4.3- OBEDIÊNCIA
AO PAPA?
A
festa de São Pedro e São Paulo nos ajuda a lembrar que nossa fé e a Igreja, que
conserva, testemunha e transmite essa fé, são “apostólicas”, isto é, vêm dos
Apóstolos e estão em comunhão com os Apóstolos. Eles foram as testemunhas
oculares qualificadas de Jesus e de tudo o que ele fez e ensinou enquanto
estava no mundo. Eles também foram enviados por Jesus a todos e ao mundo
inteiro, como suas testemunhas e mensageiros. Assim aconteceu durante a
história bimilenar da Igreja, até ao dia de hoje. Os Apóstolos e seus legítimos
sucessores, os bispos, unidos na comunhão entre si e com o Sucessor do Apóstolo
Pedro, mantiveram e mantêm a fidelidade a essa missão e confirmam os irmãos
nessa fé apostólica. Por isso, hoje, dedicamos nossa oração muito especialmente
pelo Papa Leão XIV, legítimo Sucessor de Pedro. Este é o Dia do Papa e “a
Igreja toda reza por Pedro” (cf At 12,5), que hoje tem o nome e o jeito de Leão
XIV. Além da oração e do nosso sincero respeito e carinho pelo Papa, a
comunidade dos fiéis também é chamada a participar generosamente do Óbolo de
São Pedro, como expressão de fé e de apoio concreto à missão do Papa. Em todas
as missas celebradas no mundo inteiro, hoje é feita a coleta do Óbolo de São
Pedro e o que se recolhe é enviado à Santa Sé, ficando à disposição do Papa
para as muitas e grandes necessidades ligadas ao exercício de sua missão
universal. Muitas iniciativas de evangelização e caridade são ajudadas pelo
Papa, sobretudo em situações de grandes sofrimentos, necessidades e de
catástrofes. Mas hoje também é oportuno recordar nosso dever de respeito e a
obediência ao Papa. É lamentável que existam contestações, desrespeito e
desobediência aberta para com a pessoa do Papa e ao que ele representa na
Igreja Católica. Tais atitudes favorecem a formação de grupos cismáticos, que
não estão em comunhão com a Igreja e que promovem a divisão na unidade da
Igreja, podendo levar a verdadeiros cismas. O respeito ao Papa é devido sempre.
Em relação aos seus ensinamentos, há dois níveis de obediência, referindo-se ao
Magistério ordinário e ao Magistério extraordinário. Quando o Papa, como Bispo
e Pastor supremo da Igreja, nas suas pregações e documentos, propõe, um
ensinamento com a finalidade de levar a uma compreensão melhor da Revelação em
matéria de fé e de moral (Magistério ordinário), esse ensinamento deve ser
recebido pelos fiéis “com religioso obséquio de espírito”, ou seja, com
religioso respeito e consideração. Mas quando o Papa, em seu Magistério supremo
e “na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis e encarregado de
confirmar os irmãos na fé ou nos costumes” (infalibilidade pontifícia),
proclamar solenemente alguma verdade de fé, deve ser obedecido sempre (cf.
Catecismo da Igreja Católica, nº 891-892). De fato, o Papa usa muito raramente
desse “carisma da infalibilidade”; geralmente, quando ele se manifesta, ele
exerce o seu Magistério ordinário. Oremos pelo nosso Pontífice Leão XIV. Que o
Senhor Deus lhe dê saúde, o conserve, ilumine e fortaleça em sua missão!
Cardeal
Odilo Pedro Scherer Arcebispo de São Paulo
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