9-SANTO AGOSTINHO
Seguidor do Senhor, da Igreja e do Reino de Deus
Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá – PA.
Santo Agostinho foi uma
personalidade profunda seja no nível de filosofia como de teologia. Foi um
polemista, escritor, pastor.
Os estudos
sobre Santo Agostinho são muito abrangentes, englobantes tornando-se quase
impossível dar uma idéia de seu pensamento, prática pastoral e eclesial. A sua
influência tornou-se grande nos séculos passados, sobretudo na realidade atual
nas quais as suas idéias referem-se ao seu seguimento a Jesus Cristo, a teologia,
a sua conversão de vida, a Igreja, a comunidade eclesial. Foi um Autor que se
destacou muito no final do século IV e por algumas décadas no século V, diante
da Diocese de Hipona, no Norte da África. Santo Agostinho escreveu muito da
realidade de seu tempo, mas ele teve presente, o Reino de Deus, a meta final do
ser humano. Nós tivemos a eleição de um Cardeal Agostiniano, para Papa, Robert
Prevost, cujo nome é: Leão XIV, de modo que é importante aprofundar a doutrina
de Santo Agostinho para as pessoas da realidade de ontem e de hoje.
A pessoa de Agostinho
Santo
Agostinho foi uma personalidade profunda seja no nível de filosofia como de
teologia. Foi um polemista, escritor, pastor. São muitas as qualidades que se
completam de uma forma mútua a respeito do Bispo de Hipona que fez o ser humano
Santo Agostinho uma pessoa muito importante para a vida da Igreja e para o
mundo. Ele unia em si a energia criadora de Tertuliano, a largueza de espírito
de Orígenes, as idéias e as concretizações dos maiores filósofos, Platão e
Aristóteles[1]. Após um longo caminho percorrido sendo catecúmeno, ele viveu o
seguimento a Jesus Cristo e à sua Igreja, sendo um bom cristão, monge,
sacerdote e bispo.
Os mistérios cristãos
Santo
Agostinho tratou dos mistérios cristãos. Tudo isso foi feito com muita
humildade e ardor de espírito, determinando um grande progresso dogmático que a
história da Teologia teve em todos os períodos da sua história. Em seus
escritos nós encontramos a importância da graça de Deus e da responsabilidade humana,
a doutrina em relação ao mistério de Deus Uno e Trino, a Redenção, a Salvação
do gênero humano, os Sacramentos, a Igreja, a Escatologia, as últimas
realidades[2].
Os argumentos teológicos e sociais
Muitos
argumentos teológicos e sociais foram tratados por Santo Agostinho. Ele era
bispo que viveu a eclesialidade com a Igreja do Senhor, em comunhão com o Bispo
de Roma e também era preocupado com as pessoas que viviam em seu tempo,
sobretudo aquelas que eram sofredoras, as pobres, as necessitadas. Ele teve uma
palavra sobre a moral centralizada no mandamento do amor do Senhor, a Deus, ao
próximo como a si mesmo (Cfr. Mt 22,37-39). Ele também falou muito das questões
sociais, como a solidariedade, a ajuda para as pessoas carentes e pobres, a
partilha. Ele teve presente também a política como bem comum para todas as
pessoas[3].
A Verdade
Santo
Agostinho buscou a Verdade nos níveis humano e divino, afirmando que Jesus é a
Verdade (cfr. Jo 14,6) na qual todas as pessoas são chamadas a segui-lo. Ele
era convicto da originalidade da doutrina cristã, católica, defendendo-a contra
os grupos diversos em seu tempo, como os pagãos, os judeus, os donatistas, os
maniqueus, os arianos, e todas pessoas que não buscavam a Verdade suprema, o
Senhor Jesus. Uma atitude muito importante era o diálogo com todas as pessoas,
os seus adversários, mantendo respeito com eles, mas ele também era firme em
suas convicções religiosas, bíblicas, espirituais, morais, e humanas[4].
Pastor do Senhor e do povo
Santo
Agostinho foi um grande pastor no seguimento a Jesus Cristo e à Igreja. Ele
buscava na comunidade, o sentido do pastoreio em unidade com Jesus, o Pastor
dos pastores. Ele definia-se como servo de Cristo e servo dos servos de Cristo
Jesus. Ele tirava a partir dessas considerações à plena disponibilidade para
servir às necessidades dos fiéis, desejando não ser salvo sem a presença
deles[5]. Desta forma ele via a graça da salvação dada em sentido comunitário,
fraterno.
Mestre e discípulo
Ele se
sentia mestre em ligação ao Mestre Jesus Cristo quando ensinava, procurando
também testemunhar com a vida a Palavra de Deus. Ao mesmo tempo estava presente
em sua vida, o sentido do discípulo de Cristo assim como foram os discípulos de
Jesus. Nas diversas controvérsias tratadas por ele, tinha um desejo que todas
as pessoas fossem discípulas do Senhor, Mestre e eles buscassem a vida na
unidade com a Igreja[6].
Bispo – Cristão
Santo
Agostinho teve uma fala e prática bem objetivas em relação ao seu episcopado e
o seu ser cristão, seguidor do Senhor na Igreja. Ele disse: “Para vós sou
bispo; convosco, sou cristão ”[7]. Ele não negava a sua missão para com os
fieis, o povo de Deus no sentido de ser bispo, mas tinha presente que ele era
cristão como o povo de Deus, seguidor de Jesus Cristo e de sua Igreja. Ele
também dizia que deveria levar adiante a missão recebida não escondendo certa
preocupação, mas ele ficava consolado pelo fato de ser cristão com todo o povo
de Deus a ele dado[8].
Santo
Agostinho seja uma força no amor a Jesus Cristo e de sua comunidade eclesial.
Assim como ele viveu a sua doação pela Igreja, pelo Reino seja também para nós
um modelo de vida para que nós nos doemos aos outros e um dia sejamos
participante do Reino dos céus.
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[1]
Cfr. Institutum Patristicum Augustinianum. Patrologia. I Padri Latini.
Marietti, Casale, Marietti, 1983, pg. 332.
[2] Cfr. Idem,
pg. 333.
[3]
Cfr. Ibidem.
[4]
Cfr. Ibidem.
[5]
Cfr. Ibidem, pg. 334.
[6]
Cfr. Ibidem.
[7] Dos
Sermões de Santo Agostinho, bispo. Sermo 340,1: PL 38, 1483-1484. In: Ofício
das Leituras, Liturgia das Horas, IV. Aparecida, SP: Editora Vozes,
Paulinas, Paulus, Editora Ave-Maria, 1999, pg. 1293.
[8]
Cfr. Idem, pg. 1293.
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