10- SANTO
AGOSTINHO E O BANQUETE
O
Banquete: imagem do Reino e da Eucaristia
Na parábola, um homem
prepara um grande banquete e convida muitos. Quando chega a hora da festa, os
convidados começam a dar desculpas: um comprou um campo, outro bois, outro
acabou de se casar. Diante da recusa, o anfitrião manda chamar os pobres,
cegos, coxos e aleijados, até que sua casa se encha.
Para os santos doutores,
o banquete representa
o Reino de Deus,
e o convite é
o chamado à
salvação feito por Cristo.
Contudo, essa imagem também possui um sentido sacramental e eucarístico:
Deus prepara uma mesa onde Ele mesmo se oferece como alimento — a Eucaristia, o
banquete do amor.
Santo
Agostinho: o convite recusado e os apegos do coração
Em seus Sermões 112 e 113, Santo
Agostinho explica que os primeiros
convidados simbolizam o povo de Israel, que
recebeu a Lei e os Profetas, mas muitos rejeitaram o Messias.
As desculpas revelam os apegos
terrenos que impedem o homem de aceitar o chamado divino:
·
O campo representa o apego
às posses;
·
Os bois, o excesso
de trabalho e as preocupações mundanas;
·
O casamento, o prazer
desordenado e os afetos que desviam o coração de Deus.
Quando o homem se prende
às coisas da terra, fecha-se à graça do céu. Por isso, diz Santo Agostinho:
“Deus nos convida ao seu
banquete, e o banquete é Ele mesmo. Comei Aquele que vos chama; vivei por
Aquele que vos alimenta.”
(Sermão 112,7)
Os pobres e aleijados representam
os pecadores
arrependidos, os humildes
e simples, que reconhecem sua miséria e aceitam o convite. Eles
são os que entram no banquete do Reino porque sabem que nada têm a oferecer —
apenas o desejo sincero de Deus.
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