4. REFLEXÕES
PARA A COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS
1.1- 4.1-COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS
No
dia de Finados costumamos ir ao cemitério levar flores para colocar no túmulo
dos nossos familiares e rezar, oferecer sufrágios, pelos defuntos. Este dia
recorda-nos umas questões fundamentais: o que acontece com as pessoas que
entram na eternidade? Qual é a situação das pessoas que já partiram desta vida?
Como é a vida após a morte? São questões que o ser humano sempre se colocou,
desde o início da humanidade. Mas, mesmo que não saibamos em detalhe como será
a outra vida, há algo que não podemos perder de vista: a realidade da morte.
Vamos aproveitar a parada deste dia para meditar um pouco mais sobre a
eternidade e para rezar pelos defuntos, oferecendo muitos sufrágios pelas almas
do Purgatório. As almas que morrem em amizade com Deus, mas com pecados leves
ou veniais, sentem um imenso desejo de purificação das penas temporais e das
relíquias do pecado. O próprio Jesus Cristo contou uma parábola falando sobre
um lugar do qual ninguém sairá sem ter pago o último centavo: “Entra em acordo
sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que
não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e
sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago
o último centavo.” (Mt 5,25-26). Fazendo uma comparação, Jesus descreve o
Purgatório como uma prisão em que se paga a dívida para com Deus. Assim ensina
o Catecismo da Igreja Católica: “As pessoas que morrem em estado de graça e de
amizade de Deus, mas imperfeitamente purificadas, ainda que estejam seguras da
sua salvação eterna, sofrem depois de sua morte uma purificação, a fim de obter
a santidade necessária para entrar na alegria do céu” (n. 1030). São Josemaría
faz uma apreciação bastante positiva do Purgatório: “O purgatório é uma
misericórdia de Deus, para limpar os defeitos daqueles que desejam
identificar-se com Ele.” (Sulco/889). Assim, o Purgatório, este tempo de
penitência, nos dá a certeza de que nosso desejo de santidade não é vão, que é
possível uma purificação total de todos os pecados e das relíquias do pecado.
Como sabemos, na Confissão se perdoam todos os nossos pecados desde que
estejamos arrependidos deles. Mas aqueles pecados veniais de que não estamos
arrependidos, ou que não estamos dispostos a evitá-los, não são perdoados. A
gula no abuso da pizza ou do sorvete, que não nos arrependemos. A crítica, que
não estamos dispostos a cortar. A perda de tempo com frivolidades no celular,
que não admitimos... Tudo isso deve ser limpo para entrarmos no Céu. Sendo
assim, mesmo os pecados que foram totalmente perdoados e apagados pelo
sacramento da Penitência, necessitam por justiça, uma reparação, uma expiação,
que se chama satisfação. Algumas pessoas morrem sem ter podido satisfazer
totalmente a pena devida pelos seus pecados, dos quais já se arrependeram. Além
disso devemos purificar-nos também das más inclinações (vícios) que deixam em
nós os diversos pecados que cometemos: a preguiça, a sensualidade, o orgulho,
etc. Não está de acordo com a justiça divina que nos apresentemos diante de
Deus sem recuperarmos a inocência completa. Daí se entende que se tenha que
passar pelo Purgatório. Vamos oferecer especialmente as Missas que assistimos
nesse mês. Sabemos que a Igreja, em sua função de dispensadora das graças de
Deus, concede indulgências plenárias, somente aplicáveis aos mortos, nas
seguintes condições: durante os dias 1 a 8 de novembro, ao visitar um cemitério
e lá rezar uma oração pelos fiéis defuntos e, no dia 2 de novembro, visitar uma
Igreja e rezar um Pai nosso e o Credo. Além dessas obras é preciso comungar no
dia, haver confessado na semana e rezar uma oração pelo Papa.
Dom Carlos Lema Garcia Bispo Auxiliar
de São Paulo Vigário Episcopal para a Educação
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Ano-50A-59-FIEIS-DEFUNTOS-FINADOS.pdf
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