segunda-feira, 1 de junho de 2026

4- REFLEXÕES PARA A SOLENIDADE DO CORPO E SANGUE DE CRISTO 4.1- ANTES DE FALAR DA EUCARISTIA, JESUS PROVIDENCIOU O PÃO COMUM...

 

4-   REFLEXÕES PARA A SOLENIDADE DO CORPO E SANGUE DE CRISTO

 

4.1- ANTES DE FALAR DA EUCARISTIA, JESUS PROVIDENCIOU O PÃO COMUM...

 

Na primeira leitura, Moisés alerta o povo prestes a entrar na Terra Prometida sobre o risco do esquecimento. Deus dava o maná, mas apenas o necessário para cada dia; quem acumulava, perdia. A fome no mundo não nasce da falta de produção, mas do excesso de acumulação. Quando conquistamos estabilidade, não podemos esquecer o “deserto” que atravessamos. A caridade começa pela memória: lembrar que o outro ainda sofre. Viver com o necessário para que o outro tenha o básico é exigência do Evangelho. Deus fez jorrar água da rocha. A caridade também acredita na dignidade de quem parece “duro” ou perdido. “Nem só de pão vive o homem”: não basta assistência material; é preciso promover justiça, educação, fé e cidadania. Ajudar o irmão a sair do deserto, não apenas sobreviver nele. Na segunda leitura, São Paulo fala da comunhão (koinonia): “O pão que partimos não é comunhão com o Corpo de Cristo?” Ao comungar, não apenas recebemos algo, tornamo-nos parte de Alguém. “Há um só pão, e nós, embora muitos, somos um só corpo.” A Eucaristia é o cimento da unidade. Não podemos comungar no altar e ignorar o Cristo que sofre no irmão. O pão recebido deve tornar-se mãos estendidas. No Evangelho, Jesus se apresenta como o Pão Vivo que se entrega pela vida do mundo. Ele não nos deu apenas uma ideia, mas sua própria vida. Quem comunga torna-se o que recebe: se acolhe o Cristo que se parte, deve viver na partilha. A Eucaristia educa para a solidariedade e exige compromisso com o pão material dos pobres. Como dizia São João Crisóstomo: não se honra o Corpo de Cristo no altar e se despreza o irmão necessitado. A caridade é extensão da liturgia. “Quem come a minha carne permanece em mim.” Essa permanência é compromisso ético: nossas mãos, pés e recursos devem continuar a missão de Cristo. Promover a vida, combater a fome e lutar por justiça são formas de viver a Eucaristia fora do templo. Que sejamos uma Igreja que não apenas celebra o mistério, mas se torna pão partido para a vida do mundo. Que o único Pão nos una e nos faça, em Cristo, alimento de esperança para todos. Que nossa vida, em comunhão com Cristo, seja de fato, 'pão para a vida do mundo'. Maria, Mãe dos Pobres, rogai por nós!".

 

Cônego Marcelo Monge Vigário Episcopal da Caridade Social

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