sexta-feira, 30 de outubro de 2026

3- LITURGIA DA SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

 

 

3-  LITURGIA DA SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

 

- "Quem são estes que passaram pela grande tribulação? Foram aqueles que lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro". O texto apresentado por São João, em seu Apocalipse, é um convite a permanecermos firmes na fé. O número dos que chegaram à glória eterna é incontável, pois é pleno. De maneira simbólica, o contexto apresentado por João refere-se às perseguição que, outrora, os cristãos enfrentaram, servindo de estímulo para os fiéis de hoje. Não existe anúncio do Evangelho sem incômodo, perturbação e, até mesmo, revolta. Quantas pessoas em nossas comunidades se revoltam por serem incapazes de romper com a dureza de seus corações. Os "martírios de hoje" são outros, mas tão impactantes quanto os do início da propagação da fé.

- Os que amam a verdade procuram viver os mandamentos de Deus. Como canta o salmista (Sl 23,3), aqueles que permanecem em sua santa habitação são aqueles que não dirigem seu coração para os ídolos deste mundo. Viver a santidade é amar a Deus e dar testemunho de sua presença santificadora neste mundo que, muitas vezes, prefere as trevas. O Santo é aquele que não tem medo de viver a vida, mas que, a cada dia, se configura a Cristo, o Bem-aventurado por excelência. Jesus é aquele que nos ensina a alegrarmo-nos com as pequenas coisas da nossa história de discípulos e filhos do Pai Celeste.

 - O texto da Primeira Carta de São João é um alento ao nosso coração. Somos filhos de Deus e, um dia, de forma efetiva e plena, entenderemos tudo isso, pois já não haverá mais véus ou muralhas que impeçam o nosso entendimento. É preciso confiar na ação divina e purificar-se a cada dia, num contínuo processo de conversão e mudança de vida. Ser obediente a Deus é o princípio de todas as virtudes. Quem quer amar a Deus precisa ser fiel ao projeto do Reino e, assim, ser nesta vida, testemunha daquele que, na cruz, derramou seu sangue para a salvação de todos.

- O Evangelho segundo Mateus é um convite a vivermos a duradoura felicidade que teremos na eternidade. As bem-aventuranças são uma resposta a todas as angústias deste mundo presente. As inúmeras pobrezas, as diversas aflições, as situações que agitam o espírito humano, os que são perseguidos e injustiçados, os que não conseguem experimentar a misericórdia, os vitimados pelas guerras, os que sofrem na carne os males dos vícios: tudo isso passará, pois o tempo de Deus é diferente do nosso tempo, e na hora oportuna, será grande a nossa alegria no céu. Viver este ensinamento de Jesus é aprender a esperar e acreditar que não é no nosso tempo que as coisas devem acontecer, mas no tempo e segundo os desígnios de Deus Pai.

- O Papa Leão XIV, em uma homilia de 2025, descreve que as Bem-aventuranças oferecem uma nova interpretação da realidade, pois apresentam a figura de Jesus como o mais perfeito educador, aquele que nos aponta para a conclusão de nossa história terrena e nos faz vislumbrar a eternidade. No Sermão da Montanha, encontra-se um ensinamento por excelência, um conhecimento que nos faz ser todos filhos e filhas de Deus e aprendizes na escola de Jesus. Viver o caminho da santidade é experimentar a misericórdia de Deus todos os dias, oferecendo esse dom aos que ainda não foram capazes de viver o perdão, a caridade e a paz.

- Na Encíclica "Magnífica Humanidade" de Leão XIV (maio de 2026), o Papa conclama a todos a construir a civilização do amor, que acontece todos os dias por meio de gestos de bondade e gentileza. Não podemos ficar nas trevas, no desânimo e na murmuração; precisamos ver, em Cristo ressuscitado, a luz que inflama o nosso coração a fazer o bem, e assim, todos poderão fazer a sua parte. O Papa Leão afirma, no número 213 da Encíclica, citando um escritor católico do século passado, que este nos ajuda a construir a civilização do amor e a nos humanizarmos: "Não nos compete dominar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que nos for possível para ajudar os anos em que estamos inseridos, erradicando o mal nos campos que conhecemos para que quem viver depois possa ter terra limpa para amanhar." Estas palavras enchem nosso coração de esperança na busca pela santidade e, ao mesmo tempo, nos provoca a "desarmar as palavras, construir a paz na justiça, assumir o olhar das vítimas, cultivar um saudável realismo, revitalizar o diálogo e o multilateralismo". Comecemos a viver a santidade hoje, pois o nosso Pai, que é Santo, nos aguarda na eternidade, para juntos festejarmos a festa dos santos e santas de Deus, que nunca terá fim.

https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2026/08/01_11_26.pdf

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