sexta-feira, 31 de julho de 2026

3- LITURGIA DO 18.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

 

3- LITURGIA DO 18.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

- Neste primeiro domingo do mês de agosto, mês vocacional, a Igreja no Brasil volta seu olhar e sua oração, de modo especial, para a vocação ao ministério ordenado: os diáconos, os padres e os bispos. É muito providencial que, justamente hoje, a Palavra de Deus nos apresente um Deus que alimenta, cuida e jamais abandona o seu povo, pois neles encontramos sinais do Reino pela partilha da Palavra e do Pão Consagrado.

- Na primeira leitura, o profeta Isaías faz um convite cheio de esperança: "Ó vós todos que estais com sede, vinde às águas". Deus se dirige ao coração cansado da humanidade e oferece gratuitamente o alimento verdadeiro. O Senhor conhece nossas fomes mais profundas: fome de paz, de justiça, de sentido para a vida, de amor verdadeiro e de esperança. Vivemos em um tempo em que muitas pessoas estão saciadas de coisas materiais, mas continuam vazias interiormente. Há uma sede de Deus presente no coração humano, e somente Ele pode dar o pão que sustenta a vida inteira.

- No Evangelho, Jesus contempla a multidão cansada e faminta. Ele não olha o povo com indiferença. O texto diz que Jesus teve compaixão. A compaixão de Cristo não é apenas sentimento; ela se transforma em cuidado concreto. Ele cura os doentes e alimenta a multidão. Os discípulos, diante daquela necessidade, pensam de maneira prática: "Despede as multidões". Mas Jesus responde: "Dai-lhes vós mesmos de comer". Essa palavra continua ecoando na Igreja de hoje. Cristo continua chamando homens para serem sinais de sua presença no meio do povo, servindo, cuidando, anunciando a Palavra e repartindo o Pão da Vida. Assim, quando rezamos pelas vocações ao ministério ordenado, rezamos para que nunca faltem na Igreja homens generosos, capazes de entregar a vida pelo Evangelho. O padre, o diácono e o bispo são chamados a ser reflexos da compaixão de Cristo, Bom Pastor. Não são donos do povo, mas servidores. São homens escolhidos para alimentar a comunidade com a Palavra, os sacramentos e a caridade.

- O milagre dos pães também nos ensina que Deus realiza grandes coisas a partir da pequena generosidade humana. Cinco pães e dois peixes pareciam insuficientes, mas, colocados nas mãos de Jesus, tornaram-se abundância. Assim acontece também com a vocação: Deus chama pessoas simples, limitadas e frágeis, mas, quando alguém coloca sua vida nas mãos do Senhor, Ele faz maravilhas.

- Confiamos que, na atualidade, o Senhor continua chamando jovens de nossas comunidades para o sacerdócio e para o diaconato. Por isso, além de rezar pelas vocações, precisamos criar em nossas famílias e comunidades um ambiente favorável ao chamado de Deus. Vocação nasce onde existe fé, testemunho, oração e amor à Igreja.

- O texto da multiplicação dos pães ainda nos leva a pensar na Eucaristia - alimento gratuito de Deus para um povo livre - e que é capaz de saciar a todos. A Eucaristia é força da libertação integral do ser humano, levando-nos também ao engajamento na luta pela construção de uma nova sociedade. Ela é o memorial da libertação que Cristo nos trouxe e a força para a construção de uma nova sociedade baseada na partilha, justiça e solidariedade.

- Na segunda leitura, São Paulo nos recorda uma verdade consoladora: "Nada poderá nos separar do amor de Cristo". O ministério ordenado só encontra sentido nesse amor. É o amor de Cristo que sustenta os ministros da Igreja nas alegrias e também nos desafios da missão. E é esse mesmo amor que sustenta todo cristão em meio às lutas da vida.

- Todo batizado (cristão) enfrenta obstáculos para viver o projeto de Deus. Estes obstáculos são: a repressão da sociedade injusta que mata, que explora com pesados impostos; onde falta perspectivas de futuro para a juventude, onde há altas taxas de mortalidade infantil; muitos feminicídios; onde há desemprego, política que favorece somente os grandes, falta de ética e muitas outras coisas. Estes obstáculos recebem de São Paulo os nomes de: tribulação, angústia, perseguições, fome, nudez, perigo e espada. Contudo, a certeza do Apóstolo Paulo é que nada poderá nos separar do amor de Deus, pois o amor tem força para vencer a morte e renovar a vida.

- Perguntemo-nos: Como estamos vivendo a partilha e a comunhão diante de uma sociedade injusta, exploradora e assassina? Em nossas relações fraternas, testemunhamos a esperança e a caridade?

- Rezemos para que a Palavra de Deus nos inspire bons propósitos de fraternidade, justiça e paz e peçamos ao Senhor novas vocações, para que muitos jovens tenham coragem de responder "sim" ao seu chamado.

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