sexta-feira, 5 de junho de 2026

4-REFLEXÕES PARA O 10.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- A 4.1- A FORÇA DO CHAMADO DIVÍNO

 

4-REFLEXÕES PARA O 10.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- A

4.1- A FORÇA DO CHAMADO DIVÍNO

O Evangelho de hoje narra a vocação de Mateus: Jesus passou pelo lugar onde se cobravam os tributos pela circulação de mercadorias de uma região a outra. Além de um pequeno porto de mar, Cafarnaum era uma cidade fronteiriça, situada do outro lado do Jordão. Mateus ali desempenhava a função de cobrador de impostos. Jesus acolhe no grupo dos seus seguidores um homem que era considerado pecador público: ao cobrar os impostos dos seus conterrâneos, Mateus colaborava com uma autoridade estrangeira, odiosamente ávida de recursos oriundos das províncias conquistadas pelo império romano. Ao chamado de Jesus, Mateus responde imediatamente: "ele se levantou e o seguiu". A condensação da frase ressalta claramente a prontidão de Mateus ao responder à sua vocação. Isto significava para ele o abandono de todas as coisas, sobretudo do que lhe garantia uma fonte de lucro seguro, mesmo que, por vezes, injusto e desonesto. Havia muita gente na cidade, talvez outros publicanos, mas Cristo chamou Mateus. Jesus apontou-lhe o dedo, como ilustrado naquele famoso quadro de Caravaggio. Ele sabia que era para mudar de vida e largou tudo. É claro que se sentiria privilegiado: fazer parte do grupo mais próximo de Jesus e conviver com Ele seria a maior riqueza da sua vida. A vocação é assim: uma intervenção imperativa de Deus convocando. E a resposta, como a de Mateus, deve ser pronta. Mais tarde, seria escolhido como um dos Doze que seguiriam o Senhor em todos os seus passos: escutou suas palavras, testemunhou seus milagres, esteve entre os que celebraram a Última Ceia, assistiu à instituição da Eucaristia, ouviu o testamento do Senhor centrado no preceito do Amor e acompanhou Cristo no Horto das Oliveiras, onde começaria, com os outros discípulos, um calvário de angústia, especialmente por ter também abandonado Jesus. Depois, viveu a alegria da Ressurreição e, na Ascensão, recebeu o mandado de levar a Boa Nova até os confins da terra. Mais tarde, também com os discípulos e a Santíssima Virgem, recebeu o fogo do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Ao escrever o seu Evangelho, reviveu sem dúvida todos os gratos momentos passados ao lado do Mestre. Compreendeu que a sua vida tinha valido a pena. Que diferença se, naquela manhã, ficasse agarrado ao balcão dos impostos e não tivesse seguido o chamado de Jesus! A nossa vida só vale a pena se a vivermos junto de Cristo, com uma correspondência sempre mais fiel, se soubermos responder a cada apelo de Jesus com um “sim” pronto e alegre. Para celebrar e agradecer a sua vocação, Mateus deu um grande banquete, ao qual convidou os seus amigos, muitos dos quais eram tidos por pecadores. Esse gesto reflete a alegria do novo Apóstolo pela sua vocação, que é o bem mais valioso de sua vida, sem reparar na renúncia inerente a todo o convite de Deus para segui-lo com passo firme. Nós também não podemos nos deter no que é preciso deixar: mas devemos perceber o bem que Deus quer realizar em nós e através de nós e assim comprovar a maravilha de estar com Cristo e de ser instrumentos para coisas grandes. Quando servimos o Senhor, quando dizemos “sim” a seu chamado, sempre temos suficientes motivos de festa, de ação de graças, de alegria. Jesus continua passando pelas nossas vidas, chamando à santidade e ao apostolado, com vocação divina, a todos os batizados: a Igreja necessita, de maneira especial, de leigos que vivam com coerência sua vida cristã no local onde se encontram: na família, no traba- lho, em todos os ambientes da vida social. O Evangelho, para explicar que Deus não chama os melhores, nem os mais preparados, termina com a alusão à misericórdia de Deus: “Não necessitam de médico os sãos, mas os doentes. Não vim chamar os justos, mas os pecadores para a conversão”. Jesus se autodenomina médico, cura as nossas almas com a sua graça, especialmente no Sacramento da Penitência, o que seria incurável apenas pelo nosso esforço humano. Aos que chama com uma vocação sobrenatural, Deus concede as graças necessárias para a correspondência fiel para toda a vida.

Dom Carlos Lema Garcia Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Educação

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