3- LITURGIA DA
SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS
- "Quem são estes que passaram pela
grande tribulação? Foram aqueles que lavaram e alvejaram suas roupas no sangue
do Cordeiro". O texto apresentado por São João, em seu Apocalipse, é
um convite a permanecermos firmes na fé. O número dos que chegaram à glória
eterna é incontável, pois é pleno. De maneira simbólica, o contexto apresentado
por João refere-se às perseguição que, outrora, os cristãos enfrentaram,
servindo de estímulo para os fiéis de hoje. Não existe anúncio do Evangelho sem
incômodo, perturbação e, até mesmo, revolta. Quantas pessoas em nossas
comunidades se revoltam por serem incapazes de romper com a dureza de seus corações.
Os "martírios de hoje" são outros, mas tão impactantes quanto os do
início da propagação da fé.
- Os que amam a verdade procuram viver os
mandamentos de Deus. Como canta o salmista (Sl 23,3), aqueles que
permanecem em sua santa habitação são aqueles que não dirigem seu coração para
os ídolos deste mundo. Viver a santidade é amar a Deus e dar testemunho de sua
presença santificadora neste mundo que, muitas vezes, prefere as trevas. O Santo
é aquele que não tem medo de viver a vida, mas que, a cada dia, se configura a
Cristo, o Bem-aventurado por excelência. Jesus é aquele que nos ensina a
alegrarmo-nos com as pequenas coisas da nossa história de discípulos e filhos
do Pai Celeste.
- O texto
da Primeira Carta de São João é um alento ao nosso coração. Somos filhos de
Deus e, um dia, de forma efetiva e plena, entenderemos tudo isso, pois já não
haverá mais véus ou muralhas que impeçam o nosso entendimento. É preciso
confiar na ação divina e purificar-se a cada dia, num contínuo processo de
conversão e mudança de vida. Ser obediente a Deus é o princípio de todas as
virtudes. Quem quer amar a Deus precisa ser fiel ao projeto do Reino e, assim,
ser nesta vida, testemunha daquele que, na cruz, derramou seu sangue para a
salvação de todos.
- O Evangelho segundo Mateus é um convite a
vivermos a duradoura felicidade que teremos na eternidade. As
bem-aventuranças são uma resposta a todas as angústias deste mundo presente. As
inúmeras pobrezas, as diversas aflições, as situações que agitam o espírito
humano, os que são perseguidos e injustiçados, os que não conseguem
experimentar a misericórdia, os vitimados pelas guerras, os que sofrem na carne
os males dos vícios: tudo isso passará, pois o tempo de Deus é diferente do
nosso tempo, e na hora oportuna, será grande a nossa alegria no céu. Viver este
ensinamento de Jesus é aprender a esperar e acreditar que não é no nosso tempo
que as coisas devem acontecer, mas no tempo e segundo os desígnios de Deus Pai.
- O Papa Leão XIV, em uma homilia de 2025,
descreve que as Bem-aventuranças
oferecem uma nova interpretação da realidade, pois apresentam a figura de Jesus
como o mais perfeito educador, aquele que nos aponta para a conclusão de
nossa história terrena e nos faz vislumbrar a eternidade. No Sermão da
Montanha, encontra-se um ensinamento por excelência, um conhecimento que nos
faz ser todos filhos e filhas de Deus e aprendizes na escola de Jesus. Viver o
caminho da santidade é experimentar a misericórdia de Deus todos os dias,
oferecendo esse dom aos que ainda não foram capazes de viver o perdão, a
caridade e a paz.
- Na Encíclica "Magnífica
Humanidade" de Leão XIV (maio de 2026), o Papa conclama a todos a
construir a civilização do amor, que acontece todos os dias por meio de gestos
de bondade e gentileza. Não podemos ficar nas trevas, no desânimo e na
murmuração; precisamos ver, em Cristo ressuscitado, a luz que inflama o nosso
coração a fazer o bem, e assim, todos poderão fazer a sua parte. O Papa Leão afirma,
no número 213 da Encíclica, citando um escritor católico do século passado, que
este nos ajuda a construir a civilização do amor e a nos humanizarmos:
"Não nos compete dominar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que nos
for possível para ajudar os anos em que estamos inseridos, erradicando o mal
nos campos que conhecemos para que quem viver depois possa ter terra limpa para
amanhar." Estas palavras enchem nosso coração de esperança na busca pela
santidade e, ao mesmo tempo, nos provoca a "desarmar as palavras,
construir a paz na justiça, assumir o olhar das vítimas, cultivar um saudável
realismo, revitalizar o diálogo e o multilateralismo". Comecemos a viver a santidade hoje, pois o
nosso Pai, que é Santo, nos aguarda na eternidade, para juntos festejarmos a
festa dos santos e santas de Deus, que nunca terá fim.
https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2026/08/01_11_26.pdf
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