4.2-"UM ESTRANHO NO REDIL"
Eu achava estranho esse evangelho do Bom Pastor no tempo pascal,
parece que interrompem-se bruscamente as narrativas das famosas aparições
de Jesus Ressuscitado ao discípulos , tão cheias de mistério e encanto, para
falar de um assunto que não tem nada a ver, mencionando palavras repetitivas
como redil, porta, pastor, ovelhas....E alguns adjetivos como, estranho,
ladrão, assaltante, que nos faz imediatamente pensar nos outros, naqueles que
são de fora do rebanho, nos que hostilizam a Igreja e o Reino de Deus, são
esses que devemos ter cuidado, mas não ! Jesus fala com os de “dentro”, ou
seja, com a comunidade, e aqui precisamos tomar muito cuidado, para não nos
julgarmos como membros exclusivos de um Rebanho de qualidade superior a todos
os demais, os “queridinhos e prediletos” de Deus.
E uma boa chave de leitura aparece logo no início do evangelho:
Jesus é a Porta!Para entrar no Redil, para fazer parte da comunidade da Igreja,
só há uma porta: Jesus Cristo, é ele que no dia do nosso Batismo nos introduz
na comunidade. Não posso ser Cristão por razões ideológicas, ou para
sentir-me bem com a minha consciência, vivendo em paz, sem preocupações nesta
vida. Não posso tão pouco participar da comunidade e das celebrações apenas por
preceito, pois existe aí o perigo dos nossos interesses falarem mais alto,
conheci dois casos diferentes, em um deles, porque mudaram as músicas que
vinham sendo cantadas, um instrumentista enfiou o violão no saco e saiu pisando
duro, dizendo que nunca mais botaria os pés na igreja, e conheci um
acordeonista, que ao contrário, começando a tocar em celebrações sertanejas, tornou-se
um membro ativo da comunidade e tomou gosto pela vida em comunhão, ai está a
grande diferença entre, ser freqüentador da comunidade, e ser um Seguidor de
Jesus de Nazaré. Quem tornou-se cristão por causa de Jesus, após ter feito com
ele uma experiência profunda de Vida em comunhão, passou pela Porta, mas
aqueles que são meros freqüentadores, e não fizeram ainda essa experiência
querigmática com o Senhor, são os que pularam a janela, entraram as escondidas
pelos fundos, e quando chega a crise, esses mercenários são os primeiros
a darem no pé, porque sentem que vão perder algo.
Mudam de igreja, de comunidade, de paróquia, de grupo, e nunca
se encontram, há os que mudam até de família, passam a vida procurando a
perfeição do cristianismo, e não encontrando acabam caindo no desânimo e
frustração descobrindo mais tarde, que quem tinha de mudar eram eles, e
não as pessoas.
Quando nossos interesses falam mais alto que as coisas do Reino
de Deus, nos tornamos estranhos no ninho, ladrões e assaltantes, porque
roubamos o espaço e o tempo da assembléia, das pastorais e movimentos, só para
vender nossa imagem fazendo o nosso marketing pessoal. Tornamo-nos estranhos ao
rebanho porque a nossa conduta e procedimento, e o jeito de pensar, não
reflete de forma alguma o santo evangelho, a vida de comunhão ou a koinonia
como diz o termo grego.
Ao contrário, quem passa pela Porta que é Jesus Cristo, torna-se
também um pastor, aquele que cuida, mostra o caminho, socorre os fracos e
feridos, que na comunidade são tantos, e se for preciso, carregam no colo as
ovelhinhas que não podem caminhar, exatamente como faz esse Bom Pastor que é
Jesus Cristo. As ovelhas o seguem, porque ouvem e conhecem sua voz, ou seja, a
relação com ele é marcada por uma grande intimidade, de quem conhece a voz,
isso é, a Palavra de Deus, e que por isso se torna um discípulo.
Claro que o evangelho desse 4º Domingo da Páscoa, fala forte no
coração dos jovens despertando uma possível vocação, projetando esse pastoreio
na Vocação Sacerdotal, mas é preciso essa compreensão mais ampla de que somos
todos ovelhas e pastores, somos cuidados mas também somos cuidadores, em um
amor co responsável, que vai ao encontro do outro porque o aceita como
irmão no Senhor Jesus.
E há na segunda leitura dessa liturgia, uma afirmação do
apóstolo Pedro, que reforça essa comunhão de vida: Carregou os nossos pecados
em seu corpo sobre o madeiro, para que , mortos aos nossos pecados vivamos para
a Justiça.
Ser comunidade é carregar o outro em nossa vida, com todos os
seus pecados e defeitos, fazer isso por puro amor, amor que aceita, que
compreende, que perdoa sempre e é misericordioso, pois carregar o outro com
seus carismas e perfeições, não requer nenhum sacrifício e é até agradável.A
exemplo de Jesus, Nosso Deus e Senhor, sejamos todos pastores e que aprendamos
a amar a todos, mesmo os “estranhos” do Redil, pois o amor poderá salvá-los,
levando-os a uma experiência sincera com Jesus.
José da Cruz é Diácono
da
Paróquia Nossa Senhora
Consolata – Votorantim – SP
E-mail jotacruz3051@gmail.com
http://www.npdbrasil.com.br/religiao/rel_hom_gotas0335.htm#msg01
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