4.2-
POR QUE BATIZAR AS CRIANÇAS?
Com a
celebração do Batismo do Senhor se encerra o Tempo do Natal. A liturgia de hoje
marca o início da vida pública de Jesus, revelando sua missão salvadora e
identidade divina. Jesus se aproxima de João Batista junto aos pecadores que
buscavam conversão. O protesto de João, “Eu é que preciso ser batizado por
ti!”, confirma que Jesus não tinha pecado algum. A resposta de Jesus resume sua
missão, que é realizar plenamente a vontade de Deus: “Devemos cumprir toda a
justiça”. Na Sagrada Escritura, “justiça” significa viver em conformidade com o
projeto divino. Assim se cumpria a profecia de Isaias: “(Ele) proclamará
fielmente a justiça!”. Ao se colocar entre os últimos, Jesus manifesta a lógica
do Reino, onde os pequenos, excluídos e marginalizados são os preferidos de
Deus. De fato, Ele andou por toda parte fazendo o bem e curando os males,
conforme narrado nos Atos dos Apóstolos. No momento do batismo, a manifestação
do Espírito Santo e a voz do Pai, “Este é o meu Filho amado”, confirmam Jesus
como o Messias esperado, único mediador entre o céu e terra. O relacionamento
entre Deus e a humanidade é restabelecido agora não por sistemas religiosos,
mas pela própria pessoa de Jesus. O significado do nosso batismo se revela
neste ato: deixar o pecado para trás e começar uma nova vida em Cristo. Para as
famílias cristãs, o batismo é um momento de profunda alegria e significado. É o
início da caminhada espiritual da criança, um compromisso assumido por pais,
padrinhos e comunidade. Batizar crianças é uma tradição que remonta aos
primeiros tempos da Igreja. A criança é batizada na fé da Igreja, e essa fé
será cultivada ao longo da vida por meio da catequese e do testemunho. O
batismo infantil não compromete a liberdade da criança, visto que ela depende
dos responsáveis para seu desenvolvimento integral, inclusive no âmbito
religioso. Dessa forma, torna-se fundamental o acompanhamento espiritual
contínuo, permitindo que a graça adquirida no batismo possa se desenvolver
plenamente. Ser batizado, em qualquer fase da vida, significa participar da
vida, morte e ressurreição de Cristo, recebendo um sinal espiritual permanente
de pertencimento a Deus. Ao ser crismado, o cristão confirma sua liberdade
religiosa, assumindo conscientemente a missão de Jesus e contribuindo para
anunciar o Evangelho ao mundo como membro efetivo da Igreja. Como disse o Papa
Leão: “uma Igreja que não coloca limites ao amor, que não vê inimigos, mas
apenas pessoas para amar, é exatamente a Igreja de que o mundo precisa” (Dilexi
Te). Que a celebração do Batismo do Senhor nos inspire a renovar nosso
compromisso com Deus. Que possamos ouvir sua voz com sensibilidade ao Espírito
Santo, presente nas situações do dia a dia. E que, como filhos e filhas amados,
vivamos com alegria o amor e a fraternidade que brotam do coração do Pai.
Pe. Jorge Bernardes Vigário Episcopal
Região Ipiranga
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Ano-50A-10-BATISMO-DO-SENHOR.pdf
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