8- O Papa em Barcelona: ser
testemunhas e profetas de unidade, acolhimento, concórdia e paz
Leão XIV rezou a Oração da Hora Sexta na Catedral de Santa Cruz e Santa
Eulália, em Barcelona. Em sua homilia, convidou "a propagar nos nossos
ambientes, nas famílias, nas paróquias, nos locais de trabalho e formação, nos
ambientes da Cúria e em qualquer outro âmbito da vida: um clima de família, no qual
se vive juntos, conscientes da filiação e do chamado comum, solidários,
abertos, capazes de misericórdia, sacrifício, atenção mútua e perdão".
Mariangela Jaguraba – Vatican News
O Papa Leão XIV
presidiu a Oração da Hora Sexta na Catedral de Santa Cruz e Santa Eulália, em
Barcelona, nesta terça-feira (09/06), no âmbito de sua viagem apostólica à
Espanha.
A Catedral da
Santa Cruz e Santa Eulália é a sede da Arquidiocese de Barcelona. É um
monumento histórico-artístico espanhol desde 2 de novembro de 1929. A Catedral
é dedicada à Santa Cruz desde 599, cuja festa é celebrada todos os anos em 3 de
maio com uma bênção solene concedida a toda a cidade dos terraços da igreja.
Desde 877, também é dedicada a Santa Eulália, padroeira de Barcelona,
martirizada na época romana.
Leão XIV iniciou o
seu discurso, manifestando alegria de rezar a Hora Sexta nesta Catedral.
Recordou que o Concílio Vaticano II define o Ofício Divino como «a voz da
Esposa que fala com o Esposo» e como «a oração que Cristo, unido ao seu Corpo,
eleva ao Pai».
Caminhar juntos, fiéis e Pastores
O Papa, então,
refletiu sobre estas duas imagens: a Esposa e o Corpo.
“A
primeira, recorda-nos que a Igreja, e em particular esta assembleia, rica em
dons e carismas e na diversidade das histórias de cada um, é, acima de tudo,
uma Esposa amada. Deus quis que estivessem aqui, porque gosta de ver em vós e
na vossa união uma beleza e uma bondade únicas e sagradas. Ele escolheu-vos
para representardes hoje a “comunidade dos santos” que se encontra em Barcelona.”
Leão XIV os
convidou "a renovar, num só coração, o propósito de caminhar juntos, fiéis
e Pastores, todos seguindo as pegadas de Cristo, rumo à plenitude da
vida". O Papa lembrou que "a Igreja é fruto de uma ação de amor que a
precede e provém de Deus, e que, antes de qualquer outra coisa, cresce unida,
deixando-se amar por Ele, com coração humilde e agradecido, porque só quem se
deixa amar por Deus pode construir, com os outros, as obras do amor".
A seguir, Leão XIV
disse que "somos chamados a propagar nos nossos ambientes, nas famílias,
nas paróquias, nos locais de trabalho e formação, nos ambientes da Cúria e em
qualquer outro âmbito da vida: um clima de família, no qual se vive juntos,
conscientes da filiação e do chamado comum, solidários, abertos, capazes de
misericórdia, sacrifício, atenção mútua e perdão".
"Queridos
amigos: Barcelona, neste aspecto, possui uma grande tradição de Igreja",
sublinhou o Pontífice, lembrando os irmãos e irmãs que ali "se doaram e
continuam a doar-se para construir harmonia e comunhão, para além de toda a
polarização".
Trabalhar juntos é uma necessidade fisiológica
A seguir, o Papase
deteve na segunda imagem: a do Corpo. "Se Cristo é o Esposo que nos amou
primeiro, Ele é também a Cabeça à qual estamos unidos como membros de um único
organismo, uns ao serviço dos outros, «homens de todas as tribos, línguas,
povos e nações», todos animados pela ação do mesmo Espírito, todos chamados à
mesma santidade", sublinhou.
“Isto
também é importante, porque nos recorda que, para nós, trabalhar juntos não é
uma questão de “estilo”, mas uma necessidade fisiológica, fundada na graça
concedida a cada um «segundo a medida do dom de Cristo», e à qual
correspondemos colocando em ação os carismas recebidos e respeitando os ministérios
que foram confiados.”
De acordo com o
Papa, "na riqueza dos dons recebidos, somos fortes porque estamos unidos,
e estamos unidos porque somos animados pelo mesmo Espírito, o Espírito de
Cristo, que é Espírito de comunhão para a salvação de todos. Por isso, para
cada um de nós é importante não permitir que nada destrua a unidade na qual
Deus nos constituiu e para cuja plenitude nos conduz dia após dia".
Renunciar ao
supérfluo para construir sobre o que é essencial
"Barcelona é
conhecida como “Cap i Casal de Catalunya”. O que confere a todos vós,
barceloneses e catalães que formais esta comunidade, uma vocação e uma
responsabilidade especial de vos tornardes, com a ajuda de Deus, construtores
de unidade", disse ainda Leão XIV, acrescentando:
“Queridos
irmãos e irmãs: num mundo dilacerado por guerras e divisões, é com este
espírito que também nós, numa sociedade cada vez mais fragmentada e
individualista, queremos ser “mártires”, ou seja, testemunhas e profetas de
unidade, acolhimento, concórdia e paz, mesmo que isso implique sacrifícios e
renúncias. A exemplo da santa virgem Eulália e de tantos outros mártires,
queremos dar o nosso “sim”, dispostos, no que for preciso, a morrer para nós
mesmos, a perdermo-nos para nos reencontrarmos, a renunciar ao supérfluo para
construir sobre o que é essencial e perdura para sempre.”
No final da Oração
da Hora Sexta, o Papa venerou os restos mortais de Santa Eulália situados na
cripta dessa catedral.
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