sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

4-REFLEXÕES PARA O2.º DOMINGO DO T.C.- ANO A 4.1- EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!

 

4-REFLEXÕES PARA O2.º DOMINGO DO T.C.- ANO A

4.1- EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!

Meus irmãos e irmãs, estamos no raiar do Tempo Comum, tempo verde daqueles que caminham cheios de esperança dia a dia, certos de que o Filho de Deus veio habitar entre nós, armou sua tenda (Jo 1,14) e quer, ainda hoje, nos santificar por meio da Sua presença. Neste trecho do Evangelho deste domingo, segundo São João, encontramos uma das declarações mais fortes e centrais de toda a fé cristã. João Batista, ao ver Jesus que se aproximava, proclama: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Essa frase, tão familiar a nós — repetida em cada missa antes da comunhão — carrega uma profundidade teológica e espiritual imensa. Para os judeus daquela época, a imagem do cordeiro estava fortemente ligada ao sacrifício. No Êxodo, na noite da libertação do povo de Israel do Egito, os hebreus sacrificaram um cordeiro e marcaram suas portas com o sangue dele. Esse sangue os salvou da morte. Assim, ao chamar Jesus de “Cordeiro de Deus”, João Batista alude Jesus como o verdadeiro sacrifício pascal. Ele é aquele que se oferece por todos nós, cuja entrega nos livra da escravidão do pecado e da morte eterna. Aqui não se trata apenas dos pecados individuais, mas do pecado do mundo, ou seja, de toda a força do mal que afasta a humanidade de Deus. Jesus não veio apenas nos perdoar — Ele veio tirar o pecado, arrancá-lo pela raiz, curar o coração humano e restaurar a criação inteira. E como Ele faz isso? Não com violência, mas com amor radical. Não impondo, mas se oferecendo. Não condenando, mas se entregando. No decorrer da narrativa evangélica, João ainda diz: “Eu não o conhecia, mas vim batizar com água para que Ele fosse manifestado a Israel.” Quanta humildade e compreensão do mistério da revelação! João reconhece que sua missão era preparar o caminho, apontar para alguém maior. E com isso, é importante notar que João não tenta reter os discípulos para si. Ele sabe que seu papel é conduzir os corações até Jesus. Isso é um grande ensinamento para todos nós, especialmente para quem tem alguma responsabilidade na comunidade: não somos donos da fé de ninguém, mas servos do Evangelho. Assim como João Batista, também nós somos chamados a apontar para Jesus com nossa vida. Que nossas atitudes, nossas palavras, nossas escolhas revelem ao mundo que Jesus está vivo, presente e continua a tirar o pecado do mundo. Mas para isso, precisamos primeiro fazer a experiência pessoal de reconhecê-Lo. Só quem “vê” Jesus com os olhos da fé pode anunciá-Lo com autoridade e convicção. Queridos irmãos, reitero que este Evangelho nos convida à fé profunda naquele que é o Cordeiro de Deus. Ele não veio para julgar, mas para salvar. Ele não veio para condenar, mas para tirar o pecado que nos impede de sermos plenamente livres e felizes. Que possamos, ao nos aproximar da Eucaristia e ouvir novamente as palavras “Eis o Cordeiro de Deus…”, renovar nossa fé, nossa gratidão e nosso compromisso de viver como verdadeiros discípulos Dele.

Dom Cícero Alves de França Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal Região Belém

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