4-REFLEXÕES PARA O 13.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- A
4.1-28 de junho – SÃO PEDRO E SÃO PAULO
Por Pe. Gustavo César dos Santos* / Pe. Dr. Junior Vasconcelos
do Amaral**
Pedro e Paulo, colunas da
Igreja
I.
INTRODUÇÃO GERAL
Neste dia, celebramos,
jubilosos, dois pilares de nossa fé e de nossa Igreja, os santos apóstolos
Pedro e Paulo. Ambos, de maneiras e caminhos diferentes, congregaram a única
família de Cristo. Por serem coroados pela mesma fé e pelo mesmo martírio,
recebem, nesta liturgia, igual veneração e glória.
Simão Pedro era pescador
em Betsaida. Foi André, seu irmão, que lhe comunicou a Boa Notícia
(“Encontramos o Messias”) e o conduziu até Jesus (Jo 1,40-42). Mais tarde,
Pedro deixa Betsaida e estabelece-se em Cafarnaum (Mc 1,21.29). O Senhor vai
até a casa de sua sogra e a cura (Mc 1,29-31). Pedro é o personagem principal
da pesca milagrosa (Lc 5,1-11). Em Cesareia de Filipe, ele confessa a fé em
Jesus como o Cristo, Filho do Deus vivo. Está na transfiguração, no monte (Mc
9,2-8), e contempla a face gloriosa do Cristo. Depois, é uma das primeiras
testemunhas da ressurreição: vê o sepulcro vazio (Jo 20,6) e presencia uma
especial aparição do Ressuscitado (Lc 24,34).
Saulo, depois chamado de
Paulo, é, por sua vez, considerado o apóstolo dos gentios, uma vez que anunciou
Cristo a outras nações, fora do horizonte judaico. É natural de Tarso da Cilícia,
atual Turquia, e é o autor de um número considerável de textos no Novo
Testamento. Desfrutava de um privilégio raro: tinha cidadania tanto judaica
quanto romana. Estudou em Jerusalém, aos pés do mestre fariseu Gamaliel (At
22,3). Paulo era perseguidor tanto da Igreja nascente quanto dos primeiros
cristãos. Estava presente na morte de Estêvão, o primeiro mártir cristão, e a
apoiou (At 7,58-8,3). Ele se converte no caminho para Damasco, quando o próprio
Senhor ressuscitado lhe aparece. Trata-se de uma cena paradigmática, pois passa
de perseguidor a apóstolo do Senhor.
Paulo realiza três
grandes viagens missionárias e uma quarta como prisioneiro, todas narradas
entre os capítulos 13 e 28 dos Atos dos Apóstolos. Em sua primeira viagem,
Paulo está com Barnabé e evangeliza Chipre e uma porção da Ásia Menor. Em sua
segunda viagem missionária, está com Silas e Timóteo e visita Filipos,
Tessalônica, Corinto e Atenas, fundando e confirmando várias comunidades. Sua
terceira viagem tem como foco a cidade de Éfeso – por lá fica mais ou menos
três anos. Sua última viagem missionária é para Roma, onde será martirizado; o
apóstolo vai como prisioneiro.
Que pela intercessão de
ambos, Pedro e Paulo, os santos apóstolos da Igreja, possamos permanecer
perseverantes na fé e na fidelidade a Cristo.
II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS
1. I leitura (At 12,1-11)
O livro dos Atos dos
Apóstolos é a segunda parte de uma grande obra de Lucas – a primeira parte é o
texto evangélico que recebe seu nome. Poderia ser chamado também de Atos de
Pedro e Paulo, devido ao protagonismo que os dois apóstolos recebem nesse escrito.
Encontramo-nos, desse modo, com a parte da história da salvação que sucede à
morte e ressurreição de Jesus: o que aconteceu com os seguidores do Senhor;
como rezavam e como faziam memória de sua Páscoa; como as primeiras comunidades
surgiram e como se organizavam, por exemplo.
O trecho proposto a nós
nesta liturgia, em linhas gerais, fala-nos do martírio de Tiago Maior e da
libertação de Pedro. A Igreja nascente vive tempos de perseguição, medo e
violência. O rei Herodes Agripa mira a comunidade de Jerusalém e mata Tiago
Maior, o responsável por aquela Igreja – desse modo, entendemos que a vida e a
morte de Cristo se refletem no caminho de seus seguidores.
Pedro é preso nessa
mesma cena. Chama-nos a atenção o fato de que “a Igreja rezava continuamente a
Deus por ele” (v. 5). A comunidade que reza por um de seus membros expressa,
também, o sinal de unidade, o vínculo de comunhão e a força da oração.
2. II leitura (2Tm 4,6-8.17-18)
O texto da segunda
leitura, tirado da segunda carta a Timóteo, é composto de duas partes
principais, a saber: o testamento espiritual do apóstolo Paulo e algumas
recomendações finais e saudações. Nesse livro, Paulo demonstra já estar em
idade avançada – “Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício;
aproxima-se o momento de minha partida” (v. 6) – e transmite ao seu jovem
sucessor, Timóteo, tesouros espirituais confiados por Deus a ele.
Na primeira parte do
trecho, é importante ressaltar a consciência do apóstolo sobre sua vida e
ministério: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé” (v. 7).
Paulo enfrentou inúmeras situações de conflito, violência e perseguição, por
exemplo, mas permaneceu fiel ao chamado do Senhor, foi guardião e defensor da
fé recebida, além de grande anunciador e testemunha do Evangelho de Jesus.
Sentindo as forças esmorecer, deseja que Timóteo dê continuidade à missão.
Chama-nos ainda a
atenção o v. 8, que pode ser lido em chave escatológica. Algumas palavras e
expressões nos saltam aos olhos: “coroa da justiça”, “justo juiz”, “naquele
dia”, “todos os que esperam sua manifestação gloriosa”. Paulo é consciente de
que sua vida não findará com a morte; ele está com os olhos, a mente e o
coração voltados para as realidades últimas e definitivas, ao seu destino
final, à plenitude da história. Deus se manifestará gloriosamente para nos
salvar em seu amor e misericórdia.
Já na segunda parte do
texto, o apóstolo apresenta algumas informações de cunho pessoal. Paulo, na
verdade, foi um grande imitador de seu Mestre, Jesus Cristo. O Senhor foi seu
refúgio, proteção e fortaleza em todos os momentos, também nos mais difíceis de
sua vida e ministério. Ele fez o Evangelho ressoar a todas as nações –
cumprindo o mandato de Jesus à Igreja nascente, por ocasião de sua ascensão:
“Vós sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, Samaria e até os
confins do mundo” (At 1,8). A mensagem cristã de salvação tem alcance
universal, e Paulo tem papel decisivo nessa empreitada.
3. Evangelho (Mt 16,13-19)
O Evangelho que
escutamos, segundo São Mateus, radica-se essencialmente na profissão de fé
efetuada por Pedro. O chefe do grupo apostólico reconhece a messianidade de
Jesus; por isso, será pedra de arrimo, encosto e suporte para seus irmãos. O
trecho de hoje é precedido pelas querelas suscitadas pelos judeus,
principalmente fariseus e saduceus. Num cenário de incredulidade, desconfiança
e maldade, Pedro, na expressão de sua fé, traz luz, clareza e discernimento a
toda essa situação.
Inicialmente, Jesus
questiona seus discípulos sobre a opinião das pessoas sobre ele. Melhor
dizendo, deseja saber quem as pessoas acham que ele é. Está em jogo a
identidade de Jesus. E parece que a resposta ganha ares de imprecisão: “Alguns
dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou
algum dos profetas” (v. 14). O texto não nos dá essa informação, mas parece que
Jesus fica, de certo modo, insatisfeito com a resposta. Voltando-se ao grupo
dos doze, dirige-lhes a mesma pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (v.
15). Simão Pedro toma a palavra e faz bela e profunda profissão de fé,
paradigmática para esse texto evangélico, de modo específico, mas para todo o
povo cristão, de modo geral: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”.
Pedro reconhece em Jesus
sua esperança de vida e salvação; não só dele, mas de todo Israel. Jesus é o
Messias aguardado e esperado pelo povo veterotestamentário, e anunciado como
promessa pelos profetas. É o Cristo, o Messias, nosso salvador/libertador. A
expressão de Pedro é um dos focos deste texto, mas a resposta de Jesus também é
digna de atenção. O Senhor proclama-o bem-aventurado, pois a origem dessa sua
profissão de fé não está assentada em acúmulos de conhecimento ou de
elocubrações racionais: “Não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu
Pai que está no céu” (v. 17b). É somente com as lentes da fé que o verdadeiro
discípulo de Jesus o reconhecerá como seu Senhor e Salvador.
Desse diálogo vem uma
missão. Pedro recebe o primado do grupo apostólico, tornando-se o chefe dos
doze. Pedro, que quer dizer “pedra”, será como que um arrimo para a Igreja
nascente. Além disso, recebe o poder das chaves do próprio Jesus: “Tudo o que
ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terá será
desligado nos céus” (v. 19).
III. Pistas para reflexão
Levar a comunidade a
refletir sobre a fé, vivida com perseverança, constância, autenticidade e
verdade. Apresentar-lhe o martírio como caminho que a fé alcança até as últimas
consequências. Destacar a figura dos apóstolos Pedro e Paulo como modelo e
exemplo para todos nós. Propor à comunidade, especialmente hoje, a oração pelo
Santo Padre, o papa, sucessor de Pedro. Suscitar em todos o desejo de que o
ardor missionário, a exemplo de Paulo, possa sempre integrar nosso caminho de
vida e de fé.
Pe. Gustavo César dos
Santos* / Pe. Dr. Junior Vasconcelos do Amaral**
*é presbítero da diocese de Divinópolis-MG e vigário paroquial
da paróquia Nossa Senhora
do Carmo, na cidade de Carmo do Cajuru-MG. Graduado em Filosofia e Teologia
pela Pontifícia Universidade Católica
de Minas Gerais (PUC-Minas), atualmente é o assessor eclesiástico da Comissão
Vida e Família e Pastoral Familiar da
diocese. E-mail: gustavocesar339@gmail.com
**é presbítero da arquidiocese de Belo Horizonte-MG e vigário episcopal da
Região
Episcopal Nossa Senhora da Esperança. Doutor em Teologia Bíblica pela Faculdade
Jesuíta de Filosofia e Teologia
(Faje – Belo Horizonte), realizou parte de seus estudos de doutorado na
modalidade “sanduíche”, estudando
Narratologia Bíblica na Universidade Católica de Louvain (Louvain-la-Neuve,
Bélgica). Atualmente, é professor de
Antigo e Novo Testamentos na PUC-Minas e pesquisa sobre psicanálise e Bíblia.
E-mail: jvsamaral@yahoo.com.br
https://www.vidapastoral.com.br/roteiros/28-de-junho-sao-pedro-e-sao-paulo-2/
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