08- A EUCARISTIA NAS FONTES
PATRÍSTICAS
Por Eliseu Wisniewski*
*Presbítero da
Congregação da Missão (padres vicentinos) Província do Sul, mestre em Teologia
pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Eis o artigo:
Sendo a Eucaristia “fonte e ponto culminante de toda a vida
cristã” conforme nos lembra a Constituição do Vaticano II Lumen Gentium (
n. 11), é, evidentemente, de singular importância conhecer os ensinamentos dos
Santos Padres, que, nos primeiros séculos da Igreja, são testemunhas muito
qualificadas da doutrina que, desde o início, iluminou o povo de Deus sobre o
mistério eucarístico e que fez com que os batizados se fortalecessem e se
unissem íntima e eficazmente a Cristo. Esse é o escopo da obra A Eucaristia nas fontes
patrísticas (Paulus, 2024, 136 p.), organizado por
Gillermo Pons. O referido autor nasceu em Menorca, na Espanha, em 1931, e foi
ordenado presbítero em 1954. Na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma,
doutorou-se em História da Igreja. Foi professor no Seminário de Menorca e em
Abancay, no Peru. Tem vários livros e numerosos artigos publicados,
particularmente sobre mariologia e patrística.
Sabedores que a expressão “patrística” cunhada pelo teólogo
luterano João Gerhard, em 1653 indica o conjunto de escritos primitivos da era
cristã, registrando suas experiências, seus ensinamentos, seus rituais e a vida
eclesial – o período patrístico viveu fases distintas: a) origens:
consideram-se os escritos que vão da passagem da Revelação à Tradição,
terminando com o Concílio de Nicéia (325). São textos com grande originalidade
que trazem assimetricamente os ensinamentos da tradição; b) esplendor: é o período
mais fecundo e denso da tradição patrística. Compreende o período desde o
Concílio de Nicéia até o Concílio de Caldedônia (451). Neste período, as
discussões tocam os tratados e os temas nucleares da tradição. Seu conteúdo,
como o símbolo apostólico, organização eclesiástica, rituais e dogmas canônicos
são elaborados e aprovados pelos pastores da Igreja, e, muito especialmente
pelos Concílios Ecumênicos; c) declínio:
engloba o período entre o Concílio de Calcedônia e o final da Patrística, com
Isidoro de Sevilha (636) ou Gregório Magno (604), no Ocidente, e João Damasceno
(730), no Oriente. Este período trata de questões secundárias da tradição, como
a disputa iconoclasta e questões políticas, entre a sociedade civil e a
comunidade eclesiástica.
Tendo em conta esta
divisão Guillermo Pons salienta que no tocante a questão eucarística –
observando os ensinamentos dos Padres da Igreja, torna-se evidente a fidelidade
e a concordância com que professam e comunicam a fé no mistério eucarístico,
partindo fielmente das palavras de Cristo e da doutrina recebida dos apóstolos
e claramente manifestada nos livros do Novo Testamento – é evidente que, mesmo
em meio às oscilações causadas pelas heresias cristológicas, a fé no mistério
eucarístico não sofre objeções diretas, nem se experimentam oscilações ou
desvios perigosos em matéria de fé no mistério eucarístico. Até a Idade Média
não surgirão erros relativos à Eucaristia, os quais, quando aparecem, serão
imediata e vigorosamente rejeitados e darão lugar a um aumento notável da
veneração eclesial e da piedade popular para com o sacramento eucarístico.
O autor observa, ainda
que, a fé no mistério da eucaristia não suscita divisões nem rupturas, mas é,
simultaneamente, objeto de grande atenção e de uma progressiva análise
teológica por parte dos mais significativos mestres da fé, que, ao mesmo tempo,
são ilustres pastores da Igreja, que não só se dedicam ao estudo da doutrina
sobre a Eucaristia, mas também promovem sua cuidadosa e eficiente celebração
litúrgica, e instruem os fiéis para sua presença e participação fecunda nos
sagrados mistérios do augusto sacramento do corpo e sangue de Cristo.
Concentrando a atenção
nos mais destacados Padres e escritores eclesiásticos – Guilhermo Pons
apresenta 112 textos dos Padres sobre: 1) os sinais do pão e do vinho (p.
25-31); 2) a instituição da Eucaristia (p. 33-38); 3) “Fazei isto em memória de
mim” (p. 39-45); 4) a Eucaristia, sacrifício de Cristo (p. 47-55); 5) o
Espírito Santo e a eucaristia (p. 57-62); 6) a presença real de Cristo na
eucaristia(p. 63-69); 7) “tomai, todos, e comei” (p. 71-78); 8) os frutos
da comunhão (p. 79-85); 9) a eucaristia, penhor da glória futura (p. 87-94);
10) eucaristia e martírio (p. 95-103); 11) os anjos e a eucaristia (p.
105-110); 12) a eucaristia e a Mãe do Senhor (p. 11-117).
Beber das fontes
patrísticas… Tendo em conta que os ensinamentos e normas que a Igreja tem
transmitido ao longo dos séculos sobre a comunhão provêm da Sagrada Escritura e
da tradição apostólica o leitor está diante de uma obra na qual são
apresentados belos textos dos Santos Padres relacionados à presença eucarística
do Cristo sacramentado. Através dos escritos patrísticos descobrimos e
apreciamos o quão fielmente a celebração eucarística foi mantida na Igreja e
que grande reverência e amor os cristãos viveram sua fé no mistério da sagrada
Eucaristia.
Estamos diante de um
excelente livro que trata de um tema fundamental para a vida cristã. Estas
belas páginas traduzidas com o maior respeito pelos originais gregos e latinos
dos textos patrísticos são um testemunho de como os padres da Igreja edificaram
os tópicos fundamentais da vida cristã, para crer, celebrar e viver e, no
tocante à eucaristia nos ensinamentos dos Padres da Igreja, torna-se evidente a
fidelidade e a concordância com que professam e comunicam a fé no mistério
eucarístico, partindo fielmente das palavras de Cristo e da doutrina recebida
dos apóstolos e claramente manifestada nos livros do Novo Testamento.
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