sexta-feira, 12 de junho de 2026

10- DICAS DE LEITURA

 

10- DICAS DE LEITURA

01- A Messe de Deus: perspectiva Bíblica, Espiritual e Pastoral

A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois,

ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita! (Mt 9,37-38)

Nos evangelhos de Mateus e Lucas, em um contexto missionário, Jesus contempla a messe e ensina o Rogate (cf. Mt 9,35-38; Lc 10,2). Nestes versículos temos a metáfora da messe que ora indica a presença e a ação de Deus, ora o papel e o serviço evangelizador da Igreja em saída missionária.

 

No Antigo Testamento

O termo colheita/messe, no Antigo Testamento é sinal das bênçãos de Deus (cf. Lv 26,5). No livro do Êxodo, encontramos a festa litúrgica da messe e os israelitas oferecerem a Iahweh as primícias da safra (cf. Ex 23,16). Para os profetas, a colheita é sinal da bondade de Deus que faz render a cada um conforme o fruto de suas obras (cf. Jr 17,10; Os 10,12). O profeta Joel relaciona o tema da messe ao juízo divino: “Lançai a foice, porque a messe está madura; vinde, pisai, porque o lagar está cheio, as tinas transbordam, pois grande é a sua malícia” (Jl 4,13). O livro dos Provérbios nos recorda que sem fadiga não há messe (cf. Pr 20,4). O salmista canta: “Os que semeiam com lágrimas, ceifam em meio a canções. Vão andando e chorando ao levar a semente. Ao regressar, voltam cantando, trazendo seus feixes” (Sl 126,5-6).

A messe é a conclusão, é o término da obra do Divino agricultor, que começou o seu trabalho com a semeadura. Ela é abundante e seria estranho pensar numa messe minguada. O simbolismo da messe indica a bondade de Deus, o Senhor da messe. Ela é propriedade, pertence a Deus. Se os operários e operárias trabalham na messe é porque o dono os chamou e enviou.

 

O Reino de Deus

A messe simboliza o Reino de Deus no meio da humanidade. Em qualidade de Messias, Jesus inaugurou a época da venturosa colheita, da fartura, com a messe já madura (cf. Jo 4,35). O Reino, tema central da pregação de Jesus Cristo, portanto, anterior ao ministério e a atividade missionária dos seguidores do Profeta da Galileia, traz a força da semente que forma e amadure nas espigas. Esta força vital da semente é dom de Deus, é ação do Espírito Santo que atua nas pessoas e comunidades. Assim, a metáfora da messe também aponta para a alegria da colheira e assinala o desenvolvimento humano: somos chamados à maturidade, ao crescimento e aos frutos da fé, à plenitude da vida.

 

Jesus, operário na messe do Pai

Jesus, o Verbo que se fez carne (cf. Jo 1,14), é o operário que nos precedeu e nos inseriu na obra do Pai (cf. Jo 4,35-38). Desta maneira, a messe recebe uma acentuada tonalidade cristológica com suas consequências pastorais. Há ainda a dimensão escatológica que indica o juízo definitivo, a colheita da messe madura: “Mete tua foice e ceifa, pois chegou a hora da colheita: a seara da terra está madura” (Ap 14,15).

O trabalho na messe realizado pelos discípulos possui a força de uma revelação. Os operários da messe revelam o amor de Deus mediante a própria missão. O árduo trabalho dos discípulos missionários, convidados por Jesus a ceifar na messe do Pai, é um prolongamento da missão e da obediência do Filho. O Pai é quem envia o Operário para ceifar a messe (cf. Jo 15,1). O serviço dos operários nos campos do Pai atualiza a ação de Jesus que veio para dar vida (cf. Jo 10,10). Assim, os discípulos repetem, a seu modo e com criatividade, o mesmo movimento de Jesus: de Deus para os homens – a messe, e dos homens para Deus, o Pai (cf. Jo 17,18).

 

 

Um serviço comunitário: missão de todos

O Mestre envia os seus discípulos para um serviço comunitário. A ceifa não é um trabalho individual, mas deve ser concretizada por todos. O evangelista nos mostra um grupo de operários que agem comunitariamente conforme indica a metáfora da messe pronta para a colheita. Na messe, lugar de fadiga e de alegria (cf. Jo 4,36; 15,20-21), o ceifador testemunha seu amor e vive a intimidade com o Pai que nos envia para a colheita onde outros afadigaram. O Rogate, a oração ao Senhor da messe, é para que Ele envie operários e operárias e, na sua colheita, nada se perca. A messe é grande, os operários são poucos. Pedi, pois…

 

Pe. Gilson Luiz Maia, RCI

 

https://gilsonmaia.com.br/reflexoes/a-messe-de-deus-perspectiva-biblica-espiritual-e-pastoral/

02- Vocação: Chamado do Senhor e Resposta humana

"A Vocação é a doação de si mesmo para o Senhor e para o mundo na qual a pessoa corresponde à vida que recebeu de graça. Ela é um dom de Deus para ser doado para os outros. Jesus fez de si mesmo uma continua doação. Será sempre importante a oração pelas vocações para que mais pessoas trabalhem pelo Reino de Deus. Deus envia vocações de modo que é preciso conhecê-las e fazer sempre o discernimento para que os jovens se decidam bem na vocação."

Por Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá – PA

 

A vocação é dom de Deus para a realidade humana. Deus sempre chama pessoas

 para o serviço do seu Reino no mundo e na Igreja. A resposta vem do ser humano diante do chamado. O Verbo de Deus encarnado também chamou pessoas para a evangelização. Ao ver as multidões cansadas e abatidas, Jesus teve compaixão delas pois ele percebeu que eram como ovelhas sem pastor de modo que ele disse “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita” ( Mt 9, 36-38). Através da oração contínua ao Senhor, as pessoas e as comunidades eclesiais pedem ao dono da messe, o Senhor, para que envie mais pessoas, mulheres e homens para a vinha do Senhor. As necessidades são muitas na vida eclesial, familiar e social de modo que é preciso rezar para que surjam mais pessoas para servir a Deus e ao seu povo. Agosto é o mês vocacional na qual as pessoas vivam com alegria e com amor a vocação e é oportunidade para rezar pelo aumento das vocações à vida sacerdotal, religiosa, matrimonial e laical. O ano vocacional aprofunda a vocação que o Senhor concede para as pessoas e a missão na qual o ser humano atua no mundo de hoje.

Vocação

A palavra vocação vem do latim: Vocatio-onis, cujo significado é chamada, convite. É a chamada de Deus para abraçar uma missão, uma forma de apostolado; é também uma inclinação natural para assumir uma missão no mundo[1]. A vocação é a vida da pessoa na qual é percebida, dada. “O Senhor disse a Abrão: ‘Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei: engrandecerei o teu nome, e tu serás uma benção’” (Gn 12, 1-2). Jeremias louvou a Deus pelo chamado realizado pelo Senhor, sendo sempre uma partida para deixar-se levar pelo Senhor em vista de uma vida de doação. O profeta Jeremias percebeu, por graça, o chamado do Senhor: “Antes que te formasse no seio de tua mãe, eu te conheci, antes de saíres do ventre, eu te consagrei e fiz profeta para as nações” (Jr 1,4-5). Jesus escolheu pessoas simples, pescadores para o seguirem: “Vinde após mim, e eu farei de vós, pescadores de homens. (...): Eles deixaram as redes e o seguiram. (...) E eles, imediatamente, deixando o barco e o pai, o seguiram (Mt 4, 19-22).

A resposta humana

O chamado do Senhor é correspondido por uma resposta humana de uma forma livre e responsável, dado com amor na presença de Deus. Em sonho, falou o Senhor a José: “Ao despertar do sono, José fez o que o anjo do Senhor lhe havia ordenado e acolheu Maria, sua mulher” (Mt 1,24). Maria disse sim ao plano do Senhor pela vinda do Salvador em seu ventre virginal, por obra do Espírito Santo e a Mão do Altíssimo: “Eis aqui a serva Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Em Antioquia, enquanto as pessoas celebravam a liturgia em honra do Senhor, o Espírito Santo disse para separar Barnabé e Saulo a fim de realizarem a obra para a qual Ele os chamou (At 12, 1-2). A resposta humana é dada diante do convite do Senhor para atuar na comunidade e no mundo.

A vocação como missão

A vocação foi vista nas primeiras comunidades cristãs como missão assumida, pela graça de Deus. São Paulo disse que Deus não faz acepção de pessoas e que a missão, a evangelização dos pagãos foram confiadas a ele, enquanto aos judeus fora confiada a São Pedro. São Paulo afirmou também que Aquele que preparou o apostolado entre os judeus concedeu também para ele a graça para ir entre os pagãos. Desta forma a graça dada a Paulo, da evangelização entre os pagãos, fez Tiago Cefas e João, considerados as colunas da Igreja por Paulo, dessem as mãos para Paulo e Barnabé em sinal da comunhão recíproca, de modo que Paulo e Barnabé iriam aos pagãos enquanto os outros iriam aos judeus. Paulo disse que Pedro, Tiago e João recomendaram a ele, a solicitude para com os pobres, o que de fato o apóstolo sempre fez (Gl 2,6-10). Origenes, padre da Igreja dos séculos II e III, de Alexandria no Egito, viu nesta passagem a confirmação da palavra de Cristo para ir em todos os povos (Mt 28,19)[2].

 A economia da salvação

 A economia da salvação esteve ligada à vocação dos apóstolos na proclamação da verdade que é Jesus. Santo Ireneu, bispo de Lião, século III disse que a economia da salvação humana veio do Senhor Jesus e ela foi transmitida pelos apóstolos, pessoas que estiveram próximos do Senhor para todos os povos e nações. Ela chegou através do Evangelho que eles pregaram e pela vontade de Deus, transmitiram nas Escrituras, para que fossem para todas as pessoas das gerações posteriores fundamento e coluna da fé cristã. Sendo testemunhas da encarnação de Jesus e após a sua ressurreição, os apóstolos foram revestidos da força do alto, pela vinda do Espírito Santo (At 4,8), foram repletos de todos os dons e tiveram o conhecimento perfeito[3].

A sucessão apostólica

A vocação foi também dada pela sucessão apostólica, no sentido da continuidade da verdade que vem de Cristo e Cristo de Deus. Tertuliano, padre da Igreja do Século terceiro afirmou a sucessão apostólica como um dado fundamental na vocação do Senhor ao apóstolo, e os seus sucessores. A sucessão fez ver que o primeiro bispo recebeu a investidura e foi precedido por um dos apóstolos, ou ao menos por uma pessoa apostólica na qual teve uma relação profunda até chegar ao Senhor Jesus Cristo. As Igrejas apostólicas colocaram bispos ligados aos apóstolos, os apóstolos com Cristo e Cristo com Deus[4].

A vocação da Igreja: o mundo

 Santo Agostinho, Bispo de Hipona, séculos IV e V afirmou que a vocação da Igreja era de ir para o mundo anunciar a boa nova de Jesus. Por graça de Deus ela está presente em muitos lugares do mundo tendo um grande corpo e uma única Cabeça que é o Salvador Jesus Cristo (Cl 1,18). A exaltação da Cabeça, ocorrida após a ressurreição de Jesus, objetivando a palavra do Senhor dita aos séculos anteriores onde se diz que seja exaltado a Deus, além dos céus (Sl 56,12). A Igreja difundiu-se nos diversos lugares da terra com abundantes frutos de paz e de amor[5].

A ação missionária

São Gregório Magno reconheceu a ação missionária sendo vocação para a Igreja, de levar o evangelho do Senhor para as populações que ainda não ouviram falar do Senhor e da própria Igreja. O Papa aconselhava aos missionários que não houvesse a destruição dos templos pagãos, mas de suas imagens, mudando-se o culto ao Deus verdadeiro. As relíquias dos santos e de mártires seriam colocadas nos altares para celebrar o louvor agradável a Deus pelas festas litúrgicas, como o Natal e a Páscoa[6].

A Vocação é a doação de si mesmo para o Senhor e para o mundo na qual a pessoa corresponde à vida que recebeu de graça. Ela é um dom de Deus para ser doado para os outros. Jesus fez de si mesmo uma continua doação. Será sempre importante a oração pelas vocações para que mais pessoas trabalhem pelo Reino de Deus. Deus envia vocações de modo que é preciso conhecê-las e fazer sempre o discernimento para que os jovens se decidam bem na vocação. A vocação é a presença do Senhor para viver bem no mundo de hoje e um dia na eternidade.

 

[1] Cfr. Vocazióne. In: Il Vocabolario Treccani. Il Conciso. Monotipia Olivieri-Milano, Legoprint – Lavis-Trento, 1998, pg. 1910.

[2] Cfr. Origene. Contro Celso, 2,1-2. In: La teologia dei Padri4. Roma, Città Nuova, 1982, pg. 202. 

[3] Cfr. Ireneu de Lião, III,1,1. São Paulo, Paulus, 1995, pgs. 246-247.

[4] Cfr. Tertulliano. La prescrizione contro gli eretici, 32. In: La teologia dei Padri, pg. 203.

[5] Cfr. Agostino. Le Lettere, II, 142,1-2 (A Saturnino ed Eufrate). In: Idem, pg. 20.

[6] Cfr. Gregorio Magno. Lettera all´abate Melitone in Francia. In: Idem, pg. 43

 

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2023-08/vocacao-chamado-do-senhor-e-resposta-humana.html

03-Regras do Amor. Um Guia Sobre os Relacionamentos Humanos  – 21 março 2022

Edição Português  por Dr. Paulo Pacheco (Autor)

Quais são os fundamentos de uma relação humana? Quais são os recursos de que precisamos para viver adequadamente uma relação a dois? Qual é a fórmula para que sejamos capazes de construir relações estáveis tanto na família quanto no trabalho? Antes de tudo, precisamos saber que não é possível haver um relacionamento verdadeiramente humano sem amor. Por meio de exercícios práticos, Regras do amor busca nos tornar mais conscientes da condição humana e nos ensina como cultivarmos o amor em todos os relacionamentos de nossas vidas.

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