quinta-feira, 1 de outubro de 2026

6- REFLEXÕES DO 27.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A 6.1- CHAMADOS A DAR FRUTOS QUE AGRADEM A DEUS

 

6-  REFLEXÕES DO 27.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

 

6.1- CHAMADOS A DAR FRUTOS QUE AGRADEM A DEUS

A liturgia desse Domingo, através de uma das mais belas alegorias, fala- -nos do amor de Deus pelo seu povo e da falta de correspondência a esse amor. Na primeira leitura encontramos a chamada “canção da vinha”, que descreve Israel como uma plantação de Deus, situada no melhor lugar, rodeada solicitamente de cuidados: era lógico que essa vinha desse bons frutos, mas, ao contrário, produziu uvas amargas. O próprio Senhor Jesus, como se lê no Evangelho, referindo-se ao texto de Isaías, revela-nos a paciência de Deus, que manda os seus mensageiros – os profetas do Antigo Testamento –, um após outro, em busca de frutos da sua vinha. Por fim, envia o seu Filho amado, o próprio Jesus, que os vinhateiros acabarão por matar: “E, lançando-lhe as mãos, puseram-no fora da vinha e mataram-no”. É uma referência clara à crucifixão de Jesus, que teve lugar fora dos muros de Jerusalém. Essa vinha simboliza primeiramente os líderes do Povo Escolhido, que não corresponderam aos cuidados divinos; mas se refere também à Igreja, bem como a cada um de nós. Meditemos hoje se o Senhor pode encontrar frutos abundantes em nossa vida; abundantes porque é muito o que nos foi dado. Frutos de caridade, de trabalho bem feito, de apostolado com os amigos e familiares, de contrariedades acolhidas com paz, de pequenos sacrifícios praticados discretamente, com toda naturalidade. Examinemos também se, ao mesmo tempo, não produzimos essas uvas amargas que são os pecados: a impaciência, a preguiça, as irritações, essas faltas de que não pedimos perdão ao Senhor. O pecado é o fruto amargo das nossas vidas. Nossos pecados ofendem a Deus: as faltas de caridade, os juízos negativos sobre esta ou aquela pessoa, as reações de ira, as ofensas não perdoadas, a dispersão dos sentidos internos e externos, o trabalho mal feito etc. Na segunda leitura, lemos umas palavras estimulantes de São Paulo aos cristãos de Filipos: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de bom nome, qualquer virtude, qualquer coisa digna do louvor da disciplina, seja isso o objeto dos vossos pensamentos”. Todos os dias encontramos muitas possibilidades de oferecer frutos agradáveis a Deus: desde a primeira vitória contra a preguiça ao levantar- -nos pela manhã pontualmente – o minuto heróico –, até esse pequeno sacrifício de enfrentar com bom ânimo o trânsito parado ou um ligeiro mal-estar que nos deixa indispostos. São muitas, neste dia irrepetível, as ocasiões de sorrir, de ter uma palavra amável, de desculpar um erro. No trabalho, o Senhor espera esses pequenos frutos que surgem quando nos esforçamos por executá-lo bem: a pontualidade, a ordem, a intensidade, o cumprimento dos prazos previstos. Alguém recomendava a “amabilidade diária”: uma série de demonstrações de carinho, de respeito mútuo e de atenções com as pessoas da nossa convivência diária. Hoje é necessário reaprender a dialogar, criar momentos dedicados exclusivamente a conversar, a escutar a cada um, a conviver e a se conhecer melhor. O diálogo verdadeiro exige superar as conversas monossilábicas, mais próprias do homem das cavernas. Temos um desafio diário: abrir mão do celular para prestar atenção às pessoas de nossa casa, do trabalho etc. Assim seremos a vinha que dá frutos agradáveis a Deus, que, por sua vez, encherão nosso coração de alegria por semear a paz e a alegria ao nosso redor.

Dom Carlos Lema Garcia Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Educação e Universidades

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