6- REFLEXÕES
DO 27.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A
6.1- CHAMADOS A DAR FRUTOS QUE AGRADEM A DEUS
A
liturgia desse Domingo, através de uma das mais belas alegorias, fala- -nos do
amor de Deus pelo seu povo e da falta de correspondência a esse amor. Na
primeira leitura encontramos a chamada “canção da vinha”, que descreve Israel
como uma plantação de Deus, situada no melhor lugar, rodeada solicitamente de
cuidados: era lógico que essa vinha desse bons frutos, mas, ao contrário,
produziu uvas amargas. O próprio Senhor Jesus, como se lê no Evangelho,
referindo-se ao texto de Isaías, revela-nos a paciência de Deus, que manda os
seus mensageiros – os profetas do Antigo Testamento –, um após outro, em busca
de frutos da sua vinha. Por fim, envia o seu Filho amado, o próprio Jesus, que
os vinhateiros acabarão por matar: “E, lançando-lhe as mãos, puseram-no fora da
vinha e mataram-no”. É uma referência clara à crucifixão de Jesus, que teve
lugar fora dos muros de Jerusalém. Essa vinha simboliza primeiramente os
líderes do Povo Escolhido, que não corresponderam aos cuidados divinos; mas se
refere também à Igreja, bem como a cada um de nós. Meditemos hoje se o Senhor
pode encontrar frutos abundantes em nossa vida; abundantes porque é muito o que
nos foi dado. Frutos de caridade, de trabalho bem feito, de apostolado com os
amigos e familiares, de contrariedades acolhidas com paz, de pequenos
sacrifícios praticados discretamente, com toda naturalidade. Examinemos também
se, ao mesmo tempo, não produzimos essas uvas amargas que são os pecados: a
impaciência, a preguiça, as irritações, essas faltas de que não pedimos perdão
ao Senhor. O pecado é o fruto amargo das nossas vidas. Nossos pecados ofendem a
Deus: as faltas de caridade, os juízos negativos sobre esta ou aquela pessoa,
as reações de ira, as ofensas não perdoadas, a dispersão dos sentidos internos
e externos, o trabalho mal feito etc. Na segunda leitura, lemos umas palavras
estimulantes de São Paulo aos cristãos de Filipos: “Quanto ao mais, irmãos,
tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é
puro, tudo o que é amável, tudo o que é de bom nome, qualquer virtude, qualquer
coisa digna do louvor da disciplina, seja isso o objeto dos vossos
pensamentos”. Todos os dias encontramos muitas possibilidades de oferecer
frutos agradáveis a Deus: desde a primeira vitória contra a preguiça ao
levantar- -nos pela manhã pontualmente – o minuto heróico –, até esse pequeno
sacrifício de enfrentar com bom ânimo o trânsito parado ou um ligeiro mal-estar
que nos deixa indispostos. São muitas, neste dia irrepetível, as ocasiões de
sorrir, de ter uma palavra amável, de desculpar um erro. No trabalho, o Senhor
espera esses pequenos frutos que surgem quando nos esforçamos por executá-lo
bem: a pontualidade, a ordem, a intensidade, o cumprimento dos prazos
previstos. Alguém recomendava a “amabilidade diária”: uma série de
demonstrações de carinho, de respeito mútuo e de atenções com as pessoas da
nossa convivência diária. Hoje é necessário reaprender a dialogar, criar
momentos dedicados exclusivamente a conversar, a escutar a cada um, a conviver
e a se conhecer melhor. O diálogo verdadeiro exige superar as conversas
monossilábicas, mais próprias do homem das cavernas. Temos um desafio diário:
abrir mão do celular para prestar atenção às pessoas de nossa casa, do trabalho
etc. Assim seremos a vinha que dá frutos agradáveis a Deus, que, por sua vez,
encherão nosso coração de alegria por semear a paz e a alegria ao nosso redor.
Dom Carlos Lema Garcia Bispo Auxiliar
de São Paulo Vigário Episcopal para a Educação e Universidades
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Ano-50A-53-27o-DOMINGO-DO-TEMPO-COMUM.pdf
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