segunda-feira, 29 de julho de 2024

V- LEITURAS DA SEMANA: 29 DE JULHO A 04 DE AGOSTO DE 2024 - ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

 

 

 

V- LEITURAS DA SEMANA: 29 DE JULHO A 04 DE AGOSTO   DE 2024

17ª semana do Tempo Comum

29/07 (2.ª f.)- Santos Marta, Maria e Lázaro, Memória

1Jo 4,7-16;Sl 33(34),2-3.4-5.6-7.8-9.10-11 (R. 2a ou 9a)ou Lc 10,38-42;

Jo 11,19-27

 

30/07( 3.ª f.)- Jr 14,17-22;Sl 78(79),8.9.11 e 13 (R. 9bc);Mt 13,36-43

31/07( 4.ª f.)- Santo Inácio de Loyola, presbítero, Memória

Jr 15,10.16-21;Sl 58(59),2-3.4-5a.10-11.17.18 (R. 17d);Mt 13,44-46

 

01/08 (5.ª f.)- Santo Afonso Maria de Ligório, bispo e doutor da Igreja, Memória

Jr 18,1-6;Sl 145(146),1-2.3-4.5-6 (R. 5a);Mt 13,47-53

 

02/08(6.ª f.)- Jr 26,1-9;Sl 68(69),5.8-10.14 (R. 14c);Mt 13,54-58

03/08(Sáb.:)-  Jr 26,11-16.24;Sl 68(69),15-16.30-31.33-34 (R. cf. 14);Mt 14,1-12

04/08Dom.:)19º Domingo do Tempo Comum, Ano B

 

Ex 16,2-4.12-15;Sl 77(78),3.4bc.23-24.25.54 (R. 24b)

Ef 4,17.20-24;Jo 6,24-35

 

ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

(Final de julho e todo o mês de Agosto)

Senhor da messe e Pastor do rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos teu forte e suave convite: “Vem e segue-me”! Derrama sobre nós o teu Espírito, que ele nos dê sabedoria para ver o caminho e generosidade para seguir tua voz.

Senhor, que a messe não se perca por falta de operários. Desperta nossas comunidades para a Missão. Ensina nossa vida a ser serviço. Fortalece os que desejam dedicar-se ao Reino na diversidade dos carismas e ministérios.

Senhor, que o rebanho não pereça por falta de pastores. Sustenta a fidelidade de nossos bispos, padres, diáconos, consagrados e consagradas, ministros leigos e leigas. Dá perseverança a todas as pessoas vocacionadas. Desperta o coração dos jovens, para ministério pastoral em tua Igreja.

Senhor da messe e Pastor do rebanho, chama-nos para o serviço de teu povo. Maria, mãe da Igreja, modelo dos servidores do Evangelho, ajuda-nos a responder “Sim”.

Amém!

VI- REFLEXÃO DOMINICAL I Os Pães e os Peixes (Mc 6,30-44) Situando...

 

VI- REFLEXÃO DOMINICAL I

Os Pães e os Peixes (Mc 6,30-44)

Situando...



Os discípulos retornam da missão, à qual Jesus os enviara. Junto ao relato da morte de João Batista (Mc 6,19-29), esse retorno completa a imagem do caminho do discípulo: entre as perseguições inerentes ao anúncio do Reino, o Mestre sempre de novo os convida para “estar com ele, no deserto, a sós” (v. 30-32; cf. Estudo 18). Pois, embora façamos tudo quanto está ao nosso alcance, o Reino não depende estritamente de nossos esforços; é dom de Deus. É uma consciência que nos desperta, um convite que aceitamos e convidamos outros a também aceitar. E, entre os cuidados pastorais ou os esforços missionários, exige sempre de novo voltar ao Mestre, caminhar atrás dele, manter a intimidade com ele.



 Os pães e os peixes



Jesus parte com os seus para “o lugar deserto”, mas sua intenção é percebida pela multidão, que acorre “de todas as cidades”, no dizer de Mc, e “chega lá antes deles” (v. 33). Descendo do barco, Jesus tem compaixão. Ao lado da “indignação”, a “compaixão” é um sentimento recorrente em Jesus, segundo Mc. Desde o encontro com o leproso, no dia de Cafarnaum (Mc 1,41), Jesus muitas vezes ficará compadecido ou outros implorarão pela sua compaixão (Mc 8,2; 9,22; 10,47). Aqui, a compaixão de Jesus se dirige ao desamparo da multidão, que acorre “como ovelhas sem pastor” (v. 34). Onde estão os pastores, senão com as ovelhas confiadas a seus cuidados? Certamente, pastoreiam seus próprios interesses, como frequentemente ocorre, ontem e hoje. São mercenários, conforme a descrição de João: “o mercenário, que não é pastor e a quem as ovelhas não pertencem, vê o lobo chegar e foge; e o lobo as ataca e as dispersa. Por ser apenas um mercenário, ele não se importa com as ovelhas” (Jo 10,12-13). Importa-lhes apenas o quanto as ovelhas podem render a seus interesses. Jesus sente compaixão e oferece pastoreio às ovelhas desamparadas. Como? Com aquilo de que precisam: o ensino, o anúncio de sua boa notícia do Reino (v. 34).



Essa é, pois, a moldura do texto que vem a seguir, apelidado descuidadamente de “o milagre da multiplicação dos pães”. Uma leitura atenta demonstra que não há, no texto, nem a palavra “milagre”, nem “multiplicação”. Há, no máximo, uma “divisão dos pães”, já que Jesus repartirá os pães e os peixes, depois de ter dado graças (v. 41). De todo modo, perceba-se: a moldura do texto é o ensino de Jesus e é a isso que o texto se refere. Não só ao ensino de Jesus de Nazaré a seus discípulos que o seguiam, mas também ao ensino que Jesus Ressuscitado continua a oferecer às comunidades, a partir da experiência pascal. Afinal, se, para Mc, Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, que tipo de Palavra ele dirige aos seus, de ontem e de hoje? É o que o texto nos relata.



Como ficasse tarde, os discípulos constatam o óbvio (a hora avançada, o ermo do lugar) e tentam ensinar a Jesus o que fazer (v. 35-36). Por um instante, parecem ter se esquecido de quem é verdadeiramente o Mestre e qual o seu lugar de discípulos, pois “passam à frente” do Mestre. A resposta de Jesus é inusitada: “Vós mesmos, dai-lhes de comer” (v. 37). Como tão poucos poderiam suprir alimento para tanta gente? Não é essa a pergunta que, até hoje, por vezes, nos fazemos? Como saciar a fome de ensino daqueles tantos que vêm a nós, se somos tão pequenos e limitados? Será que nós, necessitados como somos, seríamos capazes de acudir a necessidade dos outros? Esquecemo-nos de que as pessoas vêm a nós, mas não com sede de nós mesmos e de nossas palavras, mas com sede de Jesus, das palavras de Jesus. E que, portanto, ele é o alimento que podemos oferecer a elas.

 

Mas, ainda inconformados com a resposta de Jesus, os discípulos retrucam (como nós também): “nem duzentos denários seriam suficientes” (v. 37). Um denário é o salário de um dia para um trabalhador empreiteiro, um diarista. Duzentos denários são o salário de um ano de jornada (dos 336 dias do calendário lunar, descontavam-se os sábados e os dias de festa, nos quais não se trabalha). Ou seja, nem um ano de salário seria suficiente... realismo exagerado dos discípulos, que ainda creem que dependa deles o alimento para a multidão.

 

“O que tendes?” – pergunta Jesus; “cinco pães e dois peixes” – respondem (v. 38). O pão é um dos símbolos da Torah, da Escritura judaica. Pois é dela que o Povo de Deus se alimenta, é da Palavra que o Povo se nutre e sustenta sua travessia. Assim como fez Ezequiel, que “tomou o livro e comeu”, com toda a sua literalidade profética (Ez 3,1-3; Jr 15,16; Ap 10,9). E é exatamente isto que os discípulos têm: a Escritura. Os cinco pães do Pentateuco, os cinco livros da Lei mosaica; e os dois peixes que completam a Escritura, os Escritos (Sapienciais) e os Profetas (Livros Proféticos). Juntos, esses “cinco pães e dois peixes” formam a totalidade da Palavra de Deus escrita, disponível até então: a “Lei”, os “Escritos” e os “Profetas”. É desse pão que a multidão está faminta e é pela falta dele que vagam como ovelhas perdidas sem pastor. Os que deveriam ensinar não o fazem; os que deveriam abrir a Escritura como alimento abundante a transformam numa bolha vazia e incompreensível, alimento insosso e incapaz de oferecer sustento... e por isso o povo se perde numa errância de fome (cf. Os 4,6s).

 

Jesus pede que todos se assentem, em grupos, para a refeição (v. 39-40). Toda a cena remete ao relato da Páscoa e do Êxodo: o deserto, a hora adiantada, o povo faminto, a Torah... E os verbos deste texto de Mc são os mesmos que, na última noite, Jesus repetirá na Eucaristia: “tomou”, “abençoou”, “partiu”, “distribuiu” (cf. Mc 14,22). Daí, finalmente, compreendemos: Jesus mesmo é o alimento que se dá ao povo faminto, que se distribui com generosidade, que nutre com fartura até a saciedade. Ele é Moisés, que novamente dá ao povo a Palavra do Pai, o Caminho (Torah) da Aliança; ele é o Salmista, que canta da própria vida o louvor verdadeiro que se deve a Deus – a justiça aos menores de seus filhos; ele é o Profeta que apela à fidelidade da Aliança e denuncia seu descumprimento. Jesus é a Palavra viva da Escritura, agora feita gente da gente, cuja voz que fala a partir de dentro alcança a todos, sem distinção. Pois não há coração humano que não encontre, em seus mais sinceros anseios, um eco dessa divina Palavra.

 

Na comunidade cristã, Jesus continua a falar, distribuindo entre seus discípulos “os pães e os peixes”. Como? Pelas mãos dos próprios discípulos. “Jesus parte o pão e o entrega aos discípulos, que por sua vez os distribuem à multidão” (v. 41). O Ressuscitado continua a falar, pela boca daqueles que o anunciam; e continua a agir, pelas mãos daqueles que, em nome dele, agem com generosidade e fazem da própria vida alimento aos demais. O mesmo alimento distribuído por Jesus é agora partilhado pelos discípulos; Ele se deixa dividir pelos seus. Tanto que todos comem com fartura (v. 42) e se recolhem doze cestos cheios com os pedaços restantes (v. 43) – sinal da tradição apostólica, pela qual a Palavra de Jesus continua viva e atuante.

 

Ora, os que comeram eram cinco mil (v. 44). Ou seja, não importa que os comensais ultrapassem a quantidade de pães em mil vezes (5 x 10 x 10 x 10). No que depender da qualidade do Pão, sempre haverá alimento com fartura.

https://www.fiquefirme.com.br/19_os_paes_e_os_peixes_mc_630_44

VII- REFLEXÃO DOMINICAL II INVESTIR NO REINO DE DEUS Por Pe. Johan Konings, SJ

 

 

VII- REFLEXÃO DOMINICAL II

INVESTIR NO REINO DE DEUS

Por Pe. Johan Konings, SJ

I.              INTRODUÇÃO GERAL

 

A liturgia de hoje tem acento duplo: sapiencial e escatológico. A segunda parte do evangelho é claramente escatológica (parábola da rede), e com isso sintonizam as orações. Mas o tema principal é o do “investimento” da pessoa naquilo que é seu valor supremo. Este tema, mais sapiencial, retém nossa atenção. Aparece na primeira parte do evangelho (o tesouro, a pérola) e na primeira leitura (o rei Salomão não pediu a Deus riqueza, e sim sabedoria, isto é, o dom de distinguir entre o bem e o mal).

II.            COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

 

1.    I leitura (1Rs 3,5.7-12)

 

O tema principal da liturgia de hoje é ilustrado pela primeira leitura: o rei Salomão não pede a Deus riqueza, e sim sabedoria, isto é, o dom de julgar e decidir acertadamente, “distinguindo entre o bem e o mal” ( v. 9). Esta leitura nos convida a ler o episódio seguinte do livro dos Reis, a aplicação prática dessa sabedoria (1Rs 3,16-28: o “julgamento salomônico”). O próprio fato de não pedir outra coisa já mostra a sabedoria. Ainda assim, além da sabedoria, Deus lhe deu, como que “de brinde”, algumas coisas menos importantes (riqueza, fama, longa vida; cf. 1Rs 3,13-14). 2. Evangelho (Mt 13,44-52) O evangelho contém as últimas parábolas e a conclusão do “sermão das parábolas” de Mt 13: as parábolas do tesouro e da pérola, que ensinam o pleno investimento no Reino (v. 44-46), e a parábola da rede, que ilustra a situação “mista” da Igreja (mistura de fiéis convencidos e de batizados mornos) até o tempo final (v. 47-50). Nos últimos versículos coloca-se a pergunta “compreendeis?” (v. 51), dirigida aos discípulos do tempo de Jesus e aos de hoje também. Esse “compreender” consiste em receber em si todas as palavras do Senhor, tiradas do tesouro que contém “coisas novas e velhas” (v. 52). As “coisas novas” são o novo ensinamento de Cristo; as “velhas”, a releitura cristã das antigas Escrituras e tradições judaicas. Essa releitura está sendo feita desde os primeiros tempos da Igreja (a igreja judeu-cristã do evangelista Mateus) até hoje (por exemplo, na primeira leitura na liturgia dominical, no uso dos salmos etc.). Por esta razão, o mestre cristão é chamado de “escriba instruído no Reino dos Céus” (v. 52). Olhemos primeiro as parábolas da pérola e do tesouro. O negociante que aparece na parábola da pérola é um homem de bem, perspicaz (como Salomão, na 1ª leitura). Ele arrisca tudo o que tem num investimento que lhe parece valer a pena (Mt 13,44). Para que o ouvinte compreenda melhor, esta parábola vem acompanhada de outra, que até parece elogiar a “especulação imobiliária”: um homem vende tudo para comprar um campo no qual está escondido um tesouro (v. 45-46). A lição destes textos é: investir tudo naquilo que é o mais importante. Isso parece sabedoria humana, mas aplica-se muito bem à realidade divina, ao Reino de Deus. Mas em que consiste, concretamente, o tesouro desta parábola? Para discernir isso, precisamos da sabedoria que Salomão pediu (cf. 1Rs 3,9) e que lhe propiciou pronunciar juízos sábios (cf. 1Rs 3,16-28). Ora, sabendo que Deus tem predileção pelos que mais precisam, os pobres e desprotegidos, podemos pensar que neles está o melhor investimento. É isso que fez o diácono e mártir Lourenço quando o imperador lhe pediu que mostrasse os tesouros da Igreja: mostrou-lhe os pobres de Roma. Essas parábolas sugerem duas atitudes básicas. Há um momento negativo, o desprender-se das posses que não vale a pena segurar. Pensando bem, Salomão relegou a riqueza material para o segundo plano (pelo menos, em sua oração). Mas fez isso em função do momento positivo, que é o investir naquilo que é realmente o mais importante, aquilo em que Deus mesmo investe: justiça e bondade, iluminadas pela sabedoria. A atitude negativa (o desprendimento) e a positiva (o investimento) são “dialéticas”: uma não funciona sem a outra. Não somos capazes de nos desprender daquilo que é secundário se não temos claro o principal. Por falta do que é principal – a saber, o investimento do amor –, o esforço do desprendimento pode virar masoquismo, prazer em diminuir-se a si mesmo. Por outro lado, nunca conseguiremos investir o nosso coração para adquirir a pérola do Reino de Deus se não soubermos nos desprender das joias falsas que enfeitam nossa vida. Por isso, há tanto idealismo que não consegue ir além de um suspiro piedoso... A leitura mais longa do evangelho apresenta ainda a parábola escatológica da rede, que encerra a coleção reunida no “sermão das parábolas” de Mateus (Mt 13,47-50). Esta parábola, muito semelhante à do joio e do trigo, lida no domingo passado, lembra que no tempo atual bons e ruins ficam misturados, mas no fim será feita a triagem. Na leitura evangélica abreviada, esta parábola fica fora, e o pregador que assim preferir pode deixar esse assunto para o fim do ano litúrgico (32º-34º domingos do tempo comum). Contudo, esse pensamento escatológico dá um peso especial ao tema sapiencial do investimento, acima abordado. Ensina-nos que se trata de um investimento para sempre. Responde, assim, à pergunta dos antigos mestres espirituais: “Que é isso em vista da eternidade?” E serve também como antídoto contra o desânimo que pode tomar conta de nós ao constatarmos, ao nosso redor, tanta coisa que não presta. No fim será feita a triagem.

2.    II leitura (Rm 8,28-30)

 

Na segunda leitura, encontramos um dos textos maiores da carta aos Romanos: o planejamento de Deus e sua execução. Deus, como bom empreiteiro, faz todo o necessário para o bem daqueles que o amam, levando a termo a execução de seu desenho (“desígnio”) (v. 28). O texto é construído em redor da corrente conhecer-destinar-chamar-justificar-glorificar: as fases do acabamento, por Deus, do ser humano; uma obra de arquiteto. Deus de antemão conheceu os que queria edificar, como um arquiteto tem o edifício na mente; ele os projetou (“predestinou”; o termo grego proorizein significa “planejar, projetar”) conforme o protótipo que é Jesus mesmo, seu Filho querido, ao qual ele gostaria que todos se assemelhassem. E aos que assim planejou, também os escolheu (“chamou”); os “justificou” (qual empreiteiro que verifica sua obra durante a execução, decidindo se serve ou não) e, arrematando a obra, os “glorificou” (como em certas regiões os construtores celebram o arremate coroando de flores a cumeeira da casa nova). O protótipo é Jesus Cristo mesmo: o primogênito dos mortos. O Espírito já nos tornou filhos (Rm 8,16). Agora é só levar a termo a obra de arte já iniciada (v. 30). E o distintivo do cristão é que ele tem consciência de ser essa obra (“sabemos”, v. 28). Esse texto nos faz entender o que os teólogos chamaram de “predestinação”: não significa que Deus criou uns para serem salvos e os outros (a “massa condenada”) para serem perdidos. Significa que, como bom empreiteiro, Deus faz tudo o que for preciso para completar perfeitamente a salvação naqueles que a ela se dispõem; e como conhece o coração de todos, ele também conhece os que se abrem à salvação e os que não se deixam atingir. O pregador que optar por acentuar a linha escatológica na liturgia de hoje (cf. Mt 13,47-52) encontrará nesta leitura um tema digno de reflexão.

III.           PISTAS PARA REFLEXÃO: escolher é renunciar

 

Renunciar não está na moda, é contrário à economia de mercado, ao consumo irrestrito... O evangelho, porém, mostra a atualidade eterna da renúncia. E para entender isso melhor, a liturgia nos lembra primeiro o exemplo de Salomão. Quando Deus o convidou para pedir o que quisesse, ele não escolheu poder e riqueza, mas sim sabedoria, para julgar com justiça (1ª leitura). Jesus ensina o povo a escolher o que vale mais: o Reino de Deus. Para participar do Reino, vale pôr tudo em jogo, como faz um negociante para comprar um campo que esconde um tesouro ou para adquirir uma pérola cujo valor resiste a qualquer crise. O que se contrapõe, nestas leituras, são, por um lado, as riquezas imediatas (materiais), por outro, o dom que Deus nos dá (para Salomão, a sabedoria no julgar; para nós, o Reino). Na hora de escolher, deve prevalecer o dom de Deus, e o resto tem de ser sacrificado se for preciso. Qual seria o dom de Deus hoje? Aquilo que queremos ter em nosso poder, aquilo que com tanta insistência agarramos e procuramos segurar? Nossas posses, privilégios de classe, status etc.? Ou, antes, participar da comunhão fraterna, superar o crescente abismo entre ricos e pobres e transformar as estruturas de nossa sociedade, para que todos possam tomar parte na construção do mundo e da história que Deus nos confia? “Os pobres, nosso tesouro”, como apontou o diácono Lourenço ao imperador que desejava os tesouros da Igreja. Queremos investir tudo, os nossos bens materiais, culturais etc., para edificar uma sociedade que encarne melhor a justiça de Deus? Às vezes, a gente preferiria não fazer escolha nenhuma e ficar com tudo: a riqueza, o poder e, além disso, Deus. Como os que durante a semana exploram seus funcionários, seus clientes e a sociedade toda, mas no domingo querem bela missa para Deus... Isso não vale. Quem não escolhe não se realiza. Para se realizar, é preciso decidir, e “de-cidir” é fazer uma cisão, cortar. Optar e renunciar é que nos torna gente. O grande escultor Michelangelo disse que realizava suas obras de arte cortando fora o que havia demais. Podemos meditar neste sentido sobre a segunda leitura de hoje: Deus, artesão perfeito, quer fazer de nós uma obra de arte: conhece o material, projeta, escolhe, endireita... até coroar sua obra que somos nós, feitos imagem de seu Filho. O cristão deve, de maneira absoluta, renunciar ao pecado; é essa uma das promessas de nosso batismo. Mas, se for preciso para servir melhor o Reino de Deus, ele deve renunciar também a muitas coisas que não são más em si (riqueza, prestígio etc.). Pois o Reino vale mais do que tudo.

Pe. Johan Konings, sj

 

Nascido na Bélgica, reside há muitos anos no Brasil, onde leciona desde 1972. É doutor em Teologia e mestre em Filosofia e em Filologia Bíblica pela Universidade Católica de Lovaina. Atualmente, é professor de Exegese Bíblica na Faje, em Belo Horizonte. Dedica-se principalmente aos seguintes assuntos: Bíblia – Antigo e Novo Testamento (tradução), Evangelhos (especialmente o de João) e hermenêutica bíblica. Entre outras obras, publicou: Descobrir a Bíblia a partir da liturgia; A Palavra se fez livro; Liturgia dominical: mistério de Cristo e formação dos fiéis – anos A-B-C; Ser cristão; Evangelho segundo João: amor e fidelidade; A Bíblia nas suas origens e hoje; Sinopse dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas e da “Fonte Q”.

https://www.vidapastoral.com.br/roteiros/27-de-julho-17o-domingo-do-tempo-comum/

VIII- REFLEXÃO DOMINICAL III: ESPERANÇA E PARTILHA: GRANDES SINAIS

 

VIII- REFLEXÃO DOMINICAL III:

ESPERANÇA E PARTILHA: GRANDES SINAIS

O pão é o tema da Primeira Leitura; também do Salmo Responsorial e do Evangelho. A simbologia do pão, na Sagrada Escritura, recorda duas coisas importantes: a primeira, é que não somos autossuficientes e devemos renovar nossa vida a cada instante, lutar por ela; necessitamos do pão de todo dia. O segundo aspecto é que o homem - por si - não pode prover-se de pão: Deus nos dá a chuva que tornará o solo fecundo para germinar as sementes. A vida humana está na dependência de Deus. Necessitamos do pão nosso de cada dia: ele é um dom de Deus. Jesus se apresenta como quem sacia de sentido toda nossa existência. Marco Aurélio escreveu: Não é a morte que devemos temer; devemos ter medo de nunca começar a viver. Não há vida verdadeira para quem vive sem saber o sentido do seu viver. No deserto, Jesus pede que o povo sente na relva; toma os pães e os peixes; agradece, fraciona e distribui. Todos ficam saciados. Depois do milagre, muitos iam à procura de Jesus. Ele os recriminou: “Em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes os sinais, mas porque comestes os pães e ficastes saciados” (Jo 6,26). Pergunto eu: que sinal o povo deveria ter visto? No final do texto bíblico, muitos exclamam: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo! O povo até começou a discernir o sentido do milagre mas, fascinado pelo pão material, com muita facilidade esqueceu do grande sinal. Falemos deste sinal. Jesus é o novo Moisés; é o profeta que o próprio Moisés anunciou: “O Senhor fará surgir - dentre vós - um profeta, e vocês o ouvirão” (Dt 18,15). Jesus reúne o povo num lugar deserto e, à semelhança de Moisés, sacia a todos com o pão. Jesus, porém, é mais que Moisés: é o Bom Pastor, que faz o rebanho repousar em verdes pastagens e lhes prepara uma mesa. Era isso que todos deveriam ter compreendido; e foi o que não compreenderam! Ao meu último escrito neste folheto litúrgico, lembro que dei o título: “Semear... mesmo na tribulação”. Agora, enquanto escrevo, me vem à mente uma canção do cantor/compositor baiano Elomar Figueira Mello. Com o falar sertanejo, das barrancas do rio Gavião, ele escreveu: “Josefina, sai cá fora e vem vê: óia os forro ramiado, vai chuvê. (...) Futuca a tuia, pega o catadô, vamo plantá feijão no pó.” Certa vez, ouvi o próprio cantor explicando “Arrumação”, título dessa canção. Disse ele: “Na madrugada, alguém percebe que o tempo ficou nublado. Tem jeito que vai chover. É necessário ter pressa, pular cedo e colocar a semente na terra. Plantar a semente no pó, na terra seca. E ficar à espera da chuva que fará brotar a semente”. É sobre ter fé, caríssimos irmãos! Semear, semear... plantar, mesmo na escuridão: uma aurora de paz, um tempo de salvação e um amanhã em que haja pão em todas as mesas. Nossa esperança cristã diz que é possível!

 Dom Jorge Pierozan Bispo Auxiliar de São Paulo

https://arquisp.org.br/sites/default/files/folheto_povo_deus/ano-48b-44-17o-domingo-do-tempo-comum.pdf

IX- A PALAVRA DE DEUS Será que a Bíblia é a Palavra de Deus?

 

 

IX- A PALAVRA DE DEUS

Será que a Bíblia é a Palavra de Deus?

 

A Bíblia diz ser a Palavra de Deus (2 Timóteo 3:16 e 2 Pedro 1:20-21) e há muita evidência para provar isso. Podemos ver que a Bíblia vem de Deus. O que está escrito, como foi escrito e os seus efeitos - todas essas coisas provam que a Bíblia é a Palavra de Deus.

1. Muitos escritores, um só Deus

A Bíblia não é só um livro, é um conjunto de 66 livros escritos por muitas pessoas diferentes ao longo de cerca de 1500 anos. Algumas das pessoas que escreveram esses livros eram líderes e reis (como Moisés e Davi), outros eram pessoas de classes mais baixas, como pescadores (Pedro) e pastores de ovelhas (Amós). Viverem em épocas e lugares diferentes, com costumes diferentes e muitos nunca se conheceram. Mas todos juntos fazem um só livro coerente!

Se você acha isso simples, escreva o início de uma história e dê ao seu amigo para continuar. Depois dê a outro amigo para terminar. No fim, leia e compare. Vai ser completamente diferente do que você tinha planeado. E isso entre amigos que se conhecem bem! A Bíblia não é assim. A única explicação lógica é que Alguém eterno os inspirou e guiou a escrever.

Veja aqui mais sobre quem escreveu a Bíblia.

2. Deus prova que a Bíblia é sua palavra

Jesus, quando ensinava o povo, citava as Escrituras como sendo a palavra do seu Pai. Se Jesus é o Filho de Deus e ele diz que a Bíblia é a palavra de Deus, então deve ser verdade. Também há muitas instâncias na Bíblia quando o próprio Deus fala e manda dizer certas palavras, como em Êxodo 34:27 e Jeremias 30:1-2.

Na Bíblia há muitas profecias. Deuteronômio 18:21-22 mostra que profecias que se cumprem são uma prova que foi Deus que falou. Os livros de História provam que várias profecias da Bíblia se cumpriram. Por exemplo, Daniel, que viveu muitos anos antes de Cristo, profetizou sobre a queda do império Romano, que aconteceu centenas de anos depois de Cristo e de a Bíblia já estar completa! Este é só um de muitos exemplos.

Quem mais, além de Deus, pode prever com precisão o futuro?

3. A grande prova da Palavra de Deus

Quase 2000 anos depois que o último livro da Bíblia foi escrito, ela continua relevante.

A sociedade mudou, a tecnologia avançou, descobriu-se o Brasil e a Bíblia ainda faz sentido para nós hoje. E não só para brasileiros ou americanos. Em qualquer tempo e cultura, quando as pessoas ouvem a Bíblia, vidas mudam. Nenhum outro livro teve tão grande impacto no mundo. Palavras tão poderosas assim não podem ser apenas invenção humana. Só podem ser de Deus.

https://www.respostas.com.br/a-biblia-e-mesmo-a-palavra-de-deus/

X- RELIGIÃO I Exorcista avisou: “haverá perseguição generalizada” contra os católicos

 

 

X- RELIGIÃO I

Exorcista avisou: “haverá perseguição generalizada” contra os católicos

 

"O anticatolicismo agressivo se disseminou graças a séries, novelas, filmes, documentários", afirmou o pe. José Antonio Fortea

Em 2020, em plena pandemia de covid-19, dezenas de incêndios criminosos contra igrejas chocaram católicos e não católicos em diversas partes do mundo. Sem precisar ir muito longe, o Chile, apesar de visto como o país mais desenvolvido da América do Sul, foi palco de uma onda assustadora de incêndios desse tipo, o que causou comoção e indignação internacional.

Nesse contexto, o exorcista espanhol pe. José Antonio Fortea se pronunciou denunciando que a depredação de templos é apenas um dos muitos sintomas de uma perseguição mais ampla e mais intensa contra os católicos. Ele afirmou, sobre um futuro próximo:

“Temo que, infelizmente, vamos viver tempos de perseguição generalizada”.

Semeadores de ódio

Em artigo de 20 de outubro daquele ano, o sacerdote exorcista fez menção aos ataques:

“As imagens das igrejas queimadas no Chile (com a desculpa de reivindicações sociais), os ataques a imagens em templos católicos nos Estados Unidos (com a desculpa do Black Lives Matter), as Femen que sobem aos altares, as pichações de ódio nas paróquias da Espanha…”.

Em seguida, ele afirmou que, nos últimos vinte anos, quem semeou este ódio foi "a elite que tinha o domínio dos meios de comunicação":

“O anticatolicismo agressivo existe numa parte da população de muitos países graças a séries, novelas, filmes, documentários”.

A partir desse contexto, segundo ele, o sentimento anticatólico pode levar a medidas políticas:

“Não tenho a menor dúvida de que esta mentalidade passará a fazer parte das demandas de algum partido político em algum país. E que, além disto, essas medidas anticatólicas vão se estender a outras nações, porque o terreno está preparado”.

Demônio e queima de igrejas

Mas qual seria, afinal, o papel do demônio neste cenário? O exorcista expôs o seu ponto de vista:

“Alguns culpam o diabo por esses ataques. E eles estão certos, porque o maligno é um semeador de joio. Mas não nos esqueçamos de que ele apenas encoraja, ele apenas tenta. Essa agressividade, porém, é o resultado de uma semente humana. Semearam muito ódio de forma intencional. Os semeadores do ódio estão trabalhando há muito tempo. Há séculos foram os maçons, depois foram os marxistas (…) Nos próximos anos, grupos genericamente chamados de progressistas vão ser cada vez mais audazes nas suas petições aos congressos e tribunais”.

O pe. Fortea complementou que, a seu ver, essa onda de ódio contra o catolicismo varre em especial as democracias em que não há separação nítida entre os três poderes. E finalizou:

“Some-se a isto a política do governo chinês em relação aos cristãos, os martírios em lugares como a Nigéria, a apostasia na Europa… E depois os horrores do Estado Islâmico. O panorama não é esperançador. Se olharmos as nuvens no céu e a direção do vento, eu temo que, infelizmente, vamos viver tempos de perseguição generalizada, com todas as aprovações das instituições do Estado”.

https://pt.aleteia.org/2023/12/21/exorcista-avisou-havera-perseguicao-generalizada-contra-os-catolicos

XI- RELIGIÃO II O Que é Blasfêmia Contra o Espírito Santo? Daniel Conegero

 

 

XI- RELIGIÃO II

O Que é Blasfêmia Contra o Espírito Santo?

Daniel Conegero

A blasfêmia contra o Espírito Santo é um pecado imperdoável conforme indicado na Bíblia Sagrada (Mateus 12:31; Marcos 3:28-30). Basicamente blasfemar contra o Espírito Santo significa “falar contra o Espírito Santo”.

A pessoa que blasfema contra o Espírito Santo insulta Sua honra, Suas obras e Sua divindade. A palavra “blasfêmia” traduz o termo grego blasphemia. Em seu sentido geral, esse termo implica num tipo de discurso injurioso. Em outras palavras, a blasfêmia é uma linguagem insolente contra a honra de alguém que resulta em calúnia e difamação.

 

Os versículos sobre a blasfêmia contra o Espírito Santo

Existem duas passagens paralelas que trazem de forma explicita a advertência acerca da blasfêmia contra o Espírito Santo (Mateus 12:31,32 e Marcos 3:28-30). Estas passagens relatam uma ocasião em que Jesus estava realizando maravilhas. Ele havia expulsado um demônio de um homem mudo que começou a falar após ter sido liberto.

Quando alguns escribas viram o que Jesus havia feito e disseram que Ele estava endemoninhado. Eles afirmaram: “Tem Belzebul, e pelo príncipe dos demônios expulsa demônios” (Marcos 3:22).

É nesse contexto que Jesus fez a importante exortação acerca do perigo da blasfêmia contra o Espírito Santo. Jesus repreendeu aquelas pessoas dizendo: “Na verdade vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda a sorte de blasfêmias, com que blasfemarem; Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo” (Marcos 3:28,29).

Com base nesse contexto, é muito fácil entender o que é a blasfêmia contra o Espírito Santo. A Bíblia diz que tudo o que Jesus realizava era pelo poder do Espírito (Mateus 12:28; cf. Hebreus 9:14). Mas quando os escribas disseram que Jesus estava possuído, e por isto realizava tais obras, eles estavam atribuindo a Satanás o que o Espírito Santo, por meio de Jesus, estava operando. Portanto, blasfemar contra o Espírito Santo é negar e rejeitar deliberadamente o poder do Espírito e as obras operadas por Ele.

 

Por que a blasfêmia contra o Espírito Santo não tem perdão?

O que geralmente intriga as pessoas sobre o pecado da blasfêmia contra o Espírito Santo, é o fato de tal pecado ser imperdoável. A Bíblia fala de outros pecados gravíssimos, mas que são perdoados por Deus. Vejamos alguns exemplos:

·         O rei Davi pecou gravemente, numa combinação de adultério e homicídio, mas ainda assim encontrou perdão – apesar de ter sido severamente repreendido e castigado (2 Samuel 12:13; Salmos 51).

·         O apóstolo Pedro negou Jesus três vezes e ainda praguejou. No entanto, Pedro foi perdoado e restaurado (Mateus 26:74,75).

·         O apóstolo Paulo foi um perseguidor implacável da Igreja de Cristo antes de sua conversão, mas também foi perdoado (Atos 9:1; 22:4; 26:9-11).

Então quão grave é o pecado da blasfêmia contra o Espírito Santo que, diferentemente dos demais pecados, não há perdão para quem o comete? A gravidade da blasfêmia contra o Espírito Santo está no fato de que a pessoa que a comete é culpada de pecado eterno. Isso significa que a blasfêmia contra o Espírito Santo é um pecado que nunca será apagado e, consequentemente, perdoado.

Quando os escribas blasfemaram contra o Espírito Santo, eles afrontaram o próprio Espírito de Deus de forma maldosa, perversa, consciente e intencional. Eles tinham presenciado todas as evidências de que Jesus era o Messias prometido que agia segundo o poder do Espírito Santo. Todavia, ainda assim eles insistiram em afirmar que a origem das obras que Jesus realizava não era divina. Eles chegaram ao ponto de acusar Jesus não somente de agir sob influência maligna, mas de ter, dentro de si, o próprio Satanás.

 

O problema de blasfemar contra o Espírito de Deus

Todo pecado, para que haja perdão, é necessário também que haja arrependimento. Mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não poderá ser perdoada porque a pessoa que a comete nunca irá se arrepender. Alguém pode perguntar: por que quem blasfema contra o Espírito Santo nunca se arrependerá? A resposta é simples: porque, dentro de si, tal pessoa não tem do que se arrepender.

Essa pessoa não crê justamente n’Aquele que convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (João 16:7:11). Essa pessoa fala mal d’Aquele que foi enviado pelo Pai e pelo Filho para aplicar a obra da redenção (João 15:26). O blasfemo afronta e se levanta contra a divindade d’Aquele que é o selo, o penhor da salvação (Efésios 1:13,14). Quem age assim rejeita Aquele que ensina, ilumina, esclarece, santifica e produz no homem o fruto do Espírito que faz com que ele tenha uma vida de acordo com a Palavra de Deus.

É justamente por isto que a blasfêmia contra o Espírito Santo é tão grave e não tem perdão. A pessoa é exposta a provas incontestáveis acerca das verdades de Deus. Ela se torna ciente da mensagem do Evangelho. Contudo, ainda assim ela se levanta em um estado deliberado de rebelião contra o Senhor.

 

A blasfêmia contra o Espírito Santo é irreversível

Por alcançar esse estágio tão agudo de incredulidade e endurecimento, passa a ser impossível que a pessoa que blasfema contra o Espírito Santo se arrependa de seu pecado e encontre conforto em Cristo. O escritor do livro de Hebreus fala exatamente acerca dessa questão em sua epístola. Inclusive, ele escreve que tais pessoas jamais serão, outra vez, renovadas para o arrependimento, pois elas, novamente, “crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério” (Hebreus 6:4-8).

Em outras palavras, a blasfêmia contra o Espírito é o pecado da apostasia. Esse pecado se configura quando alguém, após ter recebido o pleno conhecimento da verdade, continua vivendo de forma deliberada no pecado, num estado consciente de rebelião contra o Espírito Santo, a ponto de até mesmo atribuir suas obras ao diabo. Para quem vive assim, já não resta sacrifício pelos seus pecados (Hebreus 10:26; cf. 1 Timóteo 1:19,20).

 

O que a blasfêmia contra o Espírito de Deus não é?

A ameaça do pecado imperdoável da blasfêmia contra o Espírito Santo tem sido utilizada de forma distorcida por muitas pessoas. Não é difícil encontrar líderes e pastores que procuram aterrorizar as pessoas com a ameaça da blasfêmia contra o Espírito Santo. Qualquer um que ousar julgar suas ações – as quais eles advogam terem vindo diretamente da parte do Espírito Santo – é identificado por eles como um blasfemo.

Obviamente, conforme o próprio texto bíblico expõe, isto não é blasfemar contra o Espírito Santo. Na verdade, a próprio Bíblia nos adverte a julgar e discernir tudo aquilo que reivindica ser proveniente da parte Deus. Ao analisarmos e julgarmos uma suposta profecia, revelação ou manifestação que se diz ser do Espírito Santo, em hipótese alguma estaremos blasfemando contra o Espírito. Na verdade estaremos obedecendo a Palavra de Deus que nos ensina a examinar todas as evidências e reter o que é bom (1 Tessalonicenses 5:21).

Portanto, não dar crédito a qualquer espírito, mas, antes, provar os espíritos se procedem de Deus, jamais será o pecado da blasfêmia contra o Espírito Santo. O verdadeiro cristão tem o dever de denunciar os falsos profetas e mestres que ameaçam a pureza da Igreja de Cristo. Essa é uma atitude esperada daqueles que vivem de acordo com as Escrituras (1 João 4:1). Leia também sobre o que é tocar no ungido.

 

Como saber se blasfemei contra o Espírito Santo?

Realmente muitas pessoas vivem angustiadas com medo de terem blasfemado contra o Espírito Santo, seja por pensamentos, palavras ou atitudes. Mas quando esse pecado realmente é cometido, tal pessoa nem mesmo sente algum tipo de pesar.

Lembre-se que a blasfêmia contra o Espírito Santo não é um pecado cometido por ignorância ou descuido. A blasfêmia contra o Espírito Santo é algo consciente, deliberado e perverso. Se você se preocupa de algum dia ter blasfemado contra o Espírito Santo, saiba que essa atitude é um grande sinal de que você não cometeu tal pecado imperdoável.

Por mais grave que seja o seu pecado, se ouvirdes a voz do Espírito Santo através da mensagem do Evangelho, e com sincero arrependimento clamar pela misericórdia do Senhor, certamente você encontrará o perdão.

Por outro lado, aquele que comete o imperdoável pecado da blasfêmia contra o Espírito Santo, jamais atenderá o chamado: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o coração” (Salmo 95:7,8). Ele nunca será perdoado porque ele não tem do que se arrepender.

 

https://estiloadoracao.com/blasfemia-contra-o-espirito-santo/

XII-HISTÓRIA INSPIRADORA São João Maria Vianney- o pároco que quis ser “cancelado”

 

 

XII-HISTÓRIA INSPIRADORA

São João Maria Vianney- o pároco que quis ser “cancelado”

Quando um grupo fez um documento para tirá-lo do cargo de pároco, São João Maria Vianney pediu para ver a petição e ele mesmo a assinou!

São João Maria Vianney é amplamente conhecido por sua santidade como simples pároco. No entanto, durante sua vida, muitos paroquianos e clérigos queriam que ele fosse "cancelado".

Eles não gostavam da maneira como ele pregava e das horas que passava no confessionário.

Uma biografia do século 19 escrita por Abbé Alfred Monnin explica a oposição que ele enfrentou:

"[Uma] reunião foi realizada com alguns dos clérigos mais influentes, e se chegou à resolução de fazer uma reclamação formal ao novo Bispo de Belley sobre o zelo imprudente e o entusiasmo travesso desse cura ignorante e tolo. Esta intenção foi dada a conhecer a Vianney, numa carta escrita por um dos membros nos termos mais amargos e contundentes."

A carta incluía uma petição para remover São João Maria Vianney de seu cargo de pároco. Mas quando ele próprio viu o documento, foi em frente e também o assinou!

“Eu esperava diariamente”, disse ele, “ser expulso com golpes de minha paróquia; ser silenciado e condenado a terminar meus dias na prisão, como um justo castigo por ter ousado ficar tanto tempo em um lugar onde eu só poderia ser um estorvo para qualquer bem.” Uma dessas cartas de acusação caiu em suas mãos, ele a endossou com seu próprio nome e a enviou a seus superiores. “Desta vez”, disse ele, “eles certamente terão sucesso, pois têm minha própria assinatura”.

São João Vianney não tinha medo de ser “cancelado”, porque não queria atrapalhar a obra de Deus. Ele era um mero instrumento, e se Deus não precisava mais dele, ele estava contente com tal destino.

Além disso, ele acreditava que o orgulho era um pecado mortal, e, em certa homilia, detalhou com o que um homem orgulhoso se parecia:

O orgulhoso está sempre se depreciando, para que as pessoas o elogiem ainda mais. Quanto mais o orgulhoso se rebaixa, mais procura elevar seu miserável nada. Ele relata o que fez e o que não fez; alimenta sua imaginação com o que foi dito em elogio a ele; nunca se contenta com elogios. Vejam, meus filhos, se vocês apenas mostrarem um pouco de desagrado contra um homem que se entrega ao amor próprio, ele se zanga e os acusa de ignorância ou injustiça para com ele.

Em vez disso, ele acreditava que a chave para a humildade era se ver como você é diante de Deus.

Meus filhos, somos na realidade apenas o que somos aos olhos de Deus e nada mais. Não é muito claro e evidente que não somos nada, que nada podemos fazer, que somos muito infelizes? Podemos perder de vista nossos pecados e deixar de nos humilhar?

Se considerássemos bem o que somos, a humildade seria fácil para nós e o demônio do orgulho não teria mais espaço em nosso coração.

Acima de tudo, São João Maria Vianney aceitou cada cruz em sua vida como vinda das mãos de Deus.

Ele não tentou se defender e, em várias ocasiões, estava disposto a ser destituído do cargo de pároco.

De fato, São João Maria Vianney simplesmente queria transmitir a mensagem de Deus, não a palavra dele.

https://pt.aleteia.org/2021/08/06/sao-joao-maria-vianney-o-paroco-que-quiser-ser-cancelado