sexta-feira, 13 de março de 2026

3. LITURGIA DO QUARTO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A

 

3.    LITURGIA DO QUARTO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A

 

- O quarto Domingo da Quaresma, também chamado Domingo da alegria (Laetare), apresenta de forma mais evidente os sinais da Páscoa que se aproxima. É como um oásis encontrado no deserto, ou uma luz no fim do túnel. A luz é, portanto, o tema central deste Domingo, que prossegue com uma catequese batismal e nos apresenta mais um símbolo essencial para a preparação daqueles que receberão o Batismo na Vigília Pascal, bem como para todos nós, batizados, que nos preparamos para a Páscoa. É a luz que ilumina nossa inteligência para enxergarmos a realidade com os olhos de Deus e a não fazer julgamentos precipitados. É a luz pela qual renascemos no Batismo, que nos faz agir com bondade, justiça e verdade. É a luz trazida por Jesus, que dissipa as trevas das nossas cegueiras.

- A primeira leitura, de Samuel, nos mostra, no processo de escolha e unção do rei Davi, um apelo para que saibamos olhar as pessoas sem julgá-las pela aparência, como costumamos fazer. Samuel, quando chega à casa de Jessé para ungir um de seus filhos, logo imagina que o mais belo de todos, Eliab, seria o escolhido por Deus, mas o Senhor lhe diz: "Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei". Samuel julga pelos critérios humanos, mas Deus não. O escolhido nem estava presente. Era o menor de todos, Davi, desclassificado pelos critérios humanos, mas escolhido por Deus, que vê o coração e não a aparência dos seus filhos. Assim, Deus nos ensina a ver as pessoas com o seu olhar. Não são poucas as vezes em que nos precipitamos, julgando pela aparência para depois sermos surpreendidos quando elas se revelam de outra maneira.

- Na segunda leitura, Paulo nos orienta a viver como filhos da luz. Os filhos da luz revelam quem são de fato por seus frutos, por suas ações. Elas consistem em atos de bondade, justiça e verdade. O filho da luz sabe discernir o que agrada a Deus, procura fazer a sua vontade e não compactua com as obras das trevas. Ao contrário, tem atitude profética e as desmascara. O filho da luz anda de cabeça erguida, não por orgulho, mas porque tem a consciência tranquila. Seus atos não precisam ser escondidos porque são bons, justos e verdadeiros. Ele enxerga a realidade conforme Deus a quer e age de maneira condizente com a vontade divina. - O Evangelho de hoje, da cura do cego de nascença, é destinado à catequese daqueles que serão batizados. Ela mostra que Deus nos resgata da lama dos nossos pecados e nos propõe vida nova, transformando nossa história para sermos libertos da escuridão do pecado, da cegueira que nos impede de vermos a realidade com o olhar de Deus. Para além do Batismo, é preciso ser discípulo, seguir Jesus, como fez o cego do Evangelho.

- Jesus, ao curar o cego de nascença, suscita uma polêmica na comunidade. Primeiro, porque fez isso em dia de sábado. Os judeus o acusavam de desrespeitar a lei de Deus e, por essa razão, Ele não podia ser alguém vindo da parte de Deus. Por outro lado, é acolhido pelo que foi curado e pelos que presenciaram a cura. Como pode alguém que não vem de Deus fazer coisas tão boas para o seu próximo? Questionava aquele que foi curado, ao afirmar: "Sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aquele que é piedoso e que faz a sua vontade". Se Jesus fosse, de fato "um pecador", como afirmavam alguns, Ele não teria feito tal obra.

- Não obstante a cura e a polêmica por ela suscitada, Jesus quer mostrar quanto ainda somos cegos. Enquanto nosso olhar estiver condicionado àquilo que as estruturas opressoras propõem, não estamos ainda prontos para as obras da luz. É preciso libertar nosso olhar, nossa consciência, para enxergarmos a realidade de outra maneira. Somente assim estaremos prontos para segui-lo.

 - Ao ter seus olhos abertos, aquele que era cego faz a sua profissão de fé e se propõe a seguir Jesus. Ele nos chama a atenção para olharmos para dentro de nós e avaliar como anda a nossa profissão de fé, a nossa prática religiosa, o nosso processo de conversão, enfim, o nosso seguimento. A Quaresma é esse convite de Cristo a fazermos a revisão da nossa caminhada e ver se estamos enxergando bem os caminhos que promovem e defendem a vida como Deus quer.

 

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