sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

BEM-VINDO AO SB SABENDO BEM DE 18 DE JANEIRO DE 2026- SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A - DOMINGO DA PALAVRA DE DEUS



 A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. (I Coríntios 1, 18).

 DOMINGo 18 DE JANEIRO DE 2026

 (Ano A/Verde) 2º Domingo do Tempo Comum 18 de janeiro de 2026

VOU FAZER DE TI LUZ DAS NAÇÕES!

https://youtu.be/Ca0vO9b5vjM?si=DCHtuXyRJ22fbT1Z

(Um dia escutei teu chamado)

https://youtu.be/4DinyG9-FUg?si=PxvE6pd0Rekd31TL

(Mestre)

https://youtu.be/f6R0EMfHM5Y?si=jKYb9qoivcqdzMb2

(Eis-me aqui Senhor)

https://youtu.be/1RfbF5-6qPk?si=C_mv_1c08BNoRfNR

(Meu Mestre)


SB SABENDO BEM DE 18 DE JANEIRO DE 2026 INFORMA

Caro(a) Leitor(a) amigo(a):

O meu abraço fraterno e uma ótima semana a todos!

ACESSE SEMPRE O BLOG: sbsabendobem.blogspot.com e divulgue aos seus amigos, conhecidos e contatos nas redes sociais. Comente, faça sugestões. Agradeço!

Escreva para: sbsabendobem@gmail.com

 

SB SABENDO BEM DE 18 DE JANEIRO DE 2026

 

SEJA BEM-VINDO! SEJA BEM-VINDA!

1- SB SABENDO BEM DE 18 DE JANEIRO DE 2026

 

1-    SB SABENDO BEM DE 18 DE JANEIRO DE 2026

Irmãos e irmãs estamos reunidos para ouvir a voz do Senhor que nos fala pelo Espírito Santo através de sua Santa Palavra. Nessa Liturgia somos convidados a ouvir o chamado de Deus e acolher seu projeto de vida e verdade. Alegres por estarmos na casa de Deus.

Deus nos escolheu e nos trouxe até aqui para nos fazer testemunhas da sua bondade em meio a este mundo marcado por tantos sofrimentos. Somos escolhidos e enviados como servos do Senhor; devemos anunciar a paz que o Cordeiro de Deus nos oferece. Nesta Liturgia queremos acolher a vontade de Deus com o coração aberto na certeza de que Ele nos oferece a vida em plenitude e nos faz participantes de sua graça. Ouçamos a voz de Deus que nos diz: "Vou fazer de ti luz das nações".

Neste Dia do Senhor, após concluirmos o tempo do Natal, acolhemos o testemunho de João Batista, que apresenta Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Somos felizes por participar desta Ceia Santa, o banquete nupcial do Cordeiro. Ao ouvirmos a Palavra e nos alimentarmos do Corpo e Sangue do Senhor, desejamos assumir também a sua missão. Como discípulos e discípulas, queremos caminhar com Jesus e participar plenamente de sua Páscoa.(Introdução do Folheto Povo de Deus em São Paulo).

DOMINGO DA PALAVRA DE DEUS!

Dom Anuar Battisti / Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

O Domingo da Palavra do Senhor é uma celebração litúrgica instituída pelo Papa Francisco em 2019, marcando um dia especial para a valorização e reflexão sobre a importância da Sagrada Escritura na vida da comunidade cristã. Esta celebração é observada anualmente, no terceiro domingo do Tempo Comum, como uma oportunidade para os fiéis mergulharem mais profundamente na Palavra de Deus. A iniciativa do Domingo da Palavra do Senhor reflete o desejo de fortalecer a relação entre os cristãos e a Bíblia. O Papa Francisco instituiu essa celebração por meio da Carta Apostólica “Aperuit illis”, publicada em 30 de setembro de 2019. O título, que significa “Abriu-lhes o entendimento”, destaca o papel da Escritura em iluminar a compreensão dos discípulos de Cristo. Os objetivos centrais desta celebração são ressaltar a importância da Palavra de Deus na vida da Igreja, incentivar a leitura e reflexão bíblicas, e integrar a Palavra na liturgia. O Domingo da Palavra do Senhor motiva os fiéis a se envolverem mais ativamente com as Escrituras, promovendo a compreensão profunda dos ensinamentos contidos nelas. Durante o Domingo da Palavra do Senhor, as igrejas podem realizar atividades especiais, como leituras bíblicas prolongadas, momentos de reflexão sobre passagens-chave, e até mesmo encenações que trazem à vida os relatos bíblicos. A liturgia desse dia enfatiza a importância da Palavra de Deus na formação da identidade cristã. A Palavra de Deus desempenha um papel unificador na diversidade da comunidade cristã. Ao se voltar para a Bíblia, os fiéis encontram uma base comum para a fé, uma mensagem de esperança e orientação para enfrentar os desafios da vida cotidiana. O Domingo da Palavra do Senhor é mais do que uma celebração litúrgica; é um convite para os cristãos mergulharem nas riquezas da Sagrada Escritura. Ao colocar a Bíblia no centro da vida espiritual, a Igreja busca fortalecer a fé, promover a unidade e inspirar os fiéis a viverem de acordo com os princípios divinos. Esta celebração reafirma a crença de que, nas palavras do Papa Francisco, “a Palavra de Deus ilumina os olhos do coração” e guia os passos da comunidade cristã ao longo de sua jornada de fé.

- SUGESTÕES: Oferecer uma Bíblia para quem não a tem.

Outras sugestões: um marca-páginas com versículos bíblicos ou uma lembrancinha; promover um momento de Leitura Orante com a Comunidade; um sorteio de Bíblias ou livros sobre a Palavra de Deus; o texto da Carta Apostólica APERUIT ILLIS do Papa Francisco sobre o Domingo da Palavra de Deus.

A carta pode ser baixada no site do Vaticano: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/motu_proprio/documents/papafrancesco-motu-proprio-20190930_aperuit-illis.html

Fonte:https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2025/12/18_01_26.pdf

2- LITURGIA DA PALAVRA DO 2.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

 

2-    LITURGIA DA PALAVRA DO 2.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

Ouçamos, com coração de discípulos, as leituras que nos apresentam Jesus, o Cristo, e nos convocam a viver em íntima comunhão com Ele.

PRIMEIRA LEITURA (Is 49,3.5-6)

Leitura do Livro do Profeta Isaías.

3 O Senhor me disse: “Tu és o meu Servo, Israel, em quem serei glorificado”. 5 E agora diz-me o Senhor – ele que me preparou desde o nascimento para ser seu Servo – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. 6 Disse ele: “Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra”.

- Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

SALMO 39(40)

Eu disse: Eis que venho, Senhor, com prazer faço a vossa vontade! 1.

1.Esperando, esperei no Senhor, * e inclinando-se ouviu meu clamor. / Canto novo ele pôs em meus lábios, * um poema em louvor ao Senhor. 2. Sacrifício e oblação não quisestes, * mas abristes, Senhor, meus ouvidos, / não pedistes ofertas nem vítimas, * holocaustos por nossos pecados.

3. E então eu vos disse: “Eis que venho!” * Sobre mim está escrito no livro: / “Com prazer faço a vossa vontade, * guardo em meu coração vossa lei!”.

4. Boas novas de vossa justiça * anunciei numa grande assembleia; / vós sabeis: não fechei os meus lábios! * Proclamei toda a vossa justiça.

SEGUNDA LEITURA (1 Cor 1,1-3)

Início da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.

1 Paulo, chamado a ser apóstolo de Jesus Cristo, por vontade de Deus, e o irmão Sóstenes, 2 à Igreja de Deus que está em Corinto: aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos junto com todos os que, em qualquer lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso. 3 Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

- Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

ACLAMAÇÃO (Jo 1,14a.12a)

Aleluia, aleluia, aleluia.

A Palavra se fez carne, entre nós ela acampou; / todo aquele que a acolheu, de Deus filho se tomou.

EVANGELHO (Jo 1,29-34)

P. O Senhor esteja convosco. T. Ele está no meio de nós. P.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João. T. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 29João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30Dele é que eu disse: ‘Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim’. 31Também eu não o conhecia, mas se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel”. 32E João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. 33Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. 34Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!”

- Palavra da Salvação. T. Glória a vós, Senhor.

https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Ano-50A-11-2o-DOMINGO-DO-TEMPO-COMUM.pdf

3- LITURGIA DO 2.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

 

3-    LITURGIA DO 2.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

- Entramos novamente no Tempo Comum, momento em que a Liturgia volta a usar a cor verde. Verde de quem caminha no dia a dia, cheio de esperança, porque sabe que o Filho de Deus veio habitar entre nós, entrou no nosso tempo para santificar os pequenos momentos de nossa vida: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14). Para nós cristãos, o tempo, a vida e a história humana têm o gosto da presença de Deus. Nosso tempo tem sabor de eternidade, gostinho da vida que é o primeiro chamado que Deus nos fez.

- Chamados à vida, Deus nos chama, pelo Batismo, a assumir uma missão. Todos devemos anunciar a Boa-Nova do Reino, por isso, a Liturgia de hoje nos aponta este caminho: devemos criar ânimo e anunciar o Evangelho com nossas vidas. Com o segundo Cântico do Servo Sofredor que vimos na primeira leitura, tomamos consciência de que a origem de toda a vocação profética está em Deus, pois é Ele quem escolhe, chama e envia.

- Aos olhos humanos é difícil assumir essa missão de anunciar ao mundo inteiro a Palavra e o Reino de Deus. Mesmo assim o servo da primeira leitura sabe que não é privilégio dele, mas sim, por graça de Deus que o capacita para tal vocação. Ainda hoje temos homens e mulheres que foram escolhidos para serem luz no meio dos povos, mas ainda não aceitaram a missão e permanecem indiferentes nos bancos de nossas igrejas. Ainda hoje, Deus fala com cada um de nós: "Eu te escolhi, tu és meu servo, vou fazer de ti a luz das nações para que a minha salvação chegue até aos confins da terra". Ouçamos a voz de Deus que chama!

 - Como o salmista, nós devemos responder "eu venho para fazer a vossa vontade, Senhor". Mas esta resposta deve ser com gestos concretos. Poderíamos nos perguntar: qual é a vontade do Senhor? Nós bem sabemos o desejo de Deus para a humanidade: Ele vive e nos quer vivos, com dignidade, abraçando a salvação e vivendo o Reino já aqui, Ele deseja que o amemos acima de todas as coisas e vivamos este amor para com o próximo. Como nos ensinou São Paulo na segunda leitura, a vontade de Deus é que abracemos a vocação à santidade e a testemunhemos a todos. Viver a proposta libertadora do Evangelho é pautar nossa vida com os valores do Reino anunciados e vividos por Jesus.

- O que é anunciar o Evangelho hoje? O que é viver a santidade hoje? Alguns pensam que é se privar e se esconder do mundo porque tudo é pecaminoso, porém, Jesus nos convida a ser "sal da terra e luz do mundo", não podemos esconder a luz que Deus nos concedeu. Onde formos, devemos ser sinais de Deus; devemos brilhar em meios às trevas do mundo. Viver a santidade e anunciar o Evangelho é ser 'apresentador' de Jesus como foi João Batista. João deu testemunho da verdade; pregou, viveu na prática e fez de toda a sua vida uma grande 'escada' para que Cristo pudesse ser visto e amado por todos. João nos ensina hoje que todos os nossos gestos devem apontar para Jesus. - Por fim, levemos essa verdade para casa: nós somos chamados por Deus; não estamos aqui em vão. Nosso Batismo não pode ser infrutífero, pois nossa vida deve estar a serviço de Jesus. Devemos ser como João Batista: anunciadores do Reino com nossos atos, palavras e ações que Jesus é o Cordeiro de Deus que nos salva!

https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2025/12/18_01_26.pdf

4-REFLEXÕES PARA O2.º DOMINGO DO T.C.- ANO A 4.1- EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!

 

4-REFLEXÕES PARA O2.º DOMINGO DO T.C.- ANO A

4.1- EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!

Meus irmãos e irmãs, estamos no raiar do Tempo Comum, tempo verde daqueles que caminham cheios de esperança dia a dia, certos de que o Filho de Deus veio habitar entre nós, armou sua tenda (Jo 1,14) e quer, ainda hoje, nos santificar por meio da Sua presença. Neste trecho do Evangelho deste domingo, segundo São João, encontramos uma das declarações mais fortes e centrais de toda a fé cristã. João Batista, ao ver Jesus que se aproximava, proclama: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Essa frase, tão familiar a nós — repetida em cada missa antes da comunhão — carrega uma profundidade teológica e espiritual imensa. Para os judeus daquela época, a imagem do cordeiro estava fortemente ligada ao sacrifício. No Êxodo, na noite da libertação do povo de Israel do Egito, os hebreus sacrificaram um cordeiro e marcaram suas portas com o sangue dele. Esse sangue os salvou da morte. Assim, ao chamar Jesus de “Cordeiro de Deus”, João Batista alude Jesus como o verdadeiro sacrifício pascal. Ele é aquele que se oferece por todos nós, cuja entrega nos livra da escravidão do pecado e da morte eterna. Aqui não se trata apenas dos pecados individuais, mas do pecado do mundo, ou seja, de toda a força do mal que afasta a humanidade de Deus. Jesus não veio apenas nos perdoar — Ele veio tirar o pecado, arrancá-lo pela raiz, curar o coração humano e restaurar a criação inteira. E como Ele faz isso? Não com violência, mas com amor radical. Não impondo, mas se oferecendo. Não condenando, mas se entregando. No decorrer da narrativa evangélica, João ainda diz: “Eu não o conhecia, mas vim batizar com água para que Ele fosse manifestado a Israel.” Quanta humildade e compreensão do mistério da revelação! João reconhece que sua missão era preparar o caminho, apontar para alguém maior. E com isso, é importante notar que João não tenta reter os discípulos para si. Ele sabe que seu papel é conduzir os corações até Jesus. Isso é um grande ensinamento para todos nós, especialmente para quem tem alguma responsabilidade na comunidade: não somos donos da fé de ninguém, mas servos do Evangelho. Assim como João Batista, também nós somos chamados a apontar para Jesus com nossa vida. Que nossas atitudes, nossas palavras, nossas escolhas revelem ao mundo que Jesus está vivo, presente e continua a tirar o pecado do mundo. Mas para isso, precisamos primeiro fazer a experiência pessoal de reconhecê-Lo. Só quem “vê” Jesus com os olhos da fé pode anunciá-Lo com autoridade e convicção. Queridos irmãos, reitero que este Evangelho nos convida à fé profunda naquele que é o Cordeiro de Deus. Ele não veio para julgar, mas para salvar. Ele não veio para condenar, mas para tirar o pecado que nos impede de sermos plenamente livres e felizes. Que possamos, ao nos aproximar da Eucaristia e ouvir novamente as palavras “Eis o Cordeiro de Deus…”, renovar nossa fé, nossa gratidão e nosso compromisso de viver como verdadeiros discípulos Dele.

Dom Cícero Alves de França Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal Região Belém

https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Ano-50A-11-2o-DOMINGO-DO-TEMPO-COMUM.pdf

4.2- 18 de janeiro – 2º DOMINGO DO TEMPO COMUM Por Junior Vasconcelos do Amaral* Eu te farei luz das nações!

 

 

4.2- 18 de janeiro – 2º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Por Junior Vasconcelos do Amaral*

Eu te farei luz das nações!

I. INTRODUÇÃO GERAL

Após o Batismo de Jesus, celebrado no domingo passado, em que renovamos nossa missão batismal, a Igreja nos convida a voltar ao Tempo Comum, espécie de kairós catequético no qual a Palavra de Deus vai ecoar no meio de nós e em nosso coração. Somos animados a deixar brilhar em nós a luz de Deus para que, com nosso auxílio, outros também creiam. Todo cristão batizado, desde a Igreja antiga, é considerado um “iluminado”, que deve fazer brilhar no mundo a luz de Cristo. Neste 2º Domingo do Tempo Comum, a liturgia nos fala dessa luz, que, para o profeta Isaías, é Israel durante o exílio. Israel deve reluzir, por meio de sua fé em Deus, essa relação substancial com Ele, que alimenta a esperança de novos céus e nova terra – nesse caso, o retorno para Judá. A segunda leitura, de Paulo falando aos coríntios, é uma exortação inicial da carta que convida à unidade em Cristo. Mesmo em meio à divisão encontrada em Corinto, Paulo decide-se por anunciar a unidade perfeita em Cristo, pelo vínculo indefectível do amor. No Evangelho, João anuncia Jesus como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Para o quarto Evangelho, o Logos, existindo antes dos tempos, assume a carne humana em Jesus, fazendo-se resgatador da salvação, como Cordeiro que redime, com seu próprio sangue, os pecados da humanidade, pois sua morte é vicária, “no lugar de”.

 

II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

 

1. I leitura (Is 49,3.5-6)

A presente passagem de Isaías traz o segundo cântico do Servo de Adonai e inspira seus ouvintes e leitores a pensar que, para além de servo, Israel é chamado a ser luz para as nações (v. 6). Não basta ser servo, há que se fazer luz a fim de restaurar as tribos de Jacó e reconduzir para Jerusalém os exilados livres do cativeiro. O povo de Deus, vivendo escravizado durante cinquenta anos na Babilônia, agora deve voltar para Judá. O personagem corporativo que é o Servo de Deus, de Adonai, deve ser um sinal de esperança que ilumina os caminhos para os que estão extraviados e desencaminhados, submersos na desesperança. Ele deve lançar luzes às estradas dos exilados para que seus pés não tropecem e eles não venham a sofrer ainda mais do que sofreram na Babilônia. A luz é um elemento vital. Jesus também utiliza a imagem desse elemento para falar ao coração de seus discípulos, exortando-os: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). Sendo luz para Jacó, Israel, o Servo do Senhor vai congregar seu povo e levá-lo para a terra do serviço a Deus e à fraternidade, Judá (cuja capital é Jerusalém).

2. II leitura (1Cor 1,1-3)

Esses são os primeiros versículos, ou seja, o prólogo, da primeira epístola de Paulo aos irmãos e irmãs de Corinto. Os cristãos da Igreja de Deus que está em Corinto são chamados a viver na santidade, pois foram santificados por Jesus Cristo, aquele que é Santo. Paulo escreve juntamente com o irmão Sóstenes aos coríntios, que vivem em uma cidade importante da Ásia Menor, uma cidade portuária. Sabia-se que em Corinto existia uma confluência de culturas e credos, religiões de mistério, bem como filosofias oriundas de várias partes. Corinto era a capital da província romana da Acaia, que abrangia a parte antiga da Grécia, ao sul da Macedônia, atraindo diversas pessoas do império.

O adágio “viver à coríntia” dizia muito sobre aquela cidade, significando viver lascivamente, de forma imoral. Paulo, assim, encontrou dificuldades em Corinto, imoralidades, dissensões, oposições e resistências, sobretudo por causa dos falsos ensinamentos que ali pululavam. O v. 2 mostra que Paulo está se dirigindo a todos os que, de qualquer lugar, invocam o nome de Jesus Cristo. O apóstolo pretende fundamentalmente promover em Corinto a união, pois os atos imorais, os falsos profetas e anticristos e os ensinamentos contrários à fé cristã dissuadiam muitos de viver a unidade da fé em Jesus Cristo. É desejo de Paulo que a fé em Cristo leve todos a viver o dom da unidade, no vínculo perfeito do amor.

3. Evangelho (Jo 1,29-34)

A passagem do Evangelho tem como elemento fundamental a tradição sobre João Batista presente no quarto Evangelho, da comunidade do Discípulo Amado. A tradição sobre o Batista é frequente nos sinóticos (Mc, Mt e Lc) e no quarto Evangelho. Disso se pode deduzir que João Batista tenha influenciado decisivamente a vida e a missão de Jesus, configurando-se como seu mestre, como aquele a quem Jesus se dirige no início de sua vida ministerial como missionário itinerante e carismático.

No judaísmo, os discípulos procuravam os mestres (rabinos) com os quais desejavam aprender os ensinamentos da Torá e aquilo que era dito acerca da Lei, o que se pode chamar de midrash (interpretação). Jesus, dessa maneira, vai até João, que, ao batizá-lo nas águas do Jordão, marcará o início de seu ministério. João Batista tem em Jo 1,19-37 importante missão: apresentar o Messias, o “enviado” de Deus, Jesus Cristo. Para as fontes que alimentaram os sinóticos e o quarto Evangelho, o batismo é decisivo para a vida de Jesus, pois, logo após ser batizado, ele é levado pelo Espírito para o deserto a fim de ser tentado por satanás. Jesus permanece fiel a Deus e renuncia a todas as investidas do diabo.

Em Jo 1,19-28, encontra-se o testemunho acerca de João Batista. Os judeus e levitas, no v. 19, perguntam a João quem é ele. João diz não ser o Cristo (v. 20). Em seguida, diz de si mesmo: “Eu sou a voz que clama no deserto...” (v. 23). Na cena seguinte (o Evangelho deste domingo: v. 29-33), Jesus vai até João. O Batista afirma: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” Para João, Jesus é o homem, o varão, a serviço do qual foi enviado, pois ele, Jesus, lhe era preexistente. O evangelista está aqui recordando o tema da preexistência do Logos (1,1-2).

No quarto Evangelho, ao ir até João Batista, Jesus é apresentado por ele como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. A cena em questão começa com uma sinalização temporal importante, “no dia seguinte” (v. 29). O Evangelho joanino marca uma espécie de semana inaugural para narrar a missão de Jesus. A participação de João Batista é marcante como testemunha no primeiro dia e decisiva no segundo dia, quando apresentará Jesus como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (v. 29.36). No comentário da Bíblia de Jerusalém (edição de 2002) sobre esse versículo, encontra-se preciosa chave de leitura: “O ‘pecado’ (no singular) por excelência é recusar reconhecer Cristo como enviado de Deus (15,22.24; 16,9; 8,21), que veio nos revelar a ‘verdade’ (8,32)”.

João Batista testemunha, além da preexistência do Logos, uma temática preponderante no quarto Evangelho – Jesus foi batizado pela ação do Espírito Santo –, pois viu e testemunhou que o Espírito desceu sobre ele como uma pomba do céu. João diz não conhecer anteriormente aquele que veio até ele, mas Deus, que o enviou para cumprir tal missão, lho deu a conhecer, por revelação. As palavras de Deus ao Batista acerca de Jesus são claras: “Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo” (v. 33). João conclui em tom querigmático: “Eu vi e dou testemunho: este é o Filho de Deus”. Seu testemunho é imprescindível para o início do Evangelho joanino, assim como é o batismo de Jesus ministrado por ele nos sinóticos. No quarto Evangelho, além de batizar Jesus, João dá testemunho (em grego, memartyrēka, verbo no perfeito indicativo ativo, dando sentido de continuidade) sobre ele. Para o Batista, Jesus é o Filho de Deus; em sentido semítico, o próprio Deus no meio deles.

 

III. PISTAS PARA REFLEXÃO

Esta liturgia está interligada com a do domingo passado, festa do Batismo de Jesus. A comunidade cristã pode, na liturgia deste domingo, meditar acerca de sua missão batismal, do que cada membro batizado na comunidade faz para a evangelização. Todos os fiéis batizados estão cooperando com o anúncio do Evangelho, na catequese, na liturgia, nas pastorais sociais? Meditar a importância da vida comunitária, como nos ensina a segunda leitura. Perceber a importância de que cada fiel ilumine o mundo com seu testemunho, com sua conduta e com o anúncio da Boa-nova de Jesus.

Junior Vasconcelos do Amaral*

*é presbítero da arquidiocese de Belo Horizonte-MG e vigário episcopal da Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança (Rense). Doutor em Teologia Bíblica pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje), realizou parte de seus estudos de doutorado na modalidade “sanduíche”, estudando Narratologia Bíblica na Université Catholique de Louvain (Louvain-la-Neuve, Bélgica). Atualmente, é professor de Antigo e Novo Testamentos na PUC-Minas, em Belo Horizonte, e desenvolve pesquisa sobre psicanálise e Bíblia. É psicanalista clínico. E-mail: jvsamaral@yahoo.com.br


https://www.vidapastoral.com.br/roteiros/18-de-janeiro-2o-domingo-do-tempo-comum-2/

5- LEITURAS PARA A SEMANA DE 19 A 25 DE JANEIRO E MOMENTO DEVOCIONAL

 

 

5- LEITURAS PARA A SEMANA DE 19 A 25 DE JANEIRO E MOMENTO DEVOCIONAL

19- 2ª 1Sm 15,16-23 / Sl 49(50) / Mc 2,18-22

20- 3ª 1Sm 16,1-13 / Sl 88(89) / Mc 2,23-28

21- 4ª 1Sm 17,32-33.37.40-51 / Sl 143(144) Mc 3,1-6

22- 5ª 1Sm 18,6-9; 19,1-7 / Sl 55(56) / Mc 3,7-12

23- 6ª 1Sm 24,3-21 / Sl 56(57) / Mc 3,13-19

24- Sáb.: 2Sm 1,1-4.11-12.19.23-27 / Sl 79(80) / Mc 3,20-21

25- Dom.: 3º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Hoje, omite-se a Festa de Conversão de São Paulo, Apóstolo, fora da Arquidiocese de São Paulo

Is 8,23b-9,3 ou At 9,1-22

Sl 26(27),1.4.13-14 (R. 1a.1c)

1Cor 1,10-13.17

Mt 4,12-23

Solenidade da Conversão de São Paulo Apóstolo.

MOMENTO DEVOCIONAL

D. O Tempo Comum é um momento oportuno para que na escola de Jesus aprendamos a caminhar. Maria soube fazer a vontade do Pai, escutando com atenção e servindo com alegria aquilo que Deus queria na sua vida. Rezemos, pedindo a Virgem Maria, Mãe de Deus, que interceda por todos nós ao assumirmos o serviço de evangelizar. Todos: Ave Maria... Glória ao Pai... Refrão: Ó, vem conosco, vem caminhar, Santa Maria vem (2x).

https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2025/12/18_01_26.pdf

6-SUGESTÕES DE CANTOS PARA OS DOMINGOS DO TEMPO COMUM – ANO A

 

6-SUGESTÕES DE CANTOS PARA OS DOMINGOS DO TEMPO COMUM – ANO A

ENTRADA:
Eis-me aqui Senhor
Te louvo, meu Senhor
Mestre, onde moras?
Senhor, o Deus dos pobres
Somos um povo
Alegres vamos à casa do Pai
De todos os cantos viemos
O Senhor necessitou de braços
Deixa a luz do céu entrar
Nós somos muitos
Vamos caminhando lado a lado

Às tuas portas, Senhor

ATO PENITENCIAL:
Sugestões

GLÓRIA:
Sugestões

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO:
Buscai primeiro o Reino de Deus
Aleluia, ponho me a ouvir
Aleluia, rendei graças
Aleluia! Fala, Senhor

PREPARAÇÃO DAS OFERTAS:
Nos caminhos deste mundo onde andei
Quem se propõe
Os dons que trago aqui
A partilha começa na mesa
Ouvindo o apelo de Deus
Com alegria
Nesta mesa da irmandade
Bendito sejas, Senhor Deus
No teu altar, Senhor
Senhor, vos ofertamos

COMUNHÃO:
O pão que não se reparte
Por essa paz
Tua mesa, Senhor
O nosso Deus, com amor sem medida
Eis o Pão da vida
Somos felizes
Força de paz
Feliz o homem que ama o Senhor
O meu Reino tem muito a dizer
Um dia escutei teu chamado
Caminhando Jesus
Tu és minha vida
A Ti, meu Deus
Na mesa da Eucaristia
Tu sabes, Senhor, o quanto eu te amo (Ver refrão para o Tempo Comum)
Com amor eterno eu te amei

FINAL:
Feliz de quem caminha
Eu te exaltarei
Ninguém pode prender um sonho
Senhor, te dou a minha alegria
Quando o Espírito de Deus soprou
Ide pelo mundo
Tomado pela mão
Segura na mão de Deus
Senhor, eu quero te agradecer
Sinto a vida renascer


https://musicasdamissa.blogspot.com/p/sugestao-de-cantos-para-o-tempo-comum.html

7- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA(*)

 

7- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA(*)

Lindolivo Soares Moura



"ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE: O VÍNCULO CONJUGAL RESSIGNIFICADO À LUZ DA ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO"

                      [Parte V-02]

            "Onde  houver  discórdia, que  eu leve a união!" 

               [Atribuída a  São Francisco de Assis]

Obs.: esta quinta parte, tópico 02, dá sequência e complementa as anteriores, de mesmo título.

ONDE HOUVER DISCÓRDIA, QUE EU LEVE A UNIÃO!

De acordo com Lou Marinoff, quando uma das partes de um relacionamento percebe que o investimento no vínculo feito pelo parceiro está se tornando desproporcional e demasiado aquém daquele que ela própria vem realizando, isso tem se constituído em uma das principais razões para que a parte que se considera “lesada” busque ajuda terapêutica. Ainda segundo Marinoff, muitas esposas estão dispostas a aceitar um investimento financeiro menor por parte do marido - quando é ele o principal mantenedor - desde que isso se traduza em um maior investimento de tempo, afeto e cuidado direcionado ao vínculo conjugal e à vida compartilhada, incluindo elas mesmas e os filhos. Evidentemente, como toda regra comporta exceções, esta também as possui; ainda assim, parece razoável admiti-la como uma regra geral, válida e sustentável.

Isso nos permite afirmar que uma segunda porta pela qual a discórdia pode acabar ingressando em um relacionamento seja o déficit de investimento afetivo e emocional para com o vínculo conjugal e para com a família de um modo geral, o que pode ocorrer tanto por iniciativa de um dos cônjuges quanto de ambos. É claro que as razões que levam a esse déficit podem ser diversas e distintas, cabendo ao terapeuta lidar com cada uma delas em sua singularidade. De nossa parte, optamos por abordar aquela que consideramos mais abrangente e mais genérica e que, justamente por essa característica, costuma atingir um número de relacionamentos bastante expressivo. Refiro-me ao investimento direcionado ao campo profissional quando ele se sobrepõe, em grau de importância - e, portanto, de tempo e de dedicação - ao investimento dispensado ao vínculo conjugal e/ou familiar.

Quando o trabalho deixa de ser meio e passa a ocupar o lugar de fim último - para certos cônjuges essa inversão não é assumida mas é internamente presumida - o relacionamento tende a ser deslocado para um plano secundário, passando a ser sustentado quase exclusivamente por rotinas e compromissos formais. O prejuízo, nesse caso, não se limita à diminuição do tempo compartilhado, mas atinge diretamente a qualidade da presença, da escuta, do envolvimento e do cuidado mútuo. O investimento profissional - a princípio, necessário e legítimo - transforma-se em fator de desequilíbrio quando carece de limites e mantém sob pressão contínua o espaço da troca e da intimidade afetiva. A isso se somam o desgaste progressivo e a escassez de energia emocional, que reduzem a capacidade de acolhimento e de resposta às demandas do parceiro. Gradualmente, o diálogo se empobrece, as prioridades se alteram de modo silencioso, e o vínculo deixa de ser alimentado por escolhas livres e conscientes, passando a ser nutrido com o que "sobra". O relacionamento passa a ser administrado como qualquer outro campo da vida, o que compromete sua força integradora, enfraquece o sentimento de pertença e fragiliza sua sustentação ao longo do tempo.

À luz da psicologia humanista de Abraham Maslow, essa dinâmica torna-se mais facilmente compreensível. Para Maslow, o dinheiro e os bens materiais possuem valor eminentemente instrumental: são úteis para atender necessidades básicas - sobretudo as fisiológicas e as de segurança - mas não constituem, em si mesmos, fonte de satisfação profunda ou de realização duradoura - exatamente por isso são chamados de "fatores insatisfacientes". Uma vez assegurado um patamar mínimo de estabilidade e segurança, o acréscimo de recursos passa a gerar retornos psicológicos cada vez menores, revelando-se incapaz de suprir - e por vezes até agravando - carências relacionadas ao sentimento de pertencimento, ao sentido da vida e à construção da autoestima. Quando o investimento profissional e financeiro ocupa o lugar dessas necessidades superiores - que de acordo com Maslow ocupam o ápice da pirâmide - corre-se o risco de confundir provisão com cuidado e estabilidade com vínculo. O resultado é um funcionamento eficiente, porém afetivamente empobrecido, no qual o relacionamento se mantém abastecido de meios e bens materiais, mas privado daquilo que efetivamente o nutre em sua dimensão mais profunda. A afirmação de Marinoff se compreende sobretudo nesse sentido.

Não importa que ambos os cônjuges se encontrem na condição de mantenedores materiais: sempre haverá, implícita ou explicitamente manifesta, a expectativa de que o vínculo conjugal seja reconhecido e tratado como o bem mais precioso e, por isso mesmo, merecedor dos melhores investimentos de tempo e de afeto. O fato de que as necessidades de sobrevivência e de segurança - que, segundo Maslow, ocupam a base da pirâmide - reclamem atenção mais imediata, em nada altera essa hierarquia de valor e de sentido. O problema é que muitos mantenedores tendem a acreditar que, se são bons provedores, são também, automaticamente, bons maridos, boas esposas e bons pais. Trata-se de um equívoco traiçoeiro, embora ocorra com frequência. Quando a discórdia se depara com essa brecha e por ela se insinua, não é raro que surjam no consultório justificativas do tipo: “dedico toda a minha vida ao meu casamento; trabalho de manhã à noite, de segunda a sábado, mês após mês, ano após ano para proporcionar qualidade de vida ao meu casamento e à minha família”. O que não se percebe é que a dedicação pode estar sendo plena e integral, porém dirigida não ao vínculo conjugal e sim ao trabalho. Os fins passam a ser tratados como meios, na exata proporção em que os meios passam a ocupar, silenciosamente, o lugar de fins. O grau de insatisfação aumenta e, com ele, o teor de discórdia. Desnecessário dizer que, a essa altura, os corações já estão transitando por vias separadas, e a paz já solicitou visto de saída. Seguramente, Francisco não ignorava esse tipo de cilada, ao fazer sua súplica implorando pela superação da discórdia, o retorno da concórdia e a restauração da paz.

Obs.: esta quinta parte, tópico 02, continua e será complementada pela sexta parte de mesmo título.

(* ) Reflexão enviada de Vitória(ES) via WhatApp.

8- Eucaristia, ceia memorial e festiva: da ritualidade ao mistério Por Danilo César* e Penha Carpanedo**

 

 

8- Eucaristia, ceia memorial e festiva: da ritualidade ao mistério

Por Danilo César* e Penha Carpanedo**

 

O texto, uma reflexão acerca da Eucaristia como sacramento central da vida eclesial, discute certas distorções quanto à vivência deste sacramento, o qual, historicamente, se distanciou de sua compreensão litúrgica, com base em fortes influxos dogmáticos e canônicos. Graças ao Concílio Vaticano II, a teologia eucarística pôde voltar às fontes litúrgicas, bíblicas e patrísticas, recuperando seu sentido comunitário, celebrativo e escriturístico.

Introdução

A Eucaristia é o sacramento central da vida eclesial. Contudo, essa valorização decorre de intensa dogmatização de seu significado, processo que acarretou alguns efeitos, como o devocionismo eucarístico, o clericalismo e o cerimonialismo, que enquadram a Eucaristia num tipo de compreensão e a distanciam de seu fundamento: ser ação memorial da Páscoa do Senhor, realizada em comunidade, na forma de uma ceia festiva. Historicamente, a Eucaristia se distanciou de sua compreensão litúrgica, o que se deu sob fortes influxos dogmáticos e canônicos (BOURGEOIS, 2005, p. 55-58). Nesse esquema, a hipervalorização da tríade “matéria, forma e ministro” enfraqueceu o valor da assembleia. Bastando o ministro, a assembleia perdeu o acesso ao sacramento, a ponto de já não comungar, ficando confinada às devoções e à adoração das espécies. O evento da morte e ressurreição do Senhor, eixo da fé cristã, foi obscurecido pela teologia da presença real, que obteve notável desenvolvimento após o período medieval. A teologia sacrifical, posterior ao Concílio de Trento, recebeu enorme difusão, mas sem as necessárias peias da noção memorial, já firmada desde Trento.

Graças ao Concílio Vaticano II, a teologia eucarística pôde voltar às fontes litúrgicas, bíblicas e patrísticas, recuperando seu sentido comunitário, celebrativo e escriturístico. A grande intuição da reforma litúrgica a respeito da Eucaristia foi voltar à simplicidade evangélica: aos gestos e palavras de Jesus na última ceia, que constituem o memorial. Urge recuperar o sentido celebrativo (festivo) desse sacramento, devolvendo-lhe as feições originais.

1. “Façam isto”:  os gestos de uma festa

A reforma do rito da missa (Ordo Missae) dispôs mimeticamente o rito eucarístico em unidades rituais que correspondem aos gestos e palavras de Cristo na última ceia: o rito de apresentação das oferendas evoca seu gesto de tomar o pão e o cálice; a oração eucarística corresponde à sua ação de graças; a fração do pão e a comunhão, ao próprio ato de partir e repartir entre os discípulos (Instrução Geral do Missal Romano – IGMR –, n. 72). A Igreja cumpre, assim, o mandamento: “Façam isto como meu memorial” (Lc 22,19). Essas “unidades rituais” superam séculos de uma visão focada na narrativa da instituição – considerada exclusivamente como consagração.1 Recupera-se a noção de memorial, uma visão mais bíblica, patrística, litúrgica e orgânica da ceia, sem descartar o elemento dogmático da presença real.

Cinco são as hipóteses que tentam explicar qual teria sido o rito judaico no qual se deu a última ceia de Jesus (PENNA, 2018, p. 23-27). A mais aceita é a de que a última ceia tenha sido uma ceia pascal, como aparece no relato de Lucas: “Desejei ardentemente comer esta Páscoa com vocês” (Lc 22,15). Trata-se da Páscoa hebraica, que tantas vezes Jesus já havia celebrado com sua família, com os discípulos, ou em Jerusalém. A ceia remonta a Ex 12,1-14, que narra o ritual pascal da saída do Egito, da terra da escravidão. Celebrado de forma solene em família, com traços de intimidade, fantasia e evocações da história da salvação – diversamente da sinagoga, onde era celebrado de modo austero e conciso (DI SANTE, 2004, p. 218) –, o rito incluía o cordeiro, os pães sem fermento e as ervas amargas, sinais antecipatórios do evento da libertação. A ordem de iteração, ao final da perícope (v. 14), determina que os judeus das gerações futuras o celebrem sempre, para que possam participar do evento salvífico. Mas traz um elemento que faz compreender que a festa é parte da estrutura memorial: “Este dia será para vós um memorial, e o celebrareis como uma festa [hag (hebraico); heortèn (LXX)] para o Senhor; nas vossas gerações a festejareis; é um decreto perpétuo”.

A sucessão ritual dessa narrativa é o seder (ordem) pascal, “o mais sugestivo, alegre e inesquecível de todos os ritos familiares do judaísmo. […] E consiste na participação de uma refeição simbólica […] na qual cada elemento lembra um aspecto da noite, na qual Deus […] tirou o povo do Egito e o introduziu na Terra Prometida” (DI SANTE, 2004, p. 177). O cordeiro lembra que, no Egito, o anjo exterminador passou adiante das casas dos israelitas – donde deriva o termo Páscoa –, livrando o povo hebreu da morte dos primogênitos. Os pães ázimos lembram que os pais, na pressa da saída, não tiveram tempo de deixar a massa fermentar. As ervas amargas recordam que os egípcios amarguraram a vida dos pais, no Egito. O vinho lembra o dever de agradecer àquele que tirou o povo da escravidão do Egito e o fez passar da submissão à liberdade, da dor à alegria (DI SANTE, 2004, p. 181-182).

Às vésperas da sua paixão, Jesus realiza com seus amigos uma ceia pascal, com toda carga de significado que ela tem, incluindo seu caráter pascal festivo (Mc 14,26). Ele se põe no lugar do servo que providencia que seus convidados se alegrem à mesa. Entre os discípulos, a conversa gira em torno do poder, mas Jesus ensina o serviço à mesa como sinal do Reino (Lc 22,24-30). Ele a ressignifica, com suas palavras e seus gestos serviçais, em vista do acontecimento iminente da sua morte e ressurreição. No pão e no vinho, entrega-se a si mesmo, antecipando simbolicamente sua doação na cruz. Nas palavras de Pikaza e Haya:

Jesus se prepara para morrer em um contexto de festa de ação de graças pela vida, simbolizada no vinho, evocado aqui com uma fórmula solene (“o fruto da videira”). Com isso, ele coloca seu destino a serviço da vinha de Deus, ou seja, da vida do povo israelita, e da chegada do Reino para todos os povos (cf. Mc 12,1-2). Com vinho deste mundo velho, na festa de sua entrega-despedida, ele promete a seus amigos o vinho novo do Reino, em palavras que evocam o “triunfo de Deus”, sua vitória definitiva, acima de todos os possíveis fracassos (PIKAZA; HAYA, 2018, p. 278, tradução nossa).

No primeiro relato da última ceia, Paulo está centrado nas palavras e gestos de Jesus e no modo equivocado como a comunidade está celebrando a ceia do Senhor, evidenciando completa glutoneria e indiferença em relação aos pobres (1Cor 11,23-25). Celebrar a Eucaristia é fazer o que Jesus fez, comer e beber juntos, servindo uns aos outros e esperando uns pelos outros (1Cor 11,33). São os gestos e palavras do Senhor na última ceia que estruturam a ceia eucarística das gerações sucessivas, as quais haverão de participar, por ela, de sua morte e ressurreição. O alimento espiritual, tomado conjuntamente, fortalece a relação fraterna da comunidade, no serviço e na unidade que o pão partilhado evoca (1Cor 10,16-17).

2. Em memória de mim

A ceia de Jesus é memorial porque, ao repeti-la, recorda-se o profundo significado que Jesus conferiu ao gesto de partir o pão e de entregá-lo aos discípulos, juntamente com o cálice, às vésperas de sua paixão (LENAERS, 2014, p. 240). Não se trata de um exercício mental ou psicológico, mas de um rito que, por sua virtude, conecta os participantes ao fato comemorado.  Ao celebrar a ceia, os convidados se tornam presentes, em mistério, ao evento fundador, sendo transportados pelos sinais à passagem do mar Vermelho, como acontecimento histórico que já não pode repetir-se. A ceia pascal judaica (Ex 12,14) ilumina a Eucaristia como a Páscoa cristã. Não há diferença entre comer o cordeiro, o ázimo e a erva amarga daquela última ceia no Egito e comer os mesmos elementos da Páscoa atual. De acordo com Taborda (2015, p. 73), essa perspectiva da ceia judaica esclarece o sentido da Eucaristia como memorial da Páscoa de Jesus. Nas palavras desse autor:

Nos sinais do pão e do vinho deixados por Jesus, nós nos tornamos hoje contemporâneos do evento redentor da morte e ressurreição do Senhor. Em mistério participamos do acontecimento histórico único e irrepetível que trouxe a redenção para a humanidade. Por esse pão e esse vinho sobre os quais se pronunciou o memorial de ação de graças e para os quais se suplicou a vinda do Espírito Santo, somos realmente transportados na fé ao evento fundador e nos tornamos participantes dele. Também nós podemos dizer: este pão que agora partimos é aquele que Jesus partiu significando profeticamente seu corpo entregue por nós; este vinho que está agora aqui no cálice é aquele vinho que Jesus bebeu na última ceia anunciando profeticamente o seu sangue derramado (TABORDA, 2015, p. 74).

Eis por que, no coração da prece eucarística, foi introduzida pela reforma pós-conciliar uma aclamação, situada logo depois do relato institucional, a ser alegremente cantada pela assembleia: “Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda” (cf. 1Cor 11,26). Trata-se aqui de um anúncio litúrgico-comunitário, não apenas verbal, mas unindo gestos e palavras. Aclamar significa afirmar, sentenciosa e efusivamente, uma verdade. Os corpos, de pé, evocam a firmeza e a importância da sentença – esse é um ato solene. Contudo, o rito foi enfraquecido pelo influxo dogmático e devocional: muitos ainda permanecem de joelhos – respaldados por normas confusas do Missal (IGMR 42-44). Há que se perguntar, neste ponto: o que prescrições como essas guardam de clericalismo? Como resposta, poderíamos dizer: uma ceia íntima e festiva desnaturada em cerimônia formalista; gestos proféticos e domésticos de serviço, que denunciam a sedução do poder, transformados em atos sacrificais hieráticos; convidados ao banquete transformados em abstinentes adoradores; altares monumentais elevados e distanciados do povo; ministros “sacerdotalizados” e destacados do corpo eclesial… Que Igreja nasce daí?

O inciso “(eis o) mistério da fé”, que antecede a aclamação, é tirado de 1Tm 3,9.16: “Guardem o mistério da fé”; “Grande é o mistério da fé”. O mistério é o evento da morte e ressurreição do Senhor, evento englobante que abarca toda a vida do Servo neste mundo e sua glorificação, conforme o demonstra o antiquíssimo hino onde está inserido esse inciso (BUYST, 2005, p. 25).

3. Para um dia festivo, uma ceia festiva

O domingo apoia-se na mística do sábado judaico, o Shabat. Para os judeus, a prescrição sabática envolve o gozo, o deleite, a beleza e o prazer (HESCHEL, 2000, p. 32-35), elementos próprios da festa (PEREZ, 2002, p. 15-58). Depois da ressurreição, os discípulos e discípulas reuniam-se para celebrar, no primeiro dia da semana, em memória do Crucificado-Ressuscitado. Três passagens do Novo Testamento, citadas na Carta Apostólica Dies Domini, n. 21 (JOÃO PAULO II, 1998, p. 21), atestam esse fato.

Os três textos bíblicos citados evocam, de maneira mais ou menos explícita, a ligação do domingo com o serviço, a liturgia e o testemunho, como obras da fé celebradas na Eucaristia. A primeira carta aos Coríntios (16,1-2) trata da coleta fraterna em favor da comunidade de Jerusalém, evocando o serviço. Os Atos dos Apóstolos narram uma Eucaristia, celebrada no dia do Senhor, em Trôade (20,7-12). O Apocalipse fala de uma visão do apóstolo no dia do Senhor, à qual se segue a ordem de escrever às Igrejas da Ásia Menor (1,10-11). A liturgia é o lugar originante do serviço e do testemunho: o agir e a vida cristã decorrem da experiência celebrativa do mistério pascal de Cristo.

A descrição extrabíblica mais antiga da ceia dominical dos cristãos está na I Apologia de Justino (†165). O domingo era celebrado como festa pascal semanal, em memória da ressurreição de Cristo: “É no dia do sol que juntos nos reunimos, porque este dia foi o primeiro, no qual Deus, transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, este no qual Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos” (JUSTINO, 2006, p. 310-313, tradução nossa). O apologista conecta a ressurreição com o primeiro dia da criação, estabelecendo um nexo entre a criação, o evento salvífico cristão e a celebração da Eucaristia dominical. Celebrar o dia do Senhor remete ao evento da criação, renovado pela Páscoa de Cristo. Contudo, o mesmo Justino, após a celebração que descreve (liturgia), evoca a solidariedade da comunidade para com os necessitados (serviço), bem como o enfrentamento de perseguições, teor principal de suas apologias (testemunho).

O Vaticano II, já tendo ensinado o lugar central da liturgia na vida da Igreja (SC 10), recupera o domingo como Páscoa semanal, dia de festa e de alegria, dia por excelência da Eucaristia, da Palavra e da memória pascal de Jesus Cristo (SC 106). Reforça o caráter festivo desse dia, chamando-o de “primordial dia de festa” (primordialis dies festus), a ser assim proposto à piedade dos fiéis. O caráter festivo do domingo é elemento irrenunciável para a vivência mais fundamental da Eucaristia: a celebração dominical.

 

4. Do rito ao mistério

Celebrar equivale a festejar como expressão profunda da vida, distante da lógica utilitarista e sem submissão aos enquadramentos racionais e pragmáticos da sociedade. A festa é da ordem do gratuito, do inútil, do não tempo (TABORDA, 2019, p. 63-67). Ela rompe a espinha dorsal da ideologia da produção, da urgência e dos papéis sociais. Nela, a verdade mais nuclear da vida humana vem à tona. Sua linguagem é a poesia, a arte, o rito e o símbolo, capazes de descer às profundezas do ser, ao contrário do discurso, da racionalidade e da especulação. Ela traz uma profecia incômoda e, ao mesmo tempo, esperançosa, que se resume nas palavras de Paulo: “Se é para esta vida que colocamos a nossa esperança em Cristo, somos, dentre todas as pessoas, as mais dignas de compaixão” (1Cor 15,19). O rito, como linguagem própria da festa, antecipa um futuro de gozo e plenitude, diante do desespero e do limite desta vida. Ele faz a ligação entre o passado e o futuro, qualificando o presente. Na mesma linha, a Sacrosanctum Concilium (SC) dá importante chave para a percepção da liturgia e para a compreensão do mistério pascal de Cristo, quando afirma:

A Igreja se preocupa vivamente que os fiéis cristãos não assistam como estranhos ou espectadores mudos a este mistério de fé, mas que, por meio dos ritos e das preces, alcancem uma boa compreensão dele, participem da ação sagrada consciente, piedosa e ativamente, sejam instruídos na Palavra de Deus, se nutram à mesa do corpo do Senhor, rendam graças a Deus oferecendo a vítima imaculada, não somente pelas mãos do sacerdote, mas juntamente com ele, aprendam a oferecer a si próprios e dia a dia, por meio de Cristo mediador, se aperfeiçoem na unidade com Deus e entre eles, de modo que Deus seja finalmente tudo em todos (SC 48).

Não é a compreensão dos ritos que promove a participação, mas é a mediação do rito e das orações que viabiliza a participação ativa e consciente no mistério. Por trás disso está subentendida a compreensão do axioma lex orandi – lex credendi, isto é, “a norma da oração (liturgia) determina a norma da fé”. Por conseguinte, é preciso cuidar do rito e das orações litúrgicas como unidades fundamentais da festa cristã e, ademais, como elementos memoriais capazes de nos aproximar da boa compreensão do mistério, elemento que ultrapassa as barreiras temporais. Daí ser possível aventar a hipótese de memória do futuro (TABORDA, 2015, p. 64-69): não só o evento da salvação não está preso ao passado, mas, ao mesmo tempo, também é da natureza da festa (e do rito) remeter ao futuro. A abordagem litúrgica da Eucaristia, ao se voltar para o rito como lugar teológico, ajuda a reconhecer que a grandeza do mistério eucarístico não está nas conclusões que tiramos dele, mas no próprio ato celebrativo e na forma de realizá-lo.

 

5. Recuperar o caráter celebrativo

Impressiona o caráter estático ainda predominante nas assembleias, fruto de uma compreensão assaz dogmática do sacramento, a qual, por certo, não propicia a celebração, mas enrijece e “cerimonializa” a ação litúrgica. Os movimentos dos fiéis, reduzidos à procissão de comunhão, ao levantar-se, ao ajoelhar-se e ao assentar-se, conotam a concepção eucarística pré-conciliar: um espetáculo a ser assistido. Certamente, bastante se deve à configuração dos espaços (programa iconográfico), que muito pouco correspondem aos espaços litúrgicos do período clássico do rito romano.

Por isso, a reforma da liturgia e do Ordo Missae requer mais passos para se efetivar. Por exemplo: voltar o altar para o povo, embora tenha sido um passo importante, não foi suficiente. O rito supõe que os fiéis circundem o altar para oferecer o sacrifício de louvor ao Pai, juntamente com aquele que preside (cf. Orações Eucarísticas I e IV). A expressão omnium circumstantium (literalmente, “todos [os fiéis] que, de pé, circundam” o altar) não se refere a uma metáfora, mas à condição sacerdotal do povo, a qual se apoia nesse testemunho antigo da tradição romana (séculos IV-VII), reafirmado pela SC 48 e pela Lumen Gentium, n. 11: o povo oferece a oblação juntamente com o presidente e concorre com ele na ação sagrada.

Outro dado que sinaliza o baixo índice de recepção da reforma conciliar diz respeito à “verdade dos sinais” (IGMR 321): que o pão se pareça alimento verdadeiro e se possa realizar a fração do pão para manifestar mais claramente a importância do sinal da unidade de todos num só pão e da caridade fraterna. As partículas podem ser adotadas tão somente quando o número de participantes e outras razões pastorais o exigirem. Segundo Lenaers:

O pão partido e distribuído, revelação do modo pelo qual Jesus está presente no mundo, perde muito do seu sentido quando transformado em puro objeto de adoração. O encontro com Jesus se restringe, neste caso, a um recordar meditativo, enquanto as palavras imperativas de Jesus convocam justamente para comer e beber (LENAERS, 2014, p. 242).

Também de acordo com o autor: “Eis por que é tão importante que tudo seja verdadeiro, pois só o que é verdadeiro pode ser simbólico” (LENAERS, 2014, p. 242). Assim, em grandes assembleias com comunhão sob duas espécies, cuide-se de guardar o simbolismo do único cálice, usando, para a distribuição, cálices em tamanhos bem menores, para não se igualarem ao cálice principal. E ainda:

É muito recomendável que os fiéis, como também o próprio presidente deve fazer, recebam o corpo do Senhor em hóstias consagradas na mesma missa e participem do cálice nos casos previstos, para que, também através dos sinais, a comunhão se manifeste mais claramente como participação no sacrifício celebrado atualmente (IGMR 85).

Os dois breves exemplos não são apresentados como soluções para a questão proposta. Pretendem, sim, contribuir para a verificação do caminho ritual como possibilidade de aproximação das fontes da liturgia, da Tradição e das Escrituras. Permanece a tarefa de recepcionar, promover e aprofundar a reforma da liturgia da Igreja, partindo sempre do rito, de modo que a ação sacramental não seja condicionada por uma ideia que fazemos do sacramento, mas, ao contrário, seguindo a intuição conciliar (SC 48), que a ação ritual e orante da Igreja promova um bom conhecimento e participação do mistério.

Referências bibliográficas

BOURGEOIS, Henri. O testemunho da Igreja antiga: uma economia sacramental. In: SESBOÜÉ, Bernard (org.). Os sinais da salvação: séculos XII-XX. São Paulo: Loyola, 2005.

BUYST, Ione. Eis o mistério da fé: a Eucaristia como sacramento pascal. In: CNBB. A Eucaristia na vida da Igreja. São Paulo: Paulus, 2005. p. 25.

CATECISMO da Igreja católica (CaIC). Petrópolis: Vozes; São Paulo: Paulinas: Loyola: Ave-Maria, 1993.

CNBB. Instrução Geral do Missal Romano e Introdução ao Lecionário: texto oficial (IGMR). Brasília, DF: Edições CNBB, 2014.

DI SANTE, Carmine. Liturgia judaica: fontes, estrutura, orações e festas. São Paulo: Paulus, 2004.

HESCHEL, Abraham Joshua. O Shabat: seu significado para ao homem moderno. São Paulo: Perspectiva, 2000.

JOÃO PAULO II. Dies Domini: Carta Apostólica sobre a santificação do domingo. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1998.

JUSTINO. Apologie pour les chrétiens. 7. ed. Paris: Les Éditions du Cerf, 2006.

LENAERS, Roger. Viver em Deus, sem Deus? São Paulo: Paulus, 2014.

PENNA, Romano. A ceia do Senhor: dimensão histórica e ideal. São Paulo: Loyola, 2018.

PEREZ, Léa Freitas. Antropologia das efervescências coletivas. In: PASSOS, Mauro (org.). A festa na vida: significado e imagens. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 15-58.

PIKAZA, Xabier; HAYA, Vicente. Palabras originarias para entender a Jesús: comentarios evangélicos desde el griego, el hebreo y el arameo a las principales festividades del año. Madrid: San Pablo, 2018.

TABORDA, Francisco. O memorial da Páscoa do Senhor: ensaios litúrgico-teológicos sobre a Eucaristia 2. ed. São Paulo: Loyola, 2015.

TABORDA, Francisco. Sacramentos, práxis e festa. 5. ed. São Paulo: Paulus, 2019.

 

Danilo César* e Penha Carpanedo**

Danilo César* e Penha Carpanedo**
*presbítero da arquidiocese de Belo Horizonte, liturgista formado pelo Instituto Litúrgico Santo Anselmo (Roma) e doutorando pela Faje/Capes (BH). Professor de Liturgia na PUC Minas, no Ista, na Unisal e na Facasc. Membro do Secretariado Arquidiocesano de Liturgia. Membro da Rede Celebra de animação litúrgica. E-mail: danidevictor@gmail.com
**religiosa da Congregação Discípulas do Divino Mestre, mestra em Liturgia, membro da Rede Celebra de animação litúrgica. E-mail: penhacarpanedo@hotmail.com

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