sexta-feira, 5 de junho de 2026

3-LITURGIA DO 10.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

 

 

3-LITURGIA DO 10.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

- A Palavra de Deus deste domingo nos conduz a refletir sobre o centro da nossa fé: o que significa, de fato, ser um povo de Deus. As leituras dialogam entre si e nos mostram que Deus não busca uma religião de aparências, mas um coração que confia, que se deixa transformar e que vive a misericórdia.

- Na primeira leitura, o profeta Oséias fala a um povo que conhecia bem os ritos religiosos, os sacrifícios e as práticas externas. No entanto, Deus denuncia que essa religiosidade estava vazia. Por isso, Ele afirma: "Quero misericórdia e não sacrifícios, conhecimento de Deus mais do que holocaustos". O problema não eram os ritos em si, mas o fato de que eles não conduziam a uma verdadeira conversão. Deus não quer ser apenas lembrado em momentos específicos; Ele quer ser conhecido, amado e reconhecido na vida cotidiana, nas relações, nas escolhas e nas atitudes.

- Essa palavra encontra sua realização no Evangelho: Jesus chama Mateus, um cobrador de impostos, alguém visto como pecador público. Enquanto muitos enxergavam apenas o passado de Mateus, Jesus enxerga um futuro possível. O chamado é simples e direto: "Segue-me". E Mateus se levanta. Esse gesto mostra que a misericórdia de Deus não paralisa, mas levanta, não condena, mas transforma. Quando os fariseus criticam Jesus por se sentar à mesa com pecadores, Ele responde com firmeza e clareza: "Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes". E, em seguida, cita novamente o profeta Oséias: "Quero misericórdia e não sacrifício". Jesus revela o rosto de um Deus que se aproxima, que entra na casa do pecador, que partilha a mesa e oferece uma nova chance.

- A segunda leitura, da carta aos Romanos, nos ajuda a compreender o fundamento dessa misericórdia. São Paulo recorda a fé de Abraão, que acreditou em Deus mesmo quando tudo parecia impossível. Abraão confiou não em suas forças, mas na promessa divina. Essa fé foi considerada justiça. Assim, Paulo nos ensina que a salvação não vem do cumprimento externo da lei, mas da confiança total em Deus.

- Vemos então uma profunda ligação entre as leituras: Oséias denuncia uma fé superficial; Paulo apresenta a fé que confia plenamente; e o Evangelho mostra essa fé acontecendo concretamente na vida de Mateus. Abraão acreditou, Mateus se levantou, e nós somos convidados a fazer o mesmo caminho. Se procedermos retamente, garante-nos o salmista, o Senhor nos mostrará a salvação que vem Deus.

- Diante dessa Palavra, somos chamados a nos perguntar: que tipo de fé estamos vivendo? Uma fé apenas de costume, de obrigação, ou uma fé que transforma nosso modo de viver? Somos capazes de reconhecer nossa necessidade de Deus, ou nos colocamos no lugar dos que se acham justos e não precisam de conversão? Jesus continua passando por nossa vida, chamando-nos pelo nome, convidando-nos a segui-Lo. Ele não espera que sejamos perfeitos, mas que sejamos disponíveis. Ele não pede sacrifícios vazios, mas um coração misericordioso, semelhante ao seu.

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