4-
REFLEXÕES
PARA A SOLENIDADE DO CORPO E SANGUE DE CRISTO
4.1- ANTES
DE FALAR DA EUCARISTIA, JESUS PROVIDENCIOU O PÃO COMUM...
Na primeira
leitura, Moisés alerta o povo prestes a entrar na Terra Prometida sobre o
risco do esquecimento. Deus dava o maná, mas apenas o necessário para cada dia;
quem acumulava, perdia. A fome no mundo não nasce da falta de produção, mas do
excesso de acumulação. Quando conquistamos estabilidade, não podemos esquecer o
“deserto” que atravessamos. A caridade começa pela memória: lembrar que o outro
ainda sofre. Viver com o necessário para que o outro tenha o básico é exigência
do Evangelho. Deus fez jorrar água da rocha. A caridade também acredita na dignidade
de quem parece “duro” ou perdido. “Nem só de pão vive o homem”: não basta
assistência material; é preciso promover justiça, educação, fé e cidadania.
Ajudar o irmão a sair do deserto, não apenas sobreviver nele. Na segunda leitura, São Paulo fala da
comunhão (koinonia): “O pão que partimos não é comunhão com o Corpo de Cristo?”
Ao comungar, não apenas recebemos algo, tornamo-nos parte de Alguém. “Há um só
pão, e nós, embora muitos, somos um só corpo.” A Eucaristia é o cimento da
unidade. Não podemos comungar no altar e ignorar o Cristo que sofre no irmão. O
pão recebido deve tornar-se mãos estendidas. No Evangelho, Jesus se apresenta como o Pão Vivo que se entrega pela vida
do mundo. Ele não nos deu apenas uma ideia, mas sua própria vida. Quem
comunga torna-se o que recebe: se acolhe o Cristo que se parte, deve viver na
partilha. A Eucaristia educa para a solidariedade e exige compromisso com o pão
material dos pobres. Como dizia São João Crisóstomo: não se honra o Corpo de
Cristo no altar e se despreza o irmão necessitado. A caridade é extensão da
liturgia. “Quem come a minha carne permanece em mim.” Essa permanência é
compromisso ético: nossas mãos, pés e recursos devem continuar a missão de
Cristo. Promover a vida, combater a fome e lutar por justiça são formas de
viver a Eucaristia fora do templo. Que sejamos uma Igreja que não apenas
celebra o mistério, mas se torna pão partido para a vida do mundo. Que o único
Pão nos una e nos faça, em Cristo, alimento de esperança para todos. Que nossa
vida, em comunhão com Cristo, seja de fato, 'pão para a vida do mundo'. Maria, Mãe
dos Pobres, rogai por nós!".
Cônego
Marcelo Monge Vigário Episcopal da Caridade Social
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Ano-50A-35-SANTISSIMO-CORPO-E-SANGUE-DE-CRISTO.pdf
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