4- REFLEXÕES
PARA A SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS
4.1-É
ASSIM A GERAÇÃO DOS QUE PROCURAM O SENHOR!
Celebrar
a solenidade de TODOS
OS SANTOS nos faz sentir o desejo da santidade. Na exortação
“Gaudete et exultate” (“Alegrai-vos e exultai”) o Papa Francisco nos chama a
redescobrir a necessidade, a beleza e a alegria da santidade no mundo de hoje.
A Palavra de Deus insiste: “Procurai a paz com todos e a santidade, sem a qual
ninguém verá o Senhor” (Hb 12,14), assim como São Paulo aos Efésios: “Deus nos
escolheu, antes da fundação do mundo, para sermos santos e íntegros diante
dele, no amor” (cf. Ef 1,4). A santidade é, antes de tudo, um dom a ser
acolhido e não meramente esforço humano. Dizia o Papa Francisco: “Não é santa
pelos nossos méritos, mas porque Deus a torna santa, é fruto do Espírito Santo
e dos seus dons. Não somos nós que a santificamos. É Deus, o Espírito Santo
que, no seu amor, santifica a Igreja.” E ainda: “a santidade não consiste antes
de tudo em fazer coisas extraordinárias, mas em deixar agir Deus. É o encontro
da nossa debilidade com a força da sua graça, é ter confiança na sua obra, que
nos permite viver na caridade, fazer tudo com alegria e humildade, para glória
de Deus e o serviço ao próximo.” (Audiência geral na Praça de São Pedro em 02/10/2013).
Para correspondermos a esse dom da santidade Jesus, o novo Moisés, no alto do
monte – que recorda o Sinai –, nos dá a Nova Lei do amor, as bem-aventuranças,
que são como que a “constituição” do cristão. Ele, caminho, verdade e vida (cf.
Jo 14,6) viveu-as em grau máximo, pois foi pobre e humilde, aflito pelo Reino,
faminto e sedento de justiça, misericordioso para com os pecadores, puro de
coração – coração que é amor como o do Pai –, promotor da paz, nunca pagando o
mal com o mal, mas retribuindo o mal com bem, perseguido por causa da verdade e
da salvação que anunciou e veio trazer para todos. Ele ensina com autoridade
(cf. Mt 7,29), por ser a Palavra que se fez carne (cf. Jo 1,14), e nos dá a
Nova Lei, não mais escrita em tábuas de pedra, mas inscrita no coração dos
fiéis pelo Espírito (cf. Jr 31,33), para fazer de nós uma verdadeira carta Sua
ao mundo para ser lida por todos (cf. 2Cor 3.2-3). É por isso que o Papa
Francisco dizia que cada santo é uma missão no mundo (GE, 19), pois, de fato,
assim são os santos: pessoas apaixonadas por Cristo, cheias do Espírito Santo e
testemunhas do amor de Deus para com todos. Eles passam pelo mundo fazendo o
bem, traduzindo o Evangelho por meio de suas vidas, palavras e ações. E essa é
a vocação de todos os membros da Igreja, como afirma o Concílio Vaticano II:
“todos na Igreja, quer pertençam à Hierarquia quer por ela sejam pastoreados,
são chamados à santidade, segundo a palavra do Apóstolo: ‘esta é a vontade de
Deus, a vossa santificação’ (1 Tess. 4,3; cfr. Ef. 1,4).” (Lumen Gentium, V,
39). Fortalecidos pela bem-aventurança da fé, como Maria, nossa mãe (cf. Lc
1,45), firmes na esperança e animados na caridade, perseveremos nessa vocação
para um dia entrarmos na posse daquilo que esperamos: a recompensa nos céus (cf.
Mt 5,12), que é a vida plena e eterna em Deus, onde nossos irmãos, os santos já
se encontram: “Aqui está a constância dos santos, daqueles que observam os
mandamentos de Deus e a fidelidade a Jesus” (Ap 14,12).
Dom Edilson de Souza Silva Bispo Auxiliar de
São Paulo Região Episcopal Lapa
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