10- SANTO AGOSTINHO E A VOCAÇÃO
Sobre os ministérios ordenados temos o famoso sermão que
Agostinho discorre no aniversário de sua ordenação episcopal, este que é tão
citado quando se fazem reflexões sobre a relação dos ministros ordenados com os
fiéis leigos, pois aqui Agostinho fala a seu povo como bispo: “Atemoriza-me o
que sou para vós; consola-me o que sou convosco. Para vós sou bispo, convosco
sou cristão. Aquilo é um dever, isso uma graça. O primeiro é um perigo, o
segundo é salvação.” (Sermão 340,1. Lumen Gentium 81) Reconhece ao mesmo tempo
a dignidade da qual está revestido pelo sacramento da ordem e a igualdade que
tem para com todos os fiéis leigos como batizado. Se atemoriza pela função e se
consola pelo batismo. Deixa claro que o ministério é para o povo, “para vós”, é
uma entrega serviço. Em sua humildade ele pede para que o povo o ajude em sua
missão de pastor.
Ao falar sobre a família, Agostinho enfatiza que o destino e,
portanto, a vocação dela, é chegar à pátria celeste. Os autênticos pais de
família têm uma responsabilidade grande no dever de conduzir a família como um
todo a Deus. Naquela época as famílias eram grandes, além dos filhos, muitos
que viviam na casa como empregados ou servos. Mas, no que se refere a Deus,
todos devem ser considerados iguais e conduzidos pelos pais. “Os autênticos
pais de família considerem filhos todos os membros da família, no tocante ao
culto e honra a Deus. Desejam e anseiam por chegar à casa celeste, onde não
seja necessário mandar os homens, porque na imortalidade não será preciso acudir
a necessidade alguma.” (Cidade de Deus 19,16)
Agostinho, mesmo sendo bispo, nunca deixa de lado sua comunidade, nos deixou
várias reflexões sobre a importância e o valor da vocação religiosa na Igreja.
Para ele, a vida com os irmãos deve ter, antes de tudo, como ponte mais
importante a caridade, pois este é o principal mandamento que nos foi dado. A
vocação do consagrado é a caridade. A comunidade primitiva dos Atos dos
Apóstolos (Atos 4,32) é para ele o modelo da vida consagrada a Deus na
comunidade “Antes de tudo, caríssimos irmãos, amemos a Deus e depois ao
próximo, porque estes são os principais mandamentos que nos foram dados. Em
primeiro lugar – já que com este fim vocês se congregaram em comunidade – vivam
unânimes em casa e tenham uma só alma e um só coração orientados para Deus.”
(Regra. 1-2) A vida consagrada deve ser o local da caridade.
Sobre os leigos, na Cidade de Deus, comentando citando uma
passagem do Apocalipse, Agostinho fala sobre o sacerdócio comum dos fiéis,
enfatizando assim a dignidade dos leigos. “Serão sacerdotes de Deus e de Cristo
e com ele reinarão mil anos (Ap 20,6) Não se refere somente aos bispos e
presbíteros, quer são propriamente chamados sacerdotes na Igreja. Do mesmo modo
que chamamos de cristãos a todos os ungidos com a mesma unção, assim todos
podem ser chamados de sacerdotes por serem membros do único sacerdote de
Cristo. Sobre eles fala o apostolo Pedro: raça eleita, sacerdócio real. (1 Pe
2,9).” (Cidade de Deus 20,10). Todos somos membros do corpo de Cristo. E neste
corpo, cada membro tem sua função, sua vocação, para o bem do todo o povo de
Deus.
Como ordenados, família, consagrados ou leigos, todos fazemos
parte do único corpo de Cristo, como Igreja peregrina caminhamos rumo à mesma
meta- a santidade em Deus. Todas têm sua importância e seu valor específico.
Que neste mês de agosto, dedicado as vocações, saibamos celebrar e valorizar
todas ás vocações em nossa Igreja. Pois todas nos ajudam no caminho para Deus.
Nossa Senhora Mãe das vocações, rogai por nós!
Ir. Leonardo, A.A.
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