sexta-feira, 19 de junho de 2026

4-REFLEXÕES PARA O 12.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- A 4.1- “NÃO TENHAIS MEDO”

 

4-REFLEXÕES PARA O 12.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- A

4.1- “NÃO TENHAIS MEDO”

A Palavra de Deus deste domingo, 12° do tempo comum, atravessa toda a liturgia com uma ordem clara e insistente de Jesus: “Não tenhais medo”. Essa frase aparece três vezes no Evangelho, como se o Senhor conhecesse profundamente o coração humano e soubesse o quanto o medo nos paralisa, nos cala e, muitas vezes, nos afasta da missão. O profeta Jeremias, na primeira leitura, nos apresenta o drama de quem foi fiel a Deus e, por isso mesmo, passou a ser perseguido, ridicularizado e ameaçado. Ele ouve cochichos, sente-se cercado, experimenta o medo. Mas, mesmo assim, faz uma profissão de fé belíssima: “O Senhor está comigo como um forte guerreiro”. Jeremias não nega o sofrimento, mas escolhe confiar. Ele nos ensina que a fé não elimina as dificuldades, mas nos dá forças para atravessá-las. No Evangelho, Jesus prepara os discípulos para a realidade do anúncio do Reino. Ele não ilude ninguém: seguir o Evangelho tem um preço. Haverá rejeição, incompreensão e até perseguição. Contudo, Jesus faz questão de garantir: o medo não pode ter a última palavra. O discípulo não é maior que o mestre, mas também não está sozinho como não esteve o Mestre. A imagem dos pardais é de uma delicadeza profunda: “Nenhum deles cai por terra sem o consentimento do Pai”. E Jesus vai ainda mais longe: “Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados”. Isso significa que nossa vida não é anônima diante de Deus. Cada dor, cada lágrima, cada luta é conhecida e acolhida pelo Pai. Quantas vezes também nós somos tentados a silenciar nossa fé por medo? Medo de sermos julgados, ridicularizados, excluídos. Medo de defender valores cristãos, medo de assumir publicamente nossa pertença a Cristo. Jesus é claro: quem O reconhece diante dos homens, Ele também reconhecerá diante do Pai. Não se trata de um discurso de ameaça, mas de uma relação de amor e fidelidade. São Paulo, na segunda leitura, nos lembra que, se por um homem o pecado entrou no mundo, por um só homem, Jesus Cristo, a graça superabundou. O medo nasce muitas vezes do pecado, da desconfiança, da ruptura. A confiança nasce da graça, do amor gratuito de Deus que nos alcança antes mesmo de merecermos. Portanto, irmãos e irmãs, não tenhamos medo de sermos cristãos de verdade. Não tenhamos medo de viver o Evangelho no cotidiano, na família, no trabalho, na comunidade. O medo pode bater à porta, mas não pode governar o coração. Quem governa nossa vida é o Deus que cuida até dos pardais e que entregou o próprio Filho por amor a nós. Peçamos ao Senhor a graça de uma fé corajosa, serena e confiante. Que, mesmo em meio às dificuldades, possamos dizer com a vida: “O Senhor está comigo”. E, sustentados por essa certeza, caminhemos sem medo.

Dom Cícero Alves de França Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal – Região Belém

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