quinta-feira, 1 de outubro de 2026

6- REFLEXÕES DO 27.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A 6.1- CHAMADOS A DAR FRUTOS QUE AGRADEM A DEUS

 

6-  REFLEXÕES DO 27.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

 

6.1- CHAMADOS A DAR FRUTOS QUE AGRADEM A DEUS

A liturgia desse Domingo, através de uma das mais belas alegorias, fala- -nos do amor de Deus pelo seu povo e da falta de correspondência a esse amor. Na primeira leitura encontramos a chamada “canção da vinha”, que descreve Israel como uma plantação de Deus, situada no melhor lugar, rodeada solicitamente de cuidados: era lógico que essa vinha desse bons frutos, mas, ao contrário, produziu uvas amargas. O próprio Senhor Jesus, como se lê no Evangelho, referindo-se ao texto de Isaías, revela-nos a paciência de Deus, que manda os seus mensageiros – os profetas do Antigo Testamento –, um após outro, em busca de frutos da sua vinha. Por fim, envia o seu Filho amado, o próprio Jesus, que os vinhateiros acabarão por matar: “E, lançando-lhe as mãos, puseram-no fora da vinha e mataram-no”. É uma referência clara à crucifixão de Jesus, que teve lugar fora dos muros de Jerusalém. Essa vinha simboliza primeiramente os líderes do Povo Escolhido, que não corresponderam aos cuidados divinos; mas se refere também à Igreja, bem como a cada um de nós. Meditemos hoje se o Senhor pode encontrar frutos abundantes em nossa vida; abundantes porque é muito o que nos foi dado. Frutos de caridade, de trabalho bem feito, de apostolado com os amigos e familiares, de contrariedades acolhidas com paz, de pequenos sacrifícios praticados discretamente, com toda naturalidade. Examinemos também se, ao mesmo tempo, não produzimos essas uvas amargas que são os pecados: a impaciência, a preguiça, as irritações, essas faltas de que não pedimos perdão ao Senhor. O pecado é o fruto amargo das nossas vidas. Nossos pecados ofendem a Deus: as faltas de caridade, os juízos negativos sobre esta ou aquela pessoa, as reações de ira, as ofensas não perdoadas, a dispersão dos sentidos internos e externos, o trabalho mal feito etc. Na segunda leitura, lemos umas palavras estimulantes de São Paulo aos cristãos de Filipos: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de bom nome, qualquer virtude, qualquer coisa digna do louvor da disciplina, seja isso o objeto dos vossos pensamentos”. Todos os dias encontramos muitas possibilidades de oferecer frutos agradáveis a Deus: desde a primeira vitória contra a preguiça ao levantar- -nos pela manhã pontualmente – o minuto heróico –, até esse pequeno sacrifício de enfrentar com bom ânimo o trânsito parado ou um ligeiro mal-estar que nos deixa indispostos. São muitas, neste dia irrepetível, as ocasiões de sorrir, de ter uma palavra amável, de desculpar um erro. No trabalho, o Senhor espera esses pequenos frutos que surgem quando nos esforçamos por executá-lo bem: a pontualidade, a ordem, a intensidade, o cumprimento dos prazos previstos. Alguém recomendava a “amabilidade diária”: uma série de demonstrações de carinho, de respeito mútuo e de atenções com as pessoas da nossa convivência diária. Hoje é necessário reaprender a dialogar, criar momentos dedicados exclusivamente a conversar, a escutar a cada um, a conviver e a se conhecer melhor. O diálogo verdadeiro exige superar as conversas monossilábicas, mais próprias do homem das cavernas. Temos um desafio diário: abrir mão do celular para prestar atenção às pessoas de nossa casa, do trabalho etc. Assim seremos a vinha que dá frutos agradáveis a Deus, que, por sua vez, encherão nosso coração de alegria por semear a paz e a alegria ao nosso redor.

Dom Carlos Lema Garcia Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Educação e Universidades

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6.2- 4 de outubro – 27º DOMINGO DO TEMPO COMUM Por Pe. Ms. Maicon André Malacarne* A vinha de Deus e os bons frutos

 

6.2- 4 de outubro – 27º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Por Pe. Ms. Maicon André Malacarne*

A vinha de Deus e os bons frutos

1. INTRODUÇÃO GERAL

A imagem da vinha atravessa os textos sagrados deste domingo. A vinha fértil, amada e cuidada pelo proprietário contrasta com as “uvas azedas” de quem não consegue traduzir o amor recebido na prática cotidiana de amar. Ao contar a parábola dos vinhateiros violentos, Jesus denuncia a dissimulação das autoridades judaicas que oprimiam o povo e se achavam “donas da vinha”. A vinha é de Deus, e nós somos seus colaboradores. Trata-se de configurar a vida nova apontada por São Paulo, que enumera as qualidades específicas a serem cultivadas por aqueles que formam a comunidade dos discípulos de Jesus.

1. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

1. I leitura (Is 5,1-7)

O trecho da profecia de Isaías se assemelha a um canto de amor, dividido em estrofes que apresentam tensão e harmonia. De fato, a leitura se inicia evocando a imagem do “amigo do esposo” – a forma como o profeta se apresenta – por meio da parábola da vinha fértil: “Um amigo meu possuía uma vinha em fértil encosta. Cercou-a, limpou-a de pedras, plantou videiras escolhidas, edificou uma torre no meio e construiu um lagar; esperava que ela produzisse uvas boas” (v. 1-2). É interessante ressaltar os verbos utilizados pelo proprietário da vinha: cercar, limpar, plantar, edificar, construir, esperar.

Logo a decepção apareceu. Em vez de produzir uvas boas, a vinha “produziu uvas selvagens” (v. 2). A desilusão veio em forma de questionamento: “O que eu poderia ter feito a mais por minha vinha e não fiz?” (v. 4). O lamento do proprietário se assemelha bastante ao desapontamento de alguém que amou muito e não teve seu amor correspondido. Os verbos que acompanham a decisão de abandonar a vinha também são fortes: desmanchar, devastar, derrubar, pisotear, deixar... O proprietário não conseguiu mais esperar pelas uvas boas. Esperar se tornou uma frustração.

A imagem da vinha que não produziu uvas é, certamente, simbólica. Trata-se do povo de Israel, resgatado e cuidado por Deus qual vinha sagrada. Os frutos esperados por Deus eram as boas obras, a escolha do caminho do bem e da fidelidade à aliança; no entanto, o que apareceu foi sangue, ódio, divisão, mentira, falsas acusações a Deus, vida religiosa apegada a exterioridades e ritualismos, verdadeiras “uvas azedas”: “eu esperava deles frutos de justiça – e eis injustiça; esperava obras de bondade – e eis iniquidade” (v. 7).

2. II leitura (Fl 4,6-9)

Como a videira está unida aos ramos, São Paulo recorda à comunidade de Filipos que o seguidor de Jesus deve permanecer unido a Ele na oração: “apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças” (v. 6). A oração é o elã, aquilo de mais consistente que pode sustentar a fé e guiar no caminho da vivência da Palavra de Deus.

Ao permanecerem unidos a Cristo, sustentados pela intimidade da vida de oração, os cristãos configuram um novo estilo de vida. São Paulo enumera algumas das “qualidades” que marcam a nova identidade do seguidor de Jesus: “ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor” (v. 8). Não é fácil assumir essas atitudes, possíveis apenas se estamos bem unidos a Cristo.

De fato, o testemunho, a coragem e a autenticidade de São Paulo só podem ser compreendidos à luz do Evangelho de Jesus Cristo, que o apóstolo buscou viver e comunicar, tornando-se – para aquela comunidade e para nós – um modelo fundamental para a vivência da fé.

3. Evangelho (Mt 21,33-43)

Deus criou o mundo como um jardim, na harmonia, na conexão, no equilíbrio (Gn 1). De fato, o jardim, no Cântico dos Cânticos, é onde se dá o encontro do amado e da amada – portanto, é o lugar do amor. No Evangelho de João, Maria Madalena vai ao túmulo para ver o corpo de Jesus morto, sem saber da ressurreição, e, na entrada, confunde Jesus com um jardineiro (Jo 20,11-18). Jesus é o jardineiro da nova criação! A vinha é o projeto, é o jardim que Deus sonhou.

O Evangelho deste domingo retoma a parábola contada por Jesus sobre um proprietário que plantou, cuidou e arrumou tudo, para que sua vinha tivesse todo o necessário para produzir uvas boas, e, em seguida, confiou-a a alguns vinhateiros. Aconteceu que, no tempo da colheita, como estava distante, esse proprietário enviou seus servos para recolher os frutos, mas os vinhateiros os receberam com violência: apedrejaram alguns e assassinaram outros. O dono da vinha aguardou com paciência e, mais adiante, enviou outros servos, que foram recebidos com a mesma violência. Por fim, fez uma última tentativa: enviou seu filho para, com a autoridade de herdeiro, buscar os frutos. Também o filho foi morto.

Jesus contou a parábola aos doutores da Lei e aos chefes dos sacerdotes, ou seja, ela era direcionada a um grupo que se achava acima de todas as normas, com autoridade sobre todas as “vinhas”. A vinha é do Pai, e todos somos colaboradores. Ninguém é dono! A parábola retoma toda a história de Israel: os profetas foram enviados para resgatar a vinha perdida, e, depois, também Jesus, o Filho amado. Todos foram mortos pelas autoridades, que trabalhavam para sustentar o próprio poder.

Tudo que vivemos faz parte de um grande plano de amor, de uma grande vinha sonhada por Deus. A vinha convida ao equilíbrio do cuidado, à tarefa de fazer da vida uma “uva boa”. Os frutos bons não são atitudes isoladas, mas dependem do jardim inteiro, de uma conexão de vidas, de uma rede na qual é possível reconhecer Deus passeando no vento fresco de cada tarde (Gn 3,8).

III. PISTAS PARA REFLEXÃO

A imagem da vinha nos convida a aprofundar a vida cristã naquilo que significa produzir “uvas boas”. A fé exige a prática da fé, a configuração de um estilo de vida. Qual é a qualidade da “uva” que eu sou? Que tipo de frutos minha comunidade está produzindo? A vivência da fé não pode ser confundida com ativismo. Como estou permitindo que Deus me ajude a produzir frutos para seu Reino? Quais espaços estou abrindo para que Deus possa trabalhar na vinha que eu sou?

Pe. Ms. Maicon André Malacarne*

*Maicon André Malacarne é presbítero da diocese de Erexim-RS, pároco na paróquia São Cristóvão, em Erechim, e professor de Teologia Moral na Itepa Faculdades, em Passo Fundo-RS. Mestre e doutorando em Teologia Moral pela Pontifícia Academia Alfonsiana, de Roma. E-mail: maiconmalacarne@gmail.com

6.3- HOMILIA DO 27º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

 6.3- HOMILIA DO 27º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


NOSSA MISSÃO É PRODUZIR FRUTOS DE SANTIDADE PARA O REINO DE DEUS

“Ocupai-vos com tudo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo que é virtude ou de qualquer modo meça louvor.” (Fl. 4,8)

Amados irmãos e amadas irmãs!

            Ao longo destas três semanas acompanhamos Jesus Cristo formando seus discípulos missionários através de parábolas que possuem como intuito apresentar o Reino de Deus mediante a imagem da vinha. Estas três parábolas desejam apresentar a atitude rebelde que levou Israel a rejeitar o plano salvador que Deus apresentou por meio do seu Filho, Jesus Cristo. A primeira parábola nos falou da infinita misericórdia de Deus que a todos convida para servir no seu Reino (Mt. 20,1-6 -Parábola dos Trabalhadores da Última hora). A segunda nos falou de dois filhos convidados a trabalhar nesta vinha e quais as respostas que eles ofereceram (Mt. 21,28-32-Parábola dos Dois Filhos). Neste domingo, em pleno Mês Missionário, novamente uma parábola catequética, irá usar a imagem da vinha para falar de um povo que escuta o clamor do amor de Deus e que se coloca ao seu serviço.

Não há muitos “mistérios” para serem desvendados nesta parábola: A “vinha” é Israel – o Povo de Deus. O dono da “vinha” é Deus. Os “vinhateiros” são os líderes religiosos judaicos – os responsáveis de zelar a “vinha” fazer com que ela produzisse frutos bons. Os “servos” enviados pelo “senhor” são, evidentemente, os profetas e juízes que tantas vezes foram perseguidos, espancados, apedrejados e mortos. O “filho” morto “fora da vinha” é Jesus, assassinado fora dos muros de Jerusalém.

            O Evangelho (Mt. 21,33-43) nos coloca novamente diante de Jesus envolvido em mais uma polêmica com os grupos religiosos que rejeitaram seu plano redentor. Assim, ele retoma a imagem da vinha enquanto critica os líderes judaicos que tomaram posse do povo de Deus, mas se recusaram a oferecer a Deus os seus frutos pastorais. Jesus anuncia que a vinha vai ser-lhes retirada e vai ser confiada a trabalhadores que produzam e que entreguem a Deus os frutos que Ele espera.

            Na primeira leitura (Is. 5,1-7), somos apresentados a uma parábola ou cântico narrado pelo profeta Isaías que se utiliza também da imagem da vinha para falar da infidelidade do povo de Israel para com a Aliança. Na cultura judaica, a vinha é um símbolo do amor. E o profeta utiliza desta imagem para apresentar todos os esforços de Deus para alcançar o sempre rebelde povo de Israel.

 O “cântico da vinha” foi escrito em uma época de relativa tranquilidade, pois o povo se encontrava num clima de paz generalizada. Todavia, o profeta enxerga uma realidade diferente. A falsa paz esconde grandes injustiças. Os poderosos exploram os mais fracos, os juízes se corromperam, os donos de terras gananciosos se apropriaram dos bens dos mais pobres, os governantes oprimem os súditos, as mulheres ricas de Jerusalém vivem no luxo. No âmbito religioso, o culto florescia numa abundância de práticas de piedade e de solenes manifestações religiosas, no entanto, todo o culto é incoerente e mentiroso, pois não é resultado de uma verdadeira adesão aos planos de Deus, mas sim de tentativa de enganar as consciências e da pretensão de “comprar” o silêncio de Deus. A canção do profeta começa poética e comovedora e aos poucos se transforma em uma desilusão que grita por justiça. Deus é o “vinhateiro” e Israel é a “vinha”. Foi Deus quem trouxe de longe (do Egito) essas videiras escolhidas, e as plantou numa terra fértil (a terra de Canaã). Ele enviou empregado para protegê-la (profetas, juízes e sacerdotes), removeu dessa terra as pedras (os inimigos de Israel). Ele cuidou e amou a sua vinha. Como é que o povo respondeu ao zelo de Deus? O Povo produziu frutos contrário àquilo que Deus esperava: os poderosos cometem injustiças, os juízes não fazem justiça aos pobres e indefesos, os grandes derramam o sangue do inocente, os órfãos e as viúvas são maltratados e ninguém os defende. O profeta então anuncia que o amor de Deus pretende criar no coração do seu Povo uma vida nova que leve o amor ao irmão. Deus nos ama e espera que nos deixemos transformar pelo seu Amor e amemos os outros.

            No seu tempo, Jesus afirma que Jerusalém continua com a mesma infidelidade à Aliança que Isaías havia denunciado. Contudo, esta infidelidade ultrapassa todos os limites: não apenas a injustiça e corrupção continuam guiando a vida da cidade e oprimindo os mais fracos, mas levarão os líderes a perseguirem e matarem o “filho” do dono da vinha na esperança de roubar definitivamente a vinha que lhes fora confiada para dar bons frutos.  Eles rejeitaram a Pedra Angular que mantém a firmeza e fecundidade da vinha.  Diante disto, Mateus, afirma que “o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”. (vers. 43)

            Longe de se resumir a uma mera crítica aos grupos religiosos que rejeitaram a missão de Jesus Cristo, Mateus deseja alertar seus irmãos de fé a não cair na mesma recusa. O evangelista percebe que os fiéis da sua comunidade esqueceram o entusiasmo da conversão e se instalaram em um cristianismo fácil, sem exigência, descomprometido e acomodado. Assim, com a parábola, ele exorta os seus irmãos da comunidade para que despertando do comodismo e do mau testemunho, vivam a fé coerentemente e passem a dar frutos próprios do Reino, vivendo fielmente as propostas de Jesus.

            Para nos ajudar a entender que frutos são os que Deus espera que produzamos, na segunda leitura (Fl. 4,6-9), Paulo exorta os cristãos filipenses e a todos os que fazem parte da “vinha de Deus” a viver na alegria, na amabilidade e na serenidade, respeitando o que é verdadeiro, nobre, puro, justo e digno. São esses os frutos do Reino de Deus. Nesta carta, escrita a uma comunidade cristã fincada no coração da Grécia – berço da filosofia, ética e moral –, São Paulo informa que os valores filosóficos sãos os mesmos anunciados pelo Evangelho, logo os cristãos devem ser, antes de tudo, testemunhas dos verdadeiros valores humanos.

            A lição fundamental da liturgia da Palavra é a da coerência com que vivemos o nosso compromisso com Deus e com o seu Reino. Como terra fértil e zelada pelo agricultor, de nós, seu Povo, Deus espera e exige frutos de amor, de paz, de justiça, de bondade e de misericórdia. A Vinha é a nossa missão. Deus a confiou a nós porque acredita que produziremos bons frutos. Deus não obriga ninguém a aceitar a sua proposta de salvação, entretanto uma vez que aceitamos trabalhar na sua “vinha”, temos de produzir frutos de amor, de serviço, de doação, de justiça, de paz, de tolerância, de partilha. Deus nunca estará disposto aceitar situações falsas, incoerentes ou mentirosas, pois exige coerência, verdade e compromisso. Para viver nossa fé de forma genuína precisamos permanecer alicerçados na Pedra Angular, Jesus Cristo. Como nos recorda Santa Tereza D’Ávila: “caminhando com os olhos fixos em Jesus Cristo”

            A Igreja como resultado da vida das primeiras comunidades cristãs, é constituída por homens e mulheres que se comprometeram com o Reino e que trabalham na vinha do Senhor. Necessitamos, pois, produzir frutos bons e testemunhar gestos concretos de amor, de acolhimento, de compreensão, de misericórdia, de partilha, de serviço, o Reino que Jesus Cristo veio propor. Devemos fazer com que nossas liturgias solenes, nossos movimentos e pastorais que celebram a Ressurreição do Senhor, estejam ligados a vida cotidiana. Devemos urgentemente perceber que aquilo que celebramos no domingo é o que nós vivemos ao longo da semana e que aquilo que vivemos no cotidiano é o que deve nos levar a buscar a casa de Deus para louvar e agradecer o que sua graça nos deu a capacidade de realizar. Estamos com este domingo, vivendo as orientações do Mês Missionário, por isto, se faz tão necessário acompanhar nossa vida de oração com gestos concretos que expressem estes frutos do Reino de Deus. Realizar a Missão é cuidar da vinha que nos foi confiada e ver ela produzir frutos de santidade e de testemunho.

            Encerremos nossa partilha com o salmo, a expressão da oração do povo de Deus: “Dai-nos vida e louvaremos vosso nome! Convertei-nos, ó Senhor Deus do universo e sobre nós iluminai a vossa face! Se voltardes para nós, seremos salvos!”

Pe. Paulo Sérgio Silva -Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito.

https://diocesedecrato.org/homilia-do-27o-domingo-do-tempo-comum-ano-a/

 

7- LEITURAS PARA A SEMANA: DE 05/10 A 11/10/2026 E REZEMOS PELAS MISSÕES

 

7-  LEITURAS PARA A SEMANA: DE 05/10 A 11/10/2026 E REZEMOS PELAS MISSÕES

 

05- 2ª Gl 1,6-12 / Sl 110(111) / Lc 10,25-37

06- 3ª Gl 1,13-24 / Sl 138(139) / Lc 10,38-42

07- 4ª At 1,12-14 / Cânt.: Lc 1,46-55 / Lc 1,26-38

Bem-aventurada Virgem Maria do Rosário, Memória

08- 5ª Gl 3,1-5 / Lc 1 / Lc 11,5-13

09- 6ª Gl 3,7-14 / Sl 110(111) / Lc 11,15-26

10- Sáb.: Gl 3,22-29 / Sl 104(105) / Lc 11,27-28

      11- Dom.: 28º Domingo do Tempo Comum, Ano A

      Is 25,6-10ª; Sl 22(23),1-3a.3b-4.5-6 (R. 6cd);Fl 4,12-14.19-20

      Mt 22,1-14 ou mais breve 22,1-10

REZEMOS PELAS MISSÕES

 

Rezemos a oração do Mês Missionário, escrita pelo Papa Leão XIV, que tem como tema: "Um em Cristo, unidos na missão" e o lema: "Para que o mundo creia" (Jo 17,21):

 

 Pai santo, concedei-nos ser um em Cristo, enraizados no seu amor que une e renova. Fazei que todos os membros da Igreja sejam unidos na missão, dóceis ao Espírito Santo, corajosos no testemunho do Evangelho, anunciando e encarnando todos os dias o vosso amor fiel por cada criatura. Abençoai os missionários e as missionárias, sustentai-os no seu esforço, guardai-os na esperança! Maria, Rainha das missões, acompanhai a nossa obra evangelizadora em todos os cantos da terra: tornai-nos instrumentos de paz e fazei que o mundo inteiro reconheça em Cristo a luz que salva. Amém.

- Ave Maria / Glória ao Pai / Refrão missionário

 

 

 

 

8- CANTOS PARA O MÊS DE OUTUBRO

 

8-  CANTOS PARA O MÊS DE OUTUBRO

ENTRADA

Tua voz me fez refletir- 1315

Te Amarei, Senhor-685

Eis me Aqui Senhor-1319

Ó Senhor nós estamos Aqui-782


ACLAMAÇÃO

No Evangelho da Vida

Aleluia,ide pelo mundo evangelho anunciar


OFERTÓRIO

Muitos Grãos de Trigo-1317

Teu Sou=Eu não Sou Nada-422

COMUNHÃO

Vem,e eu mostrarei que o meu caminho-118

Tu és Minha Vida-507

Vejam Eu Andei Pelas Vilas

Cantar a Beleza da Vida-780

Se calarem a voz dos profetas-1511

Desamarrem as sandálias

Teu missionário-1083


PÓS COMUNHÃO

Caminhada

Quem perde sua vida,a encontra

Eis me aqui(Diante do Trono)


FINAL

Nova Geração-830

A Escolhida-509

Tomado Pela Mão-530

Nossa Missão

Tu és a razão da jornada-796

https://www.folhetosdecanto.com/2014/10/cantos-para-o-mes-missionario-cifras.html

 

 

 

9- CAMPANHA MISSIONÁRIA 2026

 9-  CAMPANHA MISSIONÁRIA 2026


As Pontifícias Obras Missionárias (POM) desempenham um papel crucial na promoção e apoio às atividades missionárias da Igreja Católica em todo o mundo. Desde a sua fundação pelo Papa Pio XI em 1922, essas organizações têm sido uma fonte vital de suporte para missionários e projetos de evangelização em áreas carentes e desafiadoras ao redor do globo.

Uma das iniciativas mais emblemáticas das Pontifícias Obras Missionárias é o Dia Mundial das Missões. No Brasil, foi assumida a Campanha Missionária durante o mês de outubro e que tem como objetivo principal conscientizar os fiéis sobre a importância da missão na Igreja e angariar recursos para apoiar os esforços missionários em diferentes partes do mundo.

 

Qual seu objetivo?Como acontece?

Qual seu objetivo? Através da Campanha Missionária e de outras iniciativas, as Pontifícias Obras Missionárias reafirmam o compromisso da Igreja Católica com a missão evangelizadora, inspirando os fiéis a se engajarem ativamente na difusão do Evangelho e na construção de um mundo mais justo, solidário e fraterno.

https://cm.pom.org.br/home/a-campanha-2026/

10- DICAS PARA VIVER O MÊS MISSIONÁRIO NA CATEQUESE

 

10-  DICAS PARA VIVER O MÊS MISSIONÁRIO NA CATEQUESE

Como despertar o ardor missionário e formar discípulos ativos no anúncio do Evangelho

O que é o Mês Missionário e por que celebrá-lo na catequese

Todos os anos, a Igreja no Brasil dedica o mês de outubro à missão. Essa tradição, conhecida como Mês Missionário, teve início em 1926, quando o Papa Pio XI instituiu o Dia Mundial das Missões, celebrado no penúltimo domingo de outubro. Com o passar do tempo, essa data se estendeu para todo o mês, tornando-se um tempo especial de renovação do ardor missionário de todos os batizados e batizadas.

Mas afinal, por que a Igreja insiste tanto na missão? Porque ser cristão é, por natureza, ser missionário. Isso não é uma tarefa exclusiva de religiosos ou missionários consagrados, mas uma alegria e responsabilidade de todo batizado.

A catequese, por sua vez, é um espaço privilegiado para formar discípulos e missionários, pois ajuda a transformar a fé em ação. Assim, o Mês Missionário torna-se uma excelente oportunidade para despertar nas crianças, jovens e adultos o desejo de testemunhar Jesus no cotidiano.

 

1. Comece pela Oração Missionária

Para iniciar cada encontro, reze a Oração Missionária da Campanha Missionária ou o Terço Missionário, que apresenta as intenções pelos cinco continentes. As contas coloridas ajudam a compreender que a Igreja está presente no mundo inteiro e que a oração também é um ato missionário. Dessa forma, a espiritualidade se torna o primeiro passo da ação evangelizadora.


2. Apresente Testemunhos de Missionários

Uma maneira eficaz de inspirar os catequizandos é mostrar histórias reais. Você pode utilizar vídeos curtos disponíveis no site das Pontifícias Obras Missionárias (POM) ou convidar um missionário da sua paróquia ou diocese para compartilhar suas experiências. Assim, a missão ganha rosto, voz e coração.


3. Trabalhe o Tema da Campanha para o Mês Missionário

Todos os anos, a Igreja lança um tema e lema para orientar para o Mês Missionário. Use esse conteúdo como inspiração para dinâmicas, cartazes e reflexões. Peça aos catequizandos que criem murais ou faixas para colocar na igreja, motivando toda a comunidade a viver a missão.


4. Promova Gestos Concretos de Solidariedade

A missão se faz também com obras de caridade. Por isso, organize com os catequizandos uma campanha de arrecadação para alguma realidade necessitada: alimentos, roupas, brinquedos, material escolar. Explique que cada gesto de partilha é uma forma de anunciar o amor de Cristo com atitudes. Ser missionário é amar e servir.


5. Realize uma “Saída Missionária”

Nada substitui a experiência prática da missão. Sempre que possível, faça uma pequena visita missionária com seu grupo a um asilo, a uma casa de família doente, ou mesmo aos arredores da paróquia. Essa vivência ajuda os catequizandos a enxergar a presença de Jesus no outro e a compreender que evangelizar é servir.


6. Celebre o Envio Missionário

Para encerrar o mês, promova uma celebração com rito de envio, onde cada catequizando pode receber uma cruz ou um símbolo que recorde o compromisso de ser discípulo missionário no seu ambiente: escola, família, bairro ou redes sociais. Essa celebração ajuda a consolidar o aprendizado e a fé vivida durante o mês.


Viver a missão é viver o amor

Viver o Mês Missionário na catequese não significa acumular tarefas, mas dar sentido àquilo que já fazemos. A catequese é mais do que transmitir conteúdos: mas formação de discípulos que anunciam com alegria aquilo que creem.

Que este mês de outubro seja, em nossas comunidades, um tempo de despertar missionário e de renovação do ardor evangelizador. Como dizia Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões:

“No coração da Igreja, serei o amor.” (Santa Teresinha do Menino Jesus).

E o amor verdadeiro sempre nos impulsiona à missão! 

https://catequistasbrasil.com.br/dicas-para-viver-o-mes-missionario-na-catequese/

11- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA(*) (**)

 11-  REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA(*) (**)


"PEQUENO TRATADO DAS GRANDES VIRTUDES, DOS PIORES VÍCIOS,

E DOS DESLIZES MENOS GRAVES"

                        [Parte I]

[|||] A VIRTUDE: O BEM. Simplificadamente, o bem é aquilo que reputamos como valioso para nós e para os demais. Acredita-se que possa existir um bem absoluto, ou apenas bens que dependem de diferentes culturas, épocas pessoas e circunstâncias. O problema começa quando se insiste em transformar um bem particular, ou o bem de um grupo, em medida universal. Quando isso acontece, esse bem pode acabar se transformando em mal, o mal em maldade, e a maldade em barbárie universal.

O VÍCIO: O MAL. Se o mal é a simples ausência do bem, ou algo bem pior do que imaginamos, não se sabe ao certo. O que com certeza se sabe é que quando o mal se traveste de bem, e consegue arrastar e enganar multidões se passando por bem supremo, só Deus para reverter essa espécie de adoração sem pé nem cabeça. Com o mal não se brinca. Nem de esconde-esconde nem de queimada. De matança, então, nem pensar. Esquece!

O DESLIZE MENOS GRAVE: O EGOCENTRISMO MODERADO. Às vezes fazemos o bem porque fazer o bem também nos faz bem. Gostar de reconhecimento, admiração, ou simplesmente da agradável sensação de ter feito algo bom, de forma alguma invalida o bem realizado. Talvez até o transforme em um bem ainda maior. O bem que se faz, faz muito bem. Amplifica a virtuosidade e se aproxima da bem-aventurança. Se o sermão é o da montanha ou o da planície, que diferença isso faz? Diferença alguma! Desde que haja teleférico à disposição de quem já está mais pra baixo do que pra cima.

[|||] A VIRTUDE: A PRUDÊNCIA. Prudência não é exatamente o temor ou o medo de agir, como se poderia pensar, mas sabedoria para saber quando, como e por que agir, ou, se a situação assim o sugerir, aguardar pela melhor hora e a melhor oportunidade. A prudência não elimina o risco; apenas procura avaliá-lo como convém e minimizá-lo quando possível. Na vida, nem toda decisão precisa ser imediata e nem toda oportunidade precisa ser aproveitada. “Vou deixar passar, ok!? Mesmo assim, obrigado!”. E pronto! Caso encerrado.

O VÍCIO: A TEMERIDADE. A coragem muda de figura quando a impulsividade toma o lugar da racionalidade e o risco deixa de ser avaliado. Ousadia sem controle pode acabar transformando a prudência em imprudência, a imprudência em temeridade, e a temeridade em fracasso. Geração Fast é foda. É ansiedade e compulsividade que não acabam mais. Haja Prozac!

O DESLIZE MENOS GRAVE: A HESITAÇÃO. Às vezes pensamos tanto, mas tanto, antes de tomar uma decisão, que a própria escolha começa a passar da validade por decurso de prazo. Mas, na medida certa, voltar atrás e colher sugestões diversas pode contribuir para não transformar a hesitação em precipitação. De precipitar, vem precipício. Sabia disso? Se beber, não dirija. Se dirigir, não beba. Na dúvida, não ultrapasse.

[|||] A VIRTUDE: A CORAGEM. Coragem não é necessariamente ausência de medo, como se costuma pensar, mas disposição para agir mesmo quando – e sobretudo – o medo está presente. Muitas vezes ninguém percebe o medo que precisou ser vencido para que alguém fizesse o que precisava ser feito. Digamos que essa é uma espécie de “medo subliminar”. Já ouviu falar!? Não!? Nem eu! Para que serve!? Deve servir para enfrentar algum tipo de perigo da mesma natureza: perigo subliminar.

O VÍCIO: A COVARDIA. O medo nos protege, na medida em que nos põe em retirada quando o melhor é cair fora, dar no pé o quanto antes. Mas, quando esse mesmo medo assume as rédeas que deveriam permanecer em mãos da razão, ele passa a decidir por nós sem nos dar a mínima bola ou explicação. Diante do medo inventamos desculpas para justificar nossa procrastinação, e permanecemos empacados como um burro preso no atoleiro. “Pode parar de empurrar! Parece que o burro emburrou e atolou de vez!”. Dizem que burro é um cavalo que nunca foi na escola. Será mesmo!?

O DESLIZE MENOS GRAVE: A CAUTELA. Há momentos em que recuar significa reconhecer que nem toda discussão merece ser comprada e nem toda batalha merece ser travada. Nessas horas, retroceder pode ser a melhor estratégia de se preparar para o próximo passo. Sun Tzu sabia disso. "A Arte da Guerra", tá lembrado? Ouro e prata são preciosos!? A cautela é ainda mais. Acautelai-vos, meu povo! Acautelai-vos. Ei, ei! Eu disse "acautelai-vos"; e não, "aquartelai-vos". Fala sério! Só me faltava essa!

[|||] A VIRTUDE: A JUSTIÇA. Justiça não é apenas dar a cada um o que é seu, ou, na contrapartida, receber de volta o que é nosso. O Direito pode até estabelecer regras gerais e normas necessárias, mas cabe à consciência, em última instância, indagar do que é justo e do que pode demandar equidade. Nesse sentido, justiça é muito mais uma questão de ética e de princípios, do que de leis e judicialismo. “Com todo respeito, Kelsen, com toda admiração e respeito pela Teoria Pura do Direito! Mas sou mais Miguel Reale, com a alternativa da tridimensionalidade: o Direito como norma, fato e valor”.

O VÍCIO: A INJUSTIÇA. Todos somos, de algum modo e em certa medida, julgadores e juízes "ad hoc" ou ocasionais da vida do outro. Da própria, então, nem se diga. Bendita consciência! Nessas horas, a boa intenção pode não bastar para impedir uma injustiça, mas julgar sem ela já é começar julgando injustamente. Agora, se o inferno está ou não, cheio de reta ou boa intenção, isso já não é comigo. Não me diz respeito. Tô fora! Tanto do inferno, quanto dessa maledetta confusão.

O DESLIZE MENOS GRAVE: A PARCIALIDADE AFETIVA. É humano, e humanamente compreensível, olhar com mais benevolência para quem amamos, admiramos ou para com quem nos identificamos. Mas esse olhar começa a ser problemático quando a proximidade afetiva passa a ser o principal peso no prato da balança. A boa intenção pode ser absolutamente boa, como já foi dito e queria Kant,  mas ainda assim pode ser absolutamente insuficiente. Se é suficiente para manter a gente fora do inferno, provavelmente. Já para entrar no céu, há quem diga que é exigido senha, credencial e passaporte.

[|||] A VIRTUDE: A GENEROSIDADE. Entre tantas outras definições, generosidade pode ser entendida como a disposição em compartilhar tempo, conhecimento, atenção, afeto e presença, para citar apenas alguns dos bens mais preciosos. A excelência da generosidade – ou, se se preferir, sua virtuosidade – consiste em dividir ou compartilhar sem transformar o receptor em um potencial devedor. Ou seja, compartilhar porque podemos e desejamos fazê-lo, e não porque talvez possamos precisar e cobrar tempo depois. Sinceramente!? Aquela passagem bíblica do administrador infiel e desonesto é difícil de digerir. Engolir, então, mais ainda. Com todo respeito e reverência para com as Escrituras consideradas Sagradas, claro. Quem sou eu para questionar a Palavra de Deus! Resposta do Criador: "Imagem e semelhança minha, por um lado, um cabeça de bagre, por outro".

O VÍCIO: A AVAREZA. Avareza não diz respeito apenas a dinheiro, herança e riqueza, como comumente poderia se pensar. O avarento pode ser excessivamente econômico em quase tudo: no tempo, na atenção, nos elogios, no afeto e sei lá mais em quê, incluindo, claro, no soldo. Soldo, de dinheiro, e não soldo de solda nem de soldado. No frigir dos ovos, o avarento experimenta um paradoxo dramático: quanto mais ele acumula, menos disposição para compartilhar ele demonstra. Mas talvez seu maior entrave seja mesmo com a morte: além de levar tudo, ainda leva junto o dito cujo. E não adianta tentar negociar. Sem chance. Para piorar, leva tudo cobrando juros, dividendos e correção monetária. Todo avarento deve ter um parafuso avariado. Ou meio solto. Só pode!

O DESLIZE MENOS GRAVE: A COMPLACÊNCIA. Às vezes oferecemos mais do que deveríamos oferecer, avançamos quando deveríamos recuar, dizemos sim quando o não seria o melhor a ser dito. Tudo em nome do bom entendimento e da sagrada comunhão de vontades. Isso pode até ser compreensível em determinadas situações. O erro se instaura quando se começa a transformar a exceção em regra e a regra em princípio. Aí o boi acaba indo para o brejo. E quando o boi vai para o brejo, como reza o ditado, a vaca e a boiada toda vão atrás.

[|||] A VIRTUDE: A COMPAIXÃO. Compaixão é reconhecer que a perda, a dor e o sofrimento do outro também nos dizem respeito. O pó do qual um foi feito, é o mesmo pó do qual foi feito o outro. Até que se prove o contrário, Deus não cria lixo. Quem recicla sabe disso. Mas classificar como lixo o que foi criado à imagem e semelhança do Criador pode acabar sendo um tiro pela culatra: desclassifica o próprio classificador.

O VÍCIO: A CRUELDADE. Em sentido inverso à compaixão, a crueldade começa quando a dor, o sofrimento e a perda do outro deixam de ter qualquer relação comigo, contigo e conosco. Com vós, convosco e com vocês também. Não nos toca. Não nos diz respeito. Tô nem aí! Vá se danar! Desse “nada tenho a ver com isso” para a indiferença, e da indiferença para o desprezo, costuma ser um passo. Detalhezinho de nada: a crueldade nem sempre grita, mas ainda assim pode ser gritante. Por vezes, simplesmente passa ao largo, desviando o olhar como se fosse um cego que só enxerga o que quer enxergar e o que lhe diz respeito. Não um cego de nascença, mas um cego da indiferença. Lente de quarenta e cinco graus, com cegueira térmica chegando a cinquenta. Lupão!

O DESLIZE MENOS GRAVE: A PIEDADE SENTIMENTALISTA. Podemos sentir pena, nos comover e até morrer de comiseração diante da dor e do sofrimento do outro. Isso é bom. Nada contra. Talvez até haja uma centelha do divino nesse impulso para o bem bem intencionado. Mas é pouco. Sinto muito! Muito pouco. Absurdamente necessário, mas absolutamente insuficiente.

[|||] A VIRTUDE: A HUMILDADE. Humildade é reconhecer que não sabemos tudo, não podemos tudo e, acima de tudo, que nem sempre temos razão em tudo. Ufa! Só um minuto! É possível, sim, como não!? – ser superior em alguma coisa sem se sentir superior a qualquer pessoa. Quem se julga um ser superior raramente trata o outro com o mesmo respeito e dignidade com que espera ser tratado. “Sabe com quem está falando!?”. “Sei sim! Com um cabeça de pudim metido a besta! Desculpe! Esqueci o vossa excelência!”. Supremo!

O VÍCIO: A SOBERBA. A soberba entra em cena quando o valor atribuído a si mesmo insiste em ocupar espaço além do necessário e do suficiente. Conhecimento vira superioridade, experiência vira autoridade e opinião vira certeza. Já não basta saber: é preciso estar acima. Custe o que custar. De tudo e de todos, de preferência. A soberba acaba transformando a sabedoria, que é um bem desejável, em um mal que acabou escapando da caixa de Pandora. Difícil é capturar e devolver esse bendito mal ao seu lugar, STF. Suprema Tribuna de Faraós.

O DESLIZE MENOS GRAVE: A MODÉSTIA EXCESSIVA. Às vezes diminuímos nossas qualidades e até nós mesmos, por pura educação, timidez, insegurança, ou pelo simples receio de parecermos arrogantes. Há certa elegância nesse modo de ser e de se comportar. Mas a modéstia se transforma em arapuca quando começa a cortejar a culpa como par da próxima dança. Mas a modéstia se transforma em arapuca quando começa a cortejar a culpa como par da próxima dança. Aí, não tem jeito! A emenda acaba ficando pior que o soneto. Dançou de vez.

[|||] A VIRTUDE: A TRANSPARÊNCIA. Na falta de uma melhor definição, transparência é a disposição de manter uma relação leal com a verdade, consigo mesmo e com os outros. Não significa necessariamente dizer tudo o que sabemos,y pensamos ou somos de uma só vez – há um tempo para cada coisa debaixo do céu. Antes, significa não construir deliberadamente uma realidade falsa para obter com ela ganho ou vantagem indevida. Para ser franco, sincero e transparente – e conseguir sobreviver dignamente –  pode até ser necessário ocultar certas coisas, em certas situações e em certos momentos. Só a boa intenção é sempre e absolutamente boa em toda e qualquer situação, segundo Kant. Ainda assim, há quem levante controvérsias. Controvertidamente.

O VÍCIO: A DISSIMULAÇÃO. Dissimulação não é apenas manter certa pose ou imagem com a intenção de ser bem visto por todos e sair bem na foto. Mais que isso, é construir uma aparência destinada a produzir no outro uma impressão falsa, objetivando não perder algo ou ganhar alguma coisa, ou ambas as coisas juntas. Ela pode ser discreta, elegante e até socialmente conveniente. Mas, quer queira quer não, continua sendo  enganação. Tal como engana a raposa e dissimula o camaleão. Tem gente que dissimula tanto, que no fim acaba enganando até o espelho. "Diz aí, meu irmão! Hoje eu tô ou não tô bonitão!?". Por questão de segurança, dessa vez vou deixar de fora a balança.

O DESLIZE MENOS GRAVE: A OMISSÃO PRECAVIDA. Nem tudo o que sabemos, pensamos ou sentimos precisa ser dito ou revelado seca e imediatamente. Às vezes, silenciar uma informação é apenas uma forma prudente de preservar a si mesmo, de preservar alguém, ou simplesmente aguardar o momento mais adequado para revelar o que precisa ser comunicado. O problema começa quando a precaução vira estratégia para esconder deliberadamente aquilo que o outro tem o direito de saber. Aí, a omissão deixa de ser precaução e começa a mudar de nome. Triadicamente:  negligência, irresponsabilidade e leviandade. O sujeito tanto se camuflou de árvore, que acabou virando poste no Alasca.

Obs.: Esta primeira parte continua e será completada pelas partes seguintes, de mesmo título.

(*) Texto enviado pelo autor, via Whatsapp de Vitória (ES).

 

(**)Possui graduação em teologia pelo Instituto teológico pio XI (1983), graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo (1997), graduação em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, ciências e letras (1986) e mestrado em Filosofia pela Pontificia Universidade Gregoriana ,Roma - Itália(1988) . Foi por 11 anos consecutivos professor de filosofia jurídica e psicologia Jurídica do Centro Universitário de Vila Velha, ES.Durante esses 11 anos foi Coordenador Pedagógico por 05 anos e de Ensino por 1 ano e meio do mesmo Curso de Direito. Atualmente é terapeuta de grupo, individual, vocacional, Consultório Clínico Psicológico particular. Formou-se recentemente em Psicodrama (02 anos) pelo Instituto Pegasus de Vitória, ES. Atualmente, cursa a pós graduação TCC - Terapia Cognitivo Comportamental.