quinta-feira, 8 de outubro de 2026

10- SANTO AGOSTINHO E O BANQUETE

 

 

10-  SANTO AGOSTINHO E O BANQUETE

O Banquete: imagem do Reino e da Eucaristia

Na parábola, um homem prepara um grande banquete e convida muitos. Quando chega a hora da festa, os convidados começam a dar desculpas: um comprou um campo, outro bois, outro acabou de se casar. Diante da recusa, o anfitrião manda chamar os pobres, cegos, coxos e aleijados, até que sua casa se encha.

Para os santos doutores, o banquete representa o Reino de Deus, e o convite é o chamado à salvação feito por Cristo.
Contudo, essa imagem também possui um sentido sacramental e eucarístico: Deus prepara uma mesa onde Ele mesmo se oferece como alimento — a Eucaristia, o banquete do amor.

Santo Agostinho: o convite recusado e os apegos do coração

Em seus Sermões 112 e 113, Santo Agostinho explica que os primeiros convidados simbolizam o povo de Israel, que recebeu a Lei e os Profetas, mas muitos rejeitaram o Messias.
As desculpas revelam os apegos terrenos que impedem o homem de aceitar o chamado divino:

·         O campo representa o apego às posses;

·         Os bois, o excesso de trabalho e as preocupações mundanas;

·         O casamento, o prazer desordenado e os afetos que desviam o coração de Deus.

Quando o homem se prende às coisas da terra, fecha-se à graça do céu. Por isso, diz Santo Agostinho:

“Deus nos convida ao seu banquete, e o banquete é Ele mesmo. Comei Aquele que vos chama; vivei por Aquele que vos alimenta.”
(Sermão 112,7)

Os pobres e aleijados representam os pecadores arrependidos, os humildes e simples, que reconhecem sua miséria e aceitam o convite. Eles são os que entram no banquete do Reino porque sabem que nada têm a oferecer — apenas o desejo sincero de Deus.

 

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