quinta-feira, 24 de setembro de 2026

V- REFLEXÕES DO 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A 5.1- REALIZAR A VONTADE DE DEUS NA VIDA

 

V- REFLEXÕES DO 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

5.1-  REALIZAR A VONTADE DE DEUS NA VIDA

Na primeira leitura deste domingo, o profeta Ezequiel, rejeitando a ideia de que o pecado devia marcar para sempre o pecador, bem como sua descendência, como porta-voz de Deus, anuncia que Deus não castiga os pais nos filhos, mas castiga o justo que deixa o seu caminho, e acolhe o pecador que se converte: “Com efeito, ao renunciar o justo à sua justiça e ao fazer o mal, é em virtude do mal que praticou que ele morre. E se o ímpio renunciar à sua impiedade, passando a praticar o direito e a justiça, salva a sua vida” (Ez 18,26). Jesus expõe esse tema na parábola dos dois filhos, o do “sim, senhor”, que promete e não faz, e o do “não”, que se arrepende e faz. Com a parábola dos dois filhos, o evangelista São Mateus quer nos fazer refletir acerca de duas perguntas colocadas por Jesus: “Que vos parece?” e “qual dos dois fez a vontade do pai?” Perante o chamamento do Senhor, qual é a nossa resposta? O ensinamento de Jesus no Evangelho deste domingo é que aquilo que importa não é o que se diz, mas o que se faz. O próprio Senhor já havia ensinado no Evangelho: “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). No ensinamento de Jesus, o importante para Deus não é uma vida aparentemente virtuosa, mas uma fé que se torna operativa na obediência ao Senhor e na caridade para com os irmãos. Com a nossa vida de cada dia somos chamados a responder aos apelos do Senhor. O apelo que São Paulo nos dirige no texto da Carta aos Filipenses é simples e poderoso: “Tende entre vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus” (Fl 2,5). Para São Paulo, o ser cristão se realiza quando percorremos um caminho concreto, avançando no mesmo caminho indicado por Jesus, identificando-nos com ele, com sua Palavra e com seus ensinamentos, tal como descobrimos nos evangelhos. No ensinamento de São Paulo, os sentimentos não são as emoções que as diferentes circunstâncias provocam em nós, são antes os motivos e as convicções mais profundas que nos levam a agir de um modo específico. Ter os mesmos sentimentos de Jesus supõe que O conheçamos verdadeiramente: o Seu agir; as Suas preocupações; o Seu critério de vida; as Suas opções na vida; a Sua relação pessoal com o Pai; a Sua disposição para com os outros. Conhecemos os sentimentos de Jesus somente através da leitura atenta do Evangelho, da oração confiante, da celebração sincera dos sacramentos, da vida da comunidade cristã, da partilha da fé vivida em comunidade. São Paulo, no desenvolvimento da Carta aos Filipenses, sublinha alguns dos sentimentos que Jesus viveu em profundidade: a fortaleza perante a prova; a compaixão perante as necessidades do outro; a humildade; a obediência à vontade do Pai (cf. Fl 5,6-8). Foram estes os motores da vida de Cristo, que o conduziram aos acontecimentos salvíficos da sua morte e ressurreição. Liguemos o texto de São Paulo ao texto do Evangelho, antecipado também nas leituras deste final de semana pelo Profeta Ezequiel. Ter os mesmos sentimentos de Jesus não é uma questão de palavras, mas de fatos. Jesus louva o segundo filho da parábola porque, não obstante a sua resposta negativa inicial, vai depois trabalhar na vinha do pai. Ser cristão, discípulo de Cristo, não é uma questão de palavras ou de falsas ações, mas é um progredir no caminho da fé, no seguimento de Jesus. Organizemos toda a nossa vida como uma contínua procura por Deus; façamos como Jesus, que procurou a Deus em cada pessoa, de modo a poder amar os outros com a mesma intensidade com a qual nós somos amados por Deus. Pensarmos orgulhosamente que não precisamos nem de Deus, nem dos outros, seria agir como o primeiro filho da parábola, afirmando apenas formalmente ao Senhor a nossa disponibilidade: “Sim, Senhor, eu vou”. Mas não foi (Mt 21,29).

Dom Celso Alexandre Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Ipiranga

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