte, mas não tinha competência para executar a sentença. O episódio transcorre sob o manto da farsa. As autoridades judaicas e o representante do poder do império possuem seu próprio interesse político. Jesus permanece calado a maior parte do tempo. Não compactua com nenhum desses grupos. Para ele, ambos os grupos agem em benefício próprio. O destino de Jesus é a cruz. A cruz era considerada a punição mais grave que se poderia implementar. Em termos de severidade, somente podia ser comparada aos jogos de entretenimento populares nos quais se lançavam as vítimas às bestas-feras. A crucificação, todavia, era muito mais comum, porque não necessitava de festa popular para ser executada com todo o seu rigor. Bastava, na verdade, haver madeira suficiente para decorar com cruzes as estradas do império. Nesse sentido, o espetáculo seguiria um fluxo contínuo, não dependendo, é claro, do calendário dos festivais.

No mundo romano, a crucificação, portanto, era plenamente coroada de significação política. Como meio de punição capital de crimes hediondos, constituía a “pena romana suprema”, quase sempre infligida às classes inferiores. Era a condenação típica aplicada a escravos, como meio de dissuasão. Punição política e militar do Império Romano e instrumento para contra-atacar o que se considerava terrorismo de Estado, sua função era impedir a resistência ou a revolta, especialmente entre as classes inferiores. Em se tratando de Jesus, é possível dizer que o Império Romano raramente exercia seu poder sem necessidade. Nesse sentido, pode-se afirmar que o império “não crucificava professores ou filósofos”. Se Jesus tivesse se movido apenas no âmbito das palavras ou das ideias, os romanos provavelmente o teriam ignorado. Muito mais do que as palavras, eram as ações de Jesus que incomodavam o projeto da disseminação da pax romana. A neutralidade não cabe no projeto de Jesus. Ele é sempre a favor da vida e contra todos os instrumentos que produzem e disseminam a morte.

 

III. PISTAS PARA REFLEXÃO

1) A cruz, no primeiro século, contrapõe-se à liberdade. Nas cruzes (sempre será necessário pensar tais instrumentos de tortura no plural, pois, afinal, se espalharam absurdamente pelas estradas da Palestina) não são pendurados apenas corpos. Ali permaneceram histórias de vida que não puderam ser completadas, que foram sacrificadas no altar do império. Nas cruzes do império se encontram corpos de escravos e, nos corpos, uma esperança de libertação.

2) Não existe neutralidade no seguimento de Jesus. Não se pode dar a mão, simultaneamente, a Deus e a Mamon (dinheiro); à solidariedade e ao egoísmo; à misericórdia e à violência. O Evangelho de Jesus Cristo conduz a uma tomada de posição!

Luiz Alexandre Solano Rossi*; Pe. Francisco Cornélio Freire Rodrigues**

*é doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e pós-doutor em História Antiga pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e em Teologia pelo Fuller Theological Seminary (Califórnia, EUA). É professor no programa de mestrado e doutorado em Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e no Centro Universitário Internacional (Uninter).
**é presbítero da diocese de Mossoró-RN. Possui mestrado em Teologia Bíblica pela Pontificia Università San Tommaso D’Aquino – Angelicum (Roma). É licenciado em Filosofia pelo Instituto Salesiano de Filosofia – Insaf (Recife) e bacharel em Teologia pelo Ateneo Pontificio Regina Apostolorum (Roma). Professor na Faculdade Católica do Rio Grande do Norte (Mossoró-RN), é autor do roteiro do 4º Domingo da Páscoa.

https://www.vidapastoral.com.br/roteiros/29-de-marco-domingo-de-ramos-da-paixao-do-senhor-lasr/

HOMILIA/REFLEXÃO 2- VIVAMOS A SEMANA SANTA

Com a celebração do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, iniciamos a “semana maior” da Liturgia da Igreja, recordando os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Portanto, com este Domingo, já iniciamos a celebração da Páscoa deste ano. Hoje recordamos a entrada de Cristo em Jerusalém para celebrar a sua Páscoa. Vamos repetir um rito que o povo da antiga aliança costumava realizar durante a chamada “festa das tendas”, levando ramos nas mãos, significando a esperança da chegada do Messias. Hoje somos nós que também erguemos nossos ramos em procissão, reconhecendo que o Messias tão esperado está no meio de nós e, olhando para Jesus, aclamaremos: “Hosana, ao Filho de Davi”. Vale lembrar que o “Domingo de Ramos” é também é “Domingo da Paixão”. O mesmo Jesus aclamado festivamente ao entrar em Jerusalém será levado aos tribunais, condenado e crucificado, experimentando a humilhação do Servo do Senhor em vista de nossa salvação.

A Segunda, Terça e Quarta-feira Santas serão dias para acompanharmos a narrativa dos acontecimentos que antecedem a Paixão, Morte e ressurreição de Jesus.

Na Segunda-feira Santa, recordaremos o gesto da mulher que unge os pés de Jesus e os seca com seus cabelos, prefigurando a unção do Corpo do Senhor para ser sepultado.

A Terça-feira Santa será o dia em que, com grande tristeza, Jesus anunciará a sua morte e também a traição, indicando Judas como sendo o seu traidor.

Já na Quarta-feira Santa, recordaremos o dia em que Judas decide trair Jesus, vendendo-o por trinta moedas. Seria bom aproveitar esses dias para uma boa confissão, quem ainda não a fez!

Na quinta-feira santa, ainda pela manhã, a Igreja, numa solene celebração eucarística presidida pelo bispo, reunir-se-á para celebrar a memória da instituição do ministério sacerdotal. Nesta celebração ficará visível o rosto da Igreja que, presidida pelo seu bispo tendo ao seu redor os seus padres e diáconos, com todo povo santo de Deus, celebra a Eucaristia. Também nessa ocasião, os padres renovarão suas promessas sacerdotais de servir a Deus e ao seu povo. Ainda na quinta feira (à tarde ou noite), a Igreja se reunirá mais uma vez, agora para abrir solenemente o Tríduo Pascal, com a celebração da Ceia do Senhor, memorial do sacrifício de Cristo na Cruz. Na ocasião, recordaremos o gesto de Jesus de lavar os pés dos discípulos indicando-lhes o mandamento do amor. A celebração se concluirá com a transladação do Santíssimo Sacramento para o altar da reposição. A partir desse momento, a Igreja permanecerá em vigília de oração, pois o Senhor, após a Ceia celebrada com os discípulos, será entregue aos que irão condená-lo. Na Sexta-feira Santa, dia de jejum e de abstinência de carne, a Igreja permanecerá em profundo silêncio orante, e é com esse silêncio que começará a celebração da Paixão e Morte do Senhor. A Igreja reunida ouvirá atenta o relato da Paixão, como povo sacerdotal, rezará pelas intenções universais da Igreja e fará a solene adoração da Cruz. Ainda, todos somos convidados a fazer um gesto de solidariedade concreta para com os cristãos que vivem na Terra Santa (Israel, Palestina, Síria, Egito, Turquia...), onde nasceu a nossa fé; lá os cristãos são poucos e passam por privações e precisam de nossa ajuda. Façamos nossa oferta generosa na coleta para os “Lugares Santos”. Durante o dia do Sábado Santo, o silêncio do dia anterior é prolongado. A Igreja, em oração diante da sepultura do Senhor, contemplará o mistério de sua morte. Por ela, o Senhor desce à “mansão dos mortos” para resgatá-los. Chegada a noite, a Igreja, cheia de alegria e júbilo, reúne-se para o grande anúncio da Ressurreição do Senhor. Com uma rica e longa celebração, ouviremos as leituras que farão o grande resumo de toda história da salvação, acompanharemos os que se prepararam para receber os sacramentos da iniciação, renovaremos nossa fé batismal e finalmente cantaremos alegres o Aleluia que anuncia a vitória de Jesus sobre o mal e a morte. O Domingo da Páscoa será o grande dia e a mais importante celebração de nossa fé. “Este é o dia que o Senhor fez para nós”, cantaremos com o salmista e assim proclamaremos que a Páscoa de Cristo se faz viva e atual na vida de cada um de nós, de cada família, de toda Igreja e da criação inteira. Que nenhum católico se dispense facilmente de celebrar em sua comunidade este dia!

Feliz e santa Páscoa do Senhor para todos, com a bênção de Deus!

 

 Equipe do Folheto “Povo de Deus em São Paulo

 

https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Ano-50A-22-DOMINGO-DE-RAMOS-E-DA-PAIXAO-DO-SENHOR-DUPLO.pdf

Nenhum comentário:

Postar um comentário