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LITURGIA DA SOLENIDADE DE
CORPUS CHRISTI
-
Queridos irmãos e irmãs, celebrar Corpus Christi é celebrar o amor de um Deus
que não abandona o seu povo no caminho. A Palavra de Deus de hoje nos ajuda a
compreender que a Eucaristia não é apenas um rito, mas uma experiência viva de
comunhão, memória e compromisso. - A primeira
leitura, do livro do Deuteronômio, nos convida a fazer memória. Afinal,
recordar é fundamental para o povo de Deus, pois quem esquece sua história
corre o risco de se perder. Assim, vemos que no deserto, lugar de provação e
desafios, o Senhor cuidou do seu povo: deu alimento, caminho e proteção. O maná
foi sinal desse cuidado amoroso. Assim também hoje, em meio aos desertos da
vida marcados pela fome, pela violência, pela desigualdade e pela falta de
esperança, Deus continua caminhando conosco e nos sustentando.
- No
entanto, o maná era um alimento
passageiro. Por isso, no Evangelho, Jesus se apresenta como algo maior: "o Pão vivo descido do céu". Ele
não oferece apenas algo, mas oferece a si mesmo. Comer da sua carne e beber do
seu sangue não é um gesto mágico nem superficial, mas uma profunda adesão à sua
vida, à sua mensagem e ao seu projeto. Muitos se escandalizaram porque
ficaram presos às palavras, sem ir além. Também hoje corremos esse risco quando
participamos da Eucaristia sem deixar que ela transforme nossas atitudes e
escolhas.
- Na
segunda leitura, São Paulo, na carta aos Coríntios, nos lembra que a Eucaristia
constrói comunhão. Somos muitos, diferentes, com pensamentos e histórias
distintas, mas formamos um só corpo, o Corpo de Cristo, porque participamos de
um único pão. A Eucaristia nos tira do individualismo e nos faz comunidade. Não
existe verdadeira comunhão com Cristo sem comunhão com os irmãos e irmãs,
especialmente os mais pobres e sofredores.
- Jesus é o Cordeiro Pascal, aquele que
realiza a Nova e Eterna Aliança. Já não são mais sacrifícios de animais,
mas é o próprio Cristo que se oferece por amor, uma vez por todas. Na
Eucaristia, fazemos memória viva dessa entrega, que continua a acontecer em
cada celebração. Por isso, ela exige de nós compromisso, compaixão e
solidariedade. Quem comunga do Corpo de Cristo é chamado a reconhecer esse
mesmo corpo ferido nos que passam fome, nos excluídos, nos esquecidos da
sociedade, nos sem teto, terra ou trabalho.
- Celebrar Corpus Christi é assumir uma fé que se traduz em vida. Como bem
nos recorda o Papa Bento XVI, participar da mesa eucarística é assumir uma
postura corajosa em favor da vida e da dignidade humana, uma vez que a
Eucaristia gera caridade, promove o diálogo, fortalece a fraternidade e nos
impulsiona à transformação do mundo. Que esta solenidade renove em nós o amor
pela Eucaristia e nos ajude a viver aquilo que celebramos. Amém.
https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2026/04/04_06_26.pdf
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